18.4.07

[... por dizer...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF255200-01-01-02.mp3
{...dizem... que o alentejo é deserto. dizem... que as árvores são sempre verdes. dizem...tanta coisa os que desertos de ver... apenas o dizem...por dizer. é o que dizem!... e dizem tanto mais sem nada saber. ora eu se soubesse que há verde alentejo muito antes de se tornar amarelo, ou todo tingido de rouxo!?... o que dirão então sem o ver?... também nada posso dizer porque estou longe da cidade das tintas faz tempo. nunca isolei a cor exacta que corresponde ao estado - ausente! se ausente tem cor?nunca será amarelo nem as cores quentes! tudo o que está longe só pode ter a cor verde. verde esperança, ou verde mais escuro, conforme a distância nos separar desse lugar. para já, pode ser verde tal como o vi pouco antes de partir. que esteja então verde alentejo, porque de verde o deixei. e dizer por dizer, ainda o quero ver todo pintado de rouxo amarelado. se eu pudesse pintava a cidade de tintas de verde alface, nem escuro nem claro. bem peço aos céus que não fique eu verde por falta de tempo! bem apressada estou no tempo das cores que vão ser riscadas em ritmo abstracto no algodão que ainda espera. e o que dizem aqui?!... é que já está tudo quase a metade de pronto! verde de ausente e amarela de panico, faço já as malas antes de dizer ao algodão em falta que está ainda todo ele, tranquilamente pintado de branco!...}

31.3.07

[...vibrations..]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF103803-01-01-01.mp3
{... a vida é como um tambor. vibra, vibra e volta a vibrar apenas pelo modo como a tocamos. são os detalhes que a vida tem... quando a vida é por bem vivida, e nos faz assim vibrar! eu vibro de vida, e tu não?!... se a vida não for escutada com toda a atenção... não é vida não é nada, é apenas uma ilusão. há quem não escute a alegria que a vida tem. há também quem nem toque na vida que a sua vida tem. há por isso também aqueles que ausentes de vida choram pela vida que outros têm. quantos mistérios há numa só vida, que apesar de toda ela ser sempre desconhecida, guarda até ao seu fim, o derradeiro desejo de ter ainda outra vida para ser vivida? sem espiritualidade, a vida passa despercebida. não é Deus que precisa de nós, mas somos nós que precisamos dele para completar todo esse mistério. é talvez por isso que são mais felizes, os que escutam com alegria todos os detalhes que a vida tem. olhar simplesmente para um tambor (mesmo sem lhe tocar), e ouvir todos os sons que ele tem... é o grande mistério da vida! saber ouvir e sentir todas as vibrações que o bom tambor da vida tem, é saber viver para além do dia em que uma parte de nós ficar por fim adormecida.}

22.3.07

[...la chanson des couleurs...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF141971-01-02-02.mp3
{... et voilá la chanson des couleurs. escuta!... há música em todas as cores. há prazeres solitários que são nossos. só nossos, mesmo que por breves instantes. há tanto prazer nesse prazer solitário que quase sempre nos devora, e nos joga para fora das outras coisas que a vida tem. escutar a musicalidade das cores, é também apagar tudo aquilo que está a mais em todas as coisas que nos rodeia. talvez por isso mesmo, os ateliers são lugares próprios de um Ser só. é-se só, porque há lugares impróprios para serem habitados por mais que um Ser. é lá que se ouve a musicalidade da água mesmo que esse lugar, seja um árido e longo deserto. por vezes, ausente de cor... só o branco do algodão quebra o silêncio do espaço. é aqui que um outro espaço é então criado - na transitoriedade das formas e dos gestos -, para que a dança das cores aconteça. la chanson des couleurs é por fim um ritmo abstracto. novos sons, dão lugar sucessivamente a outros sons que mais se parecem com a popular Polca. é neste Universo que a vida se torna mais vivível. sem a existência destes espaços impossíveis, seria inatingível escutar a musicalidade das cores. se eu pudesse escutar toda a musicalidade das cores... habitaria nesta nave para sempre... porque as cores neste espaço, dançam muito antes do tempo de nos sentirmos sós...}

