4.11.07

Tiqqun in lisbon

{... na natureza da humanidade há cores cheias de emoção. sorrir perante as cores tranquilas que nos unem num determinado momento, é o que mais nos eleva e diferencia dos outros povos... saber descobrir essas diferenças é acertar ponteiros com o futuro. se ontem havia medo em partilhar paredes de emoção e cor... hoje, partilhamos paredes meias de cores cheias por revelar. o que há de mais fascinante, na grande sala do pensamento... é a forma como a elevação das diferenças se unem no grande espectro das cores que compõem a viva história dos povos. há ainda quem se esqueça que é também no presente, que se constroi o futuro... exactamente porque não há futuro sem passado. é com toda essa emoção de cor que nos orgulhamos de registar momentos assim. na grande sala do pensamento todas as cores se unem tranquilamente em torno de tudo aquilo que realmente nos diferencia. Tiqqun, conceito do que quer dizer, entre outras coisas, "Restauração" ou "Reparação" do Mundo - desenvolvido por o Rabi Issac Luria, no Sec.XVI -, é a exposição que está patente nos Paços do Concelho em Lisboa.}

3.11.07

[...há no tempo instantes assim...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF285583-01-01-05.mp3
{... há no tempo instantes assim. repousar no registo no tempo é desfragmentar todos os sentimentos que nos povoam. ficar sentado no vazio do tempo é ampliar o relógio da vida... não pensar é isso mesmo! é entregar o nosso tempo ao vazio dos dias. há quem o faça por teimosia ou por inércia. há mesmo quem pense que nunca teve momentos assim. deixar de pensar, e parar todos os instantes que completam o ciclo do nosso tempo, é habitar em outro lugar. o mundo está repleto de territórios ainda despovoados. sempre que alguém se entrega a instantes assim... uma nova aldeia nasce na grande terra do pensamento. é talvez por isso que em cada um de nós... muitos territórios estão ainda por conquistar. se assim não fosse... o mundo se esgotaria de imediato e tudo não passaria de uma ilusão. sentarmo-nos então em nós próprios... é ter tempo para conquistar novos territórios no grande e infindável Mundo que reside no pensamento de cada um.}

24.10.07

[...Janelas de Cor...]

{... há nesta cidade capital janelas de cor em sonhos por habitar... todas as aldeias ou povoados são habitadas por residentes sonhadores. só não sonha quem há muito deixou de acordar. adormecer o desejo de criar é morrer lentamente no mesmo lugar. há quem já não sonha... por tanto se queixar não sair do mesmo lugar. há lugares também assim... sem cores para habitar. há na cidade dos sonhos todas as cores possiveis de pintar. colorir um sonho de cada vez... é acordar todos os dias noutro lugar. talvez por isso todas as casas têm mais que uma janela aberta para o Mundo. afinal de que serve sonhar? se nunca sonhares habitar numa cidade repleta de janelas de cor... todas as aldeias ou povoados serão iguais. adormecer o desejo de criar é morrer lentamente no mesmo lugar. jamais será possivel retirar toda a cor que habita no Mundo... porque antes dele e depois dele... há muitas mais cores escondidas em todos aqueles que nunca deixam de sonhar...}

27.9.07

[...Os caminhos de Tikkun...]

{... o pecado também se cola e se descola de qualquer superficie seja ela de pele ou cartão. se apaga ou se guarda na memória... de quem o quer esquecer. com todo ele, inteiro ou desfeito, se podem colorir outros objectos de vida. restaurar o mundo... é repensar na sua libertação. restaurar a paz no mundo é uma tarefa árdua mas não impossível. há pessoas que levam assim suas vidas... a reconcertar o Mundo. e é exactamente por isso que há também objectos de vida assim. deve ser por isso que todo o pensamento é livre. livre de errar, perdoar, e de se libertar através dos caminhos da espiritualidade.}

24.9.07

[...e agora?...]

