24.6.07

[...Esboços Pecados em Lápis Guardados]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF251604-01-01-01.mp3
{...há em lápis guardados, esboços pecados! há em esboços guardados pecados secretos. há também locais secretos de pecados guardados. há tanta coisa que povoa o Mundo que na realidade nem sei se há mais povoado do que a própria Redenção. só se rende quem aguarda libertação. há pecados discretos um pouco mais honestos perante o Deus Redentor. há ainda pecadores humildes... que se libertam ao seu sofredor. há quem liberte sua Dor na Cor. há esse deserto do Sentir... há no Sentir um pecado guardado, revelado, desejado, inacabado, indeterminado. há em toda a Cor que cobrem as Telas da minha próxima exposição... segredos revelados em pecados inacabados. se eu pudesse... iria de malas feitas para Paris... Berlim... Russia... Tibete... ou exactamente para Safed! só se eu pudesse. Iria... ora se iria, se o pecado fizesse acontecer Ser Eu a própria Cor... lá onde o destino escolhe morar. lá não é longe!... afinal, nada é longe do lugar onde queremos chegar! se chegaremos ao pecado escolhido?... não sei. se chegaremos ao final do Sonho prometido?... também não sei. em todos os recados há pecados revelados. estou no fim do que me fez vir até ao Alentejo. tenho já saudades deste lugar e da Cidade das Tintas. não sei quem pintará mais sonhos neste lugar, sei apenas que fui feliz neste imenso deserto do Eu e do Mim ausente e presente em todo este Verde; Amarelo; Ocre; Magenta; Azul e do Branco recortado no Preto que trago comigo em 30 passos nas Telas que nasceram nesta Cidade. nasceram porque a libertação do pecado é o tema da próxima exposição... apenas isso!... aqui nesta Cidade aconteceu apenas isso - Esboços Pecados em Lápis Guardados!
se eu pudesse... lá não é longe!}

11.6.07

[...A Linha da Mão..]


http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF213965-01-01-08.mp3
{... não há linha da mão que seja razão. não há ainda Paris e Miles Davis. Nem as pessoas especiais que conhecemos. nem... especialmente pessoas de nome _ Tu! há sim, tantas outras pessoas que conhecemos.!... tantas pessoas que iguais a outras são razão. E porque não?... recordo ainda tantas outras coisas - as coisas da Cor. Sempre as Cores!... Sem Cor não se vive, e sem os sentidos como poderemos fechar a Luz que nos anima?... Se um dia, a Luz do dia se fechar em Si... Que fazer?... Olhar para a mão? Qual?... Olhar o amanhã é querer vencer. sonhar ou criar. é isso! olhar a mão e seguir o sonho. qual o sonho?... O que teimamos vencer!... Sonhar é isso. tal como a Linha da Mão. não deixar os Sonhos para trás é teimar com o relógio da Vida. são milhas e milhas de sonho em Ser. Ser, é ter tempo do nosso tempo a perder! realizar a equação perfeita das milhas de linhas de mão para a felicidade... é ter tempo para Ser feliz... é, ter tempo para realizar todo o tempo do Mundo no Mundo do Querer. A felicidade reside assim. de mão cheia para ouvir... o grito de quem sofre. se por vezes não o ouvimos... é porque estamos longe de quem da elegência do Ser... já não sofre! não sofrer é querer não Ser. Ser, é descrever o que povoa a Alma... a linha da mão, apenas descreve a teimosia de quem a tem. deve ser exactamente por isso que todas as linhas da mão... teimam "Ser" tudo aquilo que queremos vencer - o tempo!... Apenas o tempo, do tempo que nos resta olhar todas as linhas que se descrevem na mão, são o próprio tempo de Ser que nos resta vencer a teimosia de viver.}