9.3.07

[...In My Eye...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF251438-02-01-07.mp3
{... todo o desenho é complexo, vivido, reflexo, sentido... observado. todo desenho é ver e olhar. é rosto ou feição desenhada já por outra mão. olhar o desenho é redesenhar de novo. olhar, é o princípio do traço. traçar e voltar a traçar. dar contorno à volumetria, sombrear o planificado e selecionar tudo aquilo que não se quer ver. assim se apaga todo o desenho indesejado. basta não se querer ver para não se olhar todo e qualquer traço. simples não é?... tal como a vida, o desenho é complexo, vivido, sentido e observado. quando a olhamos... tudo é puramente reflexo de nós. afinal, a quantas mãos se desenha um simples traço? se fosse tão simples desenhar de uma só vez aquele traço que nunca se apaga... baixaria os pinceis por hoje se tivesse na cidade das tintas, sómente, porque o céu está demasiadamente azul e mais logo, as estrelas iluminarão o caminho que me levará de novo a ver o mar. voltar a olhar o mar... é mais do que desenhar nele todas as ondas que lhe pertencem... porque um desenho, também se ouve com saudade!...}

23.2.07

[...ad + eccu + illac...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF256664-01-01-02.mp3
{... daqui, ou talvez mesmo... só mais acolá, o céu é mais perto! neste lugar, o tempo dá lugar a outros tempos. daqui, há tempo para se observar o tecto do Mundo. eis as primeiras vistas da saída da nave onde as tintas repousam no algodão já rabiscado. acolá, o céu é mais perto de tudo o que há para além de nós. nunca sei ao certo quando olho para aquela casa branca, a que distancia se encontra ela, deste céu tamanho que envolve a cidade das tintas. este é o horizonte dos meus dias nesta cidade. se todos os lugares têm céu, como será ele no meu próximo lugar? se os lugares se mudam e nos mudam pelas suas diferenças, só o céu não se altera temporariamente no seu recatado infinito. a ele, se agrupa sempre um + ou um - , consoante a distancia pontual do erro a que dele nos encontramos: dele, do céu... é claro! porque tudo o que é de mais ou de menos é sempre igual a um determinado valor que correspondente invariavelmente ao coeficiente do vazio. se um dia, der de caras com o vazio dos dias... que haja muito céu nesse lugar! é mais ou menos isso que os habitantes das tintas fazem: olha-se o céu, e pintam-se tantas quantas estrelas sejam possíveis desenhar. é exactamente por isso que aqui o céu está mais perto de nós do que em outro lugar. em traços abstractos... nesta cidade, tudo é infinitivamente desenhado para que o céu, esteja sempre mais perto do lugar onde habita efectivamente o nosso Eu!}

16.2.07

[...Silêncio, desejado Silêncio!...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF169161-01-01-10.mp3
{...mesmo quando as cores se ausentam há janelas que se abrem pintadas de si! mesmo quando as cores se ausentam de nós, ou do lugar onde habita o Mim... outras janelas se abrem na memórias dos nossos dias. ter a memória das coisas é agrupar tudo aquilo que nos rodeia. o silêncio não é mais do que um amplificador das coisas simples e que por vezes, tão esquecidos ou cegos delas estamos. vim a Lisboa buscar mais uma tela. vim a Lisboa e procurei detectar um pouco de silêncio nesta cidade que tanto me fascina. é difícil encontrar no barulho urbano alguma calmaria... e foi exactamente por isso que fui ver o filme "O Grande Silêncio"! ali, naquele grande ecrã, onde é retratado um convento dos monges da espiritualidade, todas as coisas simples são captadas pela câmara de um artista que cansado também ele, da ausência dos patrocínios e do desgaste do jogo dos interesses que dominam o meio cultural, ao se recolher à procura de si mesmo - fora de tudo e do tempo -, foi também ele supreendido pelos sinais das coisas simples. é na simplicidade das coisas que habita a tão desejada procura: a procura da criação à obra. por isso, estou hoje de regresso à cidade das tintas, com mais uma tela branca, carente de todas as coisas simples que habitam bem junto da janela do quarto que me acolhe no grande silêncio do Alentejo!...]