{... e agora? nada mais. brumas ocres. o Tejo. se há mais Tejo além do que Portugal quer ver... não sei. também alguém o quer adormecer. ou não?!... há coisas que lembro de Pessoa. triste senhor (diziam uns com inveja de outros porque assim se fez Portugal). sim!... Pessoa o contabilista e poeta da torre inantigível de Ofélia. Talvez por isso a Pintura se fez aqui esconder em terras Lusas.Oh... Maria Vieira da Silva. Os pigmentos das cores talvez sejam ridiculos para outros senhores... Ainda não entendi porque partem as pessoas mais especiais que Portugal tem. também nem devemos perceber... deve ser essa a equação lógica para isto tudo - adormecer quem quer partir e dificultar a sua realização. há na realidade uma razão para tudo isto. nas brumas de toda a ilusão de quem já parte fica a esperança do seu regresso. hoje sorri quando vi Paula Rego em Espanha. afinal todos lhe fecharam portas. é assim a partida sem bilhete de chegada. dizia-me à pouco um outro artista desertor em terras Lusas: California sempre! E voltei a sorrir. Cinema... outra arte. a pintura é mais silênciosa não tem ruído! então faz mais barulho - disse-me ele -, a pintura é senhora no mais horizonte ao Sul onde todos os mortos teimam adormecer Portugal. porque são tão invejosos? estes trapézios de circos em sorrisos de politicos senhores. olha... também não sei! são senhores inscritos em listas... sem Céu, nem cores de poesia ou sonhos. e agora?... agora, vamos descrever outro querer: Tiqqun vai acontecer!.. os outros não são mais que postais ilustrados, vão e vêm. e...agora?... e agora vamos acontecer - disse - além do Tejo... há mais Portugal! }

17.9.07

[...A Nova Cidade das Tintas...]

{... eis a nova Cidade das Tintas!... virada a Sul...mais para lá do Tejo quase se abeirando ela em Terras de Espanha. é onde vai ser instalada a nova Cidade das Tintas! porque há tanto Alentejo na procura da Cidade das Tintas? não sei. mas, é exactamente este o lugar onde irá ter lugar a nova cidade. há nesta vila sem habitantes... todo o desejo de iniciar a nova exposição de 2009. o que mais me fascina no tempo... é desejar estar já nesse futuro. é então isso que nos anima -projectar o futuro! que assim seja... e que seja esta vila a minha nova Cidade das Tintas. mudar o atelier para outras paragens... é parar o tempo numa outra cidade lugar, sempre ela desconhecida. eis o encanto dos Guerreiros da Cor. é no desbravar da terra que as cidades se inventam... e nelas se projectam sempre novas cores. apesar da vontade de partir... é tempo ainda de ficar na grande cidade a detalhar todos os preparativos da exposição "Tiqqun". pensar apenas na Cor... é não deixar escurecer o presente. "Tiqqun" está cada vez mais perto de acontecer... (que aconteça então já em outubro para que seja tempo de partir, rumo à nova Cidade das Tintas). há em todo este céu, uma saudade imensa... desenhada em terras d' além tejo!...que assim seja.}

4.9.07

[...Só se Nada te Disser...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF188504-01-01-11.mp3
{.... só se nada te disser, de tanto olhares o que vês, olha para o lado. apenas se nada te disser por tanto olhares todas as coisas que povam o Mundo. olhar, é mais do que observar o que há realmente em todos os tempos de todas as coisas que se sobrepõem ao nosso próprio tempo. eu olho e vejo... o tempo. tudo passa. o relógio teima não ser esse o meu tempo, onde daqui sentada posso ficar pausadamente a ver todo o mundo a passar. não existem relógios! também nem existe "o tempo" neste mesmo tempo, onde tudo já nem passa devagar. só se nada te disser de tanto sentires o que vês, olha para o lado e apenas observa o que ouves. escutar, não é mais do que olhar com o coração de quem vê para além do tempo - a luz procurada. saber ter tempo para observar ... é dar ao tempo, todo o tempo do Mundo para escutar os outros. tudo o que neste tempo se diz, não sei se faz sentido. sei que se pudesse, ficaria sentada até o tempo me levar até essa luz que nos conduz, ao paraíso do bom Deus. sem espiritualidade todas as coisas que observamos deixam de ter sentido. apenas se nada te disser... olha para o lado de todas as coisas que povoam este Tempo...então diz:
- só se nada fizer sentido, ficarei sentado em Mim.}

