17.10.06

[...Aggasaliare...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF233255-01-01-11.mp3
{... na maior parte das vezes basta um gesto! Na maior parte das vezes, há falta de tempo para arrecadar gestos tão simples. Na grande parte das vezes, só na grande parte das vezes, não se fica ausente a um apelo tão simples. Há apelos mudos esbatidos no cinzentismo alheio. Há ainda, apelos surdos à sua possível hospedagem... Na maior parte das vezes, é mais fácil agasalhar do que ser agasalhado. Recolhido o abraço, o gesto nem sempre perde todo o seu rigor de acolhimento. Talvez por isso, há quem ande sempre resguardado dos gestos simples. Afinal, na maior parte das vezes, tanta coisa acontece num só simples gesto.}

11.10.06

[...Ante - Pecattu...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF181900-01-01-02.mp3
{... antes do o ser, o pecado também se liberta. Há pecados desiguais, mas todos eles nos levam sempre, ou quase sempre, ao mesmo sentimento de culpa. Fechar os olhos perante os pecados que há no Mundo, não é mais do que aceitarmos viver em constante sentimento de culpa. Falar de pecado, é pois, a grande viagem que realizamos ao interior de nós próprios. Dos pecados universais aos mortais, há ainda aqueles que nunca passam concretamente à acção, apesar de terem existido em pensamento. Será que só o pecado que se concretiza, é na realidade pecado? Há também pecados assim... Afinal, a mordedura do pecado atinge todos nós. Talvez por isso se diz que pecar é humano. Estruturar pictóricamente a culpabilidade do pecado é estar também vulnerável a esse sentimento. Por isso, há sempre mais do que um rosto: o Eu e o Mim. Então, representar o rosto do pecado, é repensar sempre na sua mais urgente libertação. Porque existem vários momentos assim, há cá um quadro destes desejando-se libertar em novas paredes. Se eu pudesse, era hoje que eu o vendia!}

6.10.06

[...Há Lá...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF231632-01-01-11.mp3
{... há lá! Também há lá um quadro assim. Neste convento em plena Serra d'Ossa, no interior da sala dos paços perdidos, oiço o vento quando o observo.
Se o vento tivesse cor, aqui nesta serra, o vento poderia ser ainda mais azul, tal como o vejo neste quadro. Afinal, o vento também vai de partida, ao se cansar na chegada. Nunca entendi quem sopra o vento... para onde vai e donde vem. Se pudesse ir com ele, daria hoje a volta ao Mundo. Dizem que lá de cima, se vê uma enorme mancha azul.... Há lá em cima tanta coisa que deve ser bem difícil, registar numa só vez todo o seu movimento. Nunca saberei ao certo, o que há lá exactamente... Repensar o movimento do vento, é como articular o destino, em múltiplas partidas e chegadas que convergem sempre para um mesmo lugar. Se calhar, é isso que oiço quando o observo. Que cor terá exactamente o vento? Não sei. Mas, em salas de cores perdidas há lá sempre paços reencontrados.}

29.9.06

[...entitate / luce...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF213564-02-01-05.mp3
{... na sua essência a luz é uma entidade viva. É fluxo radiante que ilumina todas as superfícies. E todas elas, das mais saturadas às mais ausentes de cor, se transformam e adquirem a sua personalidade própria. Sem esta entidade o mundo seria outro mundo, ou talvez seja este Mundo um simples recanto de activação da memória do que foi em tempos todo o restante Universo: cheio de luz!... E se a luz se apagar um dia, como evoluirá a nossa capacidade de abstração neste Mundo? É talvez este, o último segredo da nossa existência. Há porém, quem acredite que a luz é uma entidade que jamais desvanece. Acreditar nessa evidência, é já possuir um pouco do clarão que nos ilumina e nos conduz à verdade dos nossos instintos. Viver sem determinadas verdades, é como habitar numa cidade às escuras. Na sua essência a luz é... a verdade que por último sempre se procura!...}

21.9.06

[...time brings a change...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF231632-01-01-04.mp3
{... tudo se reflete no soalho dos nossos dias. Os espaços também se renovam com as mudanças do tempo. Tudo se transforma. Ainda bem que a luz que envolve o soalho dos nossos dias é sempre desigual. Pois só assim, se podem recriar novos espaços no tempo. Como é bom sentir a diferença dos dias. Para onde vou, lá naquele lugar, o tempo passa bem mais devagar. Há tempo para observar, em tudo aquilo que se reflete no soalho dos nossos dias. Como é importante saber gerir o nosso tempo... Tudo se passa à nossa frente e por vezes, nem se dá conta que todos os momentos passados no tempo, nunca são realmente iguais. Há também quem pense assim. Ter tempo para observar, é reflectir na desigualdade dos dias. Para onde vou, naquele lugar, há um novo espaço no tempo.}

