11.5.08
[ Nova Serra o Novo Lugar ]
7.5.08
[ Os Anjos Também Choram ]
5.5.08
[ A Caixa do Presente ]
2.5.08
[ Da Poesia à Música: Ana Vidal ]
1.5.08
[ Comentários:Perdidos & Achados ]
30.4.08
[ A Sonolência das Cores ]
20.4.08
[ O paralelismo do Eu ]
15.4.08
[ a intemporalidade do esquiço ]
7.4.08
[ As Teclas do Sentir ]
3.4.08
Restaurante 9.come e Mite Paradanta
9.come é um espaço aberto às novas tendências da arquitectura de interiores todo ele... temperado de lusitanos sabores.}
1.4.08
Tibete Red Sky
27.3.08
[...Sempre que Amanheço...]
25.3.08
[...Cruza Vida...]
{... e se a vida me cruzar contigo? cidade perfeita fantasma de mim. e se a vida me cruzar contigo? chão de pedra, rio de prata. não há cidade perfeita neste caminho sem ti. cruza vida. envolve-me nela até ao fim. cidade paraíso longe donde existo. e se a vida me cruzar contigo? chão de prata, rio de pedra. cidade perfeita, fantasma de mim. cruza vida. faça chuva ou faça vento que haja sol e sombra em ti. cruza vida. cidade de barro moldado pelas lágrimas dos homens, envolve-me nela até ao fim. sem alma não há cidades perfeitas, nem mundo sem fim. e se a vida me cruzar contigo? leva-me. leva-me devagar. cidade perfeita, fantasma de mim.}
21.3.08
17.3.08
12.3.08
[... noutro lugar...]
8.3.08
[... Vinil Disc...]
{...tsssssstttt tsssssssstttt. de quando a quando abro-lhe as portas... cliko em ON, e revejo os mil discos de vinil que aqui estão. alguns deles já tocaram faz bastante tempo, numa rádio nacional. hoje pensei em Miles Davis. recordo como o conheci, e do tempo que passamos juntos. é verdade... o Miles Davis! o misterioso homem que soprava a preto e branco através de uma caixa mágica. pensado assim... é verdade que o som do vinil envolve-nos doutro modo.}
2.3.08
Eleni karaindrou - Trojan Women
{... grécia. euripides na direcção de Antonis Antypas e música de eleni karaindrou em Trojan Women. o drama desenhado - o teatro. o choro e o grito em busca do desenho das emoções. o rosto e a ausência da dor. o reflexo de outra vida além da cor - o piano. novamente um rosto semelhante a outro. idêntico nos traços? talvez. há sempre um outro rosto igual ao nosso noutro lugar... porque nem só se vive uma vez... eleni é um cd de eleição na gaveta do meu atelier.}
29.2.08
Lauro António em Sarajevo
{...ligar a realidade dos factos à poesia- é o registo duma aula de literatura retirada do filme "Manhã Submersa", do cineasta Lauro António. é também assim que portugal está representado no Festival de Inverno de Sarajevo, durante dois dias. os seus filmes, o projecto CineEco e o documentário recentemente realizado no Alentejo para a exposição "Tiqqun". o universo pictórico captado através da objectiva da sua máquina de filmar. um convite à aproximidade da exaltação das cores e das formas... ao exercício dos pincéis- à pintura. o alentejo novamente e a "mística" cidade das tintas. da imagem em movimento ao fado... uma jornada portuguesa... é exactamente o que nos propõe Lauro António, e Frederico Corado em Sarajevo. talvez por isso e muito mais... desejo-lhes, os maiores sucessos!...}
http://lauroantonioapresenta.blogspot.com/
27.2.08
[...A Geometria das Emoções...]
{... é no universo do mundo sem palavras que outro mistério acontece. há poesia viva em realidades assim. dar cor. apagar. riscar de novo outro traço. descobrir o fim. recomeçar. a voluntária entrega ao silêncio para captar novas realidades. observar o vazio e o cheio, a luz e a sombra. dor suspensa ou adiada... sentir. escutar. dar cor. sempre a cor... sem tempo. à procura que algo aconteça longe dos factos. o traço seguido de outro traço. novos registos esboçados pelo lápis. o contraste e a incontornável divergência das cores. a forma. a ausência das formas e o todo. suprimir o lógico. novamente a cor. sempre a cor. na continuidade do tempo surge a tela. novamente outra superfície branca. sempre assim, dia e noite, na incansável procura da geometria das emoções.}
23.2.08
[...não. não sou poeta...]
