16.8.06

[...Nicolais Judelewicz...]

http://www.kenzo.com/kenzo_ah06/index.html
{... as imagens podem ter cor, ou não. Mas a música que as animará num ecrã, pode ou deve transcrever no seu todo, uma só e única sonoridade plástica. Se eu pudesse estar neste preciso momento em Paris... sei bem o que de novo lá faria! Mas, também ainda é cedo para questionar toda a composição sonora da próxima exposição. Afinal de contas, há ainda um ano para criar as imagens que irão mais tarde ser animadas em película. E, só depois disso tudo, é que todos os "acordes" sonoros são realizados. Se eu pudesse estar neste preciso momento em Paris, visitava Nicolais Judelewicz! Sómente se eu pudesse já lá estar... era exactamente o que faria.}

11.8.06

[...Emotione...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF229922-01-01-10.mp3
{... são as coisas simples que compõem a musicalidade da vida. E parece tão simples, esboçar uma partitura cheia de harmonia... Hoje, já é o tempo em que a humanidade perdeu o sentido da harmonia das coisas. Deve ser por isso que há tanto barulho no Mundo! Deve ser, exactamente também por isso, que é cada vez mais urgente procurar o silêncio das coisas. E há tanta emoção nas coisas simples que povoam a vida... e tu? porque não as vês?!... Poderia ser tão simples, abrandar todo esse impressionável ruído que comove a Humanidade. Se eu pudesse, diminuir todo esse desalento e dar mais silêncio ao Mundo, sei bem o que faria! Substituía as armas por pinceís, o som da guerra pelo recolhimento obrigatório ao silêncio, os noticiários informativos por programas educativos e, os políticos por soldados temporais de tonalidade afectiva itensa. Eis, a tela que esboça o quadro da vida! Ter liberdade para o sentir e viver... sem as pressas em encurtar, a importância que a vida tem. Jamais, será impossível imaginar a vida sem emoção.}

8.8.06

[...Refrigescere...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF230301-01-01-02.mp3
{... a água até pode ser transparente, incolor ou tomar a cor de um determinado pigmento que reside na nosssa memória, mas temos sempre a ideia que lhe fica sempre bem os tons de azul. Todas as memórias têm cores... por exemplo, tenho ainda em memória que Portugal é um País de cores diferentes e bem garridas, ladeado por um imenso azul. E desse imenso azul, se avista verde a Norte, um pouco de branco a Centro Norte, laranja amarelado a Centro Sul e azul esverdeado em todo o Sul. Hoje, até parece que há uma tendência para se esbater em todo ele, largas faixas em tons de carmim acastanhado. Vamos lá saber, o que motiva esta mudança? De facto há neste recente fenómeno cromático uma tendência nata em alterar-lhe as cores da memória! Não para desanimar ou afrouxar os animos, é mesmo porque não há nada melhor como um belo mergulho para elevar determinadas cotas de energia. A água até pode ser transparente e incolor, mas após se evaporar há sempre a esperança de que todas as cores retomem de novo o seu lugar. Esfriar, é sempre a palavra de ordem em tempos de grande calor.}

2.8.06

[...Portante/Portare...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF190296-01-02-01.mp3
{...levar, conduzir ou sustentar, são os caminhos que nos apontam para todas as portas que há no corredor da vida. E, são tantas as portas!... Porém, há muitas que deviam estar sempre fechadas. Mas, todas elas dão acesso a outros caminhos repletos de tantas outras portas cujo conteúdo é certamente sempre incógnito. Afinal, todas as portas são peças importantes no nosso caminho. Se fosse possível conhecer o conteúdo de todas elas... não sei ao certo como teriamos tempo para as abrir?!... O mistério da sua existência está no facto de sabermos que ao se abrir uma porta, a esta se juntam tantas outras mais... quantas as que sejam (em tempo real), possíveis de se avistar. Todos somos "portantes"... ou, tudo é "portante" de algo. Tudo se leva e se conduz a um ponto, ou a vários pontos localizáveis no misterioso corredor da vida. Quantas portas haverão exactamente no corredor da vida? Não sei. Mas, se soubesse quais as portas que dão acesso à calmaria das coisas que deviam povoar o Mundo, então seria bem mais fácil, percorrer este misterioso corredor... cuja a última porta a ser aberta, é certamente aquela que completa o nosso ciclo de vida.}

