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http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF213965-01-01-08.mp3 {... não há linha da mão que seja razão. não há ainda Paris e Miles Davis. Nem as pessoas especiais que conhecemos. nem... especialmente pessoas de nome _ Tu! há sim, tantas outras pessoas que conhecemos.!... tantas pessoas que iguais a outras são razão. E porque não?... recordo ainda tantas outras coisas - as coisas da Cor. Sempre as Cores!... Sem Cor não se vive, e sem os sentidos como poderemos fechar a Luz que nos anima?... Se um dia, a Luz do dia se fechar em Si... Que fazer?... Olhar para a mão? Qual?... Olhar o amanhã é querer vencer. sonhar ou criar. é isso! olhar a mão e seguir o sonho. qual o sonho?... O que teimamos vencer!... Sonhar é isso. tal como a Linha da Mão. não deixar os Sonhos para trás é teimar com o relógio da Vida. são milhas e milhas de sonho em Ser. Ser, é ter tempo do nosso tempo a perder! realizar a equação perfeita das milhas de linhas de mão para a felicidade... é ter tempo para Ser feliz... é, ter tempo para realizar todo o tempo do Mundo no Mundo do Querer. A felicidade reside assim. de mão cheia para ouvir... o grito de quem sofre. se por vezes não o ouvimos... é porque estamos longe de quem da elegência do Ser... já não sofre! não sofrer é querer não Ser. Ser, é descrever o que povoa a Alma... a linha da mão, apenas descreve a teimosia de quem a tem. deve ser exactamente por isso que todas as linhas da mão... teimam "Ser" tudo aquilo que queremos vencer - o tempo!... Apenas o tempo, do tempo que nos resta olhar todas as linhas que se descrevem na mão, são o próprio tempo de Ser que nos resta vencer a teimosia de viver.}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF230211-01-01-09.mp3{... há neles a ousadia do esboço sonhado. há sempre neles... aquela força divina de correr atrás do sonho a realizar. há tanta mestria quando repousados estão, que por vezes, na ausência da gestualidade trocam traços escondidos em segredos por revelar. há neles cores feitas, juízos perfeitos e orações por rezar. há neles desejos tamanhos e desenhos por animar... há neles, a euforia do vazio e o esvaziamento da sua própria alma, porque não têm corpo, de tanto corpo desenhar. há neles... o pecado de não pecar. há neles, uma saudade imensa em voltar a ter alma e corpo para além da tela branca que lá deixei por acabar. há neles, o respeito da minha ausência e ansiedade de recomeçar a dar cor àquele lugar. há neles... guerreiros da cor, esperanças vividas e noites mal dormidas. há neles, sangue de mil cores e muitas mais por definir. há segredos recatados e paixões secretas por desenhar. há sentimentos esperados e aninhados no vazio de cada olhar. há neles guerra em cor, e cores de guerra infindáveis de pintar... sem eles não há paixão, alma, corpo, sonho, euforia, juízo, pecado, oração, esperança, sentimento, ansiedade, guerra, vazio... saudade da vida que falta ainda realizar. sem os guerreiros da cor, todas as telas são brancas gélidas ainda ausentes de tanto sonhar.}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF258377-01-01-02.mp3{... há nos templos habitados por soldados do silêncio, um grande segredo: a Paz interior!... há soldados do Bem e do Mal. há soldados pagos para causar gastos na humanidade. há também soldados que se oferecem à humanidade para fomentar a Paz. estes, os soldados do silêncio, são nobres almas despidas da vulgaridade dos dias. é neles que habita o grande segredo da vida. são na generalidade, seres humanos oferecidos a um Deus por vocação. atentos ás coisas simples que povoam o Universo, entregam eles suas vidas à oração. e vivem tal como nós, dia após dia, até que a senhora morte aproxime por fim, seu colo. há pessoas boas... sabias? há em todo Mundo pessoas desiguais que apenas se dividem em duas equações. desiguais, são as oportunidades que a vida nos dá, porque nem sempre nela encontramos pessoas tão especiais. é nos templos que eles habitam. quase diria por fim que para se ter acesso a tais nobres pessoas, temos que com eles e como eles, mergulhar no seu mais profundo silêncio. eu mergulho temporáriamente no silêncio dos dias. eu... por vezes, construo templos imaginários devotos ao silêncio, talvez porque desejo recatar o Guardião da minha Fé, em paredes erguidas num sagrado castelório. sem estes castelos, seria impossível viver na uniformidade do silêncio dos dias, porque cada vez mais, o Mundo, carece de ser povoado por soldados da paz. Há na arte tudo isto... e muito mais silêncio procurado! afinal, quem não procura o silêncio dos dias?!...}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF266342-01-01-01.mp3{... sem mar... apesar de sem mar, viver para além do tejo, há o saudoso sal, trazido até mim pela força da cor: o vento!... se a saudade tem cor? não sei. mas... há saudades cheias de cor. se a cor nos traz saudade pela subjectividade da cor... então, temos cores em todos os sentimentos presentes e ausentes. por vezes, há momentos de saudade ausente, na planície alentejana. falta-lhe o mar!... na cidade das tintas, o mar foi pintado numa grande tela imaginária. se não fosse o vento que corre todo o planeta lado a lado sem parar... como coloria eu, toda esta enorme saudade, em ver aqui o mar? se não fosse a força da cor, como se calmaria toda esta melancolia? basta pintar. se não tiveres o mar perto de ti, desenha-o e dá-lhe cor! é para isso que as tintas servem. dão cor a tudo o que sempre está ausente. já o vento, sem cor aparente, quando se ausenta donde estamos, se asfixiam as cores de saudade duma áfrica desconhecida. há no alentejo gentes que trabalharam no norte de áfrica. muita gente quando sente o vento, aqui neste deserto, pinta-o de amarelo e branco. há ainda quem o pinte de azul e de verde porque o mar tem essas cores na consciência de cada um. ora, se o pintares de magenta, também serve, desde que a força da cor consiga sombriar com ela, toda essa saudade. há saudades assim!... há saudades pintadas em telas ausentes largadas ao vento daqui, ou de qualquer outro lugar.até agosto, sem mar presente, apronto as telas para regressar por fim até lisboa.}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF268740-01-01-04.mp3{... o amigo dos meus amigos, que meu amigo também é, não gosta nada de chopin!... ás tantas, e entre as horas diferentes dos restantes relógios destes habitantes... houve-se chopin. nesta terra, tudo o que se houve é meramente selecionado pelos acordes de um só Ser. juntos estamos, todos os dias, lado a lado na nave que alberga o atelier. eu e ele - ou melhor dizendo- o chopin!é a primeira criatura viva que encontro nesta cidade. ainda bem, pois existem outras menos agradáveis com a sua própria vida: as aranhas por exemplo que trabalham dia e noite nas suas teias, ou mesmo as melgas que esfomeadas do sangue que não conseguem achar... sobrevoam o imenso charco desta cidade. o chopin pela madrugada dá sinal de si e manifesta a sua tendência musical. sempre que ouve chopin... bate nas paredes meias que nos separam e aguarda por novo som. eis o porquê do seu nome! todos nós temos um nome que não é por acaso. nada é por acaso talvez... para que nunca o acaso seja designado como uma única e pura coicidência. talvez seja por isso que o acaso nos prega constantemente inúmeras supresas. as cores, por exemplo, nunca são constantes. há tantas cambiantes na natureza dos pigmentos... que a procura duma determinada cor nunca acontece isolada do fenómeno - acaso. é como na música, exactamente quando a selecionamos naquele determinado momento. nunca se tira um CD por acaso para se ouvir, nem nunca se chama alguém vivamente pelo seu nome no acaso dos nossos dias.}