16.9.06

[...Senhor Teatro...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF227705-01-01-14.mp3
{... há sentimentos provocados. Há também sentimentos inexistentes. Há ainda o vazio e a eforia das coisas que incentivam a virtualidade das expressões. Em cima de um palco, quantas mais razões que todas aquelas descritas num dado elenco, existirão? É sempre a eterna e questionável dúvida; a da rigorosa repitação de determinadas expressões. É uma acrobacia decerto desigual. Se pudéssemos reviver a vida, como se ao mesmo palco voltássemos, tantas quantas vezes quiséssemos, será que valeria a pena ensaiar tudo de novo? Talvez, em muitos dos casos, pudéssemos alterar o momento em que tudo acontece. O mesmo momento que nos identifica e nos diferencia neste grande palco de ilusões.}

10.9.06

[...Chão de Prata...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF233317-01-01-02.mp3
{... há dias em que o rosto se ausenta de si mesmo. Há também dias sem se sorrir. Por vezes, o sorriso também muda de endereço e também ele vagueia no espaço. Há ainda quem mude de génio muitas vezes ao dia. Há também quem tenha dias assim. E, há ainda dias para se substituir uma coisa por outra. Há sempre uma vontade imensa na mudança dos dias. Como é importante mudar!... Mudar de casa, de roupa, de aparência, de endereço ou até mesmo, mudar a direcção das coisas que nos fazem realmente sorrir. Afinal, podemos sempre mudar tudo, ou quase tudo nesta vida... É tão fácil transformar tudo o que nos entristece com um simples sorriso. Sorrir, é o caminho que nos leva a percorrer o tão desejado chão de prata. Se eu pudesse, seguia eternamente nessa direcção... porque há também quem percorra caminhos assim. Há dias, em que o rosto até se pode transformar e se ausentar de si mesmo... Mas, os caminhos nunca se ausentam, de tudo aquilo que realmente nos transforma. Porque será que nem todo o chão é de prata?...}

4.9.06

[...Eco...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF233210-02-02-01.mp3
{... Eco! Os escritores são como os amigos. Há sempre os possíveis eleitos entre tantos outros de outros tantos, colocados na estante da nossa existência. E eles, ali estão sempre do nosso lado: disponíveis. Talvez se deva esfolhear um a um, em certas páginas da vida, a sua disponibilidade. Apesar de estarem sempre ali [as palavras] também se organizam novamente. Os livros têm sempre diferentes leituras. Uns, ficam sempre em maior destaque, perante outros tantos que aguardam o momento exacto de maior proximidade. É uma tarefa difícil, essa de organizar em todas as prateleiras existentes o fenómeno das palavras. Tal como os amigos, há também palavras assim. Mais destacáveis na estante da nossa afectividade.}

29.8.06

[...Lauro António...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF206127-01-02-16.mp3
{... há paixões que podem ser consumidas num exacto e determinado momento. Mas há as que perduram no tempo. Sim... também há paixões assim e ninguém sabe o que as motiva. As do António [por exemplo] são apresentadas em movimento. E se pudessemos rebobinar todas as nossas paixões?!... Eu sei bem o que faria. Voltaria a viver só e únicamente determinadas emoções. Quantas pausas e replay's anexaria a determinados frames desta vida! E não é isso que Lauro António faz? corta uma imagem num determinado momento para precisamente ali colar uma outra. E pode voltar a colar ainda uma outra imagem, no momento que define para dar lugar ainda a mais outra, e sucessivamente a muitas outras que certamente estão retidas no monopólio das suas emoções. Há paixões assim: o cinema. E é no movimento dessas imagens, tantas vezes cortadas e novamente recriadas que resulta a apresentação de um todo repleto de emoção. É exactamente por isso que as imagens são cortadas, contadas, faladas, cantadas, choradas e até fabricadas para perdurarem no tempo. Sim... há de facto filmes inesquecíveis!
A momentos cortados Lauro António apresenta:
http://lauroantonioapresenta.blogspot.com}