21.2.08
[...I'm So-So...]
{...se fosse fácil controlar o destino, a vida seria sempre repensada doutro modo. sem o acaso das coisas que a vida tem, tudo seria monótono e o destino deixaria de fazer sentido. se calhar, nem o destino existe, nem tão pouco o acaso sempre acontece. talvez o destino seja como um pêndulo em eterno movimento que de tempos a tempos, nos projecta para uma outra dimensão. há ainda quem fique sentado no vazio dos dias e deixe a vida passar... como será viver sentado no acaso das coisas? há também quem viva assim. por sorte ou por azar, nada na vida é linear... se fosse fácil retirar à dor todas as suas lágrimas, os sentimentos seriam desnecessários. é o que mais me fascina em Krzysztof Kieslowski. das lágrimas ausentes ás cores que inundam a grande tela, e das teias do destino ao silêncio da dor - a vida é um imparável caminho cheio de mistérios. se pudemos retirar à dor todas as suas lágrimas... não sei. mas é certamente para alguns o seu destino. afinal... tudo é possível enquanto a vida acontece.}
18.2.08
[...Pakistan - la musique des Qawal...]
{...não sei porque há ainda tantos jardins na terra, de flores roubadas, privadas, pisadas e ausentes de cor?... a Paz pode ser cantada, escrita, desenhada, dançada ou escutada para que o encontro com o divino aconteça! há também momentos de meditação assim... e como é grande essa viagem! Sem poemas cantados o Universo seria mais pobre. talvez, porque tudo aquilo que nos completa é exactamente, no seu todo, o modo como se canta a vida. em silêncio ou em plena exaltação mistica... a viagem também assim se faz... ao encontro da Luz Divina!}
13.2.08
Al otro lado del rio
{... não há rio de águas paradas nem barcos sem remos. já não há margens desembarcadas nem piratas ao leme. já todo o mar foi povoado e as estrelas ainda mergulham nele. só quando a madeira da barca se quebra... é que o rio vira deserto. já nem barcas, nem rio, nem águas fervem neste mundo desbotado de azul. pode haver céu sem árvores, mas terra sem passáros - não! rio abaixo, rio acima... há ainda tantas margens e tantas ondas no mar para atravessar.}
11.2.08
[... Hora Tardia...]
{... de mapa na mão procuro um abrigo atrás dos montes. sabes, aqui nesta planície o céu tem sempre estrelas, e das poucas casas que nela existem, de todas elas, se avista o horizonte. ontem, a caminho de lisboa o céu foi perdendo a sua amplitude... aqui nesta colina ao pé da estrela, só a basilica deste bairro está mais perto dele. sabes, ando à procura de novas catedrais em hora tardia! de mapa na mão encontrei uma nova aldeia... é sempre bom chegar a novos lugares! atrás dos montes... há catedrais imaginadas e missas por rezar. há invernos rigorosos e segredos por desvendar. há em todas as aldeias, vidas vividas sempre no mesmo lugar. de mapa na mão... em hora tardia... abri este piano à procura de novas catedrais. sabes, há aldeias que também se ouvem, muito antes de alguém as habitar.}
6.2.08
[...juan ramón jiménez...]
{... crer no destino. fazer o destino. aceitar o destino. estava pré-destinado. há destinos assim. tudo cabe e acontece no destino de qualquer um. basta que o deixemos acontecer. acontece que há quem fique à espera é há também quem não saiba esperar que assim aconteça. sem destino, apenas do vazio se veste quem não acontece. tudo tem destino. repartida esta certeza em múltiplas partes então o destino também se faz acontecer. dúvidas?... quem não as têm?!... é isso que é mais fascinante no destino. entre fazer, aceitar e acontecer tudo está sempre em aberto. é assim que no vazio dos dias se celebra o destino. crer no destino é aceitar que nunca nada acaba sem acontecer. }
1.2.08
30.1.08
[...à conquista da Byblos...]
www.byblos.pt
17.1.08
[...O caminho Desertor ...]