httP://casteloemimagens.blogspot.com {... há castelos intactos, renovados, sonhos desenhados em esquiços de papel. há castelos inventados e projectados em grandes telas de cinema. há estórias repletas de emoções, canções e dilemas, representados por personagens com quem nos identificamos... por vezes! há castelos habitados por duendes, fadas, bruxas malvadas, principes e rainhas que governam ministérios de pedras encantadas. há também amores e desamores sofridos, vividos, perdidos, achados, amaldiçoados e até mesmo eternos, aqui em terras lusas. há impérios de imagens, puras colagens abstratas do teorema da vida que nos trazem aqui - a todos -, a este castelo de portel! Há também o cineasta Lauro António... há o alentejo que me acolhe quase por vocação, durante oito meses para que seja projectada uma nova exposição em 2007. há tudo isso e muito mais, neste País onde se encalha por prazer! é onde vamos estar, neste festival de cinema, a 10,11 e 12 de maio, realizado por Lauro António com a parceria da Câmara Municipal de Portel... sejam bem vindos!}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF266579-01-01-01.mp3
{... quando estiveres triste, desenha uma cidade imaginada... e, observa as formas. quando estiveres triste, compra tintas e pincéis e dá cor aos teus sonhos. e... observa os tons. quando estiveres triste, cobre-te com o manto da vida e deixa-o voar. há quem tenha tempo para parar o tempo e observar como esvoaça o véu da vida... porque observar é talvez o grande segredo da vida. quem não tem tempo para parar o tempo e observar de que cor pinta seus sonhos... é porque deixou de sonhar! ter tempo para observar como esvoaça o véu da vida, é o grande segredo dos residentes das cidades imaginadas. é exactamente por isso que se constroem essas cidades sonhadas. habitar numa cidade de tintas e pincéis, é ter tempo para que a tristeza não aconteça. nestas cidades, as cores são a linguagem comum de todos os sentimentos. qualquer estado do sentir em que o próprio estado emocional aconteça - a este -, de imediato é obrigatório colorir! por isso, sempre que estiveres triste, sê o próprio arquitecto da tua cidade. deixa voar o véu da vida e observa as voltas que ele dá pelo céu dos teus sonhos que anseiam habitar na cidade dos teus desejos. habitar numa cidade imaginada, é ter tempo para dar volumetria a todas as formas que nos conduzem à cor exacta de cada sonho. se eu pudesse parar o tempo, no momento exacto em que cada cor toca apressadamente as formas já desenhadas, guardaria esses pincéis para sempre. observar os tons e as formas de cada tela pronta... é por fim, ampliar o nosso tempo de vida.}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF251604-01-01-01.mp3{... todos os caminhos são: inventados; esperados; imaginados; habitados; percorridos; desconhecidos! todos os caminhos são uma possível passagem. há também caminhos esquecidos no tempo que completa esta curta encruzilhada. esta é a hora em que visito este caminho. faço-o todos os dias, para esticar alguns ossos dobrados pelo vício de pintar em telas deitadas sobre o chão. porque razão existe um sobreiro no meio deste caminho? não sei. tal como na pintura, há sombras que se aninham no chão dos nossos dias. na cidade das tintas, indo por esta estrada fora, descobri que também ela nos leva a uma barragem. se eu pudesse percorrer todas as estradas que nos abraçam, viveria mais tempo neste lugar!... aqui, todos os caminhos inventados vão dar às telas que ainda não estão prontas. só as telas que não são habitadas de cor podem ser imaginadas!... e, só as telas habitadas podem ser percorridas. todos os caminhos são sempre desconhecidos. nunca sabemos ao certo para onde nos levam. já as cores não! trazem-nos e levam-nos para além das linhas que os olhos podem alcançar. é exctamente por isso que esta cidade foi construída neste lugar. na cidade das tintas, o branco é o grande desconhecido que nos faz percorrer espaços habitados, repletos de tons esperados que em sentimentos inventados, avivam a musicalidade dos traços riscados em telas imaginadas!... aqui, ninguém fica no mesmo lugar porque as cores são o eterno mistério dos nossos dias}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF255200-01-01-02.mp3{...dizem... que o alentejo é deserto. dizem... que as árvores são sempre verdes. dizem...tanta coisa os que desertos de ver... apenas o dizem...por dizer. é o que dizem!... e dizem tanto mais sem nada saber. ora eu se soubesse que há verde alentejo muito antes de se tornar amarelo, ou todo tingido de rouxo!?... o que dirão então sem o ver?... também nada posso dizer porque estou longe da cidade das tintas faz tempo. nunca isolei a cor exacta que corresponde ao estado - ausente! se ausente tem cor?nunca será amarelo nem as cores quentes! tudo o que está longe só pode ter a cor verde. verde esperança, ou verde mais escuro, conforme a distância nos separar desse lugar. para já, pode ser verde tal como o vi pouco antes de partir. que esteja então verde alentejo, porque de verde o deixei. e dizer por dizer, ainda o quero ver todo pintado de rouxo amarelado. se eu pudesse pintava a cidade de tintas de verde alface, nem escuro nem claro. bem peço aos céus que não fique eu verde por falta de tempo! bem apressada estou no tempo das cores que vão ser riscadas em ritmo abstracto no algodão que ainda espera. e o que dizem aqui?!... é que já está tudo quase a metade de pronto! verde de ausente e amarela de panico, faço já as malas antes de dizer ao algodão em falta que está ainda todo ele, tranquilamente pintado de branco!...}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF103803-01-01-01.mp3{... a vida é como um tambor. vibra, vibra e volta a vibrar apenas pelo modo como a tocamos. são os detalhes que a vida tem... quando a vida é por bem vivida, e nos faz assim vibrar! eu vibro de vida, e tu não?!... se a vida não for escutada com toda a atenção... não é vida não é nada, é apenas uma ilusão. há quem não escute a alegria que a vida tem. há também quem nem toque na vida que a sua vida tem. há por isso também aqueles que ausentes de vida choram pela vida que outros têm. quantos mistérios há numa só vida, que apesar de toda ela ser sempre desconhecida, guarda até ao seu fim, o derradeiro desejo de ter ainda outra vida para ser vivida? sem espiritualidade, a vida passa despercebida. não é Deus que precisa de nós, mas somos nós que precisamos dele para completar todo esse mistério. é talvez por isso que são mais felizes, os que escutam com alegria todos os detalhes que a vida tem. olhar simplesmente para um tambor (mesmo sem lhe tocar), e ouvir todos os sons que ele tem... é o grande mistério da vida! saber ouvir e sentir todas as vibrações que o bom tambor da vida tem, é saber viver para além do dia em que uma parte de nós ficar por fim adormecida.