28.7.06

{...Ex [s] istere...}

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF215722-01-02-02.mp3
{... nem tão pouco estarei totalmente de acordo que o ser humano propenderá a minimizar as ideias abstractas a favor das realidades concretas. As realidades, só são de facto realidades concretas quando as mesmas obdecem a determinados parâmetros prédefinidos por nós mesmos. Existir... não é mais que um determinado "estado" dotado de vida, cuja principal fonte de vitalidade é sempre animada pela complexidade da essência das coisas que nos cercam. Se existir é ter existência; viver; estar; ser; haver; subsistir; durar; exibir-se... então quantas mais existências há no nosso Universo?!... Se tudo o que é dotado de vida existe, quantas mais essências existem para além do nosso ângulo de visão? Para já, parece que estamos bem assim. É tudo uma questão de organização do pensamento lógico. O importante é saber questionar. Questionar todas as realidades concretas e todas as ideias abstractas!... Mas o mais o importante disto tudo, é saber como detectar todas as qualidades pelas quais um ser existe e se define. Se eu pudesse definir sempre da mesma maneira o que os meus olhos veêm, então o que uma determinada coisa é, ou o que compreendo que ela é, deixaria de o ser, no momento em que todas as qualidades que a definem, mudem de forma ou de conteúdo. Se não houvesse tanto de abstracto em todas as realidades concretas nas coisas que povoam o Universo, a nossa existência deixaria de fazer sentido!...}

19.7.06

[...Passu + Pede...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF225488-01-01-11.mp3
{...quantas voltas inteiras dão os nossos passos?!... Há passos errados. Há passos certos... há ainda os incompletos. Uns são um pouco mais fortes; mais hábeis; mais velozes; mais tímidos; mais falsos ou mais certeiros. Todos eles são itinerários da nossa passagem. Se eu pudesse contar os meus passos, sei bem o que faria!... Ampliava desde logo o chão da vida a percorrer. E se ainda fosse possível... programaria o tapete da vida. Oh, se tudo isto fosse possível! Quanto mais chão haveria para pousar um pé de cada vez de um lado para o outro?!... Só assim, seria possível convencer o "Contador de Passos" que precisamos de muito mais tempo do que o previsto para atravessar todos os lugares, de um lado para o outro... passo a passo, até à estreita porta que dá acesso ao infinito. E se tudo isto fosse possível? Que bom que seria, se o "Contador de Passos" cruzasse em nosso caminho! Era bem mais fácil pedir-lhe que de uma vez por todas [a passos contados] amplie para sempre, o nosso chão da vida.}

10.7.06

[...Exprobrare...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF226003-02-01-02.mp3
{... lançar em rosto possíveis censuras é um acto consciente de acusação. Há quem acuse o próximo por mero defeito. O importante é acusar sem observar! Acusar por isto ou por aquilo uma determinada pessoa, como que se fosse esse o verdadeiro caminho da sua própria libertação acusatória. Um rosto não é um rosto, se os músculos que o suportam ficarem totalmente inertes perante um possível exprobrador. Há também diversos tipos de exprobradores. Os que exprobram e os que são exprobrados!... Mas, por mais que se procure pôr um rosto a descoberto, é preciso não esquecer que há em todos esses músculos uma provável aparência dum sentimento oposto ao reverso.
Há sentimentos que se esbatem na fisionomia de todos os rostos. Há ainda, a impossibilidade de se desvendar o que habita na alma de cada um deles - os quais-, por mais que sejam sujeitos à exprobração alheia... ficam indiferentes ao outro lado da medalha. Será que é possível descrever quantos semblantes existirão num só rosto? Por mais que se observe quais os sentimentos que cada um sabe exprimir... jamais devemos esquecer que nunca sabemos ao certo, qual a sua sinceridade por unidade de superfície!...}

