1.5.08

[ Comentários:Perdidos & Achados ]

{...na renovação da página deste Blog... todos os Comentários desapareceram. iniciado em 2005, é a segunda actualização realizada e a segunda vez que assim acontece! espero recuperar os vários endereços e anexar os Link's de todos aqueles que têm acompanhado as viagens a este Universo das cores... e do tempo fragmentado onde tem sido realizada a preparação de alguns eventos. a "Cidade das Tintas", tem sido instalada em diversos lugares de Portugal. de Lisboa ao Alentejo, e agora a caminho de uma Serra... espero conseguir repor brevemente, todos os endereços daqueles que têm escrito neste blog e de certo modo contribuído no grande universo onde este Atelier acontece: entre as cores e as palavras. agora, sem recados anotados e de correspondência perdida... tentarei procurar nos Perdidos & Achados deste sistema... o que fazer?!... }

30.4.08

[ A Sonolência das Cores ]

{... todo o sono é pintado de invisíveis cores. é no vazio de nós próprios, que a entrega às memórias dos encantos acontece. inevitável mágica que disperta recantos e nos traz recados achados e por vezes perdidos no tempo. quem não sobe os degraus do sono? quem não mergulha no seu ondular esquecimento? tela crua. tela ausente de cor. incerteza tocada e nem sempre registada em todo o seu esplendor. são sombras e não é gente, que certamente povoa esse indecifrável mundo. todo o sono é pintado de invisíveis cores. nele, há soldados de esperança e generais da vingança. perdas e vitórias. conselhos, desejos e incríveis estórias. não há inutilidade nessa espera, nem tão pouco pressa em dispertar. se essa magia nos fosse retirada, o que seria de tudo aquilo que nem sempre acontece? tela crua. cor esquecida por pintar. quem não mergulha no seu esquecimento? só quem já não tem tempo para sonhar.}

20.4.08

[ O paralelismo do Eu ]

{... se Deus entendesse efectivamente de geometria, certamente que abolearia todas as paralelas que não interceptam a felicidade. tudo isto devia ser mais simples. oh se Eu fosse Deus!... interceptava todas as linhas possíveis de riscar no grande papel que embrulha todo este céu. tudo isto devia ser mais simples. que complexo Deus é o nosso que dá e tira, escreve e apaga as linhas do nosso destino? a vida, devia ser meramente uma ciência exacta. sem variantes na alegórica matemática que a compõe. que sábio projectista és tu, que estás para além de tudo aquilo que os nossos olhos podem ver? não há maior prémio nobel no Mundo que o seu! a geometria da vida é na realidade um complexo estirador desenhado por misteriosas vontades alheias. se eu pudesse sentar-me a seu lado, pegaria no seu grande compasso e traçava a minha própria circunferência. o início e o fim. se eu pudesse entrar no seu atelier, pegava nos seus lápis e riscava apenas os caminhos que já conheço. se Deus entendesse efectivamente de geometria, certamente que abolearia todas as paralelas que não interceptam a felicidade. se eu pudesse pedir-lhe emprestado um lápis que fosse, riscaria com ele linhas imaginárias - projecto único que nos leva consigo até à ponte do Eu. sómente se o céu não existisse, é que todas as pontes deixariam de fazer sentido! talvez por isso mesmo, ainda ninguém descobriu ao certo onde começa e termina toda esta complexa geometria: chamada universo!...}

15.4.08

[ a intemporalidade do esquiço ]

{... se soubessem o que povoa uma tela antes da cor e da forma. se soubessem como as palavras se vestem no esquiço das memórias. apenas se soubessem o que nos motiva até à criação da obra. o esquiço. a vida não é mais do que um esquiço riscado, sublinhado e apagado pelo tempo. sempre o tempo. a eterna alteração das formas. a constante procura da estrada exacta que nos leva ao universo da criação. novamente o esquiço. o conteúdo dum texto que se escreve vezes sem conta. a descrição do objecto. a diversidade dos pigmentos. os tons... são mais verdadeiros do que as palavras porque têm sempre a mesma memória. as cores são mais puras. não mudam de sentimentos. se soubessem o que povoa uma tela antes da cor e da forma. se soubessem como as palavras se vestem no esquiço das memórias. apenas se soubessem o que nos motiva até á criação da obra. o esquiço. esboço riscado de traços certos e cores puras. riscos... tudo se risca. as emoções podem mudar de sentimentos, mas as cores não. se soubessem quantas palavras há no dialéctico da cor... entenderiam que Deus é o maior pintor do Mundo e, que a vida não passa dum esquiço riscado, sublinhado... condenado a ser apagado pelo tempo.}

7.4.08

[ As Teclas do Sentir ]