}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF141971-01-02-02.mp3{... et voilá la chanson des couleurs. escuta!... há música em todas as cores. há prazeres solitários que são nossos. só nossos, mesmo que por breves instantes. há tanto prazer nesse prazer solitário que quase sempre nos devora, e nos joga para fora das outras coisas que a vida tem. escutar a musicalidade das cores, é também apagar tudo aquilo que está a mais em todas as coisas que nos rodeia. talvez por isso mesmo, os ateliers são lugares próprios de um Ser só. é-se só, porque há lugares impróprios para serem habitados por mais que um Ser. é lá que se ouve a musicalidade da água mesmo que esse lugar, seja um árido e longo deserto. por vezes, ausente de cor... só o branco do algodão quebra o silêncio do espaço. é aqui que um outro espaço é então criado - na transitoriedade das formas e dos gestos -, para que a dança das cores aconteça. la chanson des couleurs é por fim um ritmo abstracto. novos sons, dão lugar sucessivamente a outros sons que mais se parecem com a popular Polca. é neste Universo que a vida se torna mais vivível. sem a existência destes espaços impossíveis, seria inatingível escutar a musicalidade das cores. se eu pudesse escutar toda a musicalidade das cores... habitaria nesta nave para sempre... porque as cores neste espaço, dançam muito antes do tempo de nos sentirmos sós...}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF251438-02-01-07.mp3{... todo o desenho é complexo, vivido, reflexo, sentido... observado. todo desenho é ver e olhar. é rosto ou feição desenhada já por outra mão. olhar o desenho é redesenhar de novo. olhar, é o princípio do traço. traçar e voltar a traçar. dar contorno à volumetria, sombrear o planificado e selecionar tudo aquilo que não se quer ver. assim se apaga todo o desenho indesejado. basta não se querer ver para não se olhar todo e qualquer traço. simples não é?... tal como a vida, o desenho é complexo, vivido, sentido e observado. quando a olhamos... tudo é puramente reflexo de nós. afinal, a quantas mãos se desenha um simples traço? se fosse tão simples desenhar de uma só vez aquele traço que nunca se apaga... baixaria os pinceis por hoje se tivesse na cidade das tintas, sómente, porque o céu está demasiadamente azul e mais logo, as estrelas iluminarão o caminho que me levará de novo a ver o mar. voltar a olhar o mar... é mais do que desenhar nele todas as ondas que lhe pertencem... porque um desenho, também se ouve com saudade!...}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF256664-01-01-02.mp3{... daqui, ou talvez mesmo... só mais acolá, o céu é mais perto! neste lugar, o tempo dá lugar a outros tempos. daqui, há tempo para se observar o tecto do Mundo. eis as primeiras vistas da saída da nave onde as tintas repousam no algodão já rabiscado. acolá, o céu é mais perto de tudo o que há para além de nós. nunca sei ao certo quando olho para aquela casa branca, a que distancia se encontra ela, deste céu tamanho que envolve a cidade das tintas. este é o horizonte dos meus dias nesta cidade. se todos os lugares têm céu, como será ele no meu próximo lugar? se os lugares se mudam e nos mudam pelas suas diferenças, só o céu não se altera temporariamente no seu recatado infinito. a ele, se agrupa sempre um + ou um - , consoante a distancia pontual do erro a que dele nos encontramos: dele, do céu... é claro! porque tudo o que é de mais ou de menos é sempre igual a um determinado valor que correspondente invariavelmente ao coeficiente do vazio. se um dia, der de caras com o vazio dos dias... que haja muito céu nesse lugar! é mais ou menos isso que os habitantes das tintas fazem: olha-se o céu, e pintam-se tantas quantas estrelas sejam possíveis desenhar. é exactamente por isso que aqui o céu está mais perto de nós do que em outro lugar. em traços abstractos... nesta cidade, tudo é infinitivamente desenhado para que o céu, esteja sempre mais perto do lugar onde habita efectivamente o nosso Eu!}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF169161-01-01-10.mp3{...mesmo quando as cores se ausentam há janelas que se abrem pintadas de si! mesmo quando as cores se ausentam de nós, ou do lugar onde habita o Mim... outras janelas se abrem na memórias dos nossos dias. ter a memória das coisas é agrupar tudo aquilo que nos rodeia. o silêncio não é mais do que um amplificador das coisas simples e que por vezes, tão esquecidos ou cegos delas estamos. vim a Lisboa buscar mais uma tela. vim a Lisboa e procurei detectar um pouco de silêncio nesta cidade que tanto me fascina. é difícil encontrar no barulho urbano alguma calmaria... e foi exactamente por isso que fui ver o filme "O Grande Silêncio"! ali, naquele grande ecrã, onde é retratado um convento dos monges da espiritualidade, todas as coisas simples são captadas pela câmara de um artista que cansado também ele, da ausência dos patrocínios e do desgaste do jogo dos interesses que dominam o meio cultural, ao se recolher à procura de si mesmo - fora de tudo e do tempo -, foi também ele supreendido pelos sinais das coisas simples. é na simplicidade das coisas que habita a tão desejada procura: a procura da criação à obra. por isso, estou hoje de regresso à cidade das tintas, com mais uma tela branca, carente de todas as coisas simples que habitam bem junto da janela do quarto que me acolhe no grande silêncio do Alentejo!...]
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF136092-02-01-16.mp3{... na estrada que circunda a cidade das tintas, há esboços de gente assim! Nesta estrada, cansada já pelo tempo que por ela passa, e ela mesmo, já em pleno estado de angústia pela ausência dos passos cujos habitantes, estão hoje dela tão esquecidos. É pelas 19 horas que as passeatas obrigatóriamente se fazem, nesta cidade lugar. Como é urgente desfragmentar toda a aritmética das cores que desde a madrugada se cria no silêncio das tintas. Andar nesta estrada é mais do que articular os ossos, arejar a mente ou entrar na plenitude do vazio. Há tanta vida nesta estrada adormecida! Se eu pudesse, só mesmo se eu pudesse, pintaria toda a estrada que ladea o meu caminho. São tantos os sinais que em aparente estado animico, gritam por nós, como que se pudessem partilhar assim, a surda conversa entre o esboço e as formas,e com a qual se completa o tão desejado desenho. Eis o sopro secreto da inspiração que nos une... a nós e aos esboços de gente, que vai circulando nesta estrada ou caminho, até à cidade das tintas.}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF249794-01-01-08.mp3 {... hoje, há festa em Tintas. porque hoje, há mais um quadro terminado! hoje, em Tintas, todos os pinceís se reunem. por breves instantes, também eles refrescam toda a sua azáfama. os senhores pinceís são trabalhadores incansáveis... só quando algum adoece é que a melancolia desce a esta cidade. mas hoje, é dia de recordar outros feitos, outros acontecimentos que também eles nos marcam para sempre... terminar um quadro é recordar uma parte do nosso tempo. é meditar em tudo o que aconteceu, minuto após minuto até ali se chegar. como se viaja tanto no tempo das cores, sem ingressos de partidas ou chegadas, sempre rumo a um misterioso destino. só mesmo eles é que têm esse poder em descobrir qual o momento - aquele exacto momento em que o algodão envolto de tinta se ausenta de si. se eu pudesse parar sempre que o cansaço desce á cidade das tintas... quantos quadros estariam já prontos?!... andaria eu, os senhores pinceís e as senhoras cores, sempre desfalecidos dos tons garridos, próprios da energia que nos faz viver neste voluntário retiro até que o início do próximo inverno se aproxime. até lá, há ainda o verão... e é com ele que as cores secam mais depressa. estou certa que haverão muitos mais dias de festa em Tintas. pelo menos, mais 20 terão que ser celebradas. se eu pudesse estar já no próximo inverno, sei bem o que faria! partiria de malas feitas sem pinceís, sem tintas ou superficies brancas de algodão. além de mim... apenas embarcaria um pequeno livro: o catálogo da nova exposição!