27.3.08

[...Sempre que Amanheço...]

{... lembro-me de ti estrela da manhã, quando tomba a noite nesta colina. lembro-me de ti lisboa, terraço virado a sul para a basílica da estrela. lembro-me de ti, planícies da saudade sempre que amanheço noutra cidade. no alentejo, os sinos da igreja, recordam a alegria de ver o rio a passar. o tempo é desejo cantado devagar. nesta aldeia o silêncio é terra, as estrelas o grande mar... lembro-me de ti lisboa, quando a noite vira o mundo, no outro lado do céu. sempre que os sinos tocam... lembro-me de ti, planícies da saudade, onde o mar nunca chega a espreitar. sempre que amanheço noutra cidade, lembro-me de ti... }

25.3.08

[...Cruza Vida...]


{... e se a vida me cruzar contigo? cidade perfeita fantasma de mim. e se a vida me cruzar contigo? chão de pedra, rio de prata. não há cidade perfeita neste caminho sem ti. cruza vida. envolve-me nela até ao fim. cidade paraíso longe donde existo. e se a vida me cruzar contigo? chão de prata, rio de pedra. cidade perfeita, fantasma de mim. cruza vida. faça chuva ou faça vento que haja sol e sombra em ti. cruza vida. cidade de barro moldado pelas lágrimas dos homens, envolve-me nela até ao fim. sem alma não há cidades perfeitas, nem mundo sem fim. e se a vida me cruzar contigo? leva-me. leva-me devagar. cidade perfeita, fantasma de mim.}

12.3.08

[... noutro lugar...]

{... quando acordei, tive a sensação que te tinha desenhado noutro lugar! como é bom regressar do sono. há em todo ele, um novo mundo desenhado por lápis invisíveis. nunca se sabe ao certo quais as cores, formas e sensações nos trazem eles, todas as noites. os lápis mágicos, levam-nos e trazem-nos todas as noites dum lado para o outro. como é bom viajar de lápis na mão. hoje, sonhei que caminhavas pela casa do meu sono. vi-te. e não sei bem em que cidade. quando acordei, dei conta que já nem sei onde estás, nem como és. deixei-te faz tempo numa casa de outra cidade que não esta onde estou. mas hoje... vi-te. estavas a passear nas ruas do meu sono. só quando acordei... percebi então, que te desenhei faz tempo noutro lugar!...}

8.3.08

[... Vinil Disc...]


{...tsssssstttt tsssssssstttt. de quando a quando abro-lhe as portas... cliko em ON, e revejo os mil discos de vinil que aqui estão. alguns deles já tocaram faz bastante tempo, numa rádio nacional. hoje pensei em Miles Davis. recordo como o conheci, e do tempo que passamos juntos. é verdade... o Miles Davis! o misterioso homem que soprava a preto e branco através de uma caixa mágica. pensado assim... é verdade que o som do vinil envolve-nos doutro modo.}

2.3.08

Eleni karaindrou - Trojan Women


{... grécia. euripides na direcção de Antonis Antypas e música de eleni karaindrou em Trojan Women. o drama desenhado - o teatro. o choro e o grito em busca do desenho das emoções. o rosto e a ausência da dor. o reflexo de outra vida além da cor - o piano. novamente um rosto semelhante a outro. idêntico nos traços? talvez. há sempre um outro rosto igual ao nosso noutro lugar... porque nem só se vive uma vez... eleni é um cd de eleição na gaveta do meu atelier.}

29.2.08

Lauro António em Sarajevo


{...ligar a realidade dos factos à poesia- é o registo duma aula de literatura retirada do filme "Manhã Submersa", do cineasta Lauro António. é também assim que portugal está representado no Festival de Inverno de Sarajevo, durante dois dias. os seus filmes, o projecto CineEco e o documentário recentemente realizado no Alentejo para a exposição "Tiqqun". o universo pictórico captado através da objectiva da sua máquina de filmar. um convite à aproximidade da exaltação das cores e das formas... ao exercício dos pincéis- à pintura. o alentejo novamente e a "mística" cidade das tintas. da imagem em movimento ao fado... uma jornada portuguesa... é exactamente o que nos propõe Lauro António, e Frederico Corado em Sarajevo. talvez por isso e muito mais... desejo-lhes, os maiores sucessos!...}

http://lauroantonioapresenta.blogspot.com/

27.2.08

[...A Geometria das Emoções...]