30.5.07

[...guerreiros da cor...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF230211-01-01-09.mp3
{... há neles a ousadia do esboço sonhado. há sempre neles... aquela força divina de correr atrás do sonho a realizar. há tanta mestria quando repousados estão, que por vezes, na ausência da gestualidade trocam traços escondidos em segredos por revelar. há neles cores feitas, juízos perfeitos e orações por rezar. há neles desejos tamanhos e desenhos por animar... há neles, a euforia do vazio e o esvaziamento da sua própria alma, porque não têm corpo, de tanto corpo desenhar. há neles... o pecado de não pecar. há neles, uma saudade imensa em voltar a ter alma e corpo para além da tela branca que lá deixei por acabar. há neles, o respeito da minha ausência e ansiedade de recomeçar a dar cor àquele lugar. há neles... guerreiros da cor, esperanças vividas e noites mal dormidas. há neles, sangue de mil cores e muitas mais por definir. há segredos recatados e paixões secretas por desenhar. há sentimentos esperados e aninhados no vazio de cada olhar. há neles guerra em cor, e cores de guerra infindáveis de pintar... sem eles não há paixão, alma, corpo, sonho, euforia, juízo, pecado, oração, esperança, sentimento, ansiedade, guerra, vazio... saudade da vida que falta ainda realizar. sem os guerreiros da cor, todas as telas são brancas gélidas ainda ausentes de tanto sonhar.}

25.5.07

[... Soldados do Silêncio...)

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF258377-01-01-02.mp3
{... há nos templos habitados por soldados do silêncio, um grande segredo: a Paz interior!... há soldados do Bem e do Mal. há soldados pagos para causar gastos na humanidade. há também soldados que se oferecem à humanidade para fomentar a Paz. estes, os soldados do silêncio, são nobres almas despidas da vulgaridade dos dias. é neles que habita o grande segredo da vida. são na generalidade, seres humanos oferecidos a um Deus por vocação. atentos ás coisas simples que povoam o Universo, entregam eles suas vidas à oração. e vivem tal como nós, dia após dia, até que a senhora morte aproxime por fim, seu colo. há pessoas boas... sabias? há em todo Mundo pessoas desiguais que apenas se dividem em duas equações. desiguais, são as oportunidades que a vida nos dá, porque nem sempre nela encontramos pessoas tão especiais. é nos templos que eles habitam. quase diria por fim que para se ter acesso a tais nobres pessoas, temos que com eles e como eles, mergulhar no seu mais profundo silêncio. eu mergulho temporáriamente no silêncio dos dias. eu... por vezes, construo templos imaginários devotos ao silêncio, talvez porque desejo recatar o Guardião da minha Fé, em paredes erguidas num sagrado castelório. sem estes castelos, seria impossível viver na uniformidade do silêncio dos dias, porque cada vez mais, o Mundo, carece de ser povoado por soldados da paz. Há na arte tudo isto... e muito mais silêncio procurado! afinal, quem não procura o silêncio dos dias?!...}

23.5.07

[... a força da cor...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF266342-01-01-01.mp3
{... sem mar... apesar de sem mar, viver para além do tejo, há o saudoso sal, trazido até mim pela força da cor: o vento!... se a saudade tem cor? não sei. mas... há saudades cheias de cor. se a cor nos traz saudade pela subjectividade da cor... então, temos cores em todos os sentimentos presentes e ausentes. por vezes, há momentos de saudade ausente, na planície alentejana. falta-lhe o mar!... na cidade das tintas, o mar foi pintado numa grande tela imaginária. se não fosse o vento que corre todo o planeta lado a lado sem parar... como coloria eu, toda esta enorme saudade, em ver aqui o mar? se não fosse a força da cor, como se calmaria toda esta melancolia? basta pintar. se não tiveres o mar perto de ti, desenha-o e dá-lhe cor! é para isso que as tintas servem. dão cor a tudo o que sempre está ausente. já o vento, sem cor aparente, quando se ausenta donde estamos, se asfixiam as cores de saudade duma áfrica desconhecida. há no alentejo gentes que trabalharam no norte de áfrica. muita gente quando sente o vento, aqui neste deserto, pinta-o de amarelo e branco. há ainda quem o pinte de azul e de verde porque o mar tem essas cores na consciência de cada um. ora, se o pintares de magenta, também serve, desde que a força da cor consiga sombriar com ela, toda essa saudade. há saudades assim!... há saudades pintadas em telas ausentes largadas ao vento daqui, ou de qualquer outro lugar.até agosto, sem mar presente, apronto as telas para regressar por fim até lisboa.}