}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF249794-01-01-05.mp3{... em tintas, há pinceís desarmados de saudade. sim, também neles habitam sentimentos assim. todas as cidades têm os seus segredos. há ainda segredos sem cidades. há tantos segredos por revelar... como tantas são as cidades possíveis de inventar. mas colorir sem tintas é como habitar num despovoado. aqui, em tintas, o único agrupamento que se avista nesta planície são estes pinceís. estes, são os senhores desta cidade. todo o poder local depende da sua gestualidade. não há cunhas nem projectos favoritos adjudicados à pressa por defeito ou obrigação. ninguém se queixa nem tão pouco há zaragatas entre si. mas as cores, as senhoras cores, são as matrizes desta cidade. elas sim! ora se agrupam entre si, ora gritam slogans numa linguagem que os ouvidos não alcançam. e a razão de tudo isto é a cidade que aqui se vai projectando na solidão desta planície. só mesmo quando se agruparem todas elas (das cores à superficie do algodão onde se aninham), e já numa extensa parede construída noutra cidade é que será desarmada toda esta saudade. se eu pudesse espreitar a parede desse dia... o que será que hoje sentiria? não sei. mas se eu pudesse...}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF244790-01-01-01.mp3
{... além do tejo - "Nas tintas"-, é uma imensa planície cheia de odores e cores. é a minha cidade lugar. é aqui que habitam as novas telas para a próxima exposição. aqui... os habitantes são senhores pínceis, bezerros, veados, ratos, gatos, cães, morcegos, aves brancas migratórias, sapos, rãs, toiros, vacas e aranhas de todas as cores e tamanhos!... sabias que há aranhas verdes alface aqui nesta cidade lugar? pois se eu soubesse que as aranhas já se pintavam de verde alface muito antes de eu chegar aqui... que as vacas choram a ausência do sol; os ratos gritam de liberdade em correria pelo campo na ausência de gatos; o veado salta a cerca com medo do gado; as aranhas verde alface gostam do cheiro das tintas; as aranhas pretas cabeludas gostam da água onde se lavam os pinceis ; as lesmas são atraídas pelo verniz das telas; o vendedor do pão chega às 6 horas da madrugada ainda em directa do seu trabalho, e que o céu quando repleto de estrelas, cada dia que passa está cada vez mais perto das nossas cabeças... há muito que já tinha mudado as tintas do meu atelier para este lugar!...}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF231215-01-01-10.mp3
{... nas tintas é um local no Alentejo onde habitam actualmente os meus pinceís. nas tintas, há também um charco e ainda uma estrada que atravessa toda a planície. colorir ideias, esboços, desenhos e telas... é a missão dos habitantes nas tintas... é também, um local onde a banda larga não funciona. aqui... só precisamos de pinceís. não se vê televisão nem se enviam imagens em telefones da 3ª geração! nas tintas, o céu à noite -principalmente quando está repleto de estrelas-, parece quase tombar em cima das nossas cabeças. nas tintas... é onde vou ficar até que estejam prontas - uma a uma-, todas as telas que venho uma vez por semana buscar a Lisboa. é nas tintas que o trabalho flui!... o silêncio e o vasto horizonte dão mais cor ao algodão das grades que quase sempre, aparentam estar carentes de figurar de uma vez só, todo o mundo que se foi para além deste charco, e desta estrada que atravessa toda esta planície. nas tintas... é sem dúvida, o lugar dos lugares onde a vida nunca se ausenta de todas as suas cores.}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF207011-02-01-05.mp3{... no alto de jerumenha... Foi no alto de jerumenha que anoiteceu o primeiro dia do novo ano. O que terá sentido D. Sancho II na conquista desta fortaleza?!... na realidade não sei. Será que tudo aquilo que se vê, tem sempre o mesmo sentido quando se olha?... Deste ponto mais alto, bem em cima de uma torre que o tempo já desconhece... vai ser erguido um novo hotel de charme. Talvez nesse dia, tenha eu tempo para pensar o que ainda se avista dele!... Nesse dia que está para muito breve, afastado de outros tantos dias já ausentes das batalhas que outrora encantavam tantas outras gentes, mas que afinal, ainda hoje despertam presentes discórdias em tudo aquilo que daqui se vê. Se conquistar, depende sempre do modo como se vê... então, tanta outra coisa eu vejo, sem que daqui lhe possa realmente tocar. Que não caia o que desta fortaleza resta e, que tudo aquilo que dela se erga, seja realmente digno do encanto que habita faz tempo neste ainda silêncioso lugar! porque... nem todas as fortalezas precisam de recatar suas velhas memórias em castelos de encantar.}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF238522-01-01-14.mp3{... se eu pudesse. se tu pudesses dizer... como se ilumina a hora do vazio das almas... pedir-te-ia oh Deus, que nunca te ausentes da luz que nos leva a ti. Só se eu pudesse, saber ao certo como será o depois... mas, mesmo antes de o saber, preciso do silêncio das Catedrais! Ser crente... é aceitar que existe algo mais, além daquilo que os nossos olhos veêm. Não só basta olhar. É preciso ver, todas as outras coisas que são inexplicáveis, neste infindável desejo em saber ao certo como será o depois num novo dia. As dúvidas, essas eternas dúvidas, se diluem quando entro nas Catedrais de culto. Dentro delas, encontro um silêncio único que me projecta para além de todas as coisas num diálogo a dois. Falar com Deus, não é mais do que acreditar que não estamos sós. Nesse exercício diário da mente e do espírito, todas as coisas que habitam o Mundo ganham outros significados. É talvez, nessa urgente vontade de saciar a sede da espiritualidade, que reside a preocupação de saber o que vem antes e o que virá depois de nós próprios. E tu, sabes, como será?... Eu creio que é exactamente por isso que a humanidade construiu as Catedrais do Silêncio.}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF207027-01-03-03.mp3{... além do tejo, muito mais além... é para onde vou. É mais além, do sitío para onde vou, que há muitos mais segredos. Todos os segredos ficam sempre muito mais além donde estamos. No além, há sempre o muito, o bastante, o completo... a chave! É nessa intensa procura que me encontro. E sempre que me procuro... encontro esse momento: partir. Sortudos daqueles que podem partir: tejo abaixo - tejo acima. Nesse além que procuro, há momentos em que o tejo deixa de existir!... Este quê de deserto, no inverno, é coberto de pequenos charcos. Mas muito mais além, todo o amarelo da planície, ganha novos tons e novos cheiros. Para quê procurar mais do que há além do tejo? Há tantos segredos nestas gentes! Se eu pudesse, procurar mais do que encontro no deserto destas planícies, ficaria aqui para sempre. Voltar a partir, só mesmo para desconstruir tudo aquilo que se vai revelando, entre o muito, o bastante e o quase completo do segredo que procuro. Viver todos os dias no campo, é descobrir um novo relógio do tempo onde, a contagem decrescente é feita através das cores que nos circundam. E o tempo passa. O tempo, amplia o espectro das nossas vidas. Aqui, o tempo é mais verde, mais azul, mais amarelo, mais ocre... todo envolto de cheiros e sons que jamais se encontra, no ruído urbano do cinzento harmonioso do betão. Se eu pudesse, ficaria muito mais tempo do que o previsto, em terras do além do tejo!...