12.2.07

[...esboços de gente...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF136092-02-01-16.mp3
{... na estrada que circunda a cidade das tintas, há esboços de gente assim! Nesta estrada, cansada já pelo tempo que por ela passa, e ela mesmo, já em pleno estado de angústia pela ausência dos passos cujos habitantes, estão hoje dela tão esquecidos. É pelas 19 horas que as passeatas obrigatóriamente se fazem, nesta cidade lugar. Como é urgente desfragmentar toda a aritmética das cores que desde a madrugada se cria no silêncio das tintas. Andar nesta estrada é mais do que articular os ossos, arejar a mente ou entrar na plenitude do vazio. Há tanta vida nesta estrada adormecida! Se eu pudesse, só mesmo se eu pudesse, pintaria toda a estrada que ladea o meu caminho. São tantos os sinais que em aparente estado animico, gritam por nós, como que se pudessem partilhar assim, a surda conversa entre o esboço e as formas,e com a qual se completa o tão desejado desenho. Eis o sopro secreto da inspiração que nos une... a nós e aos esboços de gente, que vai circulando nesta estrada ou caminho, até à cidade das tintas.}

31.1.07

[...há festa em Tintas...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF249794-01-01-08.mp3
{... hoje, há festa em Tintas. porque hoje, há mais um quadro terminado! hoje, em Tintas, todos os pinceís se reunem. por breves instantes, também eles refrescam toda a sua azáfama. os senhores pinceís são trabalhadores incansáveis... só quando algum adoece é que a melancolia desce a esta cidade. mas hoje, é dia de recordar outros feitos, outros acontecimentos que também eles nos marcam para sempre... terminar um quadro é recordar uma parte do nosso tempo. é meditar em tudo o que aconteceu, minuto após minuto até ali se chegar. como se viaja tanto no tempo das cores, sem ingressos de partidas ou chegadas, sempre rumo a um misterioso destino. só mesmo eles é que têm esse poder em descobrir qual o momento - aquele exacto momento em que o algodão envolto de tinta se ausenta de si. se eu pudesse parar sempre que o cansaço desce á cidade das tintas... quantos quadros estariam já prontos?!... andaria eu, os senhores pinceís e as senhoras cores, sempre desfalecidos dos tons garridos, próprios da energia que nos faz viver neste voluntário retiro até que o início do próximo inverno se aproxime. até lá, há ainda o verão... e é com ele que as cores secam mais depressa. estou certa que haverão muitos mais dias de festa em Tintas. pelo menos, mais 20 terão que ser celebradas. se eu pudesse estar já no próximo inverno, sei bem o que faria! partiria de malas feitas sem pinceís, sem tintas ou superficies brancas de algodão. além de mim... apenas embarcaria um pequeno livro: o catálogo da nova exposição!}

26.1.07

[... Big My Secret...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF249794-01-01-05.mp3
{... em tintas, há pinceís desarmados de saudade. sim, também neles habitam sentimentos assim. todas as cidades têm os seus segredos. há ainda segredos sem cidades. há tantos segredos por revelar... como tantas são as cidades possíveis de inventar. mas colorir sem tintas é como habitar num despovoado. aqui, em tintas, o único agrupamento que se avista nesta planície são estes pinceís. estes, são os senhores desta cidade. todo o poder local depende da sua gestualidade. não há cunhas nem projectos favoritos adjudicados à pressa por defeito ou obrigação. ninguém se queixa nem tão pouco há zaragatas entre si. mas as cores, as senhoras cores, são as matrizes desta cidade. elas sim! ora se agrupam entre si, ora gritam slogans numa linguagem que os ouvidos não alcançam. e a razão de tudo isto é a cidade que aqui se vai projectando na solidão desta planície. só mesmo quando se agruparem todas elas (das cores à superficie do algodão onde se aninham), e já numa extensa parede construída noutra cidade é que será desarmada toda esta saudade. se eu pudesse espreitar a parede desse dia... o que será que hoje sentiria? não sei. mas se eu pudesse...}