20.5.07

[...no acaso dos dias...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF268740-01-01-04.mp3
{... o amigo dos meus amigos, que meu amigo também é, não gosta nada de chopin!... ás tantas, e entre as horas diferentes dos restantes relógios destes habitantes... houve-se chopin. nesta terra, tudo o que se houve é meramente selecionado pelos acordes de um só Ser. juntos estamos, todos os dias, lado a lado na nave que alberga o atelier. eu e ele - ou melhor dizendo- o chopin!
é a primeira criatura viva que encontro nesta cidade. ainda bem, pois existem outras menos agradáveis com a sua própria vida: as aranhas por exemplo que trabalham dia e noite nas suas teias, ou mesmo as melgas que esfomeadas do sangue que não conseguem achar... sobrevoam o imenso charco desta cidade. o chopin pela madrugada dá sinal de si e manifesta a sua tendência musical. sempre que ouve chopin... bate nas paredes meias que nos separam e aguarda por novo som. eis o porquê do seu nome! todos nós temos um nome que não é por acaso. nada é por acaso talvez... para que nunca o acaso seja designado como uma única e pura coicidência. talvez seja por isso que o acaso nos prega constantemente inúmeras supresas. as cores, por exemplo, nunca são constantes. há tantas cambiantes na natureza dos pigmentos... que a procura duma determinada cor nunca acontece isolada do fenómeno - acaso. é como na música, exactamente quando a selecionamos naquele determinado momento. nunca se tira um CD por acaso para se ouvir, nem nunca se chama alguém vivamente pelo seu nome no acaso dos nossos dias.}

9.5.07

O castelo Em Imagens


httP://casteloemimagens.blogspot.com
{... há castelos intactos, renovados, sonhos desenhados em esquiços de papel. há castelos inventados e projectados em grandes telas de cinema. há estórias repletas de emoções, canções e dilemas, representados por personagens com quem nos identificamos... por vezes! há castelos habitados por duendes, fadas, bruxas malvadas, principes e rainhas que governam ministérios de pedras encantadas. há também amores e desamores sofridos, vividos, perdidos, achados, amaldiçoados e até mesmo eternos, aqui em terras lusas. há impérios de imagens, puras colagens abstratas do teorema da vida que nos trazem aqui - a todos -, a este castelo de portel! Há também o cineasta Lauro António... há o alentejo que me acolhe quase por vocação, durante oito meses para que seja projectada uma nova exposição em 2007. há tudo isso e muito mais, neste País onde se encalha por prazer! é onde vamos estar, neste festival de cinema, a 10,11 e 12 de maio, realizado por Lauro António com a parceria da Câmara Municipal de Portel... sejam bem vindos!}

7.5.07

[... quando estiveres triste...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF266579-01-01-01.mp3
{... quando estiveres triste, desenha uma cidade imaginada... e, observa as formas. quando estiveres triste, compra tintas e pincéis e dá cor aos teus sonhos. e... observa os tons. quando estiveres triste, cobre-te com o manto da vida e deixa-o voar. há quem tenha tempo para parar o tempo e observar como esvoaça o véu da vida... porque observar é talvez o grande segredo da vida. quem não tem tempo para parar o tempo e observar de que cor pinta seus sonhos... é porque deixou de sonhar! ter tempo para observar como esvoaça o véu da vida, é o grande segredo dos residentes das cidades imaginadas. é exactamente por isso que se constroem essas cidades sonhadas. habitar numa cidade de tintas e pincéis, é ter tempo para que a tristeza não aconteça. nestas cidades, as cores são a linguagem comum de todos os sentimentos. qualquer estado do sentir em que o próprio estado emocional aconteça - a este -, de imediato é obrigatório colorir! por isso, sempre que estiveres triste, sê o próprio arquitecto da tua cidade. deixa voar o véu da vida e observa as voltas que ele dá pelo céu dos teus sonhos que anseiam habitar na cidade dos teus desejos. habitar numa cidade imaginada, é ter tempo para dar volumetria a todas as formas que nos conduzem à cor exacta de cada sonho. se eu pudesse parar o tempo, no momento exacto em que cada cor toca apressadamente as formas já desenhadas, guardaria esses pincéis para sempre. observar os tons e as formas de cada tela pronta... é por fim, ampliar o nosso tempo de vida.}