{...há em todo o caminho do Sentir a representação dos estados da Alma. há quem faça um acordo consigo próprio a ser o perfeito estado do Tempo em que acontece a representação do Sentir. Há quem saiba percorrer este caminho e quem nem saiba tão pouco que caminho é esse. será que pouco importa saber ao certo o que nos leva aqui? à vida, é claro! há quem viva e quem deixe a vida passar em conquistas surdas da afirmação banal da sua existência. também há de tudo e de tudo sobrevive a sua grande maioria. há tanta gente a povoar o Mundo que nem todos sabem donde o Mundo vem. o que seria dos aflitos em seu DEUS que tanto às tantas a humanidade sempre procura? cores essas gritantes, teceladas em pano branco de palavras escritas em poemas deixados ao desalento... ou em telas plenas de virtudes que por si próprias, dão cor à vida dos que à muito deixaram de Ser. Há todo um caminho a percorrer entre o Sentir e o Existir na grande representação da Alma que a todos nos traz aqui à Vida. e trazer é fazer sempre acontecer... uma, duas ou mais vezes que seja existir!...}
15.1.08
Les Poèmes de Tiqqun
10.1.08
[... O Mapa da Sorte...]
{... no laboratório da grande vida há mapas que certamente nos conduzem à sorte. e é em todo o seu mistério que percorremos o labirinto dos nossos dias sem que nunca saibamos ao certo onde a procurar. tudo acontece em breves segundos... tudo! a sorte faz parte do grande segredo da vida. e é exactamente por isso que as vidas divergem entre tão diversos labirintos a percorrer. se pudessemos aceder ao mapa que nos leva até esse lugar... como seria o grande laboratório da vida? hoje, aberto um novo mapa, descanso na dúvida presente... no laboratório da grande vida há mapas que certamente nos conduzem à sorte!...}
8.1.08
[... assim se rodopia...]
2.1.08
29.12.07
[...Apetece partir...]
17.12.07
[... no seu todo...]
{... tudo se aproximará um dia no seu todo do eterno vazio. nem sei se existe o vazio, nem o todo de tudo que nos aproxime definitivamente a ele mesmo. ninguém se aproxima do que não sabe ou desconhece... mas, tudo nos aproxima do eterno e desconhecido pano do fim. ainda bem que essa certeza existe. o que seria de nós sem um determinado fim?... seria talvez, aborrecidamente sempre aqui. é aqui que o todo se revela, em tudo o que tem forma e cor, no grande pano branco da vida. se a brancura nos cega, também ela nos anima para que todo e qualquer pano... se torne cheio de cor! não há formas que não contrastem todas elas, as emoções da alma. há almas descrentes e até mais ausentes que outras. assim se tece o pano branco de cada um. mas... tudo nos aproxima por fim - no seu todo -, de tudo o que esperamos alcançar ou ver. são tantas as emoções reveladas no correr deste pano que não sei quantos metros ele tem!... mas sei que todo ele é debruado de cores distintas e diversas. na grande brancura da vida, tudo pode ser pausadamente preenchido de cor. que tombe o silêncio e o pano desfaleça; mas vida... a vida é sempre - no seu todo - cumprida ao modo de cada um. no seu todo... tudo é necessáriamente desconhecido até ao fim!...}
16.12.07
4.12.07
[... onde vais sem pressa?...]
http://mp3.co.uk/MP3/SF293553-01-01-03.mp3
{... onde vais sem pressa? tu que vens e vais sem que nunca ninguém te veja? sei que existes e que tens sempre pressa de fazer chegar tantos outros a esse lugar. há quem te chame e quem nunca te reclame. há ainda quem nem nunca possa regatiar toda essa pressa tua!... e se não houver um novo lugar? quem sempre contigo parte vai já de saída sem pressa de lá chegar. há tanta gente que chega e outra tanta que se vai... por vezes, parece que sentados estamos numa grande sala de um aeroporto qualquer, como quem aguarda tranquilamente a sua vez . e se um dia a rotação da Terra parar? e se tudo parar por fim?!... que se dane a pressa que te anima e toda essa tua correria. onde vais sem pressa? quem és tu que vens e vais sem que nunca ninguém te veja?!... que a pressa te aclame e te canse. sabes... nem sempre tenho pressa de saber quem és tu realmente, nem como será teu rosto. hoje, apenas hoje te pergunto... porque sei que ainda não é hoje que sentes pressa... em chegar ao lugar onde me encontro.}
27.11.07
[...Não Há Sombras Sem Luz...]
http://www.astronomy2009.org/
14.11.07
[... Povoado Universo...]
