4.12.07

[... onde vais sem pressa?...]


http://mp3.co.uk/MP3/SF293553-01-01-03.mp3
{... onde vais sem pressa? tu que vens e vais sem que nunca ninguém te veja? sei que existes e que tens sempre pressa de fazer chegar tantos outros a esse lugar. há quem te chame e quem nunca te reclame. há ainda quem nem nunca possa regatiar toda essa pressa tua!... e se não houver um novo lugar? quem sempre contigo parte vai já de saída sem pressa de lá chegar. há tanta gente que chega e outra tanta que se vai... por vezes, parece que sentados estamos numa grande sala de um aeroporto qualquer, como quem aguarda tranquilamente a sua vez . e se um dia a rotação da Terra parar? e se tudo parar por fim?!... que se dane a pressa que te anima e toda essa tua correria. onde vais sem pressa? quem és tu que vens e vais sem que nunca ninguém te veja?!... que a pressa te aclame e te canse. sabes... nem sempre tenho pressa de saber quem és tu realmente, nem como será teu rosto. hoje, apenas hoje te pergunto... porque sei que ainda não é hoje que sentes pressa... em chegar ao lugar onde me encontro.}

27.11.07

[...Não Há Sombras Sem Luz...]

{...nunca deixes de olhar o céu porque lá não há sombras... sem que a Luz ilumine o novo tempo. não há Céu sem tempo... há mais Céu que todo ele observado por cada um de nós. nem sei exactamente quantos anos tem o Céu. o que importa mesmo é mergulhar naquela vastidão. o que estará para lá de tudo isto? não sei. se eu pudesse viver no Céu jamais tombaria neste manto de guerra que é o Mundo. e se o Mundo é tudo isto, o que será em outros Mundos - o próprio Mundo-, para além de todo este Céu?!... hoje sonhei com um novo tempo num outro Mundo. tudo era escuro e povoado por outros seres. há tantos outros cantos no Universo como quantos devem ser os personagens nesta imensidão povoada. os sonhos também são assim. por vezes são ausentes, escuros, frios, coloridos, cheios de força ou tristeza, repletos de alegria ou de dor que a memória transpira sempre que assim acontece. tombar em nós próprios, é mais do que iluminar todas as sombras que embalam a noite. é pois, iniciar essa imensa viagem para o novo lugar. e porque não há Céu sem tempo... algures no Universo... há decerto muito mais Céu noutro tempo a ser observado. claro ou escuro, povoado ou desabitado... que seja todo ele... repleto de estrelas em todas as suas milhas e milhas de Céu.}
http://www.astronomy2009.org/

14.11.07

[... Povoado Universo...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF266200-01-03-02.mp3
{... há em todo o vazio que povoa o Universo, a constante procura, para se encontrar em vida - a explicação do fim. há em todo o Universo muito mais do que todo este vazio povoado. há até ainda, quem nem o possa povoar em todo o seu próprio tempo. na vasta escuridão do Universo, toda a matéria organica reflecte energia. dessa Luz, e das suas matérias mais diversas... há sobreposições de cores saturadas ou ausentes em todas as formas que completam o objecto reflectido no espaço. nem sei se há espaço neste tempo para povoar o actual Universo. neste espaço inteirado no tempo, tudo é há muito diferenciadamente povoado. já não há alçados no património em todo este vazio, onde se possa colocar a sinalectica da vida. será que já não há vida para acontecer nesta constante procura?!... se o fim devolve ao vazio um novo inicio... então, todo este Universo é diversamente povoado nos seus mais diferentes ciclos de Luz.}