3.5.07

[... Rendezvous...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF251604-01-01-01.mp3
{... todos os caminhos são: inventados; esperados; imaginados; habitados; percorridos; desconhecidos! todos os caminhos são uma possível passagem. há também caminhos esquecidos no tempo que completa esta curta encruzilhada. esta é a hora em que visito este caminho. faço-o todos os dias, para esticar alguns ossos dobrados pelo vício de pintar em telas deitadas sobre o chão. porque razão existe um sobreiro no meio deste caminho? não sei. tal como na pintura, há sombras que se aninham no chão dos nossos dias. na cidade das tintas, indo por esta estrada fora, descobri que também ela nos leva a uma barragem. se eu pudesse percorrer todas as estradas que nos abraçam, viveria mais tempo neste lugar!... aqui, todos os caminhos inventados vão dar às telas que ainda não estão prontas. só as telas que não são habitadas de cor podem ser imaginadas!... e, só as telas habitadas podem ser percorridas. todos os caminhos são sempre desconhecidos. nunca sabemos ao certo para onde nos levam. já as cores não! trazem-nos e levam-nos para além das linhas que os olhos podem alcançar. é exctamente por isso que esta cidade foi construída neste lugar. na cidade das tintas, o branco é o grande desconhecido que nos faz percorrer espaços habitados, repletos de tons esperados que em sentimentos inventados, avivam a musicalidade dos traços riscados em telas imaginadas!... aqui, ninguém fica no mesmo lugar porque as cores são o eterno mistério dos nossos dias}

18.4.07

[... por dizer...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF255200-01-01-02.mp3
{...dizem... que o alentejo é deserto. dizem... que as árvores são sempre verdes. dizem...tanta coisa os que desertos de ver... apenas o dizem...por dizer. é o que dizem!... e dizem tanto mais sem nada saber. ora eu se soubesse que há verde alentejo muito antes de se tornar amarelo, ou todo tingido de rouxo!?... o que dirão então sem o ver?... também nada posso dizer porque estou longe da cidade das tintas faz tempo. nunca isolei a cor exacta que corresponde ao estado - ausente! se ausente tem cor?nunca será amarelo nem as cores quentes! tudo o que está longe só pode ter a cor verde. verde esperança, ou verde mais escuro, conforme a distância nos separar desse lugar. para já, pode ser verde tal como o vi pouco antes de partir. que esteja então verde alentejo, porque de verde o deixei. e dizer por dizer, ainda o quero ver todo pintado de rouxo amarelado. se eu pudesse pintava a cidade de tintas de verde alface, nem escuro nem claro. bem peço aos céus que não fique eu verde por falta de tempo! bem apressada estou no tempo das cores que vão ser riscadas em ritmo abstracto no algodão que ainda espera. e o que dizem aqui?!... é que já está tudo quase a metade de pronto! verde de ausente e amarela de panico, faço já as malas antes de dizer ao algodão em falta que está ainda todo ele, tranquilamente pintado de branco!...}

31.3.07

[...vibrations..]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF103803-01-01-01.mp3
{... a vida é como um tambor. vibra, vibra e volta a vibrar apenas pelo modo como a tocamos. são os detalhes que a vida tem... quando a vida é por bem vivida, e nos faz assim vibrar! eu vibro de vida, e tu não?!... se a vida não for escutada com toda a atenção... não é vida não é nada, é apenas uma ilusão. há quem não escute a alegria que a vida tem. há também quem nem toque na vida que a sua vida tem. há por isso também aqueles que ausentes de vida choram pela vida que outros têm. quantos mistérios há numa só vida, que apesar de toda ela ser sempre desconhecida, guarda até ao seu fim, o derradeiro desejo de ter ainda outra vida para ser vivida? sem espiritualidade, a vida passa despercebida. não é Deus que precisa de nós, mas somos nós que precisamos dele para completar todo esse mistério. é talvez por isso que são mais felizes, os que escutam com alegria todos os detalhes que a vida tem. olhar simplesmente para um tambor (mesmo sem lhe tocar), e ouvir todos os sons que ele tem... é o grande mistério da vida! saber ouvir e sentir todas as vibrações que o bom tambor da vida tem, é saber viver para além do dia em que uma parte de nós ficar por fim adormecida.}