}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF219997-01-01-11.mp3{... nunca saberei ao certo porque existem fascínios assim. Porque existem? Não sei. Mas não é exactamente isso que motiva os seduzidos pelo amor? O fascínio do outro que nos cerca e por vezes alucina. É isso o que sente quem ama. Há sempre quem se deixe dominar pelo amor. Quando existe, é uma espécie de fartura dos sentidos. Há quem diga que para haver amor há sempre sofrimento. Também não sei se na realidade deva ser sempre assim... Nos tempos de hoje e, na grande parte das vezes, parece que o encantamento se esfuma no interior do ser humano. Hoje, talvez porque hoje, já nem se sente o que se ama. Hoje, talvez porque meramente hoje, já não se morre por amor. Hoje, talvez porque hoje... já não se acredita, que seja possível amar sem se ser amado. Mas hoje, nos dias de hoje, há ainda quem se deixe encantar por apenas um único feitiço. Exactamente... porque nos dias de hoje é isso o que sente quem ama: fascinatione!}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF206127-01-02-08.mp3{da razão às coisas do espírito!... é o diálogo constante que nos afasta ou aproxima a determinadas manifestações sensitivas. Estar-lhes alheio é o modo mais simplista de percorrer esta caminhada. Há quem se centre apenas nas coisas que habitam o universo da razão. Talvez, porque seja esta a forma mais simples para decifrar os significados das coisas. Estar atento às coisas do espírito é como descobrir um novo mundo. Criada esta linguagem sensitiva, tudo o que nos rodeia, ganha assim outros novos contornos. Esta é uma opcção de vida à qual muitos se entregam. Lourenço de Almada é um peregrino dos Caminhos de Santiago. Editato o livro das suas viagens a Santiago, Lourenço de Almada, parte em busca de imagens que falam por si. Estar atento aos sinais das coisas, é acreditar que a vida tem muitos mais mistérios por desvendar. Afinal, a espiritualidade das coisas está ao alcançe de todos aqueles que a procuram. Saber voar no imenso céu da vida, só não é possível a quem se nega em descobrir, a sua própria espiritualidade. Saber voar... entre as coisas que povoam a razão e o espirito, é o diálogo contante que nos afasta e aproxima de todas as manifestações que povoam o nosso tão vasto Universo.}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF234720-01-01-02.mp3{... inúmeras são as pontes que nos conduzem ao complexo lugar do EU. Estimuladas pela diversidade dos sentidos, todas as pontes são construídas para dar governo às complexas manobras da vida. Há também pontes mais frágeis, distantes, e até mesmo invisíveis. Mas, são as pontes imaginárias que nos levam ao lugar do EU. Pespontar estas construções é o jogo diário da nossa sobrevivência. Afinal, não somos todos nós, os grandes desenhadores dessas mesmas pontes? Desenhadores... porque nem todas elas são projectáveis. Se todas elas fossem realizáveis, como seria bem diferente o amparo dos nossos dias! Abandonadas as diversidades dos seus sentidos, todas as pontes nos conduzem a diferentes outros lugares. Porem, é na sua sábia atravessia que o misterioso futuro sempre se projecta. Deve ser exactamente por isso que todas as pontes são mudas!...}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF242026-01-01-05.mp3{... isolar um detalhe, é redescobrir a origem do seu todo. Deve ser por isso que a vida está repleta de particularidades. Pensar no seu todo é pensar também em todos os seus detalhes. Sem esse indecifrável universo, a origem das coisas deixaria de ter interesse. Talvez por isso há vidas menos interessantes, apesar de nunca sabermos ao certo o que determina tal motivação. Tal como os espaços, as vidas também são reorganizáveis... basta exercitar o isolamento em todos os seus detalhes, para que se inicie a sua reorganização. E tudo parece tão simples. Apagar, isolar e projectar tudo de novo! Não seria bem mais fácil, se as vidas fossem detalhadas, tal como nas superfícies onde se esboça apenas o conclusivo? bastaria isolar o pretendido, e projectar só o desejável. E depois? depois... apagar-se-ia tudo aquilo que nos é absolutamente desnecessário. Afinal, não é esse o mistério da própria vida?...}
http://www.dmns.org/video/blackHolesBB.wmv{... rodear em mão as variáveis do círculo é transitar o seu próprio movimento. Tudo aquilo que existe é circulante. Só o que é desprovido de movimento é que não circula. E tudo aquilo que não circula, está condenado desde logo ao próprio movimento do Mundo. Talvez seja por isso que a sua forma é redonda. Se todos os planetas que habitam no espaço são redondos, não será o próprio Universo uma circunsferência? Uma grande e escura circunsferência, que para uns veio do senhor nada - o deus do acaso -, e para outros é obra de um só Deus: o eterno unificador. Mas seja qual for o seu Deus criador, a vida não é mais do que uma sucessão de fenómenos periódicos. Eis a cordenada constante, na qual tudo gira e, tudo se move em perfeita comunhão: o círculo. Se fosse possível mudar de trajectória, sem erros de raciocínio, gostaria de ser projectada ao ponto mais equidistante do centro deste imenso círculo, para contemplar todas as suas variáveis. Talvez seja esse, o tal ponto de reposta para tantos outros segredos. E como um segredo se sacia de outro segredo... só nos resta mesmo é circunvoar todos os "blackholes", até que todo o movimento circunferencial se esvaneça.}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF239855-01-01-10.mp3{... nunca, é um lugar aconchegado! É o lugar onde a pausa temporária nos aproxima aos alçados do futuro. Nesse lugar, podemos alcançar todas as coisas que nos parecem distantes. Hoje, aconcheguei-me no sotão onde repousam todas as minhas memórias futuras. E, é nesse aconchego que todas as memórias podem ou devem ser visionadas. Como é interessante observar as diferentes texturas, do presente e do passado, para se esboçar o argumento final. Se pudesse editar as imagens do meu próprio futuro, sei bem o que faria! Projectar o futuro é como pintar um quadro. Nunca se sabe ao certo quando este fica realmente terminado. Ir ao encontro do imprevisível é dar continuidade a que um determinado sonho aconteça. Sonhar que aconteça algo nos próximos dias é aguardar o chegar das coisas... ou por outra, é nunca se deixar ficar interminavelmente em tempo algum. Se o futuro não fosse projectável, como é que o presente alcançaria todas as coisas que nos parecem distantes? Fará sentido dizer-se que nunca, é um lugar aconchegado? Não sei, mas de tempos a tempos: sabe bem!}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF236734-01-01-11.mp3{...hoje, pensei esbater memórias, num atelier a dois tons. Hoje, pensei em ti. Hoje, apenas hoje, pensei no carmíneo do Mundo. Se pudesse ver o Mundo a dois tons, não sei qual a cor que escolheria para tingir tudo o que nele há de contraditório. Assim à memória? Talvez, vermelho brilhante!... Porque, há sempre dois tons, dois caminhos, duas faces ou duas escolhas para um mesmo e único fim. Hoje, resolvi carminar todas as minhas memórias! Tingir memórias é como reanimar o que já estava esquecido. E, não querer recordar certas memórias, é dar brilho ao opaco em toda a sua cor. Seria tão fácil, se pudessemos, lhes retirar simplesmente uma determinada cor e dar a coisa como terminada... Ou então, dar a cada cor uma nova memória. Mas, como todas as memórias têm cor, é preciso saber como extrair as suas substâncias emocionais, das novas sustâncias tinturiais. Tentar esbater o contraditório das guerras que povoam o Mundo, é como tingir toda a sua substância viva em carmesim.