22.8.06

[...Dentro Mi Alma...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF224181-01-01-01.mp3
{... é o espaço de pausa calculada onde se dá a ordenação das formas e cores. É ainda o lugar, onde o tempo deixa de existir ou de ter a importancia que tem. E quando se procuram as formas e as cores não acontecem?!... Ninguém entra nem ninguém sai. O sol pode tombar em cada noite que cai, mas são tantas as noites que ali se passa sem o ver. Afinal, todos os laboratórios são espaços solitários. Por vezes, neste lugar, o silêncio é quebrado por breves momentos de euforia. É a pausa calculada, tão desejada para quem a quer abraçar. Dentro dele, os dias da semana deixam de ter a importancia que têm. Todos os dias, são dias de ordenação das formas, cores e estados de alma. Só ali, é possível construir um novo mundo, naquele já existente. E, sempre que as formas ganham cor, elas partem!... E nós ali ficamos, sempre no mesmo lugar. Entregues á pausa que nos envolve e desafia, a continuar quase como por teimosia, á procura da importância que as formas têm. Há quem o chame de lixeira, ao Atelier é claro!... Mas não. O atelier é um espaço quase sagrado, onde ninguém entra nem ninguém sai, à hora da pausa calculada. É ali que se fica... ou, é ali que nos deixamos pausadamente ficar.}

16.8.06

[...Nicolais Judelewicz...]

http://www.kenzo.com/kenzo_ah06/index.html
{... as imagens podem ter cor, ou não. Mas a música que as animará num ecrã, pode ou deve transcrever no seu todo, uma só e única sonoridade plástica. Se eu pudesse estar neste preciso momento em Paris... sei bem o que de novo lá faria! Mas, também ainda é cedo para questionar toda a composição sonora da próxima exposição. Afinal de contas, há ainda um ano para criar as imagens que irão mais tarde ser animadas em película. E, só depois disso tudo, é que todos os "acordes" sonoros são realizados. Se eu pudesse estar neste preciso momento em Paris, visitava Nicolais Judelewicz! Sómente se eu pudesse já lá estar... era exactamente o que faria.}

11.8.06

[...Emotione...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF229922-01-01-10.mp3
{... são as coisas simples que compõem a musicalidade da vida. E parece tão simples, esboçar uma partitura cheia de harmonia... Hoje, já é o tempo em que a humanidade perdeu o sentido da harmonia das coisas. Deve ser por isso que há tanto barulho no Mundo! Deve ser, exactamente também por isso, que é cada vez mais urgente procurar o silêncio das coisas. E há tanta emoção nas coisas simples que povoam a vida... e tu? porque não as vês?!... Poderia ser tão simples, abrandar todo esse impressionável ruído que comove a Humanidade. Se eu pudesse, diminuir todo esse desalento e dar mais silêncio ao Mundo, sei bem o que faria! Substituía as armas por pinceís, o som da guerra pelo recolhimento obrigatório ao silêncio, os noticiários informativos por programas educativos e, os políticos por soldados temporais de tonalidade afectiva itensa. Eis, a tela que esboça o quadro da vida! Ter liberdade para o sentir e viver... sem as pressas em encurtar, a importância que a vida tem. Jamais, será impossível imaginar a vida sem emoção.}

8.8.06

[...Refrigescere...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF230301-01-01-02.mp3
{... a água até pode ser transparente, incolor ou tomar a cor de um determinado pigmento que reside na nosssa memória, mas temos sempre a ideia que lhe fica sempre bem os tons de azul. Todas as memórias têm cores... por exemplo, tenho ainda em memória que Portugal é um País de cores diferentes e bem garridas, ladeado por um imenso azul. E desse imenso azul, se avista verde a Norte, um pouco de branco a Centro Norte, laranja amarelado a Centro Sul e azul esverdeado em todo o Sul. Hoje, até parece que há uma tendência para se esbater em todo ele, largas faixas em tons de carmim acastanhado. Vamos lá saber, o que motiva esta mudança? De facto há neste recente fenómeno cromático uma tendência nata em alterar-lhe as cores da memória! Não para desanimar ou afrouxar os animos, é mesmo porque não há nada melhor como um belo mergulho para elevar determinadas cotas de energia. A água até pode ser transparente e incolor, mas após se evaporar há sempre a esperança de que todas as cores retomem de novo o seu lugar. Esfriar, é sempre a palavra de ordem em tempos de grande calor.}