8.11.07

[um dia o céu chorou!]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF266200-01-03-03.mp3
{...não há nada melhor do que estar agasalhado em telhados de água. rios de sorrisos caem do céu. são gargalhadas de poesia. não há céu sem versos, nem telhas vazias de gente. Um dia, vi nesta estrada um cigano. filho declamante dum povo errante. chorava. há tantas mais estradas a caminhar... do que lágrimas a chorar. há quem leia palavras sábias na mão dum cigano. sabes?... hoje, vi uma estrela a cair no céu! não vi cigano por perto, nem nenhum gato, em telhados neste vasto casario de lisboa. deste telhado, aqui donde estou, vejo o tejo e a basílica da estrela. estão tão perto deste terraço, como o céu quando se aninha na grande planicie do alentejo. hoje, vi uma estrela desaparecida no alto dos céus. hoje, não vi lágrimas no rosto desta gente que circula, em rua nenhuma da mesma cidade. hoje, apenas hoje, todos os telhados de água sorriem em gargalhadas de azul. é tempo de chuva ou tempo de coisa nenhuma. já não há lágrimas cantadas na voz daquele cigano. mas, há tantas cores agasalhadas no teu e meu sorriso que só nós os dois as sabemos cantar. hoje, no telhado azul do céu... contei quantas estradas o mundo tem. todas as estrelas?... sim! todas as lágrimas que um verso tem. sabes... só se pisa uma lágrima de cada vez!...}

4.11.07

Tiqqun in lisbon

{... na natureza da humanidade há cores cheias de emoção. sorrir perante as cores tranquilas que nos unem num determinado momento, é o que mais nos eleva e diferencia dos outros povos... saber descobrir essas diferenças é acertar ponteiros com o futuro. se ontem havia medo em partilhar paredes de emoção e cor... hoje, partilhamos paredes meias de cores cheias por revelar. o que há de mais fascinante, na grande sala do pensamento... é a forma como a elevação das diferenças se unem no grande espectro das cores que compõem a viva história dos povos. há ainda quem se esqueça que é também no presente, que se constroi o futuro... exactamente porque não há futuro sem passado. é com toda essa emoção de cor que nos orgulhamos de registar momentos assim. na grande sala do pensamento todas as cores se unem tranquilamente em torno de tudo aquilo que realmente nos diferencia. Tiqqun, conceito do que quer dizer, entre outras coisas, "Restauração" ou "Reparação" do Mundo - desenvolvido por o Rabi Issac Luria, no Sec.XVI -, é a exposição que está patente nos Paços do Concelho em Lisboa.}

3.11.07

[...há no tempo instantes assim...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF285583-01-01-05.mp3
{... há no tempo instantes assim. repousar no registo no tempo é desfragmentar todos os sentimentos que nos povoam. ficar sentado no vazio do tempo é ampliar o relógio da vida... não pensar é isso mesmo! é entregar o nosso tempo ao vazio dos dias. há quem o faça por teimosia ou por inércia. há mesmo quem pense que nunca teve momentos assim. deixar de pensar, e parar todos os instantes que completam o ciclo do nosso tempo, é habitar em outro lugar. o mundo está repleto de territórios ainda despovoados. sempre que alguém se entrega a instantes assim... uma nova aldeia nasce na grande terra do pensamento. é talvez por isso que em cada um de nós... muitos territórios estão ainda por conquistar. se assim não fosse... o mundo se esgotaria de imediato e tudo não passaria de uma ilusão. sentarmo-nos então em nós próprios... é ter tempo para conquistar novos territórios no grande e infindável Mundo que reside no pensamento de cada um.}

24.10.07

[...Janelas de Cor...]

{... há nesta cidade capital janelas de cor em sonhos por habitar... todas as aldeias ou povoados são habitadas por residentes sonhadores. só não sonha quem há muito deixou de acordar. adormecer o desejo de criar é morrer lentamente no mesmo lugar. há quem já não sonha... por tanto se queixar não sair do mesmo lugar. há lugares também assim... sem cores para habitar. há na cidade dos sonhos todas as cores possiveis de pintar. colorir um sonho de cada vez... é acordar todos os dias noutro lugar. talvez por isso todas as casas têm mais que uma janela aberta para o Mundo. afinal de que serve sonhar? se nunca sonhares habitar numa cidade repleta de janelas de cor... todas as aldeias ou povoados serão iguais. adormecer o desejo de criar é morrer lentamente no mesmo lugar. jamais será possivel retirar toda a cor que habita no Mundo... porque antes dele e depois dele... há muitas mais cores escondidas em todos aqueles que nunca deixam de sonhar...}

27.9.07

[...Os caminhos de Tikkun...]

