25.6.08

Ser Cidade Das Tintas

{... Ser: na cidade das tintas é saber conviver com todas as emoções. nesta grande cidade a insegurança que habita em alguns Seres, deixa logo de existir. não há ciúme nem inveja que seja retratada ou presente nos habitantes da cidade das tintas. porque... a insegurança é resultado das imperfeições que cada corpo ou mente possui no grande espaço da vida. aqui... todos os defeitos são retocados, pintados, apagados, sombreados, aperfeiçoados até ao limite da imaginação de cada um. como se define o pigmento para o ciúme?... difícil questão esta que no exercício da cor, somos todos nós, remetidos para o universo dos rostos conhecidos que assim animados são. se a imperfeição dos rostos não fosse proporcional ao ciúme: todas as tensões emocionais seriam pintadas no mesmo tom! é por isso que todos somos diferentes. na cidade das tintas não há seres mesquinhos, inseguros ou imperfeitos. nela habita sempre o que de melhor há na vida: a confiança dos gestos e a selecção expontânea de cada tom. os pincéis e as tintas são apenas o espelho da Alma, e como cada um livremente se expõe. se todos os Seres, pudessem corrigir em vida todas as suas imperfeições: o céu rebatia na terra e, todas as cidades estariam nas tintas, para o que nos afasta nesta vida, de alcançarmos a paz. e porque há quem sempre viva verde de ciúmes nesta vida, hoje os novos pincéis chegaram todos eles pintados de verde! }

21.6.08

[ Corações Dependurados ]

{... há nas ruas percorridas da emoção quem dependure o coração em janelas abertas para o céu. refrescadas as turbulências do sentir... ar puro faz-nos sempre bem! é também assim nas grandes cidades. o grande edifício humano enche-se de cor nos dias quentes do verão. aproxima-se a calmaria das férias em areias perto do mar: portugal vai a banhos!
refrescam-se as ideias e as emoções do euro 2008. afinal, nem tudo é o que pensamos realmente ver. é exactamente no patamar da subjectividade que o improvisto sempre acontece. agora... na agenda das grandes cidades, é tempo de se projectar renovadas sombras, no asfalto dos novos dias.
refrescadas as turbulências do sentir... o ar puro faz-nos sempre bem! }

18.6.08

[... Ser Texto / Être Texte...]

{... ser texto / être -texte, não é tarefa fácil. para que servem as palavras se nem sempre, todas elas são ouvidas? para que servem as palavras, se nem por elas somos escritos? para que serve escrever, se não formos texto? aparentemente todas as palavras são iguais. nessa complexa forma de ser... só os textos diferem. há em cada Ser, infindáveis composições de múltiplos textos. mas só alguns, sabem como desenhar a caligrafia do sentir. é isso que Lima sabe fazer! o mesmo Lima que conheci na redação de uma revista de arte. cruzados os nossos caminhos... a arte volta a juntar de novo, nossos nomes nas prateleiras, onde ser texto acontece. há mais être - texte em Luís Lima... para ler e ouvir, aqui em: http://www.luislima.tk/ }



boomp3.com

16.6.08

Vieira da Silva

{... maria. maria vieira da silva. a pintora que portugal não quis. que nada ligou... e que ainda nada liga: à cultura é claro! o nada não muda e tudo é hoje igual ao seu tempo. nada! que aconteça o nada. a cultura deste país transformou-se num círculo de inércia: a bola! nela, o nada anda às rodas faz tempo. novamente o nada até que outros nos olhem. o vazio. só que o nada não pode vir do nada... por isso, há que em mais nada, nada lhes ligar. às palavras do círculo! às palavras que completam os ideais da cultura. se não fossem os ateliers... levarem-nos a viajar pelo tempo e pela terra, tudo isto seria redondamente feliz. como é bom partir! "é urgente partir" - disse maria. "coisa triste nascer num país que não nos quer. o melhor será partir!" - disse mais ainda -, vieira da silva. assim fez, mudando o seu atelier vezes sem conta.
se não fossem as planícies e as nossas serras, caminhos abertos para o céu e para o mar... também eu maria, partiria desde logo, pela porta que nos leva à cor e às formas, para colorir todo o vazio e o nada, desta inércia que se instalou faz tempo em portugal. aqui, tudo é redondamente feliz assim. só os ateliers é que nunca ficam parados no tempo.}

13.6.08

[ Deus e Pessoa ]

{... Deus
Às vezes sou o Deus que trago em mim
E então eu sou o Deus e o crente e a prece
E a imagem de marfim
Em que esse deus se esquece.

Às vezes não sou mais do que um ateu
Desse deus meu que eu sou quando me exalto.
Olho em mim todo um céu
E é um mero oco céu alto. Fernando Pessoa...}

11.6.08

[ PR ou GR: A Serra! ]