{... é no universo do mundo sem palavras que outro mistério acontece. há poesia viva em realidades assim. dar cor. apagar. riscar de novo outro traço. descobrir o fim. recomeçar. a voluntária entrega ao silêncio para captar novas realidades. observar o vazio e o cheio, a luz e a sombra. dor suspensa ou adiada... sentir. escutar. dar cor. sempre a cor... sem tempo. à procura que algo aconteça longe dos factos. o traço seguido de outro traço. novos registos esboçados pelo lápis. o contraste e a incontornável divergência das cores. a forma. a ausência das formas e o todo. suprimir o lógico. novamente a cor. sempre a cor. na continuidade do tempo surge a tela. novamente outra superfície branca. sempre assim, dia e noite, na incansável procura da geometria das emoções.}

23.2.08

[...não. não sou poeta...]

{... não. não sou poeta. não escrevo poemas, nem sofro de cor. não. não sou poeta. não retrato sentimentos em palavras de cor. não. não sou poeta, nem artista amador. não há palavras escritas nos traços que riscam cada tela. não. não sou poeta. vivo entre o risco e as cores, sentada na textura da vida. sou traço por vício dependente da cor. não. não sou poeta. nem a densidade do pigmento censura o que sinto. são os outros que as escrevem. só os quadros vendidos são carentes de palavras cantadas. e eu já nada sinto. nada digo. sou memória arquivada. não. não sou poeta. agarro o traço e faço a mala. parto à procura duma nova cidade prenha de cor. em qualquer lado... por aí, no silêncio dos dias. onde possa esqueçer todas as palavras e ficar muda. onde a cor toma corpo e chama por mim. e tudo recomeça... sabes, sou traço por vício dependente da cor. não. não sou poeta...}

21.2.08

[...I'm So-So...]



{...se fosse fácil controlar o destino, a vida seria sempre repensada doutro modo. sem o acaso das coisas que a vida tem, tudo seria monótono e o destino deixaria de fazer sentido. se calhar, nem o destino existe, nem tão pouco o acaso sempre acontece. talvez o destino seja como um pêndulo em eterno movimento que de tempos a tempos, nos projecta para uma outra dimensão. há ainda quem fique sentado no vazio dos dias e deixe a vida passar... como será viver sentado no acaso das coisas? há também quem viva assim. por sorte ou por azar, nada na vida é linear... se fosse fácil retirar à dor todas as suas lágrimas, os sentimentos seriam desnecessários. é o que mais me fascina em Krzysztof Kieslowski. das lágrimas ausentes ás cores que inundam a grande tela, e das teias do destino ao silêncio da dor - a vida é um imparável caminho cheio de mistérios. se pudemos retirar à dor todas as suas lágrimas... não sei. mas é certamente para alguns o seu destino. afinal... tudo é possível enquanto a vida acontece.}

18.2.08

[...Pakistan - la musique des Qawal...]



{...não sei porque há ainda tantos jardins na terra, de flores roubadas, privadas, pisadas e ausentes de cor?... a Paz pode ser cantada, escrita, desenhada, dançada ou escutada para que o encontro com o divino aconteça! há também momentos de meditação assim... e como é grande essa viagem! Sem poemas cantados o Universo seria mais pobre. talvez, porque tudo aquilo que nos completa é exactamente, no seu todo, o modo como se canta a vida. em silêncio ou em plena exaltação mistica... a viagem também assim se faz... ao encontro da Luz Divina!}

13.2.08

Al otro lado del rio



{... não há rio de águas paradas nem barcos sem remos. já não há margens desembarcadas nem piratas ao leme. já todo o mar foi povoado e as estrelas ainda mergulham nele. só quando a madeira da barca se quebra... é que o rio vira deserto. já nem barcas, nem rio, nem águas fervem neste mundo desbotado de azul. pode haver céu sem árvores, mas terra sem passáros - não! rio abaixo, rio acima... há ainda tantas margens e tantas ondas no mar para atravessar.}

11.2.08

[... Hora Tardia...]


{... de mapa na mão procuro um abrigo atrás dos montes. sabes, aqui nesta planície o céu tem sempre estrelas, e das poucas casas que nela existem, de todas elas, se avista o horizonte. ontem, a caminho de lisboa o céu foi perdendo a sua amplitude... aqui nesta colina ao pé da estrela, só a basilica deste bairro está mais perto dele. sabes, ando à procura de novas catedrais em hora tardia! de mapa na mão encontrei uma nova aldeia... é sempre bom chegar a novos lugares! atrás dos montes... há catedrais imaginadas e missas por rezar. há invernos rigorosos e segredos por desvendar. há em todas as aldeias, vidas vividas sempre no mesmo lugar. de mapa na mão... em hora tardia... abri este piano à procura de novas catedrais. sabes, há aldeias que também se ouvem, muito antes de alguém as habitar.}

6.2.08

[...juan ramón jiménez...]