2.7.06

[...unitate...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF222808-01-01-04.mp3
{...eis o que acontece, quando se reune várias partes num todo só. É a determinante força do espírito, o grande objecto unificador da matéria no tempo. É através desta grandeza determinada [a força] que a coerência dos objectivos convergem para um só todo. Seria tudo mais fácil, se a força que nos anima tivesse sempre a mesma intensidade. Mas, nem todas as correntes são contínuas. Há também as correntes alternas, as opostas, as divergentes e outras tantas de intensidades bem diferentes. Se se suprimisse à matéria do corpo a força do espírito, o que seria de nós?!... O que seria do povo Lusitano sem a força telúrica do espírito? Há também povos assim... como nós! Que juntam em conformidade os seus sentimentos a um possível objecto de vitória. O prolongamento da eterna capacidade desconhecida do "eu" provém dessa mesma força... eis, o que acontece quando se reune várias partes, num todo só! Porém, ainda dizem... que nínguém sabe ao certo qual a força que nos anima?!... Talvez faça também ela, parte do nosso tão determinante segredo. Mas, o mais importante de tudo isto, começa em jamais se suprimir o espírito do corpo, para que a intensidade da força seja para todo o sempre uma corrente uniforme e contínua. E, há ainda quem diga... que não sabe o certo, qual a força que nos anima!...}

28.6.06

[...Taliatu...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF220625-01-01-10.mp3
{...e se estreita a matéria através de gestos que por vezes são apenas produto da gesticulação mental. Há gestos que só existem na mente. Há porém gestos que nunca passam a barreira da realidade das coisas. Nunca passam à acção!... O Mundo está repleto desses gestos. Estar parado e olhar a matéria que se encontra perante os nossos olhos é activar o eixo dos sentidos. Porque será que se procura a alma das coisas? Porque será que há tanto desencontro na sua procura? E se pudessemos moldar os gestos das coisas? Teriamos de executar sucessivas incisões no corpo das coisas e voltar a combinar toda a matéria tallhada. Recriar, dividir, aparar, descobrir e desvendar que a alma também se talha! Se eu pudesse talhar o gesto das coisas, sei bem o que faria! Recordaria apenas, só aquilo que pretendo não apagar da memória das coisas e cortaria todas as porções desnecessárias. Apagaria ainda todas as lascas, nacos ou fatias de tudo aquilo que não possui matéria. E, através de todas estas necessárias operações cirúrgicas, estreitaria toda e qualquer matéria... que nem a alma das coisas têm!}

22.6.06

[...repausar...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF221971-01-01-03.mp3
{... para apurar certos tons, é preciso envolver determinados pigmentos até se obterem as cores pretendidas. O objectivo perfeito: a cor!... Sempre as cores. E como na vida tudo tem o seu início, aqui neste complexo processo tudo começa no simples facto de se meterem determinados pigmentos dentro dum envoltório... e incluir; enfaixar; enrolar; cercar... toda essa matéria cromática. Eis a fase do comprometimento entre a cor e o pigmento. Afinal até as cores se comprometem. Quantos anos de vida terá a cor? Elas ficam... nunca morrem. Perduram no tempo. Já a sua representatividade tem os dias contados. Se hoje são... amanhã deixam de ser. Tudo se deixa, ou se deixa tudo por vezes, muito antes da sua projecção no futuro. Também as cores passam a fase da intriga... e, também os pigmentos se confundem. Por vezes gritam os amarelos aos laranjas; os azuis aos esverdeados; os brancos aos sombreados; os pretos aos anilados; os traços aos ponteados; as formas às texturas; a geometria à escrita... e tudo grita numa imensa surdina!... É a fase final para a sua eternidade: a superfície branca. Repousar no branco todas as cores... sempre as cores.}