}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF233255-01-01-11.mp3{... na maior parte das vezes basta um gesto! Na maior parte das vezes, há falta de tempo para arrecadar gestos tão simples. Na grande parte das vezes, só na grande parte das vezes, não se fica ausente a um apelo tão simples. Há apelos mudos esbatidos no cinzentismo alheio. Há ainda, apelos surdos à sua possível hospedagem... Na maior parte das vezes, é mais fácil agasalhar do que ser agasalhado. Recolhido o abraço, o gesto nem sempre perde todo o seu rigor de acolhimento. Talvez por isso, há quem ande sempre resguardado dos gestos simples. Afinal, na maior parte das vezes, tanta coisa acontece num só simples gesto.}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF181900-01-01-02.mp3{... antes do o ser, o pecado também se liberta. Há pecados desiguais, mas todos eles nos levam sempre, ou quase sempre, ao mesmo sentimento de culpa. Fechar os olhos perante os pecados que há no Mundo, não é mais do que aceitarmos viver em constante sentimento de culpa. Falar de pecado, é pois, a grande viagem que realizamos ao interior de nós próprios. Dos pecados universais aos mortais, há ainda aqueles que nunca passam concretamente à acção, apesar de terem existido em pensamento. Será que só o pecado que se concretiza, é na realidade pecado? Há também pecados assim... Afinal, a mordedura do pecado atinge todos nós. Talvez por isso se diz que pecar é humano. Estruturar pictóricamente a culpabilidade do pecado é estar também vulnerável a esse sentimento. Por isso, há sempre mais do que um rosto: o Eu e o Mim. Então, representar o rosto do pecado, é repensar sempre na sua mais urgente libertação. Porque existem vários momentos assim, há cá um quadro destes desejando-se libertar em novas paredes. Se eu pudesse, era hoje que eu o vendia!}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF231632-01-01-11.mp3{... há lá! Também há lá um quadro assim. Neste convento em plena Serra d'Ossa, no interior da sala dos paços perdidos, oiço o vento quando o observo. Se o vento tivesse cor, aqui nesta serra, o vento poderia ser ainda mais azul, tal como o vejo neste quadro. Afinal, o vento também vai de partida, ao se cansar na chegada. Nunca entendi quem sopra o vento... para onde vai e donde vem. Se pudesse ir com ele, daria hoje a volta ao Mundo. Dizem que lá de cima, se vê uma enorme mancha azul.... Há lá em cima tanta coisa que deve ser bem difícil, registar numa só vez todo o seu movimento. Nunca saberei ao certo, o que há lá exactamente... Repensar o movimento do vento, é como articular o destino, em múltiplas partidas e chegadas que convergem sempre para um mesmo lugar. Se calhar, é isso que oiço quando o observo. Que cor terá exactamente o vento? Não sei. Mas, em salas de cores perdidas há lá sempre paços reencontrados.}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF213564-02-01-05.mp3{... na sua essência a luz é uma entidade viva. É fluxo radiante que ilumina todas as superfícies. E todas elas, das mais saturadas às mais ausentes de cor, se transformam e adquirem a sua personalidade própria. Sem esta entidade o mundo seria outro mundo, ou talvez seja este Mundo um simples recanto de activação da memória do que foi em tempos todo o restante Universo: cheio de luz!... E se a luz se apagar um dia, como evoluirá a nossa capacidade de abstração neste Mundo? É talvez este, o último segredo da nossa existência. Há porém, quem acredite que a luz é uma entidade que jamais desvanece. Acreditar nessa evidência, é já possuir um pouco do clarão que nos ilumina e nos conduz à verdade dos nossos instintos. Viver sem determinadas verdades, é como habitar numa cidade às escuras. Na sua essência a luz é... a verdade que por último sempre se procura!...}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF231632-01-01-04.mp3{... tudo se reflete no soalho dos nossos dias. Os espaços também se renovam com as mudanças do tempo. Tudo se transforma. Ainda bem que a luz que envolve o soalho dos nossos dias é sempre desigual. Pois só assim, se podem recriar novos espaços no tempo. Como é bom sentir a diferença dos dias. Para onde vou, lá naquele lugar, o tempo passa bem mais devagar. Há tempo para observar, em tudo aquilo que se reflete no soalho dos nossos dias. Como é importante saber gerir o nosso tempo... Tudo se passa à nossa frente e por vezes, nem se dá conta que todos os momentos passados no tempo, nunca são realmente iguais. Há também quem pense assim. Ter tempo para observar, é reflectir na desigualdade dos dias. Para onde vou, naquele lugar, há um novo espaço no tempo.}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF227705-01-01-14.mp3{... há sentimentos provocados. Há também sentimentos inexistentes. Há ainda o vazio e a eforia das coisas que incentivam a virtualidade das expressões. Em cima de um palco, quantas mais razões que todas aquelas descritas num dado elenco, existirão? É sempre a eterna e questionável dúvida; a da rigorosa repitação de determinadas expressões. É uma acrobacia decerto desigual. Se pudéssemos reviver a vida, como se ao mesmo palco voltássemos, tantas quantas vezes quiséssemos, será que valeria a pena ensaiar tudo de novo? Talvez, em muitos dos casos, pudéssemos alterar o momento em que tudo acontece. O mesmo momento que nos identifica e nos diferencia neste grande palco de ilusões.}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF233317-01-01-02.mp3{... há dias em que o rosto se ausenta de si mesmo. Há também dias sem se sorrir. Por vezes, o sorriso também muda de endereço e também ele vagueia no espaço. Há ainda quem mude de génio muitas vezes ao dia. Há também quem tenha dias assim. E, há ainda dias para se substituir uma coisa por outra. Há sempre uma vontade imensa na mudança dos dias. Como é importante mudar!... Mudar de casa, de roupa, de aparência, de endereço ou até mesmo, mudar a direcção das coisas que nos fazem realmente sorrir. Afinal, podemos sempre mudar tudo, ou quase tudo nesta vida... É tão fácil transformar tudo o que nos entristece com um simples sorriso. Sorrir, é o caminho que nos leva a percorrer o tão desejado chão de prata. Se eu pudesse, seguia eternamente nessa direcção... porque há também quem percorra caminhos assim. Há dias, em que o rosto até se pode transformar e se ausentar de si mesmo... Mas, os caminhos nunca se ausentam, de tudo aquilo que realmente nos transforma. Porque será que nem todo o chão é de prata?...}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF233210-02-02-01.mp3{... Eco! Os escritores são como os amigos. Há sempre os possíveis eleitos entre tantos outros de outros tantos, colocados na estante da nossa existência. E eles, ali estão sempre do nosso lado: disponíveis. Talvez se deva esfolhear um a um, em certas páginas da vida, a sua disponibilidade. Apesar de estarem sempre ali [as palavras] também se organizam novamente. Os livros têm sempre diferentes leituras. Uns, ficam sempre em maior destaque, perante outros tantos que aguardam o momento exacto de maior proximidade. É uma tarefa difícil, essa de organizar em todas as prateleiras existentes o fenómeno das palavras. Tal como os amigos, há também palavras assim. Mais destacáveis na estante da nossa afectividade.}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF206127-01-02-16.mp3