{... já na serra, de frente para uma das paredes das poucas ruas da minha nova aldeia: eis a sinalética dos novos caminhos! no meio deste deserto, não sei quantos transeuntes verei passar na calmaria dos dias, à procura destes assinalados percursos. como é alta a serra desta aldeia que se ergue toda ela para o céu, em mil pedras de todos os tamanhos. ontem, as nuvens desenhavam sombras, no dorso das suas acentuosas nervuras esculpidas sabe-se lá por quem. aqui, mais perto do céu, o azul é mais claro. a luz é muito forte e por vezes, entre as pedras brancas e as nuvens que se lhe abeiram, ficamos sem ver o azul que o céu tem. tudo é branco ainda sem a neve que se aproximará por fim! a pedra que há por todo o lado, esculpe formas volumétricas de seres perdidos no tempo. são tantos os vultos que se advinham dela... que ficamos sem saber se esta gente agora estática no tempo, se animara um dia na escalada da serra. são tantos os caminhos que nos levam ao seu cimo, para que mais perto do céu, sempre dela se aviste a terra. nesta aldeia há uma igreja, um fontanário e uma carreira que passa a horas incertas. há memórias tão antigas e casas perdidas nestas pedras aparadas pelo vento. no sotão que abarcará o novo tempo de cores, são projectadas as medidas exactadas para que tudo dê certo. será talvez... este o lugar perfeito para se concluír o novo ciclo. será talvez... e ainda longe do inverno... tempo para escalar até onde o azul do céu é mais claro, e a terra ainda dela se avista cheia de luz. PR ou GR?!... amanhã talvez !... }

8.6.08

[ No grande bairro dos riscos. ]

[ o chiado é visita obrigatória quando lisboa toma lugar no tempo. não sei o que faria sem o chiado! ali... onde o eléctrico 28 risca o chão da capital há esplanadas repletas de gente. após a visita "visitada", aos lugares que aqui me trazem, a fnac está sempre na rota da saudade desta minha cidade. na supresa das pessoas que nela se encontra, há também prateleiras assim. ao lado de andy warlod... virado para a grande sala, dei de caras com o livro que regista a minha estada no alentejo. olhar para ele é viajar no tempo. é recordar todas as cores que pintaram a planície do meu olhar. é voltar ao alentejo sem sair do chiado. só os habitantes da "cidade das tintas" têm todos os segredos das cores que nos levaram até aqui. reunidos os generais da nova batalha, o novo tecido está já de partida rumo à serra da minha nova aldeia. quais os seus segredos... ainda não sei! mas é nela - pequena aldeia perdida na serra- que a "cidade das tintas" se vai agora instalar. depois... que o novo livro se imprima para que eu volte sempre ao chiado! futurar a nova exposição é já ter saudade das novas cores que ainda não coloriram o novo lugar. afinal, não será a saudade sempre supreendemente nova, na melodia das emoções? as prateleiras sem livros coloridos é como o chiado sem o eléctrico 28. há nele, registos e memórias que o tempo nunca apaga, todos os riscos pintados por alguém. é assim que virados para a grande sala das artes queremos ficar. obrigado fnac... neste país que se esquece das muitas outras aldeias que portugal ainda tem!...]

2.6.08

[ A Caligrafia das Cores]

{... na caligrafia das cores, a tela dos sentimentos é o grande tecido das nossas novas memórias. há por isso e isoladamente em cada uma destas, infinitas combinações de novos tons. o pano da vida é uma misteriosa peça que se vai desenrolando, sem se saber ao certo, quantos metros de tempo cada peça tem. tingida a preceito, sobre ela, vamos escrevendo na caligrafia das emoções: o tempo. se eu soubesse, quanto tempo tem o meu próprio pano... de que cor, o pintaria hoje? tudo aqui é verde, e ainda não partimos deste lugar. sentir as cores... é pintar a vida de novo. na espiritualidade dos pigmentos cada cor produz um efeito diferente. hoje, há esperança neste verde que pintado de amarelo, se abre no branco que clareia o pano. todo o tecido branco que aqui nos chega, ganha sempre uma nova escrita. nunca nada fica por acontecer porque os sentimentos também se escrevem no dialecto das cores. concretamente, toda e qualquer escrita é sempre uma procura desejada. e tudo só acontece quando - nos seus mais diferentes significados-, surgem as percentagens concretas da cada cor. escolhidos os novos tons, não há pano nesta vida que não se preencha de novas cores. }

28.5.08

[ Portas de X cores ]

{... no trilho da vida há portas de X cores. podemos estar de entrada ou de saída no grande arco da vida, que só a pedra não é consumida pela pressa que o tempo tem. na fogueira acesa das ideias, as arcadas do pensamento ganham sempre novas cores. neste antigo convento, há ainda tons que nos levam às memórias de outros tempos. desbotadas as cores, a alvenaria resiste ao traço do escultor: a textura e o tacto. não é só o barro que se molda!... sabes, é que na memória das cores, todos os nossos sentidos são activados. nas nervuras da pedra, projecto sempre quando lhe toco, um sentimento de partida. há em todas as portas X e tantas outras cores... se eu pudesse trazer a frontaria do que vejo, para o atelier que desejo, instalava-me neste jardim. estando eu aqui, de entrada ou saída, a única porta que vejo, leva-me sempre até 2010! chegadas as novas telas, não há arco nesta vida que me faça parar. e só o tempo é que destina, quando estarei eu de saída, deste jardim desbotado pela ausência do mar. talvez por isso, o céu se põe tão azul nesta serra. nascidos à porta de x cores, são os quadros que já trago na memória, mas que o tempo nunca mais os faz aqui chegar. de partida ou de chegada, não há cor que não nasça de novo, sempre que à porta do tempo for dia de um novo ciclo por fim se iniciar.]