2.8.06

[...Portante/Portare...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF190296-01-02-01.mp3
{...levar, conduzir ou sustentar, são os caminhos que nos apontam para todas as portas que há no corredor da vida. E, são tantas as portas!... Porém, há muitas que deviam estar sempre fechadas. Mas, todas elas dão acesso a outros caminhos repletos de tantas outras portas cujo conteúdo é certamente sempre incógnito. Afinal, todas as portas são peças importantes no nosso caminho. Se fosse possível conhecer o conteúdo de todas elas... não sei ao certo como teriamos tempo para as abrir?!... O mistério da sua existência está no facto de sabermos que ao se abrir uma porta, a esta se juntam tantas outras mais... quantas as que sejam (em tempo real), possíveis de se avistar. Todos somos "portantes"... ou, tudo é "portante" de algo. Tudo se leva e se conduz a um ponto, ou a vários pontos localizáveis no misterioso corredor da vida. Quantas portas haverão exactamente no corredor da vida? Não sei. Mas, se soubesse quais as portas que dão acesso à calmaria das coisas que deviam povoar o Mundo, então seria bem mais fácil, percorrer este misterioso corredor... cuja a última porta a ser aberta, é certamente aquela que completa o nosso ciclo de vida.}

28.7.06

{...Ex [s] istere...}

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF215722-01-02-02.mp3
{... nem tão pouco estarei totalmente de acordo que o ser humano propenderá a minimizar as ideias abstractas a favor das realidades concretas. As realidades, só são de facto realidades concretas quando as mesmas obdecem a determinados parâmetros prédefinidos por nós mesmos. Existir... não é mais que um determinado "estado" dotado de vida, cuja principal fonte de vitalidade é sempre animada pela complexidade da essência das coisas que nos cercam. Se existir é ter existência; viver; estar; ser; haver; subsistir; durar; exibir-se... então quantas mais existências há no nosso Universo?!... Se tudo o que é dotado de vida existe, quantas mais essências existem para além do nosso ângulo de visão? Para já, parece que estamos bem assim. É tudo uma questão de organização do pensamento lógico. O importante é saber questionar. Questionar todas as realidades concretas e todas as ideias abstractas!... Mas o mais o importante disto tudo, é saber como detectar todas as qualidades pelas quais um ser existe e se define. Se eu pudesse definir sempre da mesma maneira o que os meus olhos veêm, então o que uma determinada coisa é, ou o que compreendo que ela é, deixaria de o ser, no momento em que todas as qualidades que a definem, mudem de forma ou de conteúdo. Se não houvesse tanto de abstracto em todas as realidades concretas nas coisas que povoam o Universo, a nossa existência deixaria de fazer sentido!...}

19.7.06

[...Passu + Pede...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF225488-01-01-11.mp3
{...quantas voltas inteiras dão os nossos passos?!... Há passos errados. Há passos certos... há ainda os incompletos. Uns são um pouco mais fortes; mais hábeis; mais velozes; mais tímidos; mais falsos ou mais certeiros. Todos eles são itinerários da nossa passagem. Se eu pudesse contar os meus passos, sei bem o que faria!... Ampliava desde logo o chão da vida a percorrer. E se ainda fosse possível... programaria o tapete da vida. Oh, se tudo isto fosse possível! Quanto mais chão haveria para pousar um pé de cada vez de um lado para o outro?!... Só assim, seria possível convencer o "Contador de Passos" que precisamos de muito mais tempo do que o previsto para atravessar todos os lugares, de um lado para o outro... passo a passo, até à estreita porta que dá acesso ao infinito. E se tudo isto fosse possível? Que bom que seria, se o "Contador de Passos" cruzasse em nosso caminho! Era bem mais fácil pedir-lhe que de uma vez por todas [a passos contados] amplie para sempre, o nosso chão da vida.}