23.8.07

[...A Cor da Solidão...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF232879-01-01-06.mp3
{se a solidão tivesse cor... hoje revia memórias assim. apagaria da memória o local onde estive e voltaria a pintar tudo de novo. só se a sodidão tivesse cor! se a solidão tem cor?... não sei. não há essa cor na paleta do pintor! mas, conheço bem esse pigmento porque o pinto em mim. só se a solidão tivesse cor nasceriam memórias assim. tenho saudades sabes?... tenho saudades dessa cor... que nos agasalha e conforta sem tréguas ou mágoas. tenho saudades do Alentejo! há em toda a saudade uma solidão encontrada. só se a solidão não tivesse cor é que eu apagaria da memória todos os sentimentos que pinto em mim. tenho saudades porque as vejo aqui ao meu lado e tão perto de mim a todas elas - as telas feitas de algodão e casquinha -, dilatadas pelo frio e calor do Alentejo. apenas isso. são saudades daquela solidão habitada pela cor. agora dormem elas e fico eu disperta para que não fujam de medo. medo do dia em que terão de acordar e despertar de novo, para me agalhasarem de esperança. se a solidão não tivesse cor, elas não estariam aqui tão perto de mim. se eu pudesse hoje partir, rumo a novas memórias, deixava a cidade das tintas aqui neste céu de lisboa abeirada do tejo e partiria de novo!... não sei onde vou construír a minha próxima cidade das tintas. não sei!... mas aqui, sentada eu... olhando para todas estas telas, há já cores que gritam novas memórias. são saudades do futuro. há em toda a solidão sentimentos assim!...}

20.8.07

[...a paredes meias...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF262851-01-02-02.mp3
{... a paredes meias foi onde estive no dia de aniversário de lauro antónio. há em LA imagens, viagens, diálogos, ideias... longe daki. daki é aquela cidade para onde todos desejam partir quando cansados de viver aqui estão. não, não me refiro aos Céus... nem aos anjos, nem tão pouco aos arcanjos que habitam mil noites sem fim. daki, fica em outro continente. há manhãs submersas de espanto e esperança para os que vivem em daki. agora aqui, neste continente onde se encalha por prazer, há apenas horizontes pintados de verdes invejas em todos os sorrisos orfãos de si. estranho sentimento esse... que morde grande parte dos habitantes que aqui vivem... em terras de Portugal. mas, foi em casa de lauro antónio que vi pela primeira vez imagens da sua viagem à minha cidade das tintas. foi de lá também que veio comigo seu filme "manhã submersa". há neste homem imagens que acontecem... gente sem peneiras... e cenários vivos retirados de quadros jamais aqui pintados!... há em LA, os meus sinceros agradecimentos, por tudo o que fez e por tudo o que está ainda por fazer. e quando o tema "Deus" o visita e o convida, a captar essa Luz... lauro antónio capta a dúvida, os homens e a ele mesmo... com sublime sucesso. só aos humildes lhes é dado semelhantes abrigos assim. é talvez por isso que nada acontece por acaso. e quando o acaso acontece... e a luz não se entristece no ecran da nossa vida... acendem-se velas no mais alto altar do mundo e simplesmente se agradece. da manhã submersa ao alentejo, a Deus e a tudo o resto... obrigado Lauro António!... }