26.5.08

[ Nas Telhas do meu Sono ]

{... abertos os olhos para o Mundo, tudo pode ser diferente ao acordar. mas as telhas... as telhas do tecto do meu sono, estão sempre abertas para o céu. quando o Mundo disperta, antes da luz se ajeitar lá no alto, a noite sempre se faz dia, e por vezes todo ele, se pinta de branco. nas noites em que o sono é mais leve, o céu está sempre à espreita. o Mundo ainda é Mundo entre os olhos que se abrem e se fecham de novo. não há rua que eu percorra no meu sono, que não venha dar a esta janela. na mágica paleta, dependurada no tecto deste quarto, todo o acordar se transforma. que mais poderei eu desejar, se nesta vida penso a pintar? se eu pudesse, todas as telhas desta casa seriam transparentes, e só dela se avistaria azul... quer do Mar ou do Céu... mas azul que sempre haja! abertos os olhos para o Mundo, tudo pode ser diferente ao acordar. mas as telhas... as telhas do tecto do meu sono, estão sempre abertas para o céu! sabes, é que não há branco na terra que gele toda a àgua, nem sono que se perca, e não saiba sempre aqui voltar.}

25.5.08

[ O Olhar de Bernardo Lobo ]

{... bernardo saraiva lobo, que para os amigos se chama Nika, é um dos melhores fotógrafos portugueses. cada imagem que regista através da sua câmara, é prova dada do seu talento como artista. quem assim confirma, são as diversas pessoas que já retratou para livros, revistas, catálogos, brochuras, e campanhas de publicidade. as suas fotos realizadas para artistas, políticos, actores, empresários, desportistas ou personalidades públicas: falam por si. bernardo lobo estudou em Inglaterra e nos Estados Unidos da América. actualmente faz diversos registos na área do desporto Náutico, sem nunca deixar de lado as suas tão marcantes fotos personalizadas de rosto. de barco, helicópetro, em cima de elevadas gruas, no interior do seu estúdio, no mar ou na terra... o seu porfolio é invejável. são muitos os pintores que o escolhem para o difícil registo fotográfico das Obras que vão expor, e para o tão famoso retrato personalizado. há no seu registo a preto e branco, o domínio perfeito entre a luminosidade e contraste, as formas e as linhas que constituem cada rosto. vive em frente ao Mar, rodeado pelas cores fortes da praia. no interior do seu estúdio repousa o pano preto que serve de cenário para as fotos do artista. os contactos vêm no site que ainda está em construção... quanto ao artista: subscrevo todo o seu talento! ]

23.5.08

Ser Exposto

{... a cor é uma manta que agasalha o que vai por dentro de cada Ser exposto. coberta a Alma, tudo o resto transparece. Ser exposto, é procurar novas roupagens. todas as palavras se podem pintar de novas cores e todos os territórios do Mundo são cobertos de panos pintados. os simbolos! quando pensamos nos agasalhos territoriais de cada Povo, observamos que todas as bandeiras são coloridas por mais que uma cor. quem pensou antes de nós em suas cores? se eu pudesse escolher as cores da minha bandeira... mudaria os pigmentos. gosto mais de azul, e o vermelho fica-lhe bem. e se um dia... todas as bandeiras renovarem a sua imagem? os símbolos são como os logotipos, e a Europa pintou-se de azul também! quando olhamos para uma bandeira, nunca pensamos donde aquelas cores vêem. o que pensava o artista até à sua escolha? conheço uma bandeira que nasceu por falta de outras cores na paleta do atelier. há também histórias assim. por vezes... é mesmo por falta de um pigmento que na arte final aprovada, é outra a cor apresentada. sabes quantos quadros são pintados pelas cores do fingimento?... são tantas as vezes que a cor falha, apenas porque ela não existe. já as palavras existem sempre. nunca é preciso ir à rua comprar litros ou kilos de letras. as palavras nunca ficam à espera. as palavras sempre acontecem no grande laboratório do pensamento. pintados os panos, ficamos sempre parados no vazio das palavras que nos fizeram alí chegar. não há cor sem texto, nem emoções sem sentimentos. em forma de quadro ou de livro: Ser exposto... é bandeira sagrada que agasalha a Alma.}

18.5.08

As Time Goes By

{... há gentes e agentes relatos e relatores assim. há sonhos perfeitos e vidas desfeitas, nas estórias sem fim. há também cores sem pigmentos no grande ecrã dos sentimentos. tudo é possível no cinema! sentados em frente duma parede branca é como se fica, quando se espera que tudo por si só se inicie. e as imagens surgem... ausentes ou transbordantes de cor. todas as superficies brancas têm as suas memórias. o que seria de nós, sem superfícies brancas? pensar a preto e branco é saber reproduzir todos os pigmentos que povoam o universo, através da imaginação de cada um. talvez não hajam cores perfeitas, mas filmes... sim! casa blanca leva-nos ao imaginário perfeito, onde as emoções e os sentimentos não são concretamente despovoados de cor. a preto e branco é o cenário que verei no Inverno que se aproxima, quando a agreste serra da minha nova aldeia, se cobrir toda ela de branco. no mistério das cores, dentro do atelier, todos os sentimentos são pintados a uma única só mão. a caminho da serra é uma viagem pintada, entre duas cidades que durante dois anos promete preencher todo o branco dos próximos dias.}

16.5.08

[ Tudo é Nada na Bagagem das Emoções...]