22.3.07

[...la chanson des couleurs...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF141971-01-02-02.mp3
{... et voilá la chanson des couleurs. escuta!... há música em todas as cores. há prazeres solitários que são nossos. só nossos, mesmo que por breves instantes. há tanto prazer nesse prazer solitário que quase sempre nos devora, e nos joga para fora das outras coisas que a vida tem. escutar a musicalidade das cores, é também apagar tudo aquilo que está a mais em todas as coisas que nos rodeia. talvez por isso mesmo, os ateliers são lugares próprios de um Ser só. é-se só, porque há lugares impróprios para serem habitados por mais que um Ser. é lá que se ouve a musicalidade da água mesmo que esse lugar, seja um árido e longo deserto. por vezes, ausente de cor... só o branco do algodão quebra o silêncio do espaço. é aqui que um outro espaço é então criado - na transitoriedade das formas e dos gestos -, para que a dança das cores aconteça. la chanson des couleurs é por fim um ritmo abstracto. novos sons, dão lugar sucessivamente a outros sons que mais se parecem com a popular Polca. é neste Universo que a vida se torna mais vivível. sem a existência destes espaços impossíveis, seria inatingível escutar a musicalidade das cores. se eu pudesse escutar toda a musicalidade das cores... habitaria nesta nave para sempre... porque as cores neste espaço, dançam muito antes do tempo de nos sentirmos sós...}

9.3.07

[...In My Eye...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF251438-02-01-07.mp3
{... todo o desenho é complexo, vivido, reflexo, sentido... observado. todo desenho é ver e olhar. é rosto ou feição desenhada já por outra mão. olhar o desenho é redesenhar de novo. olhar, é o princípio do traço. traçar e voltar a traçar. dar contorno à volumetria, sombrear o planificado e selecionar tudo aquilo que não se quer ver. assim se apaga todo o desenho indesejado. basta não se querer ver para não se olhar todo e qualquer traço. simples não é?... tal como a vida, o desenho é complexo, vivido, sentido e observado. quando a olhamos... tudo é puramente reflexo de nós. afinal, a quantas mãos se desenha um simples traço? se fosse tão simples desenhar de uma só vez aquele traço que nunca se apaga... baixaria os pinceis por hoje se tivesse na cidade das tintas, sómente, porque o céu está demasiadamente azul e mais logo, as estrelas iluminarão o caminho que me levará de novo a ver o mar. voltar a olhar o mar... é mais do que desenhar nele todas as ondas que lhe pertencem... porque um desenho, também se ouve com saudade!...}

23.2.07

[...ad + eccu + illac...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF256664-01-01-02.mp3
{... daqui, ou talvez mesmo... só mais acolá, o céu é mais perto! neste lugar, o tempo dá lugar a outros tempos. daqui, há tempo para se observar o tecto do Mundo. eis as primeiras vistas da saída da nave onde as tintas repousam no algodão já rabiscado. acolá, o céu é mais perto de tudo o que há para além de nós. nunca sei ao certo quando olho para aquela casa branca, a que distancia se encontra ela, deste céu tamanho que envolve a cidade das tintas. este é o horizonte dos meus dias nesta cidade. se todos os lugares têm céu, como será ele no meu próximo lugar? se os lugares se mudam e nos mudam pelas suas diferenças, só o céu não se altera temporariamente no seu recatado infinito. a ele, se agrupa sempre um + ou um - , consoante a distancia pontual do erro a que dele nos encontramos: dele, do céu... é claro! porque tudo o que é de mais ou de menos é sempre igual a um determinado valor que correspondente invariavelmente ao coeficiente do vazio. se um dia, der de caras com o vazio dos dias... que haja muito céu nesse lugar! é mais ou menos isso que os habitantes das tintas fazem: olha-se o céu, e pintam-se tantas quantas estrelas sejam possíveis desenhar. é exactamente por isso que aqui o céu está mais perto de nós do que em outro lugar. em traços abstractos... nesta cidade, tudo é infinitivamente desenhado para que o céu, esteja sempre mais perto do lugar onde habita efectivamente o nosso Eu!}