14.8.07

[... Mudos de Cor...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF278795-01-02-02.mp3
{... agora, depois das tintas... a cidade é outra! apagada a luz, ficamos em silêncio mudos de cor. agora, resta estar sentada no tempo... apagam-se as luzes para que a cor não se gaste. encostam-se os quadros à parede, todos juntos uns aos outros, pelos alçados desta casa. recolhidos os pinceis, aguardam as cores e esperam os quadros que o inverno de novo nos leve para outro lugar. aguardar até ao dia da exposição... é ficar entre o vazio das paredes e a ausência de luz, sentados ambos no banco do tempo - eu e os quadros! silênciar a cor... é cortar a luz ao tempo. há também tempos assim! sem luz, todo o pigmento é ausente de cor. é como se todos estes quadros, agora empacotados, nunca tivessem existido. silenciosos e mudos de cor aguardamos outubro de 2007, só porque em 2005 foi projectada esta data para a nova exposição. falta pouco ... mas eles e eu já estamos prontos! e há ainda quem não tenha tempo para se sentar no silêncio de cada cor. os museus são exactamente isso... são pequenas parcelas construídas no tempo para que a cor se espreite no seu mais povoado silêncio. é por isso que o Mundo é o grande museu vivo. não há maior silêncio povoado que o nosso pensamento! pensar a cor... é percorrer todos os alçados daquela cidade que nos falta ainda descobrir. a pintura é exactamente isso!...e agora?!... agora, depois das tintas a cidade é outra!}

8.8.07

Frederico Corado

http://magazin.blogspot.com/2007/07/magazin-em-documentrio-de-lauro-antnio.html
{... frederico corado é um personagem discreto de olhar inquieto. atento e em silêncio percorreu as linhas e formas, onde a cor ganhou vida nesta Cidade das Tintas durante 7 meses. aqui cada Tela é um degrau. são 30 degraus preenchidos de cores e formas, os vários caminhos que cada Tela nos levará, em Outubro, à Libertação do Pecado. se há pecados na cor... não sei! mas há cores pecadoras e outras tantas desejando a sua libertação. tudo se liberta na Tela: as ideias, as formas, os conteúdos, os sentimentos, a vida e até a morte nela se guardam por vezes em opostas cambiantes da cor. há quem as olhe sem nunca revelar a razão que levará a olhar mais tempo para um único e determinado detalhe. nunca se sabe ao certo porque os olhos se prendem em determinadas formas e cores que uma só Tela tem. há ainda, também, quem nem lhes dê cor ou não as queira para si, como o lugar objecto de vida. é talvez por isso que há vidas desiguais! é ainda por isso que as imagens são para alguns dos demais, a sua única forma de vida. trabalhar a imagem e dar-lhe movimento... é o universo inquieto, onde se regista não só o que se vê, mas sim... tudo aquilo que no outro se observou.}

27.7.07

[...Caminho Pra Cordoba...]

http://www.myspace.com/itabuna
{... foi na Cidade das Tintas que montei o laboratório das Cores, Imagens e Sons para a nova mostra artística. A Cidade das Tintas é um lugar misterioso onde a criatividade flui... em todas as suas vertentes culturais. este lugar faz lembrar o atrio dum Aeroporto onde se cruzam artistas em plena elaboração da linguagem dos sentidos. é através da Obra que compõem... que se cruzam apressadamente. talvez porque aqui neste laboratório artístico, todos temos pressa em concluir, à data préviamente agendada, os conteudos que a todos nós, nos faz chegar até aqui para logo regressar ao lugar ou lugares, onde o nosso trabalho passa a ser públicamente revelado. um dia... na nave onde as novas Obras foram ganhando Cor e Forma, dei de caras com um observador atento que se passeava nos extensos corredores da nave, como que já estivesse ele mesmo, no espaço expositivo, onde toda esta a Obra irá estar patente. se as coisas acontecem por acaso?... não sei! se eu pudesse dizer que foi o primeiro visitante da exposição... mentiria decerto. quem és tu? disse-lhe eu no meio da azáfama das filmagens.
- Sou o Mucio... e gosto do que vejo! respondeu-me ele enquanto escrevia os seus contactos no verso de um papel para que também eu conheça o que faz e porque foi até à misteriosa Cidade das Tintas. aqui... nesta Cidade, todos os habitantes vão sempre rumo até uma outra Cidade.
o Mucio Caminha Pra Cordoba!... eu Caminho Pra Lisboa para agendar uma outra cidade. }