{... tudo empacotado e tudo é nada. porque tudo, é demasiado mais profundo do que o espaço que se leva na bagagem das emoções!... nesta viagem programada, não há mala que sirva para empacotar o que somos. sempre basta o essencial. é nessa procura do nada e do tudo que acontecerão as novas cores. não há viagens programadas na festa da criação. tudo acontece. o vazio percorre as ruas das ideias à procura do objecto e da matéria. no verde cambiante da nova floresta há mais cores do que podemos imaginar. o ar é mais puro... e aviva todo o universo. o que virá por fim nestas malas que partem? talvez, cidades imaginadas repletas de novos personagens. é numa aldeia desconhecida que no meio duma serra, aquela casa vai abrir janelas fechadas pelo tempo. revolvidos os papeís a aventura abre o tempo para que o tudo e o nada sempre aconteça. na mala, os pinceís aprontam a festa. faz tempo que a eforia da cor aguarda esta data. já está tudo empacotado e tudo é nada! porque tudo, é demasiado mais profundo do que o espaço que se leva na bagagem das emoções!...}

14.5.08

[ Os Incendiários da Felicidade ]

{... todas as palavras têm cor. tal como as aldeias e as cidades, todos os bairros têm na sua arquitectura, muitas e diversas cores. só mesmo os invejosos e os pobres queixosos da sorte alheia é que vivem ausentes de cor. há também gente assim: são os incendiários da felicidade! vivem embaciados pelo brilho dos outros e secam a alegria em todo seu redor. não sei realmente qual é a cor da inveja. talvez porque nunca isolei tal pigmento na grande paleta das cores. mas, nada aqui nos anima nesse triste manifesto das emoções. aqui tudo é pleno de cor e de emoção! neste lugar sagrado - o atelier -, não há tal sentimento. misturadas as cores, todas as palavras compõem o que cada um retrata na grande floresta do pensamento. há dor, alegria, eforia, tristeza, felicidade, compaixão, solidão... mas inveja não! sabes... neste país vivem cada vez mais pessoas ausentes de cor. há demasiados incendiários da felicidade por cada Km/2. secada a sua... procuram desbravar cores alheias. se não fossem as palavras, a sintonia cromática de todas as emoções, não seriamos um país de poetas. isolados do mundo, vamos tendo consciência como é necessário combater tais incendiários da felicidade. e porque hoje as boas notícias chegam em forma de palavras escritas, todo este espaço se enche de novas cores. não há maior força do que as cores da esperança. é por isso, que todas as florestas sempre se pintaram de verde!...}

11.5.08

[ Nova Serra o Novo Lugar ]

{... há pedaços de água na terra. janela que deixei para trás ficar. saudade imensa. só minha e daquele lugar. nova serra... que saudade levo de alguém. há em mim pedaços dessa gente. desenhada no céu que já não vejo, mas que sinto. nova serra, novo lugar. mata a sede meu desejo. nesta nova floresta sem mar. não te vejo. só te pinto. o que é feito de ti pedaço de água na terra, janela aberta para o luar. espelho deserto. final incerto. ninguém muda assim sem recado deixar. nova terra já te vejo. antes de tudo és serra, floresta virada de costas para o mar. há sempre pedaços de água na terra e janelas abertas na saudade de te encontar. nova serra, novo lugar. sem cor tudo é tão breve, e o tempo dói a passar. nova serra, novo lugar. traz contigo cores de terra e vem aqui morar. teia branca água sólida. antes de tudo és serra, floresta virada de costas para o mar.}

7.5.08

[ Os Anjos Também Choram ]

{... na vasta planície do pensamento. entre o céu e a terra. o sono inverte as cores em imagens desiguais. o medo, é memória sombra do que somos. será que os anjos também choram no abraço da vida? nem sei o que seria da vida, sem os anjos da boa memória. acordar do sono é como terminar um quadro. são momentos recortados, invertidos, desaparecidos, surgidos do nada e do tudo. sabes, os anjos também choram! quando acordei na vasta planície do pensamento, entre uma floresta que não pintei, e o vento que não escutei: havia um anjo que corria. corria na esperança de abraçar a sombra da vida. o céu era azul cobalto, e a terra toda ela branca. todos os sonhos são mudos. nunca lhes ouvi qualquer som. mas as imagens, ai as imagens... são todas elas pintadas de cores vivas. naquela planície, já só vejo e não sinto. pega-me na mão e leva-me de novo: ao sono. se eu pudesse lá voltar de novo, aquele anjo deixaria de chorar. pegava-lhe na mão e pintava-lhe a sombra perdida. se lá voltar, perco o medo. já não há céu negro que me faça esquecer as suas lágrimas. leva-me de novo até ele porque amanhã é dia de festejo. faço anos e gostaria de retocar a sombra da vida. por isso, corro à velocidade do vento. não vejo a hora em que a noite tombe. o céu pode ser de qualquer cor... mas, todas as sombras na terra, se unirão numa só. é que a vida vai ser hoje pintada de esperança pela mão de um anjo: o anjo da boa memória.]