{... há em todo o vazio que povoa o Universo, a constante procura, para se encontrar em vida - a explicação do fim. há em todo o Universo muito mais do que todo este vazio povoado. há até ainda, quem nem o possa povoar em todo o seu próprio tempo. na vasta escuridão do Universo, toda a matéria organica reflecte energia. dessa Luz, e das suas matérias mais diversas... há sobreposições de cores saturadas ou ausentes em todas as formas que completam o objecto reflectido no espaço. nem sei se há espaço neste tempo para povoar o actual Universo. neste espaço inteirado no tempo, tudo é há muito diferenciadamente povoado. já não há alçados no património em todo este vazio, onde se possa colocar a sinalectica da vida. será que já não há vida para acontecer nesta constante procura?!... se o fim devolve ao vazio um novo inicio... então, todo este Universo é diversamente povoado nos seus mais diferentes ciclos de Luz.}
8.11.07
[um dia o céu chorou!]
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF266200-01-03-03.mp3 {...não há nada melhor do que estar agasalhado em telhados de água. rios de sorrisos caem do céu. são gargalhadas de poesia. não há céu sem versos, nem telhas vazias de gente. Um dia, vi nesta estrada um cigano. filho declamante dum povo errante. chorava. há tantas mais estradas a caminhar... do que lágrimas a chorar. há quem leia palavras sábias na mão dum cigano. sabes?... hoje, vi uma estrela a cair no céu! não vi cigano por perto, nem nenhum gato, em telhados neste vasto casario de lisboa. deste telhado, aqui donde estou, vejo o tejo e a basílica da estrela. estão tão perto deste terraço, como o céu quando se aninha na grande planicie do alentejo. hoje, vi uma estrela desaparecida no alto dos céus. hoje, não vi lágrimas no rosto desta gente que circula, em rua nenhuma da mesma cidade. hoje, apenas hoje, todos os telhados de água sorriem em gargalhadas de azul. é tempo de chuva ou tempo de coisa nenhuma. já não há lágrimas cantadas na voz daquele cigano. mas, há tantas cores agasalhadas no teu e meu sorriso que só nós os dois as sabemos cantar. hoje, no telhado azul do céu... contei quantas estradas o mundo tem. todas as estrelas?... sim! todas as lágrimas que um verso tem. sabes... só se pisa uma lágrima de cada vez!...}
5.11.07
4.11.07
Tiqqun in lisbon
3.11.07
[...há no tempo instantes assim...]
{... há no tempo instantes assim. repousar no registo no tempo é desfragmentar todos os sentimentos que nos povoam. ficar sentado no vazio do tempo é ampliar o relógio da vida... não pensar é isso mesmo! é entregar o nosso tempo ao vazio dos dias. há quem o faça por teimosia ou por inércia. há mesmo quem pense que nunca teve momentos assim. deixar de pensar, e parar todos os instantes que completam o ciclo do nosso tempo, é habitar em outro lugar. o mundo está repleto de territórios ainda despovoados. sempre que alguém se entrega a instantes assim... uma nova aldeia nasce na grande terra do pensamento. é talvez por isso que em cada um de nós... muitos territórios estão ainda por conquistar. se assim não fosse... o mundo se esgotaria de imediato e tudo não passaria de uma ilusão. sentarmo-nos então em nós próprios... é ter tempo para conquistar novos territórios no grande e infindável Mundo que reside no pensamento de cada um.}
24.10.07
[...Janelas de Cor...]
27.9.07
[...Os caminhos de Tikkun...]
24.9.07
[...e agora?...]
17.9.07
[...A Nova Cidade das Tintas...]
4.9.07
[...Só se Nada te Disser...]
{.... só se nada te disser, de tanto olhares o que vês, olha para o lado. apenas se nada te disser por tanto olhares todas as coisas que povam o Mundo. olhar, é mais do que observar o que há realmente em todos os tempos de todas as coisas que se sobrepõem ao nosso próprio tempo. eu olho e vejo... o tempo. tudo passa. o relógio teima não ser esse o meu tempo, onde daqui sentada posso ficar pausadamente a ver todo o mundo a passar. não existem relógios! também nem existe "o tempo" neste mesmo tempo, onde tudo já nem passa devagar. só se nada te disser de tanto sentires o que vês, olha para o lado e apenas observa o que ouves. escutar, não é mais do que olhar com o coração de quem vê para além do tempo - a luz procurada. saber ter tempo para observar ... é dar ao tempo, todo o tempo do Mundo para escutar os outros. tudo o que neste tempo se diz, não sei se faz sentido. sei que se pudesse, ficaria sentada até o tempo me levar até essa luz que nos conduz, ao paraíso do bom Deus. sem espiritualidade todas as coisas que observamos deixam de ter sentido. apenas se nada te disser... olha para o lado de todas as coisas que povoam este Tempo...então diz:
- só se nada fizer sentido, ficarei sentado em Mim.}
23.8.07
[...A Cor da Solidão...]