20.6.06

[...Videre...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF223509-01-01-01.mp3
{...há uma grande diferença entre Ver e Olhar. Há também uma grande diferença entre Ser e Sentir. Há ainda aqueles que apenas são... algo. Isto é, são apenas básicamente algo. Não vêem nem sentem... apenas são um pouco de algo. Será que ser algo também se exprimenta?!... Se eu pudesse exprimentar ser apenas algo, básicamente deixaria de percorrer o sentido da vista. Passaria a olhar e não a ver. A observar e não a notar que existe muito mais do que os nossos olhos podem ver. Se eu pudesse ver a alma das coisas, sei bem o que faria. Voltaria a percorrer o sentido da vista por todas as coisas que povoam o Universo. Se Ver não é a mesma coisa que Olhar... nem Ser o mesmo que Sentir, então o caminho que nos leva até à alma das coisas... está no vasto exercício que a nossa mente possui em detectar todas as linhas, e que por vezes apesar de serem quase invisíveis aos nossos olhos, se encontram suspensas na organização lógica do raciocínio. Talvez seja por isso que a alma das coisas é invisível. E é talvez por isso mesmo que só os demais se reconhecem através do modo como percorrem o sentido da vista. Afinal, será que há muito mais para Observar... para além do simples acto de Ver?}

14.6.06

[...In-+substituível...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF223170-01-01-01.mp3
{... há saudades inigualáveis que apesar de estarem escondidas no pensamento, estão sempre prontas a despertar os sentidos. Recordar agradáveis saudades, é recordar... um pouco de nós próprios perante algo que nos foi absolutamente marcante no espaço e no tempo. Porque será que há momentos assim? Porque há determinados lugares que nos trazem uma saudade imensa, apesar de nem sabermos que existem? Também há lugares assim... na memória do pensamento. E, é exactamente porque há saudades insubstituíveis... que recordo hoje, talvez porque chove, esta saudade imensa do que foi ou, de tudo aquilo que existe ainda para recordar neste lugar. Porque será que é tão bom... recordar saudades insubstituíveis?!... Talvez seja esta, a forma com que projectamos novas saudades, novos lugares ou novas memórias em outros novos espaços... escondidos ainda do nosso olhar. Ter saudade, é uma força anímica que nos leva a continuar em frente... até outro tempo, até outro lugar... onde só um determinado momento e sem sabermos porquê, fica para todo o sempre... insubstituível!}

12.6.06

[...Fluctuare...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF223509-01-01-01.mp3
{...estar sempre no momento exacto da indecisão das coisas, é perpetuar num estado perfeito de agitação dos sentidos. Esse estado quase que perfeito (os sentidos), são sempre animados pela motivante criação do "Se". Oh! se... se tanta coisa não seria outra coisa, apenas com um simples se!... É essa inconstancia que anima todas as memórias. A vida não é mais, do que um infindável conjunto de hesitações. A perplexidade do "Se" é um instrumento de procura para a felicidade que julgamos por vezes estar ela... vacilando à nossa frente. Afinal, não é a própria felicidade, resultante do somatório dos momentos que flutuam de um lado para o outro, no mapa secreto da vida? Se eu pudesse atar esses momentos uns aos outros, sei bem o que faria...Oh! Se... tanta coisa não seria outra coisa. Mas, o mais importante de tudo isto é saber estar naquele exacto momento da indecisão... estar, vacilar, hesitar, ficar alí... deixar estar... apenas atar aquele momento à linha da vida. E, "se" o chão agitar... é porque se deve voltar a flutuar, outra vez... até ao novo momento da indecisão das coisas!... Como é bom saber flutuar através do tempo...pelo vento, pelo mar... pelos fragmentos dos segredos que nos levam sempre a esse tão desejado lugar!...}

9.6.06

[...re-+bater...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF218052-01-01-01.mp3
{... são inúmeras as sombras que se podem rebater na multiplicidade dos planos existentes no espaço. As sombras também se transformam... e quando observamos atentamente determinadas silhuetas... num isolado ponto dessa constante mudança... é, porque há a necessidade de repensar em toda a sua existência. Rebater as múltiplas sombras da nossa existência... é saber reencontrar ou descobrir o plano estratégico para nos mantermos no mundo, em torno da linha de intersecção dos dois. Tivesse o mundo mais dimensões ou planos projectáveis que seriamos então, meros espectadores da nossa própria sombra. Como tudo seria mais fácil! Projectar a nossa própria sombra num determinado lugar do espaço e no tempo... sem sairmos do mesmo local!... Se eu pudesse hoje, projectar a minha sombra no espaço... sei bem o que faria. Rebatia o futuro num determinado momento do passado, e voltaria a isolar a tua sombra na minha mão.}