18.7.07

[...Lauriando no Alentejo...]

http://lauroantonioapresenta.blogspot.com
http://detesto-sopa.blogspot.com
{... ?... Lauriando no alentejo... foi exactamente o que a família Lauro António andou a filmar.
porque as imagens falam por si... e o alentejo também. porque existem tantos artistas a habitar o alentejo? não sei.... ou melhor, parece que descobri o que nos motiva - silêncio! a Cor é motivada pelos cheiros e a aridez do horizonte teima dependurar tudo aquilo que nos falta ainda criar. no silêncio tudo fica mais perto do momento tão desejado - Criar. desta imensidão de azul todas as cores nos transformam e nos acordam de todo e qualquer sono urbano.
alentejanamente pensando... tudo é perto da Cidade das Tintas!...
Lauriano no alentejo?... ouvi dizer que sim!...}

3.7.07

[... o véu do pecado...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF193116-01-01-01.mp3
{... há em todos os pecados, remorsos guardados. há ainda pecadores e pecados ausentes da sua libertação. libertar um pecado, não é mais que enviar um recado ao Deus Redentor. se encontramos recados guardados em pecados exilados... resta apenas o vazio. há pessoas em que o pecado não reside. há residências de pecadores e juizes de sofredores. mas... nada disto é como nas Cores. todos os tons têm as suas cabiantes... na Tela do Pintor que deixa de ser branca. tal como o pecado, de branco veio e de negro se pintou. é assim a Pintura. há pecados guardados e segredos por revelar. há tantas cores a inventar... que de Cor nascemos e pintados dela morremos. mas... o pecado não é morte...é Sorte! há em todos os pecados a verdade temporal do Ser. se um dia estiveres com reclusos e escutares seus pecados, verás quanto difícil é desenhar seu perdão. há também o perdão perdoado. afinal, é exactamente isso que esperamos alcançar um dia. do pecado ao perdão são degraus em degraus... que passam entre os que partem e os que vão. saber perdoar é sobrevoar o véu pecador. se eu pudesse sobrevoar meu próprio véu, há muito que voaria algures no tão desejado céu. o Céu, não é mais... que o maior pecado que cada Tela têm com o seu Pintor.}

24.6.07

[...Esboços Pecados em Lápis Guardados]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF251604-01-01-01.mp3
{...há em lápis guardados, esboços pecados! há em esboços guardados pecados secretos. há também locais secretos de pecados guardados. há tanta coisa que povoa o Mundo que na realidade nem sei se há mais povoado do que a própria Redenção. só se rende quem aguarda libertação. há pecados discretos um pouco mais honestos perante o Deus Redentor. há ainda pecadores humildes... que se libertam ao seu sofredor. há quem liberte sua Dor na Cor. há esse deserto do Sentir... há no Sentir um pecado guardado, revelado, desejado, inacabado, indeterminado. há em toda a Cor que cobrem as Telas da minha próxima exposição... segredos revelados em pecados inacabados. se eu pudesse... iria de malas feitas para Paris... Berlim... Russia... Tibete... ou exactamente para Safed! só se eu pudesse. Iria... ora se iria, se o pecado fizesse acontecer Ser Eu a própria Cor... lá onde o destino escolhe morar. lá não é longe!... afinal, nada é longe do lugar onde queremos chegar! se chegaremos ao pecado escolhido?... não sei. se chegaremos ao final do Sonho prometido?... também não sei. em todos os recados há pecados revelados. estou no fim do que me fez vir até ao Alentejo. tenho já saudades deste lugar e da Cidade das Tintas. não sei quem pintará mais sonhos neste lugar, sei apenas que fui feliz neste imenso deserto do Eu e do Mim ausente e presente em todo este Verde; Amarelo; Ocre; Magenta; Azul e do Branco recortado no Preto que trago comigo em 30 passos nas Telas que nasceram nesta Cidade. nasceram porque a libertação do pecado é o tema da próxima exposição... apenas isso!... aqui nesta Cidade aconteceu apenas isso - Esboços Pecados em Lápis Guardados!
se eu pudesse... lá não é longe!}