{se a solidão tivesse cor... hoje revia memórias assim. apagaria da memória o local onde estive e voltaria a pintar tudo de novo. só se a sodidão tivesse cor! se a solidão tem cor?... não sei. não há essa cor na paleta do pintor! mas, conheço bem esse pigmento porque o pinto em mim. só se a solidão tivesse cor nasceriam memórias assim. tenho saudades sabes?... tenho saudades dessa cor... que nos agasalha e conforta sem tréguas ou mágoas. tenho saudades do Alentejo! há em toda a saudade uma solidão encontrada. só se a solidão não tivesse cor é que eu apagaria da memória todos os sentimentos que pinto em mim. tenho saudades porque as vejo aqui ao meu lado e tão perto de mim a todas elas - as telas feitas de algodão e casquinha -, dilatadas pelo frio e calor do Alentejo. apenas isso. são saudades daquela solidão habitada pela cor. agora dormem elas e fico eu disperta para que não fujam de medo. medo do dia em que terão de acordar e despertar de novo, para me agalhasarem de esperança. se a solidão não tivesse cor, elas não estariam aqui tão perto de mim. se eu pudesse hoje partir, rumo a novas memórias, deixava a cidade das tintas aqui neste céu de lisboa abeirada do tejo e partiria de novo!... não sei onde vou construír a minha próxima cidade das tintas. não sei!... mas aqui, sentada eu... olhando para todas estas telas, há já cores que gritam novas memórias. são saudades do futuro. há em toda a solidão sentimentos assim!...}
20.8.07
[...a paredes meias...]
{... a paredes meias foi onde estive no dia de aniversário de lauro antónio. há em LA imagens, viagens, diálogos, ideias... longe daki. daki é aquela cidade para onde todos desejam partir quando cansados de viver aqui estão. não, não me refiro aos Céus... nem aos anjos, nem tão pouco aos arcanjos que habitam mil noites sem fim. daki, fica em outro continente. há manhãs submersas de espanto e esperança para os que vivem em daki. agora aqui, neste continente onde se encalha por prazer, há apenas horizontes pintados de verdes invejas em todos os sorrisos orfãos de si. estranho sentimento esse... que morde grande parte dos habitantes que aqui vivem... em terras de Portugal. mas, foi em casa de lauro antónio que vi pela primeira vez imagens da sua viagem à minha cidade das tintas. foi de lá também que veio comigo seu filme "manhã submersa". há neste homem imagens que acontecem... gente sem peneiras... e cenários vivos retirados de quadros jamais aqui pintados!... há em LA, os meus sinceros agradecimentos, por tudo o que fez e por tudo o que está ainda por fazer. e quando o tema "Deus" o visita e o convida, a captar essa Luz... lauro antónio capta a dúvida, os homens e a ele mesmo... com sublime sucesso. só aos humildes lhes é dado semelhantes abrigos assim. é talvez por isso que nada acontece por acaso. e quando o acaso acontece... e a luz não se entristece no ecran da nossa vida... acendem-se velas no mais alto altar do mundo e simplesmente se agradece. da manhã submersa ao alentejo, a Deus e a tudo o resto... obrigado Lauro António!... }
14.8.07
[... Mudos de Cor...]