6.6.06

[...À Boca Do Tempo...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF208611-01-01-12.mp3
{... por vezes há uma vontade imensa de paralisar o tempo e suspender a linearidade do espaço. Por vezes... é tempo de sentir uma enorme vontade de permanência num lugar, onde o espaço não percorre no tempo... como se fosse possível apagar a linha de tudo o que é transitório. Deixar o tempo passar e ficar simplesmente, num lugar sem marcas da nossa própria passagem. Será que o tempo é transitório? Existirá alguma coisa para ver... para além da sombra do tempo? Estar à boca do tempo, é esperar que alguma coisa aconteça. Por isso se fica alí... por vezes, à espera daquele momento. Se o tempo não espera... e é uma mera presença transitória, porque se está sempre à espera que algo aconteça? Até nessa espera, o tempo passa... por nós! Deve ser isso que estamos à espera... de que o espaço percorrido traga os nossos passos, como uma repetição reconhecível de tudo o que existiu... ou existe. Haverá mais alguma coisa para ver... para além da sombra do tempo? Não sei! Se eu pudesse parar o tempo... sei bem o que faria. Talvez... porque creio que à boca do tempo, só os relógios param.}

5.6.06

[...Mente Versus Rostru...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF220003-01-01-14.mp3
{... quantos rostos habitarão a nossa mente? Se tudo o que nos é desconhecido tem um rosto, quantos rostos mais... serão possíveis descobrir? Um dia, o filho de um ilustre poeta em tom de segredo, contou-me que a sua mente à noite era quase sempre assaltada por inúmeras faces... antes do sono tomar conta dele. Sempre achei esta revelação interessante!... Há quem seja também assaltado por inúmeros rostos durante o dia. É, o fenómeno do passeio público... as pessoas fixam certos rostos com quem se cruzam, e quase todos eles são ou não, parecidos com alguém. Depois, depois... é só reter essa imagem na mente, e activá-la durante a fase do sono. Que bom que seria se pudessemos activar durante o sono, as faces eleitas da nossa vida! Que se dane o desconhecido. Tudo deveria ser programável!... O desconhecido deixaria de existir, os rostos passariam a ser pintados por nós... o sono, seria então povoado sómente por estados de espírito programáveis e disponíveis em qualquer fármacia de serviço. Como seria a vida sem o desconhecido?!... Só de pensar que há tanta gente programada para nem sentir coisa nenhuma... que sou desde já assaltada pela presença de mais um semblante que irá habitar não a minha mente... mas sim, uma das minhas possíveis telas.}

3.6.06

[...Reciclar o Abstrato...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF222335-01-01-18.mp3
{... há quem diga que existem túneis no interior da terra habitáveis por seres jamais vistos. Alguém escreveu, que são grutas infindáveis... e que a terra é oca! Ora, se o Céu é o reflexo do Mar... então, o centro do Universo está no interior da Terra! O ponto fulcral do ínicio do infinito deverá estar algures, entre os polos da terra... e o resto é uma miragem. Nem sei, porque se teima em ir á Lua e a Marte. Nem sei, porque se envia tanto equipamento tecnológico para o alto dos Céus!... Será que é por isso que os Gauleses... temem que o Céu lhes tombe na cabeça?!... Será que todos os segredos estão há muito... assim tão bem guardados mesmo debaixo dos nossos pés? Deste modo... é no interior da Terra que deve estar a dita porta. O tal acesso de entrada que nos leva para outro Universo. Ás tantas... todas as naves voadoras que já cruzaram os nossos Céus, estão lá estacionadas. Safa!... Continuando a divagar desta maneira dá para questionar, na quantidade de "coisas" que devem estar no seu interior ! Abandonadas todas as teorias... hoje, quando estiver a mergulhar no Mar do Guincho, não pensarei em nada disso... concentro-me apenas, nas cores que terão os peixes... e, que dalí não os posso ver!...}

