16.5.08

[ Tudo é Nada na Bagagem das Emoções...]

{... tudo empacotado e tudo é nada. porque tudo, é demasiado mais profundo do que o espaço que se leva na bagagem das emoções!... nesta viagem programada, não há mala que sirva para empacotar o que somos. sempre basta o essencial. é nessa procura do nada e do tudo que acontecerão as novas cores. não há viagens programadas na festa da criação. tudo acontece. o vazio percorre as ruas das ideias à procura do objecto e da matéria. no verde cambiante da nova floresta há mais cores do que podemos imaginar. o ar é mais puro... e aviva todo o universo. o que virá por fim nestas malas que partem? talvez, cidades imaginadas repletas de novos personagens. é numa aldeia desconhecida que no meio duma serra, aquela casa vai abrir janelas fechadas pelo tempo. revolvidos os papeís a aventura abre o tempo para que o tudo e o nada sempre aconteça. na mala, os pinceís aprontam a festa. faz tempo que a eforia da cor aguarda esta data. já está tudo empacotado e tudo é nada! porque tudo, é demasiado mais profundo do que o espaço que se leva na bagagem das emoções!...}

14.5.08

[ Os Incendiários da Felicidade ]

{... todas as palavras têm cor. tal como as aldeias e as cidades, todos os bairros têm na sua arquitectura, muitas e diversas cores. só mesmo os invejosos e os pobres queixosos da sorte alheia é que vivem ausentes de cor. há também gente assim: são os incendiários da felicidade! vivem embaciados pelo brilho dos outros e secam a alegria em todo seu redor. não sei realmente qual é a cor da inveja. talvez porque nunca isolei tal pigmento na grande paleta das cores. mas, nada aqui nos anima nesse triste manifesto das emoções. aqui tudo é pleno de cor e de emoção! neste lugar sagrado - o atelier -, não há tal sentimento. misturadas as cores, todas as palavras compõem o que cada um retrata na grande floresta do pensamento. há dor, alegria, eforia, tristeza, felicidade, compaixão, solidão... mas inveja não! sabes... neste país vivem cada vez mais pessoas ausentes de cor. há demasiados incendiários da felicidade por cada Km/2. secada a sua... procuram desbravar cores alheias. se não fossem as palavras, a sintonia cromática de todas as emoções, não seriamos um país de poetas. isolados do mundo, vamos tendo consciência como é necessário combater tais incendiários da felicidade. e porque hoje as boas notícias chegam em forma de palavras escritas, todo este espaço se enche de novas cores. não há maior força do que as cores da esperança. é por isso, que todas as florestas sempre se pintaram de verde!...}

11.5.08

[ Nova Serra o Novo Lugar ]

{... há pedaços de água na terra. janela que deixei para trás ficar. saudade imensa. só minha e daquele lugar. nova serra... que saudade levo de alguém. há em mim pedaços dessa gente. desenhada no céu que já não vejo, mas que sinto. nova serra, novo lugar. mata a sede meu desejo. nesta nova floresta sem mar. não te vejo. só te pinto. o que é feito de ti pedaço de água na terra, janela aberta para o luar. espelho deserto. final incerto. ninguém muda assim sem recado deixar. nova terra já te vejo. antes de tudo és serra, floresta virada de costas para o mar. há sempre pedaços de água na terra e janelas abertas na saudade de te encontar. nova serra, novo lugar. sem cor tudo é tão breve, e o tempo dói a passar. nova serra, novo lugar. traz contigo cores de terra e vem aqui morar. teia branca água sólida. antes de tudo és serra, floresta virada de costas para o mar.}

7.5.08

[ Os Anjos Também Choram ]

{... na vasta planície do pensamento. entre o céu e a terra. o sono inverte as cores em imagens desiguais. o medo, é memória sombra do que somos. será que os anjos também choram no abraço da vida? nem sei o que seria da vida, sem os anjos da boa memória. acordar do sono é como terminar um quadro. são momentos recortados, invertidos, desaparecidos, surgidos do nada e do tudo. sabes, os anjos também choram! quando acordei na vasta planície do pensamento, entre uma floresta que não pintei, e o vento que não escutei: havia um anjo que corria. corria na esperança de abraçar a sombra da vida. o céu era azul cobalto, e a terra toda ela branca. todos os sonhos são mudos. nunca lhes ouvi qualquer som. mas as imagens, ai as imagens... são todas elas pintadas de cores vivas. naquela planície, já só vejo e não sinto. pega-me na mão e leva-me de novo: ao sono. se eu pudesse lá voltar de novo, aquele anjo deixaria de chorar. pegava-lhe na mão e pintava-lhe a sombra perdida. se lá voltar, perco o medo. já não há céu negro que me faça esquecer as suas lágrimas. leva-me de novo até ele porque amanhã é dia de festejo. faço anos e gostaria de retocar a sombra da vida. por isso, corro à velocidade do vento. não vejo a hora em que a noite tombe. o céu pode ser de qualquer cor... mas, todas as sombras na terra, se unirão numa só. é que a vida vai ser hoje pintada de esperança pela mão de um anjo: o anjo da boa memória.]