11.6.07

[...A Linha da Mão..]


http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF213965-01-01-08.mp3
{... não há linha da mão que seja razão. não há ainda Paris e Miles Davis. Nem as pessoas especiais que conhecemos. nem... especialmente pessoas de nome _ Tu! há sim, tantas outras pessoas que conhecemos.!... tantas pessoas que iguais a outras são razão. E porque não?... recordo ainda tantas outras coisas - as coisas da Cor. Sempre as Cores!... Sem Cor não se vive, e sem os sentidos como poderemos fechar a Luz que nos anima?... Se um dia, a Luz do dia se fechar em Si... Que fazer?... Olhar para a mão? Qual?... Olhar o amanhã é querer vencer. sonhar ou criar. é isso! olhar a mão e seguir o sonho. qual o sonho?... O que teimamos vencer!... Sonhar é isso. tal como a Linha da Mão. não deixar os Sonhos para trás é teimar com o relógio da Vida. são milhas e milhas de sonho em Ser. Ser, é ter tempo do nosso tempo a perder! realizar a equação perfeita das milhas de linhas de mão para a felicidade... é ter tempo para Ser feliz... é, ter tempo para realizar todo o tempo do Mundo no Mundo do Querer. A felicidade reside assim. de mão cheia para ouvir... o grito de quem sofre. se por vezes não o ouvimos... é porque estamos longe de quem da elegência do Ser... já não sofre! não sofrer é querer não Ser. Ser, é descrever o que povoa a Alma... a linha da mão, apenas descreve a teimosia de quem a tem. deve ser exactamente por isso que todas as linhas da mão... teimam "Ser" tudo aquilo que queremos vencer - o tempo!... Apenas o tempo, do tempo que nos resta olhar todas as linhas que se descrevem na mão, são o próprio tempo de Ser que nos resta vencer a teimosia de viver.}

30.5.07

[...guerreiros da cor...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF230211-01-01-09.mp3
{... há neles a ousadia do esboço sonhado. há sempre neles... aquela força divina de correr atrás do sonho a realizar. há tanta mestria quando repousados estão, que por vezes, na ausência da gestualidade trocam traços escondidos em segredos por revelar. há neles cores feitas, juízos perfeitos e orações por rezar. há neles desejos tamanhos e desenhos por animar... há neles, a euforia do vazio e o esvaziamento da sua própria alma, porque não têm corpo, de tanto corpo desenhar. há neles... o pecado de não pecar. há neles, uma saudade imensa em voltar a ter alma e corpo para além da tela branca que lá deixei por acabar. há neles, o respeito da minha ausência e ansiedade de recomeçar a dar cor àquele lugar. há neles... guerreiros da cor, esperanças vividas e noites mal dormidas. há neles, sangue de mil cores e muitas mais por definir. há segredos recatados e paixões secretas por desenhar. há sentimentos esperados e aninhados no vazio de cada olhar. há neles guerra em cor, e cores de guerra infindáveis de pintar... sem eles não há paixão, alma, corpo, sonho, euforia, juízo, pecado, oração, esperança, sentimento, ansiedade, guerra, vazio... saudade da vida que falta ainda realizar. sem os guerreiros da cor, todas as telas são brancas gélidas ainda ausentes de tanto sonhar.}

25.5.07

[... Soldados do Silêncio...)