5.5.08

[ A Caixa do Presente ]

{... tabuadas as cores no plástico canto do tempo: abrem-se os novos pinceís!... Maio, é tempo de empacotar o que vai ser o próximo ano. fecham-se caixas, e conferem-se outras tantas trazidas do ano que passou. por vezes há a sensação de não se saber ao certo, em que tempo está a caixa que nos traz ao presente. tudo se projecta ao sabor de futuras datas. antecipa-se o Inverno e retira-se o Verão aos dias. são as cores tabuadas num canto qualquer de uma outra nova cidade. as cidades também se inventam noutros lugares. saber qual o sentido de tudo isto... só mesmo depois de se ter descido, todos os seus possiveís degraus. será que haverá mais tempo para os contar? se eu pudesse... jamais dela se avistaria o chão. que importa se é verde, castanho ou amarelo pintado de cinza alcatrão? é exactamente para isso que servem os pinceís. dá-se-lhes a cor do dia e cada degrau ganha uma nova vida. tabuadas as cores no plástico canto do tempo: abrem-se os novos pinceís. tudo o que for saudade, virá nas memórias do tempo que já passou. e se por acaso essa cor prevalecer, a matéria não deixará de ganhar forma. não há cantos no tempo que as cores não deixem de pintar: o horizonte dos novos dias. }

2.5.08

[ Da Poesia à Música: Ana Vidal ]

{... Ana Vidal tem um Blog e um Site com o registo do seu trabalho. são letras de músicas e palavras editadas em livros. noutro dia em troca de palavras fui à FNAC comprar o novo CD de Luís Represas porque a música 9 - "o inventor de abraços"-, é de sua autoria. a poesia musicada é efectivamente, um nobre pigmento no universo das emoções. sabes, é que as cores também falam e cantam. para que servem as palavras no atelier dos dias, se todo o espaço é mudo de diálogo? é exactamente por isso que as cores conversam em silêncio. um quadro é um quadro, e um poema é um poema. só os poemas são cantados. nos acordes das cores... há também músicas inventadas na surdina dos pinceís. afinal, são as estradas das emoções que nos levam a esse lugar: ao complexo universo do sentir. é aí que por vezes, as palavras dão lugar às imagens e nunca ninguém sabe na realidade porque... a cor sempre acontece. o que seria da vida, sem os pigmentos das emoções? o mundo deixaria de ter interesse, e o Ser não seria mais do que um solitário deserto.

1.5.08

[ Comentários:Perdidos & Achados ]

{...na renovação da página deste Blog... todos os Comentários desapareceram. iniciado em 2005, é a segunda actualização realizada e a segunda vez que assim acontece! espero recuperar os vários endereços e anexar os Link's de todos aqueles que têm acompanhado as viagens a este Universo das cores... e do tempo fragmentado onde tem sido realizada a preparação de alguns eventos. a "Cidade das Tintas", tem sido instalada em diversos lugares de Portugal. de Lisboa ao Alentejo, e agora a caminho de uma Serra... espero conseguir repor brevemente, todos os endereços daqueles que têm escrito neste blog e de certo modo contribuído no grande universo onde este Atelier acontece: entre as cores e as palavras. agora, sem recados anotados e de correspondência perdida... tentarei procurar nos Perdidos & Achados deste sistema... o que fazer?!... }

30.4.08

[ A Sonolência das Cores ]

{... todo o sono é pintado de invisíveis cores. é no vazio de nós próprios, que a entrega às memórias dos encantos acontece. inevitável mágica que disperta recantos e nos traz recados achados e por vezes perdidos no tempo. quem não sobe os degraus do sono? quem não mergulha no seu ondular esquecimento? tela crua. tela ausente de cor. incerteza tocada e nem sempre registada em todo o seu esplendor. são sombras e não é gente, que certamente povoa esse indecifrável mundo. todo o sono é pintado de invisíveis cores. nele, há soldados de esperança e generais da vingança. perdas e vitórias. conselhos, desejos e incríveis estórias. não há inutilidade nessa espera, nem tão pouco pressa em dispertar. se essa magia nos fosse retirada, o que seria de tudo aquilo que nem sempre acontece? tela crua. cor esquecida por pintar. quem não mergulha no seu esquecimento? só quem já não tem tempo para sonhar.}

20.4.08

[ O paralelismo do Eu ]

{... se Deus entendesse efectivamente de geometria, certamente que abolearia todas as paralelas que não interceptam a felicidade. tudo isto devia ser mais simples. oh se Eu fosse Deus!... interceptava todas as linhas possíveis de riscar no grande papel que embrulha todo este céu. tudo isto devia ser mais simples. que complexo Deus é o nosso que dá e tira, escreve e apaga as linhas do nosso destino? a vida, devia ser meramente uma ciência exacta. sem variantes na alegórica matemática que a compõe. que sábio projectista és tu, que estás para além de tudo aquilo que os nossos olhos podem ver? não há maior prémio nobel no Mundo que o seu! a geometria da vida é na realidade um complexo estirador desenhado por misteriosas vontades alheias. se eu pudesse sentar-me a seu lado, pegaria no seu grande compasso e traçava a minha própria circunferência. o início e o fim. se eu pudesse entrar no seu atelier, pegava nos seus lápis e riscava apenas os caminhos que já conheço. se Deus entendesse efectivamente de geometria, certamente que abolearia todas as paralelas que não interceptam a felicidade. se eu pudesse pedir-lhe emprestado um lápis que fosse, riscaria com ele linhas imaginárias - projecto único que nos leva consigo até à ponte do Eu. sómente se o céu não existisse, é que todas as pontes deixariam de fazer sentido! talvez por isso mesmo, ainda ninguém descobriu ao certo onde começa e termina toda esta complexa geometria: chamada universo!...}

15.4.08

[ a intemporalidade do esquiço ]