5.5.08

[ A Caixa do Presente ]

{... tabuadas as cores no plástico canto do tempo: abrem-se os novos pinceís!... Maio, é tempo de empacotar o que vai ser o próximo ano. fecham-se caixas, e conferem-se outras tantas trazidas do ano que passou. por vezes há a sensação de não se saber ao certo, em que tempo está a caixa que nos traz ao presente. tudo se projecta ao sabor de futuras datas. antecipa-se o Inverno e retira-se o Verão aos dias. são as cores tabuadas num canto qualquer de uma outra nova cidade. as cidades também se inventam noutros lugares. saber qual o sentido de tudo isto... só mesmo depois de se ter descido, todos os seus possiveís degraus. será que haverá mais tempo para os contar? se eu pudesse... jamais dela se avistaria o chão. que importa se é verde, castanho ou amarelo pintado de cinza alcatrão? é exactamente para isso que servem os pinceís. dá-se-lhes a cor do dia e cada degrau ganha uma nova vida. tabuadas as cores no plástico canto do tempo: abrem-se os novos pinceís. tudo o que for saudade, virá nas memórias do tempo que já passou. e se por acaso essa cor prevalecer, a matéria não deixará de ganhar forma. não há cantos no tempo que as cores não deixem de pintar: o horizonte dos novos dias. }

2.5.08

[ Da Poesia à Música: Ana Vidal ]

{... Ana Vidal tem um Blog e um Site com o registo do seu trabalho. são letras de músicas e palavras editadas em livros. noutro dia em troca de palavras fui à FNAC comprar o novo CD de Luís Represas porque a música 9 - "o inventor de abraços"-, é de sua autoria. a poesia musicada é efectivamente, um nobre pigmento no universo das emoções. sabes, é que as cores também falam e cantam. para que servem as palavras no atelier dos dias, se todo o espaço é mudo de diálogo? é exactamente por isso que as cores conversam em silêncio. um quadro é um quadro, e um poema é um poema. só os poemas são cantados. nos acordes das cores... há também músicas inventadas na surdina dos pinceís. afinal, são as estradas das emoções que nos levam a esse lugar: ao complexo universo do sentir. é aí que por vezes, as palavras dão lugar às imagens e nunca ninguém sabe na realidade porque... a cor sempre acontece. o que seria da vida, sem os pigmentos das emoções? o mundo deixaria de ter interesse, e o Ser não seria mais do que um solitário deserto.

1.5.08

[ Comentários:Perdidos & Achados ]

{...na renovação da página deste Blog... todos os Comentários desapareceram. iniciado em 2005, é a segunda actualização realizada e a segunda vez que assim acontece! espero recuperar os vários endereços e anexar os Link's de todos aqueles que têm acompanhado as viagens a este Universo das cores... e do tempo fragmentado onde tem sido realizada a preparação de alguns eventos. a "Cidade das Tintas", tem sido instalada em diversos lugares de Portugal. de Lisboa ao Alentejo, e agora a caminho de uma Serra... espero conseguir repor brevemente, todos os endereços daqueles que têm escrito neste blog e de certo modo contribuído no grande universo onde este Atelier acontece: entre as cores e as palavras. agora, sem recados anotados e de correspondência perdida... tentarei procurar nos Perdidos & Achados deste sistema... o que fazer?!... }

30.4.08

[ A Sonolência das Cores ]

{... todo o sono é pintado de invisíveis cores. é no vazio de nós próprios, que a entrega às memórias dos encantos acontece. inevitável mágica que disperta recantos e nos traz recados achados e por vezes perdidos no tempo. quem não sobe os degraus do sono? quem não mergulha no seu ondular esquecimento? tela crua. tela ausente de cor. incerteza tocada e nem sempre registada em todo o seu esplendor. são sombras e não é gente, que certamente povoa esse indecifrável mundo. todo o sono é pintado de invisíveis cores. nele, há soldados de esperança e generais da vingança. perdas e vitórias. conselhos, desejos e incríveis estórias. não há inutilidade nessa espera, nem tão pouco pressa em dispertar. se essa magia nos fosse retirada, o que seria de tudo aquilo que nem sempre acontece? tela crua. cor esquecida por pintar. quem não mergulha no seu esquecimento? só quem já não tem tempo para sonhar.}