12.1.07

[... cidade lugar...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF244790-01-01-01.mp3
{... além do tejo - "Nas tintas"-, é uma imensa planície cheia de odores e cores. é a minha cidade lugar. é aqui que habitam as novas telas para a próxima exposição. aqui... os habitantes são senhores pínceis, bezerros, veados, ratos, gatos, cães, morcegos, aves brancas migratórias, sapos, rãs, toiros, vacas e aranhas de todas as cores e tamanhos!... sabias que há aranhas verdes alface aqui nesta cidade lugar? pois se eu soubesse que as aranhas já se pintavam de verde alface muito antes de eu chegar aqui... que as vacas choram a ausência do sol; os ratos gritam de liberdade em correria pelo campo na ausência de gatos; o veado salta a cerca com medo do gado; as aranhas verde alface gostam do cheiro das tintas; as aranhas pretas cabeludas gostam da água onde se lavam os pinceis ; as lesmas são atraídas pelo verniz das telas; o vendedor do pão chega às 6 horas da madrugada ainda em directa do seu trabalho, e que o céu quando repleto de estrelas, cada dia que passa está cada vez mais perto das nossas cabeças... há muito que já tinha mudado as tintas do meu atelier para este lugar!...}

6.1.07

[... nas tintas...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF231215-01-01-10.mp3
{... nas tintas é um local no Alentejo onde habitam actualmente os meus pinceís. nas tintas, há também um charco e ainda uma estrada que atravessa toda a planície. colorir ideias, esboços, desenhos e telas... é a missão dos habitantes nas tintas... é também, um local onde a banda larga não funciona. aqui... só precisamos de pinceís. não se vê televisão nem se enviam imagens em telefones da 3ª geração! nas tintas, o céu à noite -principalmente quando está repleto de estrelas-, parece quase tombar em cima das nossas cabeças. nas tintas... é onde vou ficar até que estejam prontas - uma a uma-, todas as telas que venho uma vez por semana buscar a Lisboa. é nas tintas que o trabalho flui!... o silêncio e o vasto horizonte dão mais cor ao algodão das grades que quase sempre, aparentam estar carentes de figurar de uma vez só, todo o mundo que se foi para além deste charco, e desta estrada que atravessa toda esta planície. nas tintas... é sem dúvida, o lugar dos lugares onde a vida nunca se ausenta de todas as suas cores.}

2.1.07

[...Jerumenha...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF207011-02-01-05.mp3
{... no alto de jerumenha... Foi no alto de jerumenha que anoiteceu o primeiro dia do novo ano. O que terá sentido D. Sancho II na conquista desta fortaleza?!... na realidade não sei. Será que tudo aquilo que se vê, tem sempre o mesmo sentido quando se olha?... Deste ponto mais alto, bem em cima de uma torre que o tempo já desconhece... vai ser erguido um novo hotel de charme. Talvez nesse dia, tenha eu tempo para pensar o que ainda se avista dele!... Nesse dia que está para muito breve, afastado de outros tantos dias já ausentes das batalhas que outrora encantavam tantas outras gentes, mas que afinal, ainda hoje despertam presentes discórdias em tudo aquilo que daqui se vê. Se conquistar, depende sempre do modo como se vê... então, tanta outra coisa eu vejo, sem que daqui lhe possa realmente tocar. Que não caia o que desta fortaleza resta e, que tudo aquilo que dela se erga, seja realmente digno do encanto que habita faz tempo neste ainda silêncioso lugar! porque... nem todas as fortalezas precisam de recatar suas velhas memórias em castelos de encantar.}

9.12.06

[...Catedrais do Silêncio...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF238522-01-01-14.mp3
{... se eu pudesse. se tu pudesses dizer... como se ilumina a hora do vazio das almas... pedir-te-ia oh Deus, que nunca te ausentes da luz que nos leva a ti. Só se eu pudesse, saber ao certo como será o depois... mas, mesmo antes de o saber, preciso do silêncio das Catedrais! Ser crente... é aceitar que existe algo mais, além daquilo que os nossos olhos veêm. Não só basta olhar. É preciso ver, todas as outras coisas que são inexplicáveis, neste infindável desejo em saber ao certo como será o depois num novo dia. As dúvidas, essas eternas dúvidas, se diluem quando entro nas Catedrais de culto. Dentro delas, encontro um silêncio único que me projecta para além de todas as coisas num diálogo a dois. Falar com Deus, não é mais do que acreditar que não estamos sós. Nesse exercício diário da mente e do espírito, todas as coisas que habitam o Mundo ganham outros significados. É talvez, nessa urgente vontade de saciar a sede da espiritualidade, que reside a preocupação de saber o que vem antes e o que virá depois de nós próprios. E tu, sabes, como será?... Eu creio que é exactamente por isso que a humanidade construiu as Catedrais do Silêncio.}