{... se soubessem o que povoa uma tela antes da cor e da forma. se soubessem como as palavras se vestem no esquiço das memórias. apenas se soubessem o que nos motiva até à criação da obra. o esquiço. a vida não é mais do que um esquiço riscado, sublinhado e apagado pelo tempo. sempre o tempo. a eterna alteração das formas. a constante procura da estrada exacta que nos leva ao universo da criação. novamente o esquiço. o conteúdo dum texto que se escreve vezes sem conta. a descrição do objecto. a diversidade dos pigmentos. os tons... são mais verdadeiros do que as palavras porque têm sempre a mesma memória. as cores são mais puras. não mudam de sentimentos. se soubessem o que povoa uma tela antes da cor e da forma. se soubessem como as palavras se vestem no esquiço das memórias. apenas se soubessem o que nos motiva até á criação da obra. o esquiço. esboço riscado de traços certos e cores puras. riscos... tudo se risca. as emoções podem mudar de sentimentos, mas as cores não. se soubessem quantas palavras há no dialéctico da cor... entenderiam que Deus é o maior pintor do Mundo e, que a vida não passa dum esquiço riscado, sublinhado... condenado a ser apagado pelo tempo.}

7.4.08

[ As Teclas do Sentir ]

{... as teclas do sentir fazem-nos esquecer o antigo cheiro dos lápis. há quem já não escreva a lápis nem tão pouco a caneta. são os novos tempos da escrita. o que será de nós sem papel um dia? sem o esboço ou o esquiço da ideia final? sem as letras sublinhadas, riscadas e subtraídas ao seu contexto final? nem já os poetas, andam de folhas debaixo do braço como fazia Pessoa. sabes, é que Pessoa podia mudar de casa constantemente, mas nunca abandonava o papel em que escrevinhava o Sentir. qualquer simples folha lhe servia. como é diferente desenhar as letras que nos compõem. dar-lhes expressão. senti-las a nascer. apagá-las!... só as teclas do sentir são orfãs do desenho, dos odores, do carvão e das tintas. é outra escrita: o teclado! a nova melodia do sentir. sem esboço, sem odores... apenas um único som. sempre igual. sentir. sentir as palavras que não se calam. as palavras que só se escrevem no portátil mundo imaginário dum novo livro.}

3.4.08

Restaurante 9.come e Mite Paradanta

{9.come é um restaurante "minimalista QB"... pintado a rosa e negro. quando lá cheguei... tive a sensação de estar num bairro de paris. na rua, o som dum saxofone fazia parar o transito. recordei a música cantada na voz de catherine deneuve :"jazz is paris et paris is jazz"! mas... não. de paris só mesmo uma praceta que fica ali perto. foi assim que a av. joão XXI inaugurou o novo restaurante riscado pela arquitecta Mite Paradanta. no 9.come entre amigos e muito mais... Ruben e Rosa Bensimon, abrem assim as portas ao verão de 2008 com uma magnífica esplanada repleta de sabores gostativos. e a razão de tudo isto?... diferenciar lugares de ócio nos bairros de lisboa.
9.come é um espaço aberto às novas tendências da arquitectura de interiores todo ele... temperado de lusitanos sabores.}

1.4.08

Tibete Red Sky

{... porque desenhei ventos de esperança e castelos de areia no céu desta praia... se há povos sem liberdade? porque... desenhar é pensar. porque há praias desertas de liberdade e homens no Mundo de má vontade? só não apagam as ondas ao mar, e a esperança de sonhar nesta praia... porque... pensar é voar. hoje... desenhei castelos de neve no céu vermelho do tibete porque há Paz proibida naquele lugar.}

27.3.08

[...Sempre que Amanheço...]

{... lembro-me de ti estrela da manhã, quando tomba a noite nesta colina. lembro-me de ti lisboa, terraço virado a sul para a basílica da estrela. lembro-me de ti, planícies da saudade sempre que amanheço noutra cidade. no alentejo, os sinos da igreja, recordam a alegria de ver o rio a passar. o tempo é desejo cantado devagar. nesta aldeia o silêncio é terra, as estrelas o grande mar... lembro-me de ti lisboa, quando a noite vira o mundo, no outro lado do céu. sempre que os sinos tocam... lembro-me de ti, planícies da saudade, onde o mar nunca chega a espreitar. sempre que amanheço noutra cidade, lembro-me de ti... }

25.3.08

[...Cruza Vida...]


{... e se a vida me cruzar contigo? cidade perfeita fantasma de mim. e se a vida me cruzar contigo? chão de pedra, rio de prata. não há cidade perfeita neste caminho sem ti. cruza vida. envolve-me nela até ao fim. cidade paraíso longe donde existo. e se a vida me cruzar contigo? chão de prata, rio de pedra. cidade perfeita, fantasma de mim. cruza vida. faça chuva ou faça vento que haja sol e sombra em ti. cruza vida. cidade de barro moldado pelas lágrimas dos homens, envolve-me nela até ao fim. sem alma não há cidades perfeitas, nem mundo sem fim. e se a vida me cruzar contigo? leva-me. leva-me devagar. cidade perfeita, fantasma de mim.}

12.3.08

[... noutro lugar...]

{... quando acordei, tive a sensação que te tinha desenhado noutro lugar! como é bom regressar do sono. há em todo ele, um novo mundo desenhado por lápis invisíveis. nunca se sabe ao certo quais as cores, formas e sensações nos trazem eles, todas as noites. os lápis mágicos, levam-nos e trazem-nos todas as noites dum lado para o outro. como é bom viajar de lápis na mão. hoje, sonhei que caminhavas pela casa do meu sono. vi-te. e não sei bem em que cidade. quando acordei, dei conta que já nem sei onde estás, nem como és. deixei-te faz tempo numa casa de outra cidade que não esta onde estou. mas hoje... vi-te. estavas a passear nas ruas do meu sono. só quando acordei... percebi então, que te desenhei faz tempo noutro lugar!...}

8.3.08

[... Vinil Disc...]