{... há paixões que podem ser consumidas num exacto e determinado momento. Mas há as que perduram no tempo. Sim... também há paixões assim e ninguém sabe o que as motiva. As do António [por exemplo] são apresentadas em movimento. E se pudessemos rebobinar todas as nossas paixões?!... Eu sei bem o que faria. Voltaria a viver só e únicamente determinadas emoções. Quantas pausas e replay's anexaria a determinados frames desta vida! E não é isso que Lauro António faz? corta uma imagem num determinado momento para precisamente ali colar uma outra. E pode voltar a colar ainda uma outra imagem, no momento que define para dar lugar ainda a mais outra, e sucessivamente a muitas outras que certamente estão retidas no monopólio das suas emoções. Há paixões assim: o cinema. E é no movimento dessas imagens, tantas vezes cortadas e novamente recriadas que resulta a apresentação de um todo repleto de emoção. É exactamente por isso que as imagens são cortadas, contadas, faladas, cantadas, choradas e até fabricadas para perdurarem no tempo. Sim... há de facto filmes inesquecíveis! A momentos cortados Lauro António apresenta:http://lauroantonioapresenta.blogspot.com}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF224181-01-01-01.mp3{... é o espaço de pausa calculada onde se dá a ordenação das formas e cores. É ainda o lugar, onde o tempo deixa de existir ou de ter a importancia que tem. E quando se procuram as formas e as cores não acontecem?!... Ninguém entra nem ninguém sai. O sol pode tombar em cada noite que cai, mas são tantas as noites que ali se passa sem o ver. Afinal, todos os laboratórios são espaços solitários. Por vezes, neste lugar, o silêncio é quebrado por breves momentos de euforia. É a pausa calculada, tão desejada para quem a quer abraçar. Dentro dele, os dias da semana deixam de ter a importancia que têm. Todos os dias, são dias de ordenação das formas, cores e estados de alma. Só ali, é possível construir um novo mundo, naquele já existente. E, sempre que as formas ganham cor, elas partem!... E nós ali ficamos, sempre no mesmo lugar. Entregues á pausa que nos envolve e desafia, a continuar quase como por teimosia, á procura da importância que as formas têm. Há quem o chame de lixeira, ao Atelier é claro!... Mas não. O atelier é um espaço quase sagrado, onde ninguém entra nem ninguém sai, à hora da pausa calculada. É ali que se fica... ou, é ali que nos deixamos pausadamente ficar.}
http://www.kenzo.com/kenzo_ah06/index.html{... as imagens podem ter cor, ou não. Mas a música que as animará num ecrã, pode ou deve transcrever no seu todo, uma só e única sonoridade plástica. Se eu pudesse estar neste preciso momento em Paris... sei bem o que de novo lá faria! Mas, também ainda é cedo para questionar toda a composição sonora da próxima exposição. Afinal de contas, há ainda um ano para criar as imagens que irão mais tarde ser animadas em película. E, só depois disso tudo, é que todos os "acordes" sonoros são realizados. Se eu pudesse estar neste preciso momento em Paris, visitava Nicolais Judelewicz! Sómente se eu pudesse já lá estar... era exactamente o que faria.}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF229922-01-01-10.mp3{... são as coisas simples que compõem a musicalidade da vida. E parece tão simples, esboçar uma partitura cheia de harmonia... Hoje, já é o tempo em que a humanidade perdeu o sentido da harmonia das coisas. Deve ser por isso que há tanto barulho no Mundo! Deve ser, exactamente também por isso, que é cada vez mais urgente procurar o silêncio das coisas. E há tanta emoção nas coisas simples que povoam a vida... e tu? porque não as vês?!... Poderia ser tão simples, abrandar todo esse impressionável ruído que comove a Humanidade. Se eu pudesse, diminuir todo esse desalento e dar mais silêncio ao Mundo, sei bem o que faria! Substituía as armas por pinceís, o som da guerra pelo recolhimento obrigatório ao silêncio, os noticiários informativos por programas educativos e, os políticos por soldados temporais de tonalidade afectiva itensa. Eis, a tela que esboça o quadro da vida! Ter liberdade para o sentir e viver... sem as pressas em encurtar, a importância que a vida tem. Jamais, será impossível imaginar a vida sem emoção.}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF230301-01-01-02.mp3{... a água até pode ser transparente, incolor ou tomar a cor de um determinado pigmento que reside na nosssa memória, mas temos sempre a ideia que lhe fica sempre bem os tons de azul. Todas as memórias têm cores... por exemplo, tenho ainda em memória que Portugal é um País de cores diferentes e bem garridas, ladeado por um imenso azul. E desse imenso azul, se avista verde a Norte, um pouco de branco a Centro Norte, laranja amarelado a Centro Sul e azul esverdeado em todo o Sul. Hoje, até parece que há uma tendência para se esbater em todo ele, largas faixas em tons de carmim acastanhado. Vamos lá saber, o que motiva esta mudança? De facto há neste recente fenómeno cromático uma tendência nata em alterar-lhe as cores da memória! Não para desanimar ou afrouxar os animos, é mesmo porque não há nada melhor como um belo mergulho para elevar determinadas cotas de energia. A água até pode ser transparente e incolor, mas após se evaporar há sempre a esperança de que todas as cores retomem de novo o seu lugar. Esfriar, é sempre a palavra de ordem em tempos de grande calor.}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF190296-01-02-01.mp3{...levar, conduzir ou sustentar, são os caminhos que nos apontam para todas as portas que há no corredor da vida. E, são tantas as portas!... Porém, há muitas que deviam estar sempre fechadas. Mas, todas elas dão acesso a outros caminhos repletos de tantas outras portas cujo conteúdo é certamente sempre incógnito. Afinal, todas as portas são peças importantes no nosso caminho. Se fosse possível conhecer o conteúdo de todas elas... não sei ao certo como teriamos tempo para as abrir?!... O mistério da sua existência está no facto de sabermos que ao se abrir uma porta, a esta se juntam tantas outras mais... quantas as que sejam (em tempo real), possíveis de se avistar. Todos somos "portantes"... ou, tudo é "portante" de algo. Tudo se leva e se conduz a um ponto, ou a vários pontos localizáveis no misterioso corredor da vida. Quantas portas haverão exactamente no corredor da vida? Não sei. Mas, se soubesse quais as portas que dão acesso à calmaria das coisas que deviam povoar o Mundo, então seria bem mais fácil, percorrer este misterioso corredor... cuja a última porta a ser aberta, é certamente aquela que completa o nosso ciclo de vida.}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF215722-01-02-02.mp3{... nem tão pouco estarei totalmente de acordo que o ser humano propenderá a minimizar as ideias abstractas a favor das realidades concretas. As realidades, só são de facto realidades concretas quando as mesmas obdecem a determinados parâmetros prédefinidos por nós mesmos. Existir... não é mais que um determinado "estado" dotado de vida, cuja principal fonte de vitalidade é sempre animada pela complexidade da essência das coisas que nos cercam. Se existir é ter existência; viver; estar; ser; haver; subsistir; durar; exibir-se... então quantas mais existências há no nosso Universo?!... Se tudo o que é dotado de vida existe, quantas mais essências existem para além do nosso ângulo de visão? Para já, parece que estamos bem assim. É tudo uma questão de organização do pensamento lógico. O importante é saber questionar. Questionar todas as realidades concretas e todas as ideias abstractas!... Mas o mais o importante disto tudo, é saber como detectar todas as qualidades pelas quais um ser existe e se define. Se eu pudesse definir sempre da mesma maneira o que os meus olhos veêm, então o que uma determinada coisa é, ou o que compreendo que ela é, deixaria de o ser, no momento em que todas as qualidades que a definem, mudem de forma ou de conteúdo. Se não houvesse tanto de abstracto em todas as realidades concretas nas coisas que povoam o Universo, a nossa existência deixaria de fazer sentido!...