{... agora, depois das tintas... a cidade é outra! apagada a luz, ficamos em silêncio mudos de cor. agora, resta estar sentada no tempo... apagam-se as luzes para que a cor não se gaste. encostam-se os quadros à parede, todos juntos uns aos outros, pelos alçados desta casa. recolhidos os pinceis, aguardam as cores e esperam os quadros que o inverno de novo nos leve para outro lugar. aguardar até ao dia da exposição... é ficar entre o vazio das paredes e a ausência de luz, sentados ambos no banco do tempo - eu e os quadros! silênciar a cor... é cortar a luz ao tempo. há também tempos assim! sem luz, todo o pigmento é ausente de cor. é como se todos estes quadros, agora empacotados, nunca tivessem existido. silenciosos e mudos de cor aguardamos outubro de 2007, só porque em 2005 foi projectada esta data para a nova exposição. falta pouco ... mas eles e eu já estamos prontos! e há ainda quem não tenha tempo para se sentar no silêncio de cada cor. os museus são exactamente isso... são pequenas parcelas construídas no tempo para que a cor se espreite no seu mais povoado silêncio. é por isso que o Mundo é o grande museu vivo. não há maior silêncio povoado que o nosso pensamento! pensar a cor... é percorrer todos os alçados daquela cidade que nos falta ainda descobrir. a pintura é exactamente isso!...e agora?!... agora, depois das tintas a cidade é outra!}
8.8.07
Frederico Corado
{... frederico corado é um personagem discreto de olhar inquieto. atento e em silêncio percorreu as linhas e formas, onde a cor ganhou vida nesta Cidade das Tintas durante 7 meses. aqui cada Tela é um degrau. são 30 degraus preenchidos de cores e formas, os vários caminhos que cada Tela nos levará, em Outubro, à Libertação do Pecado. se há pecados na cor... não sei! mas há cores pecadoras e outras tantas desejando a sua libertação. tudo se liberta na Tela: as ideias, as formas, os conteúdos, os sentimentos, a vida e até a morte nela se guardam por vezes em opostas cambiantes da cor. há quem as olhe sem nunca revelar a razão que levará a olhar mais tempo para um único e determinado detalhe. nunca se sabe ao certo porque os olhos se prendem em determinadas formas e cores que uma só Tela tem. há ainda, também, quem nem lhes dê cor ou não as queira para si, como o lugar objecto de vida. é talvez por isso que há vidas desiguais! é ainda por isso que as imagens são para alguns dos demais, a sua única forma de vida. trabalhar a imagem e dar-lhe movimento... é o universo inquieto, onde se regista não só o que se vê, mas sim... tudo aquilo que no outro se observou.}
27.7.07
[...Caminho Pra Cordoba...]
{... foi na Cidade das Tintas que montei o laboratório das Cores, Imagens e Sons para a nova mostra artística. A Cidade das Tintas é um lugar misterioso onde a criatividade flui... em todas as suas vertentes culturais. este lugar faz lembrar o atrio dum Aeroporto onde se cruzam artistas em plena elaboração da linguagem dos sentidos. é através da Obra que compõem... que se cruzam apressadamente. talvez porque aqui neste laboratório artístico, todos temos pressa em concluir, à data préviamente agendada, os conteudos que a todos nós, nos faz chegar até aqui para logo regressar ao lugar ou lugares, onde o nosso trabalho passa a ser públicamente revelado. um dia... na nave onde as novas Obras foram ganhando Cor e Forma, dei de caras com um observador atento que se passeava nos extensos corredores da nave, como que já estivesse ele mesmo, no espaço expositivo, onde toda esta a Obra irá estar patente. se as coisas acontecem por acaso?... não sei! se eu pudesse dizer que foi o primeiro visitante da exposição... mentiria decerto. quem és tu? disse-lhe eu no meio da azáfama das filmagens.
- Sou o Mucio... e gosto do que vejo! respondeu-me ele enquanto escrevia os seus contactos no verso de um papel para que também eu conheça o que faz e porque foi até à misteriosa Cidade das Tintas. aqui... nesta Cidade, todos os habitantes vão sempre rumo até uma outra Cidade.
o Mucio Caminha Pra Cordoba!... eu Caminho Pra Lisboa para agendar uma outra cidade. }
18.7.07
[...Lauriando no Alentejo...]
http://detesto-sopa.blogspot.com
{... ?... Lauriando no alentejo... foi exactamente o que a família Lauro António andou a filmar.
porque as imagens falam por si... e o alentejo também. porque existem tantos artistas a habitar o alentejo? não sei.... ou melhor, parece que descobri o que nos motiva - silêncio! a Cor é motivada pelos cheiros e a aridez do horizonte teima dependurar tudo aquilo que nos falta ainda criar. no silêncio tudo fica mais perto do momento tão desejado - Criar. desta imensidão de azul todas as cores nos transformam e nos acordam de todo e qualquer sono urbano.
alentejanamente pensando... tudo é perto da Cidade das Tintas!...
Lauriano no alentejo?... ouvi dizer que sim!...}
3.7.07
[... o véu do pecado...]