{... as teclas do sentir fazem-nos esquecer o antigo cheiro dos lápis. há quem já não escreva a lápis nem tão pouco a caneta. são os novos tempos da escrita. o que será de nós sem papel um dia? sem o esboço ou o esquiço da ideia final? sem as letras sublinhadas, riscadas e subtraídas ao seu contexto final? nem já os poetas, andam de folhas debaixo do braço como fazia Pessoa. sabes, é que Pessoa podia mudar de casa constantemente, mas nunca abandonava o papel em que escrevinhava o Sentir. qualquer simples folha lhe servia. como é diferente desenhar as letras que nos compõem. dar-lhes expressão. senti-las a nascer. apagá-las!... só as teclas do sentir são orfãs do desenho, dos odores, do carvão e das tintas. é outra escrita: o teclado! a nova melodia do sentir. sem esboço, sem odores... apenas um único som. sempre igual. sentir. sentir as palavras que não se calam. as palavras que só se escrevem no portátil mundo imaginário dum novo livro.}

3.4.08

Restaurante 9.come e Mite Paradanta

{9.come é um restaurante "minimalista QB"... pintado a rosa e negro. quando lá cheguei... tive a sensação de estar num bairro de paris. na rua, o som dum saxofone fazia parar o transito. recordei a música cantada na voz de catherine deneuve :"jazz is paris et paris is jazz"! mas... não. de paris só mesmo uma praceta que fica ali perto. foi assim que a av. joão XXI inaugurou o novo restaurante riscado pela arquitecta Mite Paradanta. no 9.come entre amigos e muito mais... Ruben e Rosa Bensimon, abrem assim as portas ao verão de 2008 com uma magnífica esplanada repleta de sabores gostativos. e a razão de tudo isto?... diferenciar lugares de ócio nos bairros de lisboa.
9.come é um espaço aberto às novas tendências da arquitectura de interiores todo ele... temperado de lusitanos sabores.}

1.4.08

Tibete Red Sky

{... porque desenhei ventos de esperança e castelos de areia no céu desta praia... se há povos sem liberdade? porque... desenhar é pensar. porque há praias desertas de liberdade e homens no Mundo de má vontade? só não apagam as ondas ao mar, e a esperança de sonhar nesta praia... porque... pensar é voar. hoje... desenhei castelos de neve no céu vermelho do tibete porque há Paz proibida naquele lugar.}

27.3.08

[...Sempre que Amanheço...]

{... lembro-me de ti estrela da manhã, quando tomba a noite nesta colina. lembro-me de ti lisboa, terraço virado a sul para a basílica da estrela. lembro-me de ti, planícies da saudade sempre que amanheço noutra cidade. no alentejo, os sinos da igreja, recordam a alegria de ver o rio a passar. o tempo é desejo cantado devagar. nesta aldeia o silêncio é terra, as estrelas o grande mar... lembro-me de ti lisboa, quando a noite vira o mundo, no outro lado do céu. sempre que os sinos tocam... lembro-me de ti, planícies da saudade, onde o mar nunca chega a espreitar. sempre que amanheço noutra cidade, lembro-me de ti... }

25.3.08

[...Cruza Vida...]


{... e se a vida me cruzar contigo? cidade perfeita fantasma de mim. e se a vida me cruzar contigo? chão de pedra, rio de prata. não há cidade perfeita neste caminho sem ti. cruza vida. envolve-me nela até ao fim. cidade paraíso longe donde existo. e se a vida me cruzar contigo? chão de prata, rio de pedra. cidade perfeita, fantasma de mim. cruza vida. faça chuva ou faça vento que haja sol e sombra em ti. cruza vida. cidade de barro moldado pelas lágrimas dos homens, envolve-me nela até ao fim. sem alma não há cidades perfeitas, nem mundo sem fim. e se a vida me cruzar contigo? leva-me. leva-me devagar. cidade perfeita, fantasma de mim.}

12.3.08

[... noutro lugar...]

{... quando acordei, tive a sensação que te tinha desenhado noutro lugar! como é bom regressar do sono. há em todo ele, um novo mundo desenhado por lápis invisíveis. nunca se sabe ao certo quais as cores, formas e sensações nos trazem eles, todas as noites. os lápis mágicos, levam-nos e trazem-nos todas as noites dum lado para o outro. como é bom viajar de lápis na mão. hoje, sonhei que caminhavas pela casa do meu sono. vi-te. e não sei bem em que cidade. quando acordei, dei conta que já nem sei onde estás, nem como és. deixei-te faz tempo numa casa de outra cidade que não esta onde estou. mas hoje... vi-te. estavas a passear nas ruas do meu sono. só quando acordei... percebi então, que te desenhei faz tempo noutro lugar!...}

8.3.08

[... Vinil Disc...]


{...tsssssstttt tsssssssstttt. de quando a quando abro-lhe as portas... cliko em ON, e revejo os mil discos de vinil que aqui estão. alguns deles já tocaram faz bastante tempo, numa rádio nacional. hoje pensei em Miles Davis. recordo como o conheci, e do tempo que passamos juntos. é verdade... o Miles Davis! o misterioso homem que soprava a preto e branco através de uma caixa mágica. pensado assim... é verdade que o som do vinil envolve-nos doutro modo.}

2.3.08

Eleni karaindrou - Trojan Women


{... grécia. euripides na direcção de Antonis Antypas e música de eleni karaindrou em Trojan Women. o drama desenhado - o teatro. o choro e o grito em busca do desenho das emoções. o rosto e a ausência da dor. o reflexo de outra vida além da cor - o piano. novamente um rosto semelhante a outro. idêntico nos traços? talvez. há sempre um outro rosto igual ao nosso noutro lugar... porque nem só se vive uma vez... eleni é um cd de eleição na gaveta do meu atelier.}