{... o pecado também se cola e se descola de qualquer superficie seja ela de pele ou cartão. se apaga ou se guarda na memória... de quem o quer esquecer. com todo ele, inteiro ou desfeito, se podem colorir outros objectos de vida. restaurar o mundo... é repensar na sua libertação. restaurar a paz no mundo é uma tarefa árdua mas não impossível. há pessoas que levam assim suas vidas... a reconcertar o Mundo. e é exactamente por isso que há também objectos de vida assim. deve ser por isso que todo o pensamento é livre. livre de errar, perdoar, e de se libertar através dos caminhos da espiritualidade.}

24.9.07

[...e agora?...]

{... e agora? nada mais. brumas ocres. o Tejo. se há mais Tejo além do que Portugal quer ver... não sei. também alguém o quer adormecer. ou não?!... há coisas que lembro de Pessoa. triste senhor (diziam uns com inveja de outros porque assim se fez Portugal). sim!... Pessoa o contabilista e poeta da torre inantigível de Ofélia. Talvez por isso a Pintura se fez aqui esconder em terras Lusas.Oh... Maria Vieira da Silva. Os pigmentos das cores talvez sejam ridiculos para outros senhores... Ainda não entendi porque partem as pessoas mais especiais que Portugal tem. também nem devemos perceber... deve ser essa a equação lógica para isto tudo - adormecer quem quer partir e dificultar a sua realização. há na realidade uma razão para tudo isto. nas brumas de toda a ilusão de quem já parte fica a esperança do seu regresso. hoje sorri quando vi Paula Rego em Espanha. afinal todos lhe fecharam portas. é assim a partida sem bilhete de chegada. dizia-me à pouco um outro artista desertor em terras Lusas: California sempre! E voltei a sorrir. Cinema... outra arte. a pintura é mais silênciosa não tem ruído! então faz mais barulho - disse-me ele -, a pintura é senhora no mais horizonte ao Sul onde todos os mortos teimam adormecer Portugal. porque são tão invejosos? estes trapézios de circos em sorrisos de politicos senhores. olha... também não sei! são senhores inscritos em listas... sem Céu, nem cores de poesia ou sonhos. e agora?... agora, vamos descrever outro querer: Tiqqun vai acontecer!.. os outros não são mais que postais ilustrados, vão e vêm. e...agora?... e agora vamos acontecer - disse - além do Tejo... há mais Portugal! }

17.9.07

[...A Nova Cidade das Tintas...]

{... eis a nova Cidade das Tintas!... virada a Sul...mais para lá do Tejo quase se abeirando ela em Terras de Espanha. é onde vai ser instalada a nova Cidade das Tintas! porque há tanto Alentejo na procura da Cidade das Tintas? não sei. mas, é exactamente este o lugar onde irá ter lugar a nova cidade. há nesta vila sem habitantes... todo o desejo de iniciar a nova exposição de 2009. o que mais me fascina no tempo... é desejar estar já nesse futuro. é então isso que nos anima -projectar o futuro! que assim seja... e que seja esta vila a minha nova Cidade das Tintas. mudar o atelier para outras paragens... é parar o tempo numa outra cidade lugar, sempre ela desconhecida. eis o encanto dos Guerreiros da Cor. é no desbravar da terra que as cidades se inventam... e nelas se projectam sempre novas cores. apesar da vontade de partir... é tempo ainda de ficar na grande cidade a detalhar todos os preparativos da exposição "Tiqqun". pensar apenas na Cor... é não deixar escurecer o presente. "Tiqqun" está cada vez mais perto de acontecer... (que aconteça então já em outubro para que seja tempo de partir, rumo à nova Cidade das Tintas). há em todo este céu, uma saudade imensa... desenhada em terras d' além tejo!...que assim seja.}