{...tsssssstttt tsssssssstttt. de quando a quando abro-lhe as portas... cliko em ON, e revejo os mil discos de vinil que aqui estão. alguns deles já tocaram faz bastante tempo, numa rádio nacional. hoje pensei em Miles Davis. recordo como o conheci, e do tempo que passamos juntos. é verdade... o Miles Davis! o misterioso homem que soprava a preto e branco através de uma caixa mágica. pensado assim... é verdade que o som do vinil envolve-nos doutro modo.}

2.3.08

Eleni karaindrou - Trojan Women


{... grécia. euripides na direcção de Antonis Antypas e música de eleni karaindrou em Trojan Women. o drama desenhado - o teatro. o choro e o grito em busca do desenho das emoções. o rosto e a ausência da dor. o reflexo de outra vida além da cor - o piano. novamente um rosto semelhante a outro. idêntico nos traços? talvez. há sempre um outro rosto igual ao nosso noutro lugar... porque nem só se vive uma vez... eleni é um cd de eleição na gaveta do meu atelier.}

29.2.08

Lauro António em Sarajevo


{...ligar a realidade dos factos à poesia- é o registo duma aula de literatura retirada do filme "Manhã Submersa", do cineasta Lauro António. é também assim que portugal está representado no Festival de Inverno de Sarajevo, durante dois dias. os seus filmes, o projecto CineEco e o documentário recentemente realizado no Alentejo para a exposição "Tiqqun". o universo pictórico captado através da objectiva da sua máquina de filmar. um convite à aproximidade da exaltação das cores e das formas... ao exercício dos pincéis- à pintura. o alentejo novamente e a "mística" cidade das tintas. da imagem em movimento ao fado... uma jornada portuguesa... é exactamente o que nos propõe Lauro António, e Frederico Corado em Sarajevo. talvez por isso e muito mais... desejo-lhes, os maiores sucessos!...}

http://lauroantonioapresenta.blogspot.com/

27.2.08

[...A Geometria das Emoções...]


{... é no universo do mundo sem palavras que outro mistério acontece. há poesia viva em realidades assim. dar cor. apagar. riscar de novo outro traço. descobrir o fim. recomeçar. a voluntária entrega ao silêncio para captar novas realidades. observar o vazio e o cheio, a luz e a sombra. dor suspensa ou adiada... sentir. escutar. dar cor. sempre a cor... sem tempo. à procura que algo aconteça longe dos factos. o traço seguido de outro traço. novos registos esboçados pelo lápis. o contraste e a incontornável divergência das cores. a forma. a ausência das formas e o todo. suprimir o lógico. novamente a cor. sempre a cor. na continuidade do tempo surge a tela. novamente outra superfície branca. sempre assim, dia e noite, na incansável procura da geometria das emoções.}

23.2.08

[...não. não sou poeta...]

{... não. não sou poeta. não escrevo poemas, nem sofro de cor. não. não sou poeta. não retrato sentimentos em palavras de cor. não. não sou poeta, nem artista amador. não há palavras escritas nos traços que riscam cada tela. não. não sou poeta. vivo entre o risco e as cores, sentada na textura da vida. sou traço por vício dependente da cor. não. não sou poeta. nem a densidade do pigmento censura o que sinto. são os outros que as escrevem. só os quadros vendidos são carentes de palavras cantadas. e eu já nada sinto. nada digo. sou memória arquivada. não. não sou poeta. agarro o traço e faço a mala. parto à procura duma nova cidade prenha de cor. em qualquer lado... por aí, no silêncio dos dias. onde possa esqueçer todas as palavras e ficar muda. onde a cor toma corpo e chama por mim. e tudo recomeça... sabes, sou traço por vício dependente da cor. não. não sou poeta...}

21.2.08

[...I'm So-So...]



{...se fosse fácil controlar o destino, a vida seria sempre repensada doutro modo. sem o acaso das coisas que a vida tem, tudo seria monótono e o destino deixaria de fazer sentido. se calhar, nem o destino existe, nem tão pouco o acaso sempre acontece. talvez o destino seja como um pêndulo em eterno movimento que de tempos a tempos, nos projecta para uma outra dimensão. há ainda quem fique sentado no vazio dos dias e deixe a vida passar... como será viver sentado no acaso das coisas? há também quem viva assim. por sorte ou por azar, nada na vida é linear... se fosse fácil retirar à dor todas as suas lágrimas, os sentimentos seriam desnecessários. é o que mais me fascina em Krzysztof Kieslowski. das lágrimas ausentes ás cores que inundam a grande tela, e das teias do destino ao silêncio da dor - a vida é um imparável caminho cheio de mistérios. se pudemos retirar à dor todas as suas lágrimas... não sei. mas é certamente para alguns o seu destino. afinal... tudo é possível enquanto a vida acontece.}

18.2.08

[...Pakistan - la musique des Qawal...]