20.4.08

[ O paralelismo do Eu ]

{... se Deus entendesse efectivamente de geometria, certamente que abolearia todas as paralelas que não interceptam a felicidade. tudo isto devia ser mais simples. oh se Eu fosse Deus!... interceptava todas as linhas possíveis de riscar no grande papel que embrulha todo este céu. tudo isto devia ser mais simples. que complexo Deus é o nosso que dá e tira, escreve e apaga as linhas do nosso destino? a vida, devia ser meramente uma ciência exacta. sem variantes na alegórica matemática que a compõe. que sábio projectista és tu, que estás para além de tudo aquilo que os nossos olhos podem ver? não há maior prémio nobel no Mundo que o seu! a geometria da vida é na realidade um complexo estirador desenhado por misteriosas vontades alheias. se eu pudesse sentar-me a seu lado, pegaria no seu grande compasso e traçava a minha própria circunferência. o início e o fim. se eu pudesse entrar no seu atelier, pegava nos seus lápis e riscava apenas os caminhos que já conheço. se Deus entendesse efectivamente de geometria, certamente que abolearia todas as paralelas que não interceptam a felicidade. se eu pudesse pedir-lhe emprestado um lápis que fosse, riscaria com ele linhas imaginárias - projecto único que nos leva consigo até à ponte do Eu. sómente se o céu não existisse, é que todas as pontes deixariam de fazer sentido! talvez por isso mesmo, ainda ninguém descobriu ao certo onde começa e termina toda esta complexa geometria: chamada universo!...}

15.4.08

[ a intemporalidade do esquiço ]

{... se soubessem o que povoa uma tela antes da cor e da forma. se soubessem como as palavras se vestem no esquiço das memórias. apenas se soubessem o que nos motiva até à criação da obra. o esquiço. a vida não é mais do que um esquiço riscado, sublinhado e apagado pelo tempo. sempre o tempo. a eterna alteração das formas. a constante procura da estrada exacta que nos leva ao universo da criação. novamente o esquiço. o conteúdo dum texto que se escreve vezes sem conta. a descrição do objecto. a diversidade dos pigmentos. os tons... são mais verdadeiros do que as palavras porque têm sempre a mesma memória. as cores são mais puras. não mudam de sentimentos. se soubessem o que povoa uma tela antes da cor e da forma. se soubessem como as palavras se vestem no esquiço das memórias. apenas se soubessem o que nos motiva até á criação da obra. o esquiço. esboço riscado de traços certos e cores puras. riscos... tudo se risca. as emoções podem mudar de sentimentos, mas as cores não. se soubessem quantas palavras há no dialéctico da cor... entenderiam que Deus é o maior pintor do Mundo e, que a vida não passa dum esquiço riscado, sublinhado... condenado a ser apagado pelo tempo.}

7.4.08

[ As Teclas do Sentir ]

{... as teclas do sentir fazem-nos esquecer o antigo cheiro dos lápis. há quem já não escreva a lápis nem tão pouco a caneta. são os novos tempos da escrita. o que será de nós sem papel um dia? sem o esboço ou o esquiço da ideia final? sem as letras sublinhadas, riscadas e subtraídas ao seu contexto final? nem já os poetas, andam de folhas debaixo do braço como fazia Pessoa. sabes, é que Pessoa podia mudar de casa constantemente, mas nunca abandonava o papel em que escrevinhava o Sentir. qualquer simples folha lhe servia. como é diferente desenhar as letras que nos compõem. dar-lhes expressão. senti-las a nascer. apagá-las!... só as teclas do sentir são orfãs do desenho, dos odores, do carvão e das tintas. é outra escrita: o teclado! a nova melodia do sentir. sem esboço, sem odores... apenas um único som. sempre igual. sentir. sentir as palavras que não se calam. as palavras que só se escrevem no portátil mundo imaginário dum novo livro.}