4.9.07

[...Só se Nada te Disser...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF188504-01-01-11.mp3
{.... só se nada te disser, de tanto olhares o que vês, olha para o lado. apenas se nada te disser por tanto olhares todas as coisas que povam o Mundo. olhar, é mais do que observar o que há realmente em todos os tempos de todas as coisas que se sobrepõem ao nosso próprio tempo. eu olho e vejo... o tempo. tudo passa. o relógio teima não ser esse o meu tempo, onde daqui sentada posso ficar pausadamente a ver todo o mundo a passar. não existem relógios! também nem existe "o tempo" neste mesmo tempo, onde tudo já nem passa devagar. só se nada te disser de tanto sentires o que vês, olha para o lado e apenas observa o que ouves. escutar, não é mais do que olhar com o coração de quem vê para além do tempo - a luz procurada. saber ter tempo para observar ... é dar ao tempo, todo o tempo do Mundo para escutar os outros. tudo o que neste tempo se diz, não sei se faz sentido. sei que se pudesse, ficaria sentada até o tempo me levar até essa luz que nos conduz, ao paraíso do bom Deus. sem espiritualidade todas as coisas que observamos deixam de ter sentido. apenas se nada te disser... olha para o lado de todas as coisas que povoam este Tempo...então diz:
- só se nada fizer sentido, ficarei sentado em Mim.}

23.8.07

[...A Cor da Solidão...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF232879-01-01-06.mp3
{se a solidão tivesse cor... hoje revia memórias assim. apagaria da memória o local onde estive e voltaria a pintar tudo de novo. só se a sodidão tivesse cor! se a solidão tem cor?... não sei. não há essa cor na paleta do pintor! mas, conheço bem esse pigmento porque o pinto em mim. só se a solidão tivesse cor nasceriam memórias assim. tenho saudades sabes?... tenho saudades dessa cor... que nos agasalha e conforta sem tréguas ou mágoas. tenho saudades do Alentejo! há em toda a saudade uma solidão encontrada. só se a solidão não tivesse cor é que eu apagaria da memória todos os sentimentos que pinto em mim. tenho saudades porque as vejo aqui ao meu lado e tão perto de mim a todas elas - as telas feitas de algodão e casquinha -, dilatadas pelo frio e calor do Alentejo. apenas isso. são saudades daquela solidão habitada pela cor. agora dormem elas e fico eu disperta para que não fujam de medo. medo do dia em que terão de acordar e despertar de novo, para me agalhasarem de esperança. se a solidão não tivesse cor, elas não estariam aqui tão perto de mim. se eu pudesse hoje partir, rumo a novas memórias, deixava a cidade das tintas aqui neste céu de lisboa abeirada do tejo e partiria de novo!... não sei onde vou construír a minha próxima cidade das tintas. não sei!... mas aqui, sentada eu... olhando para todas estas telas, há já cores que gritam novas memórias. são saudades do futuro. há em toda a solidão sentimentos assim!...}

20.8.07

[...a paredes meias...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF262851-01-02-02.mp3
{... a paredes meias foi onde estive no dia de aniversário de lauro antónio. há em LA imagens, viagens, diálogos, ideias... longe daki. daki é aquela cidade para onde todos desejam partir quando cansados de viver aqui estão. não, não me refiro aos Céus... nem aos anjos, nem tão pouco aos arcanjos que habitam mil noites sem fim. daki, fica em outro continente. há manhãs submersas de espanto e esperança para os que vivem em daki. agora aqui, neste continente onde se encalha por prazer, há apenas horizontes pintados de verdes invejas em todos os sorrisos orfãos de si. estranho sentimento esse... que morde grande parte dos habitantes que aqui vivem... em terras de Portugal. mas, foi em casa de lauro antónio que vi pela primeira vez imagens da sua viagem à minha cidade das tintas. foi de lá também que veio comigo seu filme "manhã submersa". há neste homem imagens que acontecem... gente sem peneiras... e cenários vivos retirados de quadros jamais aqui pintados!... há em LA, os meus sinceros agradecimentos, por tudo o que fez e por tudo o que está ainda por fazer. e quando o tema "Deus" o visita e o convida, a captar essa Luz... lauro antónio capta a dúvida, os homens e a ele mesmo... com sublime sucesso. só aos humildes lhes é dado semelhantes abrigos assim. é talvez por isso que nada acontece por acaso. e quando o acaso acontece... e a luz não se entristece no ecran da nossa vida... acendem-se velas no mais alto altar do mundo e simplesmente se agradece. da manhã submersa ao alentejo, a Deus e a tudo o resto... obrigado Lauro António!... }