}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF225488-01-01-11.mp3{...quantas voltas inteiras dão os nossos passos?!... Há passos errados. Há passos certos... há ainda os incompletos. Uns são um pouco mais fortes; mais hábeis; mais velozes; mais tímidos; mais falsos ou mais certeiros. Todos eles são itinerários da nossa passagem. Se eu pudesse contar os meus passos, sei bem o que faria!... Ampliava desde logo o chão da vida a percorrer. E se ainda fosse possível... programaria o tapete da vida. Oh, se tudo isto fosse possível! Quanto mais chão haveria para pousar um pé de cada vez de um lado para o outro?!... Só assim, seria possível convencer o "Contador de Passos" que precisamos de muito mais tempo do que o previsto para atravessar todos os lugares, de um lado para o outro... passo a passo, até à estreita porta que dá acesso ao infinito. E se tudo isto fosse possível? Que bom que seria, se o "Contador de Passos" cruzasse em nosso caminho! Era bem mais fácil pedir-lhe que de uma vez por todas [a passos contados] amplie para sempre, o nosso chão da vida.}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF226003-02-01-02.mp3{... lançar em rosto possíveis censuras é um acto consciente de acusação. Há quem acuse o próximo por mero defeito. O importante é acusar sem observar! Acusar por isto ou por aquilo uma determinada pessoa, como que se fosse esse o verdadeiro caminho da sua própria libertação acusatória. Um rosto não é um rosto, se os músculos que o suportam ficarem totalmente inertes perante um possível exprobrador. Há também diversos tipos de exprobradores. Os que exprobram e os que são exprobrados!... Mas, por mais que se procure pôr um rosto a descoberto, é preciso não esquecer que há em todos esses músculos uma provável aparência dum sentimento oposto ao reverso. Há sentimentos que se esbatem na fisionomia de todos os rostos. Há ainda, a impossibilidade de se desvendar o que habita na alma de cada um deles - os quais-, por mais que sejam sujeitos à exprobração alheia... ficam indiferentes ao outro lado da medalha. Será que é possível descrever quantos semblantes existirão num só rosto? Por mais que se observe quais os sentimentos que cada um sabe exprimir... jamais devemos esquecer que nunca sabemos ao certo, qual a sua sinceridade por unidade de superfície!...}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF222808-01-01-04.mp3{...eis o que acontece, quando se reune várias partes num todo só. É a determinante força do espírito, o grande objecto unificador da matéria no tempo. É através desta grandeza determinada [a força] que a coerência dos objectivos convergem para um só todo. Seria tudo mais fácil, se a força que nos anima tivesse sempre a mesma intensidade. Mas, nem todas as correntes são contínuas. Há também as correntes alternas, as opostas, as divergentes e outras tantas de intensidades bem diferentes. Se se suprimisse à matéria do corpo a força do espírito, o que seria de nós?!... O que seria do povo Lusitano sem a força telúrica do espírito? Há também povos assim... como nós! Que juntam em conformidade os seus sentimentos a um possível objecto de vitória. O prolongamento da eterna capacidade desconhecida do "eu" provém dessa mesma força... eis, o que acontece quando se reune várias partes, num todo só! Porém, ainda dizem... que nínguém sabe ao certo qual a força que nos anima?!... Talvez faça também ela, parte do nosso tão determinante segredo. Mas, o mais importante de tudo isto, começa em jamais se suprimir o espírito do corpo, para que a intensidade da força seja para todo o sempre uma corrente uniforme e contínua. E, há ainda quem diga... que não sabe o certo, qual a força que nos anima!...}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF220625-01-01-10.mp3{...e se estreita a matéria através de gestos que por vezes são apenas produto da gesticulação mental. Há gestos que só existem na mente. Há porém gestos que nunca passam a barreira da realidade das coisas. Nunca passam à acção!... O Mundo está repleto desses gestos. Estar parado e olhar a matéria que se encontra perante os nossos olhos é activar o eixo dos sentidos. Porque será que se procura a alma das coisas? Porque será que há tanto desencontro na sua procura? E se pudessemos moldar os gestos das coisas? Teriamos de executar sucessivas incisões no corpo das coisas e voltar a combinar toda a matéria tallhada. Recriar, dividir, aparar, descobrir e desvendar que a alma também se talha! Se eu pudesse talhar o gesto das coisas, sei bem o que faria! Recordaria apenas, só aquilo que pretendo não apagar da memória das coisas e cortaria todas as porções desnecessárias. Apagaria ainda todas as lascas, nacos ou fatias de tudo aquilo que não possui matéria. E, através de todas estas necessárias operações cirúrgicas, estreitaria toda e qualquer matéria... que nem a alma das coisas têm!}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF221971-01-01-03.mp3{... para apurar certos tons, é preciso envolver determinados pigmentos até se obterem as cores pretendidas. O objectivo perfeito: a cor!... Sempre as cores. E como na vida tudo tem o seu início, aqui neste complexo processo tudo começa no simples facto de se meterem determinados pigmentos dentro dum envoltório... e incluir; enfaixar; enrolar; cercar... toda essa matéria cromática. Eis a fase do comprometimento entre a cor e o pigmento. Afinal até as cores se comprometem. Quantos anos de vida terá a cor? Elas ficam... nunca morrem. Perduram no tempo. Já a sua representatividade tem os dias contados. Se hoje são... amanhã deixam de ser. Tudo se deixa, ou se deixa tudo por vezes, muito antes da sua projecção no futuro. Também as cores passam a fase da intriga... e, também os pigmentos se confundem. Por vezes gritam os amarelos aos laranjas; os azuis aos esverdeados; os brancos aos sombreados; os pretos aos anilados; os traços aos ponteados; as formas às texturas; a geometria à escrita... e tudo grita numa imensa surdina!... É a fase final para a sua eternidade: a superfície branca. Repousar no branco todas as cores... sempre as cores.}
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF223509-01-01-01.mp3{...há uma grande diferença entre Ver e Olhar. Há também uma grande diferença entre Ser e Sentir. Há ainda aqueles que apenas são... algo. Isto é, são apenas básicamente algo. Não vêem nem sentem... apenas são um pouco de algo. Será que ser algo também se exprimenta?!... Se eu pudesse exprimentar ser apenas algo, básicamente deixaria de percorrer o sentido da vista. Passaria a olhar e não a ver. A observar e não a notar que existe muito mais do que os nossos olhos podem ver. Se eu pudesse ver a alma das coisas, sei bem o que faria. Voltaria a percorrer o sentido da vista por todas as coisas que povoam o Universo. Se Ver não é a mesma coisa que Olhar... nem Ser o mesmo que Sentir, então o caminho que nos leva até à alma das coisas... está no vasto exercício que a nossa mente possui em detectar todas as linhas, e que por vezes apesar de serem quase invisíveis aos nossos olhos, se encontram suspensas na organização lógica do raciocínio. Talvez seja por isso que a alma das coisas é invisível. E é talvez por isso mesmo que só os demais se reconhecem através do modo como percorrem o sentido da vista. Afinal, será que há muito mais para Observar... para além do simples acto de Ver?}