1.6.06

[...dilutu...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF217259-01-01-02.mp3
{... diminuir a intensidade de mistura dos pigmentos, é o modo perfeito para a obtenção da cor pretendida. A essa intensidade... há sempre um factor deduzível a tudo aquilo que nos rodeia. Ainda bem que tudo tem uma cor... ainda bem que se diluem cores a outras tantas cores, ausentes de casuais solutos ou dissolventes. Dissolver cores... não é desagregar a sua própria existência. É pois, uma forma de prever uma nova organização cromática a tudo aquilo que já não estava unido. Por isso, se dilui tanta coisa no tempo até se atingir, o seu estado perfeito de cor. Será que é possível diluir o futuro? Se ao pintar um quadro, se projecta o futuro... então é possível obter a sua dissolução! Se eu pudesse diluir o futuro... sei o que faria! Juntaria novamente determinadas cores que há muito habitam em outras paredes que não as minhas... e voltaria a ter as mesmas telas... que de tão minhas já foram... e se diluiram para sempre no tempo que já não me pertence. Ainda bem que tudo tem cor... ainda bem que só as cores se diluem para sempre.}

31.5.06

[...introspectione...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF215612-01-01-08.mp3
{...percorrer o labirinto da consciência... é aplicar a nossa atenção para dentro. Tudo flui quando penetramos no eu ou no sobre-eu... das coisas extraordinárias que povoam a mente. Estabelecido esse contacto... o imaginário deixa o espaço intra-ocular para executar ou descrever tudo o que se passa... ou, que lhe foi atribuído... através de imagens existentes na memória como a principal alavanca da intuição artística. Expor... é pressentir uma verdade. É estagnar pictoricamente numa superfície branca... determinados momentos e experiências ocorridos ou não... no tempo. O que vale é que no laboratório da introspecção... há muitos tempos alheios à nossa própria vivência! Isto é, não é preciso viver certos momentos para os representar... é aqui que o imaginário se torna, o grande aliado da criatividade. Quantos códigos de resposta a essas situações existirão na nossa mente?
É de certo um processo complexo. Se represento através da gestualidade das cores, determinadas emoções... por vezes pergunto... quantas delas estarão ausentes de todos os estímulos que nos levam à percepção das coisas?
Se não fosse o mundo imaginário... o que seria de nós?
Nesse mundo pictórico e abstrato... basta apenas saber observar todas as coisas... não é preciso vivê-las.
Se expor é pressintir uma verdade... o que seria de nós, sem o introspectivo mundo imaginário? Não sei! Só sei que exponho porque pressinto determinadas verdades...}

29.5.06

[...In+resistivel...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF219843-01-01-06.mp3
{ A insuperável vontade do vazio... é um estado perfeito de apelo à criatividade. Estar fechado em laboratório... não é mais que abraçar o vazio. É ficar ali... saboriando o confronto do Eu com todas as coisas que povoam o Universo.

Estar... ficar... abraçar... silêncio... necessidade... criar.
Apenas isso... criar uma linguagem sensitiva através da irresistível vontade do vazio. A este inevitável momento... tudo parece passar devagar... ou, nada acontece no Mundo para além do que alí tem lugar.
É estar entregue à continuidade das diversas metamorfoses do vazio... que de tão preenchidos por ele... ficamos ausentes de tudo aquilo que nos rodeia.
Se a irresistibilidade do vazio fosse entendida por todos aqueles que habitam o mundo... tantas mais coisas que perduram no tempo seriam certamente concluídas.
Essa vontade... a que não se pode resistir, é um processo de entrega do "Eu" ao "Outro"... em que o "Outro" não é mais do que o nosso próprio reflexo esbatido na densa suavidade do vazio. Criar é isso... é a entrega tranquila que nos aguarda e nos abraça, sempre com a mesma intensidade.}