14.8.07

[... Mudos de Cor...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF278795-01-02-02.mp3
{... agora, depois das tintas... a cidade é outra! apagada a luz, ficamos em silêncio mudos de cor. agora, resta estar sentada no tempo... apagam-se as luzes para que a cor não se gaste. encostam-se os quadros à parede, todos juntos uns aos outros, pelos alçados desta casa. recolhidos os pinceis, aguardam as cores e esperam os quadros que o inverno de novo nos leve para outro lugar. aguardar até ao dia da exposição... é ficar entre o vazio das paredes e a ausência de luz, sentados ambos no banco do tempo - eu e os quadros! silênciar a cor... é cortar a luz ao tempo. há também tempos assim! sem luz, todo o pigmento é ausente de cor. é como se todos estes quadros, agora empacotados, nunca tivessem existido. silenciosos e mudos de cor aguardamos outubro de 2007, só porque em 2005 foi projectada esta data para a nova exposição. falta pouco ... mas eles e eu já estamos prontos! e há ainda quem não tenha tempo para se sentar no silêncio de cada cor. os museus são exactamente isso... são pequenas parcelas construídas no tempo para que a cor se espreite no seu mais povoado silêncio. é por isso que o Mundo é o grande museu vivo. não há maior silêncio povoado que o nosso pensamento! pensar a cor... é percorrer todos os alçados daquela cidade que nos falta ainda descobrir. a pintura é exactamente isso!...e agora?!... agora, depois das tintas a cidade é outra!}

8.8.07

Frederico Corado

http://magazin.blogspot.com/2007/07/magazin-em-documentrio-de-lauro-antnio.html
{... frederico corado é um personagem discreto de olhar inquieto. atento e em silêncio percorreu as linhas e formas, onde a cor ganhou vida nesta Cidade das Tintas durante 7 meses. aqui cada Tela é um degrau. são 30 degraus preenchidos de cores e formas, os vários caminhos que cada Tela nos levará, em Outubro, à Libertação do Pecado. se há pecados na cor... não sei! mas há cores pecadoras e outras tantas desejando a sua libertação. tudo se liberta na Tela: as ideias, as formas, os conteúdos, os sentimentos, a vida e até a morte nela se guardam por vezes em opostas cambiantes da cor. há quem as olhe sem nunca revelar a razão que levará a olhar mais tempo para um único e determinado detalhe. nunca se sabe ao certo porque os olhos se prendem em determinadas formas e cores que uma só Tela tem. há ainda, também, quem nem lhes dê cor ou não as queira para si, como o lugar objecto de vida. é talvez por isso que há vidas desiguais! é ainda por isso que as imagens são para alguns dos demais, a sua única forma de vida. trabalhar a imagem e dar-lhe movimento... é o universo inquieto, onde se regista não só o que se vê, mas sim... tudo aquilo que no outro se observou.}

27.7.07

[...Caminho Pra Cordoba...]

http://www.myspace.com/itabuna
{... foi na Cidade das Tintas que montei o laboratório das Cores, Imagens e Sons para a nova mostra artística. A Cidade das Tintas é um lugar misterioso onde a criatividade flui... em todas as suas vertentes culturais. este lugar faz lembrar o atrio dum Aeroporto onde se cruzam artistas em plena elaboração da linguagem dos sentidos. é através da Obra que compõem... que se cruzam apressadamente. talvez porque aqui neste laboratório artístico, todos temos pressa em concluir, à data préviamente agendada, os conteudos que a todos nós, nos faz chegar até aqui para logo regressar ao lugar ou lugares, onde o nosso trabalho passa a ser públicamente revelado. um dia... na nave onde as novas Obras foram ganhando Cor e Forma, dei de caras com um observador atento que se passeava nos extensos corredores da nave, como que já estivesse ele mesmo, no espaço expositivo, onde toda esta a Obra irá estar patente. se as coisas acontecem por acaso?... não sei! se eu pudesse dizer que foi o primeiro visitante da exposição... mentiria decerto. quem és tu? disse-lhe eu no meio da azáfama das filmagens.
- Sou o Mucio... e gosto do que vejo! respondeu-me ele enquanto escrevia os seus contactos no verso de um papel para que também eu conheça o que faz e porque foi até à misteriosa Cidade das Tintas. aqui... nesta Cidade, todos os habitantes vão sempre rumo até uma outra Cidade.
o Mucio Caminha Pra Cordoba!... eu Caminho Pra Lisboa para agendar uma outra cidade. }