16.2.07

[...Silêncio, desejado Silêncio!...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF169161-01-01-10.mp3
{...mesmo quando as cores se ausentam há janelas que se abrem pintadas de si! mesmo quando as cores se ausentam de nós, ou do lugar onde habita o Mim... outras janelas se abrem na memórias dos nossos dias. ter a memória das coisas é agrupar tudo aquilo que nos rodeia. o silêncio não é mais do que um amplificador das coisas simples e que por vezes, tão esquecidos ou cegos delas estamos. vim a Lisboa buscar mais uma tela. vim a Lisboa e procurei detectar um pouco de silêncio nesta cidade que tanto me fascina. é difícil encontrar no barulho urbano alguma calmaria... e foi exactamente por isso que fui ver o filme "O Grande Silêncio"! ali, naquele grande ecrã, onde é retratado um convento dos monges da espiritualidade, todas as coisas simples são captadas pela câmara de um artista que cansado também ele, da ausência dos patrocínios e do desgaste do jogo dos interesses que dominam o meio cultural, ao se recolher à procura de si mesmo - fora de tudo e do tempo -, foi também ele supreendido pelos sinais das coisas simples. é na simplicidade das coisas que habita a tão desejada procura: a procura da criação à obra. por isso, estou hoje de regresso à cidade das tintas, com mais uma tela branca, carente de todas as coisas simples que habitam bem junto da janela do quarto que me acolhe no grande silêncio do Alentejo!...]

12.2.07

[...esboços de gente...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF136092-02-01-16.mp3
{... na estrada que circunda a cidade das tintas, há esboços de gente assim! Nesta estrada, cansada já pelo tempo que por ela passa, e ela mesmo, já em pleno estado de angústia pela ausência dos passos cujos habitantes, estão hoje dela tão esquecidos. É pelas 19 horas que as passeatas obrigatóriamente se fazem, nesta cidade lugar. Como é urgente desfragmentar toda a aritmética das cores que desde a madrugada se cria no silêncio das tintas. Andar nesta estrada é mais do que articular os ossos, arejar a mente ou entrar na plenitude do vazio. Há tanta vida nesta estrada adormecida! Se eu pudesse, só mesmo se eu pudesse, pintaria toda a estrada que ladea o meu caminho. São tantos os sinais que em aparente estado animico, gritam por nós, como que se pudessem partilhar assim, a surda conversa entre o esboço e as formas,e com a qual se completa o tão desejado desenho. Eis o sopro secreto da inspiração que nos une... a nós e aos esboços de gente, que vai circulando nesta estrada ou caminho, até à cidade das tintas.}

31.1.07

[...há festa em Tintas...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF249794-01-01-08.mp3
{... hoje, há festa em Tintas. porque hoje, há mais um quadro terminado! hoje, em Tintas, todos os pinceís se reunem. por breves instantes, também eles refrescam toda a sua azáfama. os senhores pinceís são trabalhadores incansáveis... só quando algum adoece é que a melancolia desce a esta cidade. mas hoje, é dia de recordar outros feitos, outros acontecimentos que também eles nos marcam para sempre... terminar um quadro é recordar uma parte do nosso tempo. é meditar em tudo o que aconteceu, minuto após minuto até ali se chegar. como se viaja tanto no tempo das cores, sem ingressos de partidas ou chegadas, sempre rumo a um misterioso destino. só mesmo eles é que têm esse poder em descobrir qual o momento - aquele exacto momento em que o algodão envolto de tinta se ausenta de si. se eu pudesse parar sempre que o cansaço desce á cidade das tintas... quantos quadros estariam já prontos?!... andaria eu, os senhores pinceís e as senhoras cores, sempre desfalecidos dos tons garridos, próprios da energia que nos faz viver neste voluntário retiro até que o início do próximo inverno se aproxime. até lá, há ainda o verão... e é com ele que as cores secam mais depressa. estou certa que haverão muitos mais dias de festa em Tintas. pelo menos, mais 20 terão que ser celebradas. se eu pudesse estar já no próximo inverno, sei bem o que faria! partiria de malas feitas sem pinceís, sem tintas ou superficies brancas de algodão. além de mim... apenas embarcaria um pequeno livro: o catálogo da nova exposição!}