28.11.06

[...além do tejo...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF207027-01-03-03.mp3
{... além do tejo, muito mais além... é para onde vou. É mais além, do sitío para onde vou, que há muitos mais segredos. Todos os segredos ficam sempre muito mais além donde estamos. No além, há sempre o muito, o bastante, o completo... a chave! É nessa intensa procura que me encontro. E sempre que me procuro... encontro esse momento: partir. Sortudos daqueles que podem partir: tejo abaixo - tejo acima. Nesse além que procuro, há momentos em que o tejo deixa de existir!... Este quê de deserto, no inverno, é coberto de pequenos charcos. Mas muito mais além, todo o amarelo da planície, ganha novos tons e novos cheiros. Para quê procurar mais do que há além do tejo? Há tantos segredos nestas gentes! Se eu pudesse, procurar mais do que encontro no deserto destas planícies, ficaria aqui para sempre. Voltar a partir, só mesmo para desconstruir tudo aquilo que se vai revelando, entre o muito, o bastante e o quase completo do segredo que procuro. Viver todos os dias no campo, é descobrir um novo relógio do tempo onde, a contagem decrescente é feita através das cores que nos circundam. E o tempo passa. O tempo, amplia o espectro das nossas vidas. Aqui, o tempo é mais verde, mais azul, mais amarelo, mais ocre... todo envolto de cheiros e sons que jamais se encontra, no ruído urbano do cinzento harmonioso do betão. Se eu pudesse, ficaria muito mais tempo do que o previsto, em terras do além do tejo!...}

22.11.06

[...fascinatore...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF219997-01-01-11.mp3
{... nunca saberei ao certo porque existem fascínios assim. Porque existem? Não sei. Mas não é exactamente isso que motiva os seduzidos pelo amor? O fascínio do outro que nos cerca e por vezes alucina. É isso o que sente quem ama. Há sempre quem se deixe dominar pelo amor. Quando existe, é uma espécie de fartura dos sentidos. Há quem diga que para haver amor há sempre sofrimento. Também não sei se na realidade deva ser sempre assim... Nos tempos de hoje e, na grande parte das vezes, parece que o encantamento se esfuma no interior do ser humano. Hoje, talvez porque hoje, já nem se sente o que se ama. Hoje, talvez porque meramente hoje, já não se morre por amor. Hoje, talvez porque hoje... já não se acredita, que seja possível amar sem se ser amado. Mas hoje, nos dias de hoje, há ainda quem se deixe encantar por apenas um único feitiço. Exactamente... porque nos dias de hoje é isso o que sente quem ama: fascinatione!}

14.11.06

Lourenço de Almada

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF206127-01-02-08.mp3
{da razão às coisas do espírito!... é o diálogo constante que nos afasta ou aproxima a determinadas manifestações sensitivas. Estar-lhes alheio é o modo mais simplista de percorrer esta caminhada. Há quem se centre apenas nas coisas que habitam o universo da razão. Talvez, porque seja esta a forma mais simples para decifrar os significados das coisas. Estar atento às coisas do espírito é como descobrir um novo mundo. Criada esta linguagem sensitiva, tudo o que nos rodeia, ganha assim outros novos contornos. Esta é uma opcção de vida à qual muitos se entregam. Lourenço de Almada é um peregrino dos Caminhos de Santiago. Editato o livro das suas viagens a Santiago, Lourenço de Almada, parte em busca de imagens que falam por si. Estar atento aos sinais das coisas, é acreditar que a vida tem muitos mais mistérios por desvendar. Afinal, a espiritualidade das coisas está ao alcançe de todos aqueles que a procuram. Saber voar no imenso céu da vida, só não é possível a quem se nega em descobrir, a sua própria espiritualidade. Saber voar... entre as coisas que povoam a razão e o espirito, é o diálogo contante que nos afasta e aproxima de todas as manifestações que povoam o nosso tão vasto Universo.}