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF258377-01-01-02.mp3
{... há nos templos habitados por soldados do silêncio, um grande segredo: a Paz interior!... há soldados do Bem e do Mal. há soldados pagos para causar gastos na humanidade. há também soldados que se oferecem à humanidade para fomentar a Paz. estes, os soldados do silêncio, são nobres almas despidas da vulgaridade dos dias. é neles que habita o grande segredo da vida. são na generalidade, seres humanos oferecidos a um Deus por vocação. atentos ás coisas simples que povoam o Universo, entregam eles suas vidas à oração. e vivem tal como nós, dia após dia, até que a senhora morte aproxime por fim, seu colo. há pessoas boas... sabias? há em todo Mundo pessoas desiguais que apenas se dividem em duas equações. desiguais, são as oportunidades que a vida nos dá, porque nem sempre nela encontramos pessoas tão especiais. é nos templos que eles habitam. quase diria por fim que para se ter acesso a tais nobres pessoas, temos que com eles e como eles, mergulhar no seu mais profundo silêncio. eu mergulho temporáriamente no silêncio dos dias. eu... por vezes, construo templos imaginários devotos ao silêncio, talvez porque desejo recatar o Guardião da minha Fé, em paredes erguidas num sagrado castelório. sem estes castelos, seria impossível viver na uniformidade do silêncio dos dias, porque cada vez mais, o Mundo, carece de ser povoado por soldados da paz. Há na arte tudo isto... e muito mais silêncio procurado! afinal, quem não procura o silêncio dos dias?!...}

23.5.07

[... a força da cor...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF266342-01-01-01.mp3
{... sem mar... apesar de sem mar, viver para além do tejo, há o saudoso sal, trazido até mim pela força da cor: o vento!... se a saudade tem cor? não sei. mas... há saudades cheias de cor. se a cor nos traz saudade pela subjectividade da cor... então, temos cores em todos os sentimentos presentes e ausentes. por vezes, há momentos de saudade ausente, na planície alentejana. falta-lhe o mar!... na cidade das tintas, o mar foi pintado numa grande tela imaginária. se não fosse o vento que corre todo o planeta lado a lado sem parar... como coloria eu, toda esta enorme saudade, em ver aqui o mar? se não fosse a força da cor, como se calmaria toda esta melancolia? basta pintar. se não tiveres o mar perto de ti, desenha-o e dá-lhe cor! é para isso que as tintas servem. dão cor a tudo o que sempre está ausente. já o vento, sem cor aparente, quando se ausenta donde estamos, se asfixiam as cores de saudade duma áfrica desconhecida. há no alentejo gentes que trabalharam no norte de áfrica. muita gente quando sente o vento, aqui neste deserto, pinta-o de amarelo e branco. há ainda quem o pinte de azul e de verde porque o mar tem essas cores na consciência de cada um. ora, se o pintares de magenta, também serve, desde que a força da cor consiga sombriar com ela, toda essa saudade. há saudades assim!... há saudades pintadas em telas ausentes largadas ao vento daqui, ou de qualquer outro lugar.até agosto, sem mar presente, apronto as telas para regressar por fim até lisboa.}

20.5.07

[...no acaso dos dias...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF268740-01-01-04.mp3
{... o amigo dos meus amigos, que meu amigo também é, não gosta nada de chopin!... ás tantas, e entre as horas diferentes dos restantes relógios destes habitantes... houve-se chopin. nesta terra, tudo o que se houve é meramente selecionado pelos acordes de um só Ser. juntos estamos, todos os dias, lado a lado na nave que alberga o atelier. eu e ele - ou melhor dizendo- o chopin!
é a primeira criatura viva que encontro nesta cidade. ainda bem, pois existem outras menos agradáveis com a sua própria vida: as aranhas por exemplo que trabalham dia e noite nas suas teias, ou mesmo as melgas que esfomeadas do sangue que não conseguem achar... sobrevoam o imenso charco desta cidade. o chopin pela madrugada dá sinal de si e manifesta a sua tendência musical. sempre que ouve chopin... bate nas paredes meias que nos separam e aguarda por novo som. eis o porquê do seu nome! todos nós temos um nome que não é por acaso. nada é por acaso talvez... para que nunca o acaso seja designado como uma única e pura coicidência. talvez seja por isso que o acaso nos prega constantemente inúmeras supresas. as cores, por exemplo, nunca são constantes. há tantas cambiantes na natureza dos pigmentos... que a procura duma determinada cor nunca acontece isolada do fenómeno - acaso. é como na música, exactamente quando a selecionamos naquele determinado momento. nunca se tira um CD por acaso para se ouvir, nem nunca se chama alguém vivamente pelo seu nome no acaso dos nossos dias.}