{... crer no destino. fazer o destino. aceitar o destino. estava pré-destinado. há destinos assim. tudo cabe e acontece no destino de qualquer um. basta que o deixemos acontecer. acontece que há quem fique à espera é há também quem não saiba esperar que assim aconteça. sem destino, apenas do vazio se veste quem não acontece. tudo tem destino. repartida esta certeza em múltiplas partes então o destino também se faz acontecer. dúvidas?... quem não as têm?!... é isso que é mais fascinante no destino. entre fazer, aceitar e acontecer tudo está sempre em aberto. é assim que no vazio dos dias se celebra o destino. crer no destino é aceitar que nunca nada acaba sem acontecer. }

30.1.08

[...à conquista da Byblos...]

{... um livro não é apenas um agrupamento de palavras impressas em papel. um livro é um livro! e há tantos livros orfãos nos escaparates desta vida. sem os livros, todas as casas são ausentes de tecto. sem eles... o Mundo não seria o mesmo. há em todas as prateleiras da nossa vida, páginas e páginas escritas que nunca se apagam no tempo. há palavras do signo fogo, água, vento, dor, espanto, encanto, desejo e esperança... há tanta magia num livro! hoje, apenas hoje e porque uma escritora assim propõe... dou cor ás suas palavras escritas. há também páginas assim repletas de cor e de personagens desenhados em folhas de papel. e é exactamente porque todas as palavras têm cor que existem livros ilustrados. da cor à palavra ou da tela ao papel... hoje, regresso ao universo do livro. hoje, enquanto espero embarcar para outro lado da palavra escrita, entro no espaço da byblos em lisboa. entro e sento-me em todas as palavras ali escritas. sento-me e fico pelo prazer de ali ficar.}
www.byblos.pt

17.1.08

[...O caminho Desertor ...]

{...há em todo o caminho do Sentir a representação dos estados da Alma. há quem faça um acordo consigo próprio a ser o perfeito estado do Tempo em que acontece a representação do Sentir. Há quem saiba percorrer este caminho e quem nem saiba tão pouco que caminho é esse. será que pouco importa saber ao certo o que nos leva aqui? à vida, é claro! há quem viva e quem deixe a vida passar em conquistas surdas da afirmação banal da sua existência. também há de tudo e de tudo sobrevive a sua grande maioria. há tanta gente a povoar o Mundo que nem todos sabem donde o Mundo vem. o que seria dos aflitos em seu DEUS que tanto às tantas a humanidade sempre procura? cores essas gritantes, teceladas em pano branco de palavras escritas em poemas deixados ao desalento... ou em telas plenas de virtudes que por si próprias, dão cor à vida dos que à muito deixaram de Ser. Há todo um caminho a percorrer entre o Sentir e o Existir na grande representação da Alma que a todos nos traz aqui à Vida. e trazer é fazer sempre acontecer... uma, duas ou mais vezes que seja existir!...}

15.1.08

Les Poèmes de Tiqqun

{... les Poèmes chantés? et le Tiqqun?!... canto e encanto que em cada recanto nos fazemos fechar assim. acontecer é também Ser. será que o Futuro acontece? há também futuros assim desenhados. sombras passadas em tempos presentes e que fazer? teimar o Futuro é desenhar o deserto de vencer. somos tão discretemente Ser. desejar o Futuro é relembrar o passado. hoje, diria que tantos momentos passados são Cor de desejos deixados em Telas carentes do meu Ser. se fosse possível desenhar esse Futuro estaria então eu tão longe donde me encontro. e é exactamente porque o Futuro não nos encontra e só nos disperta, para nos acordar em meras brumas de todo o sonho, que Les Poèmes Chantès in Lapis Exilis no Palácio Nacional da Ajuda aconteceu. redesenhar o desejo de se chegar aos Paços do Concelho de Lisboa até à próxima exposição é acontecer. les Poèmes Chantès? sim! são poemas cantados em Cor e Verso. e tudo o resto? tudo o resto são meros acasos de gentes que nem Cor, nem Futuro, nem Poemas Cantados têm para Acontecer. talvez por isso mesmo não haja Cor sem Poema, nem musicalidade ou palavra escrita ou nem Tela do Pintor que desista cantar o Futuro. Vamos mais Acontecer!...}

10.1.08

[... O Mapa da Sorte...]




{... no laboratório da grande vida há mapas que certamente nos conduzem à sorte. e é em todo o seu mistério que percorremos o labirinto dos nossos dias sem que nunca saibamos ao certo onde a procurar. tudo acontece em breves segundos... tudo! a sorte faz parte do grande segredo da vida. e é exactamente por isso que as vidas divergem entre tão diversos labirintos a percorrer. se pudessemos aceder ao mapa que nos leva até esse lugar... como seria o grande laboratório da vida? hoje, aberto um novo mapa, descanso na dúvida presente... no laboratório da grande vida há mapas que certamente nos conduzem à sorte!...}