10.11.06

[...As Pontes do EU...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF234720-01-01-02.mp3
{... inúmeras são as pontes que nos conduzem ao complexo lugar do EU. Estimuladas pela diversidade dos sentidos, todas as pontes são construídas para dar governo às complexas manobras da vida. Há também pontes mais frágeis, distantes, e até mesmo invisíveis. Mas, são as pontes imaginárias que nos levam ao lugar do EU. Pespontar estas construções é o jogo diário da nossa sobrevivência. Afinal, não somos todos nós, os grandes desenhadores dessas mesmas pontes? Desenhadores... porque nem todas elas são projectáveis. Se todas elas fossem realizáveis, como seria bem diferente o amparo dos nossos dias! Abandonadas as diversidades dos seus sentidos, todas as pontes nos conduzem a diferentes outros lugares. Porem, é na sua sábia atravessia que o misterioso futuro sempre se projecta. Deve ser exactamente por isso que todas as pontes são mudas!...}

4.11.06

[...Détailler...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF242026-01-01-05.mp3
{... isolar um detalhe, é redescobrir a origem do seu todo. Deve ser por isso que a vida está repleta de particularidades. Pensar no seu todo é pensar também em todos os seus detalhes. Sem esse indecifrável universo, a origem das coisas deixaria de ter interesse. Talvez por isso há vidas menos interessantes, apesar de nunca sabermos ao certo o que determina tal motivação. Tal como os espaços, as vidas também são reorganizáveis... basta exercitar o isolamento em todos os seus detalhes, para que se inicie a sua reorganização. E tudo parece tão simples. Apagar, isolar e projectar tudo de novo! Não seria bem mais fácil, se as vidas fossem detalhadas, tal como nas superfícies onde se esboça apenas o conclusivo? bastaria isolar o pretendido, e projectar só o desejável. E depois? depois... apagar-se-ia tudo aquilo que nos é absolutamente desnecessário. Afinal, não é esse o mistério da própria vida?...}

29.10.06

[...Circulare in Circulu...]

http://www.dmns.org/video/blackHolesBB.wmv
{... rodear em mão as variáveis do círculo é transitar o seu próprio movimento. Tudo aquilo que existe é circulante. Só o que é desprovido de movimento é que não circula. E tudo aquilo que não circula, está condenado desde logo ao próprio movimento do Mundo. Talvez seja por isso que a sua forma é redonda. Se todos os planetas que habitam no espaço são redondos, não será o próprio Universo uma circunsferência? Uma grande e escura circunsferência, que para uns veio do senhor nada - o deus do acaso -, e para outros é obra de um só Deus: o eterno unificador. Mas seja qual for o seu Deus criador, a vida não é mais do que uma sucessão de fenómenos periódicos. Eis a cordenada constante, na qual tudo gira e, tudo se move em perfeita comunhão: o círculo. Se fosse possível mudar de trajectória, sem erros de raciocínio, gostaria de ser projectada ao ponto mais equidistante do centro deste imenso círculo, para contemplar todas as suas variáveis. Talvez seja esse, o tal ponto de reposta para tantos outros segredos. E como um segredo se sacia de outro segredo... só nos resta mesmo é circunvoar todos os "blackholes", até que todo o movimento circunferencial se esvaneça.}

25.10.06

...Nunqua[m]...

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF239855-01-01-10.mp3
{... nunca, é um lugar aconchegado! É o lugar onde a pausa temporária nos aproxima aos alçados do futuro. Nesse lugar, podemos alcançar todas as coisas que nos parecem distantes. Hoje, aconcheguei-me no sotão onde repousam todas as minhas memórias futuras. E, é nesse aconchego que todas as memórias podem ou devem ser visionadas. Como é interessante observar as diferentes texturas, do presente e do passado, para se esboçar o argumento final. Se pudesse editar as imagens do meu próprio futuro, sei bem o que faria! Projectar o futuro é como pintar um quadro. Nunca se sabe ao certo quando este fica realmente terminado. Ir ao encontro do imprevisível é dar continuidade a que um determinado sonho aconteça. Sonhar que aconteça algo nos próximos dias é aguardar o chegar das coisas... ou por outra, é nunca se deixar ficar interminavelmente em tempo algum. Se o futuro não fosse projectável, como é que o presente alcançaria todas as coisas que nos parecem distantes? Fará sentido dizer-se que nunca, é um lugar aconchegado? Não sei, mas de tempos a tempos: sabe bem!}