29.2.08

Lauro António em Sarajevo


{...ligar a realidade dos factos à poesia- é o registo duma aula de literatura retirada do filme "Manhã Submersa", do cineasta Lauro António. é também assim que portugal está representado no Festival de Inverno de Sarajevo, durante dois dias. os seus filmes, o projecto CineEco e o documentário recentemente realizado no Alentejo para a exposição "Tiqqun". o universo pictórico captado através da objectiva da sua máquina de filmar. um convite à aproximidade da exaltação das cores e das formas... ao exercício dos pincéis- à pintura. o alentejo novamente e a "mística" cidade das tintas. da imagem em movimento ao fado... uma jornada portuguesa... é exactamente o que nos propõe Lauro António, e Frederico Corado em Sarajevo. talvez por isso e muito mais... desejo-lhes, os maiores sucessos!...}

http://lauroantonioapresenta.blogspot.com/

27.2.08

[...A Geometria das Emoções...]


{... é no universo do mundo sem palavras que outro mistério acontece. há poesia viva em realidades assim. dar cor. apagar. riscar de novo outro traço. descobrir o fim. recomeçar. a voluntária entrega ao silêncio para captar novas realidades. observar o vazio e o cheio, a luz e a sombra. dor suspensa ou adiada... sentir. escutar. dar cor. sempre a cor... sem tempo. à procura que algo aconteça longe dos factos. o traço seguido de outro traço. novos registos esboçados pelo lápis. o contraste e a incontornável divergência das cores. a forma. a ausência das formas e o todo. suprimir o lógico. novamente a cor. sempre a cor. na continuidade do tempo surge a tela. novamente outra superfície branca. sempre assim, dia e noite, na incansável procura da geometria das emoções.}

23.2.08

[...não. não sou poeta...]

{... não. não sou poeta. não escrevo poemas, nem sofro de cor. não. não sou poeta. não retrato sentimentos em palavras de cor. não. não sou poeta, nem artista amador. não há palavras escritas nos traços que riscam cada tela. não. não sou poeta. vivo entre o risco e as cores, sentada na textura da vida. sou traço por vício dependente da cor. não. não sou poeta. nem a densidade do pigmento censura o que sinto. são os outros que as escrevem. só os quadros vendidos são carentes de palavras cantadas. e eu já nada sinto. nada digo. sou memória arquivada. não. não sou poeta. agarro o traço e faço a mala. parto à procura duma nova cidade prenha de cor. em qualquer lado... por aí, no silêncio dos dias. onde possa esqueçer todas as palavras e ficar muda. onde a cor toma corpo e chama por mim. e tudo recomeça... sabes, sou traço por vício dependente da cor. não. não sou poeta...}

21.2.08

[...I'm So-So...]



{...se fosse fácil controlar o destino, a vida seria sempre repensada doutro modo. sem o acaso das coisas que a vida tem, tudo seria monótono e o destino deixaria de fazer sentido. se calhar, nem o destino existe, nem tão pouco o acaso sempre acontece. talvez o destino seja como um pêndulo em eterno movimento que de tempos a tempos, nos projecta para uma outra dimensão. há ainda quem fique sentado no vazio dos dias e deixe a vida passar... como será viver sentado no acaso das coisas? há também quem viva assim. por sorte ou por azar, nada na vida é linear... se fosse fácil retirar à dor todas as suas lágrimas, os sentimentos seriam desnecessários. é o que mais me fascina em Krzysztof Kieslowski. das lágrimas ausentes ás cores que inundam a grande tela, e das teias do destino ao silêncio da dor - a vida é um imparável caminho cheio de mistérios. se pudemos retirar à dor todas as suas lágrimas... não sei. mas é certamente para alguns o seu destino. afinal... tudo é possível enquanto a vida acontece.}

18.2.08

[...Pakistan - la musique des Qawal...]



{...não sei porque há ainda tantos jardins na terra, de flores roubadas, privadas, pisadas e ausentes de cor?... a Paz pode ser cantada, escrita, desenhada, dançada ou escutada para que o encontro com o divino aconteça! há também momentos de meditação assim... e como é grande essa viagem! Sem poemas cantados o Universo seria mais pobre. talvez, porque tudo aquilo que nos completa é exactamente, no seu todo, o modo como se canta a vida. em silêncio ou em plena exaltação mistica... a viagem também assim se faz... ao encontro da Luz Divina!}

13.2.08

Al otro lado del rio



{... não há rio de águas paradas nem barcos sem remos. já não há margens desembarcadas nem piratas ao leme. já todo o mar foi povoado e as estrelas ainda mergulham nele. só quando a madeira da barca se quebra... é que o rio vira deserto. já nem barcas, nem rio, nem águas fervem neste mundo desbotado de azul. pode haver céu sem árvores, mas terra sem passáros - não! rio abaixo, rio acima... há ainda tantas margens e tantas ondas no mar para atravessar.}