3.4.08

Restaurante 9.come e Mite Paradanta

{9.come é um restaurante "minimalista QB"... pintado a rosa e negro. quando lá cheguei... tive a sensação de estar num bairro de paris. na rua, o som dum saxofone fazia parar o transito. recordei a música cantada na voz de catherine deneuve :"jazz is paris et paris is jazz"! mas... não. de paris só mesmo uma praceta que fica ali perto. foi assim que a av. joão XXI inaugurou o novo restaurante riscado pela arquitecta Mite Paradanta. no 9.come entre amigos e muito mais... Ruben e Rosa Bensimon, abrem assim as portas ao verão de 2008 com uma magnífica esplanada repleta de sabores gostativos. e a razão de tudo isto?... diferenciar lugares de ócio nos bairros de lisboa.
9.come é um espaço aberto às novas tendências da arquitectura de interiores todo ele... temperado de lusitanos sabores.}

1.4.08

Tibete Red Sky

{... porque desenhei ventos de esperança e castelos de areia no céu desta praia... se há povos sem liberdade? porque... desenhar é pensar. porque há praias desertas de liberdade e homens no Mundo de má vontade? só não apagam as ondas ao mar, e a esperança de sonhar nesta praia... porque... pensar é voar. hoje... desenhei castelos de neve no céu vermelho do tibete porque há Paz proibida naquele lugar.}

27.3.08

[...Sempre que Amanheço...]

{... lembro-me de ti estrela da manhã, quando tomba a noite nesta colina. lembro-me de ti lisboa, terraço virado a sul para a basílica da estrela. lembro-me de ti, planícies da saudade sempre que amanheço noutra cidade. no alentejo, os sinos da igreja, recordam a alegria de ver o rio a passar. o tempo é desejo cantado devagar. nesta aldeia o silêncio é terra, as estrelas o grande mar... lembro-me de ti lisboa, quando a noite vira o mundo, no outro lado do céu. sempre que os sinos tocam... lembro-me de ti, planícies da saudade, onde o mar nunca chega a espreitar. sempre que amanheço noutra cidade, lembro-me de ti... }

25.3.08

[...Cruza Vida...]


{... e se a vida me cruzar contigo? cidade perfeita fantasma de mim. e se a vida me cruzar contigo? chão de pedra, rio de prata. não há cidade perfeita neste caminho sem ti. cruza vida. envolve-me nela até ao fim. cidade paraíso longe donde existo. e se a vida me cruzar contigo? chão de prata, rio de pedra. cidade perfeita, fantasma de mim. cruza vida. faça chuva ou faça vento que haja sol e sombra em ti. cruza vida. cidade de barro moldado pelas lágrimas dos homens, envolve-me nela até ao fim. sem alma não há cidades perfeitas, nem mundo sem fim. e se a vida me cruzar contigo? leva-me. leva-me devagar. cidade perfeita, fantasma de mim.}

12.3.08

[... noutro lugar...]

{... quando acordei, tive a sensação que te tinha desenhado noutro lugar! como é bom regressar do sono. há em todo ele, um novo mundo desenhado por lápis invisíveis. nunca se sabe ao certo quais as cores, formas e sensações nos trazem eles, todas as noites. os lápis mágicos, levam-nos e trazem-nos todas as noites dum lado para o outro. como é bom viajar de lápis na mão. hoje, sonhei que caminhavas pela casa do meu sono. vi-te. e não sei bem em que cidade. quando acordei, dei conta que já nem sei onde estás, nem como és. deixei-te faz tempo numa casa de outra cidade que não esta onde estou. mas hoje... vi-te. estavas a passear nas ruas do meu sono. só quando acordei... percebi então, que te desenhei faz tempo noutro lugar!...}

8.3.08

[... Vinil Disc...]


{...tsssssstttt tsssssssstttt. de quando a quando abro-lhe as portas... cliko em ON, e revejo os mil discos de vinil que aqui estão. alguns deles já tocaram faz bastante tempo, numa rádio nacional. hoje pensei em Miles Davis. recordo como o conheci, e do tempo que passamos juntos. é verdade... o Miles Davis! o misterioso homem que soprava a preto e branco através de uma caixa mágica. pensado assim... é verdade que o som do vinil envolve-nos doutro modo.}

2.3.08

Eleni karaindrou - Trojan Women


{... grécia. euripides na direcção de Antonis Antypas e música de eleni karaindrou em Trojan Women. o drama desenhado - o teatro. o choro e o grito em busca do desenho das emoções. o rosto e a ausência da dor. o reflexo de outra vida além da cor - o piano. novamente um rosto semelhante a outro. idêntico nos traços? talvez. há sempre um outro rosto igual ao nosso noutro lugar... porque nem só se vive uma vez... eleni é um cd de eleição na gaveta do meu atelier.}