26.1.07

[... Big My Secret...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF249794-01-01-05.mp3
{... em tintas, há pinceís desarmados de saudade. sim, também neles habitam sentimentos assim. todas as cidades têm os seus segredos. há ainda segredos sem cidades. há tantos segredos por revelar... como tantas são as cidades possíveis de inventar. mas colorir sem tintas é como habitar num despovoado. aqui, em tintas, o único agrupamento que se avista nesta planície são estes pinceís. estes, são os senhores desta cidade. todo o poder local depende da sua gestualidade. não há cunhas nem projectos favoritos adjudicados à pressa por defeito ou obrigação. ninguém se queixa nem tão pouco há zaragatas entre si. mas as cores, as senhoras cores, são as matrizes desta cidade. elas sim! ora se agrupam entre si, ora gritam slogans numa linguagem que os ouvidos não alcançam. e a razão de tudo isto é a cidade que aqui se vai projectando na solidão desta planície. só mesmo quando se agruparem todas elas (das cores à superficie do algodão onde se aninham), e já numa extensa parede construída noutra cidade é que será desarmada toda esta saudade. se eu pudesse espreitar a parede desse dia... o que será que hoje sentiria? não sei. mas se eu pudesse...}

12.1.07

[... cidade lugar...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF244790-01-01-01.mp3
{... além do tejo - "Nas tintas"-, é uma imensa planície cheia de odores e cores. é a minha cidade lugar. é aqui que habitam as novas telas para a próxima exposição. aqui... os habitantes são senhores pínceis, bezerros, veados, ratos, gatos, cães, morcegos, aves brancas migratórias, sapos, rãs, toiros, vacas e aranhas de todas as cores e tamanhos!... sabias que há aranhas verdes alface aqui nesta cidade lugar? pois se eu soubesse que as aranhas já se pintavam de verde alface muito antes de eu chegar aqui... que as vacas choram a ausência do sol; os ratos gritam de liberdade em correria pelo campo na ausência de gatos; o veado salta a cerca com medo do gado; as aranhas verde alface gostam do cheiro das tintas; as aranhas pretas cabeludas gostam da água onde se lavam os pinceis ; as lesmas são atraídas pelo verniz das telas; o vendedor do pão chega às 6 horas da madrugada ainda em directa do seu trabalho, e que o céu quando repleto de estrelas, cada dia que passa está cada vez mais perto das nossas cabeças... há muito que já tinha mudado as tintas do meu atelier para este lugar!...}

6.1.07

[... nas tintas...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF231215-01-01-10.mp3
{... nas tintas é um local no Alentejo onde habitam actualmente os meus pinceís. nas tintas, há também um charco e ainda uma estrada que atravessa toda a planície. colorir ideias, esboços, desenhos e telas... é a missão dos habitantes nas tintas... é também, um local onde a banda larga não funciona. aqui... só precisamos de pinceís. não se vê televisão nem se enviam imagens em telefones da 3ª geração! nas tintas, o céu à noite -principalmente quando está repleto de estrelas-, parece quase tombar em cima das nossas cabeças. nas tintas... é onde vou ficar até que estejam prontas - uma a uma-, todas as telas que venho uma vez por semana buscar a Lisboa. é nas tintas que o trabalho flui!... o silêncio e o vasto horizonte dão mais cor ao algodão das grades que quase sempre, aparentam estar carentes de figurar de uma vez só, todo o mundo que se foi para além deste charco, e desta estrada que atravessa toda esta planície. nas tintas... é sem dúvida, o lugar dos lugares onde a vida nunca se ausenta de todas as suas cores.}