10.7.06

[...Exprobrare...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF226003-02-01-02.mp3
{... lançar em rosto possíveis censuras é um acto consciente de acusação. Há quem acuse o próximo por mero defeito. O importante é acusar sem observar! Acusar por isto ou por aquilo uma determinada pessoa, como que se fosse esse o verdadeiro caminho da sua própria libertação acusatória. Um rosto não é um rosto, se os músculos que o suportam ficarem totalmente inertes perante um possível exprobrador. Há também diversos tipos de exprobradores. Os que exprobram e os que são exprobrados!... Mas, por mais que se procure pôr um rosto a descoberto, é preciso não esquecer que há em todos esses músculos uma provável aparência dum sentimento oposto ao reverso.
Há sentimentos que se esbatem na fisionomia de todos os rostos. Há ainda, a impossibilidade de se desvendar o que habita na alma de cada um deles - os quais-, por mais que sejam sujeitos à exprobração alheia... ficam indiferentes ao outro lado da medalha. Será que é possível descrever quantos semblantes existirão num só rosto? Por mais que se observe quais os sentimentos que cada um sabe exprimir... jamais devemos esquecer que nunca sabemos ao certo, qual a sua sinceridade por unidade de superfície!...}

2.7.06

[...unitate...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF222808-01-01-04.mp3
{...eis o que acontece, quando se reune várias partes num todo só. É a determinante força do espírito, o grande objecto unificador da matéria no tempo. É através desta grandeza determinada [a força] que a coerência dos objectivos convergem para um só todo. Seria tudo mais fácil, se a força que nos anima tivesse sempre a mesma intensidade. Mas, nem todas as correntes são contínuas. Há também as correntes alternas, as opostas, as divergentes e outras tantas de intensidades bem diferentes. Se se suprimisse à matéria do corpo a força do espírito, o que seria de nós?!... O que seria do povo Lusitano sem a força telúrica do espírito? Há também povos assim... como nós! Que juntam em conformidade os seus sentimentos a um possível objecto de vitória. O prolongamento da eterna capacidade desconhecida do "eu" provém dessa mesma força... eis, o que acontece quando se reune várias partes, num todo só! Porém, ainda dizem... que nínguém sabe ao certo qual a força que nos anima?!... Talvez faça também ela, parte do nosso tão determinante segredo. Mas, o mais importante de tudo isto, começa em jamais se suprimir o espírito do corpo, para que a intensidade da força seja para todo o sempre uma corrente uniforme e contínua. E, há ainda quem diga... que não sabe o certo, qual a força que nos anima!...}

28.6.06

[...Taliatu...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF220625-01-01-10.mp3
{...e se estreita a matéria através de gestos que por vezes são apenas produto da gesticulação mental. Há gestos que só existem na mente. Há porém gestos que nunca passam a barreira da realidade das coisas. Nunca passam à acção!... O Mundo está repleto desses gestos. Estar parado e olhar a matéria que se encontra perante os nossos olhos é activar o eixo dos sentidos. Porque será que se procura a alma das coisas? Porque será que há tanto desencontro na sua procura? E se pudessemos moldar os gestos das coisas? Teriamos de executar sucessivas incisões no corpo das coisas e voltar a combinar toda a matéria tallhada. Recriar, dividir, aparar, descobrir e desvendar que a alma também se talha! Se eu pudesse talhar o gesto das coisas, sei bem o que faria! Recordaria apenas, só aquilo que pretendo não apagar da memória das coisas e cortaria todas as porções desnecessárias. Apagaria ainda todas as lascas, nacos ou fatias de tudo aquilo que não possui matéria. E, através de todas estas necessárias operações cirúrgicas, estreitaria toda e qualquer matéria... que nem a alma das coisas têm!}

22.6.06

[...repausar...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF221971-01-01-03.mp3
{... para apurar certos tons, é preciso envolver determinados pigmentos até se obterem as cores pretendidas. O objectivo perfeito: a cor!... Sempre as cores. E como na vida tudo tem o seu início, aqui neste complexo processo tudo começa no simples facto de se meterem determinados pigmentos dentro dum envoltório... e incluir; enfaixar; enrolar; cercar... toda essa matéria cromática. Eis a fase do comprometimento entre a cor e o pigmento. Afinal até as cores se comprometem. Quantos anos de vida terá a cor? Elas ficam... nunca morrem. Perduram no tempo. Já a sua representatividade tem os dias contados. Se hoje são... amanhã deixam de ser. Tudo se deixa, ou se deixa tudo por vezes, muito antes da sua projecção no futuro. Também as cores passam a fase da intriga... e, também os pigmentos se confundem. Por vezes gritam os amarelos aos laranjas; os azuis aos esverdeados; os brancos aos sombreados; os pretos aos anilados; os traços aos ponteados; as formas às texturas; a geometria à escrita... e tudo grita numa imensa surdina!... É a fase final para a sua eternidade: a superfície branca. Repousar no branco todas as cores... sempre as cores.}