{... há em todos os pecados, remorsos guardados. há ainda pecadores e pecados ausentes da sua libertação. libertar um pecado, não é mais que enviar um recado ao Deus Redentor. se encontramos recados guardados em pecados exilados... resta apenas o vazio. há pessoas em que o pecado não reside. há residências de pecadores e juizes de sofredores. mas... nada disto é como nas Cores. todos os tons têm as suas cabiantes... na Tela do Pintor que deixa de ser branca. tal como o pecado, de branco veio e de negro se pintou. é assim a Pintura. há pecados guardados e segredos por revelar. há tantas cores a inventar... que de Cor nascemos e pintados dela morremos. mas... o pecado não é morte...é Sorte! há em todos os pecados a verdade temporal do Ser. se um dia estiveres com reclusos e escutares seus pecados, verás quanto difícil é desenhar seu perdão. há também o perdão perdoado. afinal, é exactamente isso que esperamos alcançar um dia. do pecado ao perdão são degraus em degraus... que passam entre os que partem e os que vão. saber perdoar é sobrevoar o véu pecador. se eu pudesse sobrevoar meu próprio véu, há muito que voaria algures no tão desejado céu. o Céu, não é mais... que o maior pecado que cada Tela têm com o seu Pintor.}
24.6.07
[...Esboços Pecados em Lápis Guardados]
11.6.07
[...A Linha da Mão..]
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF213965-01-01-08.mp3
{... não há linha da mão que seja razão. não há ainda Paris e Miles Davis. Nem as pessoas especiais que conhecemos. nem... especialmente pessoas de nome _ Tu! há sim, tantas outras pessoas que conhecemos.!... tantas pessoas que iguais a outras são razão. E porque não?... recordo ainda tantas outras coisas - as coisas da Cor. Sempre as Cores!... Sem Cor não se vive, e sem os sentidos como poderemos fechar a Luz que nos anima?... Se um dia, a Luz do dia se fechar em Si... Que fazer?... Olhar para a mão? Qual?... Olhar o amanhã é querer vencer. sonhar ou criar. é isso! olhar a mão e seguir o sonho. qual o sonho?... O que teimamos vencer!... Sonhar é isso. tal como a Linha da Mão. não deixar os Sonhos para trás é teimar com o relógio da Vida. são milhas e milhas de sonho em Ser. Ser, é ter tempo do nosso tempo a perder! realizar a equação perfeita das milhas de linhas de mão para a felicidade... é ter tempo para Ser feliz... é, ter tempo para realizar todo o tempo do Mundo no Mundo do Querer. A felicidade reside assim. de mão cheia para ouvir... o grito de quem sofre. se por vezes não o ouvimos... é porque estamos longe de quem da elegência do Ser... já não sofre! não sofrer é querer não Ser. Ser, é descrever o que povoa a Alma... a linha da mão, apenas descreve a teimosia de quem a tem. deve ser exactamente por isso que todas as linhas da mão... teimam "Ser" tudo aquilo que queremos vencer - o tempo!... Apenas o tempo, do tempo que nos resta olhar todas as linhas que se descrevem na mão, são o próprio tempo de Ser que nos resta vencer a teimosia de viver.}
30.5.07
[...guerreiros da cor...]
http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF230211-01-01-09.mp3{... há neles a ousadia do esboço sonhado. há sempre neles... aquela força divina de correr atrás do sonho a realizar. há tanta mestria quando repousados estão, que por vezes, na ausência da gestualidade trocam traços escondidos em segredos por revelar. há neles cores feitas, juízos perfeitos e orações por rezar. há neles desejos tamanhos e desenhos por animar... há neles, a euforia do vazio e o esvaziamento da sua própria alma, porque não têm corpo, de tanto corpo desenhar. há neles... o pecado de não pecar. há neles, uma saudade imensa em voltar a ter alma e corpo para além da tela branca que lá deixei por acabar. há neles, o respeito da minha ausência e ansiedade de recomeçar a dar cor àquele lugar. há neles... guerreiros da cor, esperanças vividas e noites mal dormidas. há neles, sangue de mil cores e muitas mais por definir. há segredos recatados e paixões secretas por desenhar. há sentimentos esperados e aninhados no vazio de cada olhar. há neles guerra em cor, e cores de guerra infindáveis de pintar... sem eles não há paixão, alma, corpo, sonho, euforia, juízo, pecado, oração, esperança, sentimento, ansiedade, guerra, vazio... saudade da vida que falta ainda realizar. sem os guerreiros da cor, todas as telas são brancas gélidas ainda ausentes de tanto sonhar.}
25.5.07
[... Soldados do Silêncio...)