18.7.07

[...Lauriando no Alentejo...]

http://lauroantonioapresenta.blogspot.com
http://detesto-sopa.blogspot.com
{... ?... Lauriando no alentejo... foi exactamente o que a família Lauro António andou a filmar.
porque as imagens falam por si... e o alentejo também. porque existem tantos artistas a habitar o alentejo? não sei.... ou melhor, parece que descobri o que nos motiva - silêncio! a Cor é motivada pelos cheiros e a aridez do horizonte teima dependurar tudo aquilo que nos falta ainda criar. no silêncio tudo fica mais perto do momento tão desejado - Criar. desta imensidão de azul todas as cores nos transformam e nos acordam de todo e qualquer sono urbano.
alentejanamente pensando... tudo é perto da Cidade das Tintas!...
Lauriano no alentejo?... ouvi dizer que sim!...}

3.7.07

[... o véu do pecado...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF193116-01-01-01.mp3
{... há em todos os pecados, remorsos guardados. há ainda pecadores e pecados ausentes da sua libertação. libertar um pecado, não é mais que enviar um recado ao Deus Redentor. se encontramos recados guardados em pecados exilados... resta apenas o vazio. há pessoas em que o pecado não reside. há residências de pecadores e juizes de sofredores. mas... nada disto é como nas Cores. todos os tons têm as suas cabiantes... na Tela do Pintor que deixa de ser branca. tal como o pecado, de branco veio e de negro se pintou. é assim a Pintura. há pecados guardados e segredos por revelar. há tantas cores a inventar... que de Cor nascemos e pintados dela morremos. mas... o pecado não é morte...é Sorte! há em todos os pecados a verdade temporal do Ser. se um dia estiveres com reclusos e escutares seus pecados, verás quanto difícil é desenhar seu perdão. há também o perdão perdoado. afinal, é exactamente isso que esperamos alcançar um dia. do pecado ao perdão são degraus em degraus... que passam entre os que partem e os que vão. saber perdoar é sobrevoar o véu pecador. se eu pudesse sobrevoar meu próprio véu, há muito que voaria algures no tão desejado céu. o Céu, não é mais... que o maior pecado que cada Tela têm com o seu Pintor.}

24.6.07

[...Esboços Pecados em Lápis Guardados]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF251604-01-01-01.mp3
{...há em lápis guardados, esboços pecados! há em esboços guardados pecados secretos. há também locais secretos de pecados guardados. há tanta coisa que povoa o Mundo que na realidade nem sei se há mais povoado do que a própria Redenção. só se rende quem aguarda libertação. há pecados discretos um pouco mais honestos perante o Deus Redentor. há ainda pecadores humildes... que se libertam ao seu sofredor. há quem liberte sua Dor na Cor. há esse deserto do Sentir... há no Sentir um pecado guardado, revelado, desejado, inacabado, indeterminado. há em toda a Cor que cobrem as Telas da minha próxima exposição... segredos revelados em pecados inacabados. se eu pudesse... iria de malas feitas para Paris... Berlim... Russia... Tibete... ou exactamente para Safed! só se eu pudesse. Iria... ora se iria, se o pecado fizesse acontecer Ser Eu a própria Cor... lá onde o destino escolhe morar. lá não é longe!... afinal, nada é longe do lugar onde queremos chegar! se chegaremos ao pecado escolhido?... não sei. se chegaremos ao final do Sonho prometido?... também não sei. em todos os recados há pecados revelados. estou no fim do que me fez vir até ao Alentejo. tenho já saudades deste lugar e da Cidade das Tintas. não sei quem pintará mais sonhos neste lugar, sei apenas que fui feliz neste imenso deserto do Eu e do Mim ausente e presente em todo este Verde; Amarelo; Ocre; Magenta; Azul e do Branco recortado no Preto que trago comigo em 30 passos nas Telas que nasceram nesta Cidade. nasceram porque a libertação do pecado é o tema da próxima exposição... apenas isso!... aqui nesta Cidade aconteceu apenas isso - Esboços Pecados em Lápis Guardados!
se eu pudesse... lá não é longe!}