{... há nos templos habitados por soldados do silêncio, um grande segredo: a Paz interior!... há soldados do Bem e do Mal. há soldados pagos para causar gastos na humanidade. há também soldados que se oferecem à humanidade para fomentar a Paz. estes, os soldados do silêncio, são nobres almas despidas da vulgaridade dos dias. é neles que habita o grande segredo da vida. são na generalidade, seres humanos oferecidos a um Deus por vocação. atentos ás coisas simples que povoam o Universo, entregam eles suas vidas à oração. e vivem tal como nós, dia após dia, até que a senhora morte aproxime por fim, seu colo. há pessoas boas... sabias? há em todo Mundo pessoas desiguais que apenas se dividem em duas equações. desiguais, são as oportunidades que a vida nos dá, porque nem sempre nela encontramos pessoas tão especiais. é nos templos que eles habitam. quase diria por fim que para se ter acesso a tais nobres pessoas, temos que com eles e como eles, mergulhar no seu mais profundo silêncio. eu mergulho temporáriamente no silêncio dos dias. eu... por vezes, construo templos imaginários devotos ao silêncio, talvez porque desejo recatar o Guardião da minha Fé, em paredes erguidas num sagrado castelório. sem estes castelos, seria impossível viver na uniformidade do silêncio dos dias, porque cada vez mais, o Mundo, carece de ser povoado por soldados da paz. Há na arte tudo isto... e muito mais silêncio procurado! afinal, quem não procura o silêncio dos dias?!...}
23.5.07
[... a força da cor...]
{... sem mar... apesar de sem mar, viver para além do tejo, há o saudoso sal, trazido até mim pela força da cor: o vento!... se a saudade tem cor? não sei. mas... há saudades cheias de cor. se a cor nos traz saudade pela subjectividade da cor... então, temos cores em todos os sentimentos presentes e ausentes. por vezes, há momentos de saudade ausente, na planície alentejana. falta-lhe o mar!... na cidade das tintas, o mar foi pintado numa grande tela imaginária. se não fosse o vento que corre todo o planeta lado a lado sem parar... como coloria eu, toda esta enorme saudade, em ver aqui o mar? se não fosse a força da cor, como se calmaria toda esta melancolia? basta pintar. se não tiveres o mar perto de ti, desenha-o e dá-lhe cor! é para isso que as tintas servem. dão cor a tudo o que sempre está ausente. já o vento, sem cor aparente, quando se ausenta donde estamos, se asfixiam as cores de saudade duma áfrica desconhecida. há no alentejo gentes que trabalharam no norte de áfrica. muita gente quando sente o vento, aqui neste deserto, pinta-o de amarelo e branco. há ainda quem o pinte de azul e de verde porque o mar tem essas cores na consciência de cada um. ora, se o pintares de magenta, também serve, desde que a força da cor consiga sombriar com ela, toda essa saudade. há saudades assim!... há saudades pintadas em telas ausentes largadas ao vento daqui, ou de qualquer outro lugar.até agosto, sem mar presente, apronto as telas para regressar por fim até lisboa.}
20.5.07
[...no acaso dos dias...]
{... o amigo dos meus amigos, que meu amigo também é, não gosta nada de chopin!... ás tantas, e entre as horas diferentes dos restantes relógios destes habitantes... houve-se chopin. nesta terra, tudo o que se houve é meramente selecionado pelos acordes de um só Ser. juntos estamos, todos os dias, lado a lado na nave que alberga o atelier. eu e ele - ou melhor dizendo- o chopin!
é a primeira criatura viva que encontro nesta cidade. ainda bem, pois existem outras menos agradáveis com a sua própria vida: as aranhas por exemplo que trabalham dia e noite nas suas teias, ou mesmo as melgas que esfomeadas do sangue que não conseguem achar... sobrevoam o imenso charco desta cidade. o chopin pela madrugada dá sinal de si e manifesta a sua tendência musical. sempre que ouve chopin... bate nas paredes meias que nos separam e aguarda por novo som. eis o porquê do seu nome! todos nós temos um nome que não é por acaso. nada é por acaso talvez... para que nunca o acaso seja designado como uma única e pura coicidência. talvez seja por isso que o acaso nos prega constantemente inúmeras supresas. as cores, por exemplo, nunca são constantes. há tantas cambiantes na natureza dos pigmentos... que a procura duma determinada cor nunca acontece isolada do fenómeno - acaso. é como na música, exactamente quando a selecionamos naquele determinado momento. nunca se tira um CD por acaso para se ouvir, nem nunca se chama alguém vivamente pelo seu nome no acaso dos nossos dias.}