{...não sei porque há ainda tantos jardins na terra, de flores roubadas, privadas, pisadas e ausentes de cor?... a Paz pode ser cantada, escrita, desenhada, dançada ou escutada para que o encontro com o divino aconteça! há também momentos de meditação assim... e como é grande essa viagem! Sem poemas cantados o Universo seria mais pobre. talvez, porque tudo aquilo que nos completa é exactamente, no seu todo, o modo como se canta a vida. em silêncio ou em plena exaltação mistica... a viagem também assim se faz... ao encontro da Luz Divina!}

13.2.08

Al otro lado del rio



{... não há rio de águas paradas nem barcos sem remos. já não há margens desembarcadas nem piratas ao leme. já todo o mar foi povoado e as estrelas ainda mergulham nele. só quando a madeira da barca se quebra... é que o rio vira deserto. já nem barcas, nem rio, nem águas fervem neste mundo desbotado de azul. pode haver céu sem árvores, mas terra sem passáros - não! rio abaixo, rio acima... há ainda tantas margens e tantas ondas no mar para atravessar.}

11.2.08

[... Hora Tardia...]


{... de mapa na mão procuro um abrigo atrás dos montes. sabes, aqui nesta planície o céu tem sempre estrelas, e das poucas casas que nela existem, de todas elas, se avista o horizonte. ontem, a caminho de lisboa o céu foi perdendo a sua amplitude... aqui nesta colina ao pé da estrela, só a basilica deste bairro está mais perto dele. sabes, ando à procura de novas catedrais em hora tardia! de mapa na mão encontrei uma nova aldeia... é sempre bom chegar a novos lugares! atrás dos montes... há catedrais imaginadas e missas por rezar. há invernos rigorosos e segredos por desvendar. há em todas as aldeias, vidas vividas sempre no mesmo lugar. de mapa na mão... em hora tardia... abri este piano à procura de novas catedrais. sabes, há aldeias que também se ouvem, muito antes de alguém as habitar.}

6.2.08

[...juan ramón jiménez...]

{... crer no destino. fazer o destino. aceitar o destino. estava pré-destinado. há destinos assim. tudo cabe e acontece no destino de qualquer um. basta que o deixemos acontecer. acontece que há quem fique à espera é há também quem não saiba esperar que assim aconteça. sem destino, apenas do vazio se veste quem não acontece. tudo tem destino. repartida esta certeza em múltiplas partes então o destino também se faz acontecer. dúvidas?... quem não as têm?!... é isso que é mais fascinante no destino. entre fazer, aceitar e acontecer tudo está sempre em aberto. é assim que no vazio dos dias se celebra o destino. crer no destino é aceitar que nunca nada acaba sem acontecer. }

30.1.08

[...à conquista da Byblos...]

{... um livro não é apenas um agrupamento de palavras impressas em papel. um livro é um livro! e há tantos livros orfãos nos escaparates desta vida. sem os livros, todas as casas são ausentes de tecto. sem eles... o Mundo não seria o mesmo. há em todas as prateleiras da nossa vida, páginas e páginas escritas que nunca se apagam no tempo. há palavras do signo fogo, água, vento, dor, espanto, encanto, desejo e esperança... há tanta magia num livro! hoje, apenas hoje e porque uma escritora assim propõe... dou cor ás suas palavras escritas. há também páginas assim repletas de cor e de personagens desenhados em folhas de papel. e é exactamente porque todas as palavras têm cor que existem livros ilustrados. da cor à palavra ou da tela ao papel... hoje, regresso ao universo do livro. hoje, enquanto espero embarcar para outro lado da palavra escrita, entro no espaço da byblos em lisboa. entro e sento-me em todas as palavras ali escritas. sento-me e fico pelo prazer de ali ficar.}
www.byblos.pt

17.1.08

[...O caminho Desertor ...]

{...há em todo o caminho do Sentir a representação dos estados da Alma. há quem faça um acordo consigo próprio a ser o perfeito estado do Tempo em que acontece a representação do Sentir. Há quem saiba percorrer este caminho e quem nem saiba tão pouco que caminho é esse. será que pouco importa saber ao certo o que nos leva aqui? à vida, é claro! há quem viva e quem deixe a vida passar em conquistas surdas da afirmação banal da sua existência. também há de tudo e de tudo sobrevive a sua grande maioria. há tanta gente a povoar o Mundo que nem todos sabem donde o Mundo vem. o que seria dos aflitos em seu DEUS que tanto às tantas a humanidade sempre procura? cores essas gritantes, teceladas em pano branco de palavras escritas em poemas deixados ao desalento... ou em telas plenas de virtudes que por si próprias, dão cor à vida dos que à muito deixaram de Ser. Há todo um caminho a percorrer entre o Sentir e o Existir na grande representação da Alma que a todos nos traz aqui à Vida. e trazer é fazer sempre acontecer... uma, duas ou mais vezes que seja existir!...}

15.1.08

Les Poèmes de Tiqqun

{... les Poèmes chantés? et le Tiqqun?!... canto e encanto que em cada recanto nos fazemos fechar assim. acontecer é também Ser. será que o Futuro acontece? há também futuros assim desenhados. sombras passadas em tempos presentes e que fazer? teimar o Futuro é desenhar o deserto de vencer. somos tão discretemente Ser. desejar o Futuro é relembrar o passado. hoje, diria que tantos momentos passados são Cor de desejos deixados em Telas carentes do meu Ser. se fosse possível desenhar esse Futuro estaria então eu tão longe donde me encontro. e é exactamente porque o Futuro não nos encontra e só nos disperta, para nos acordar em meras brumas de todo o sonho, que Les Poèmes Chantès in Lapis Exilis no Palácio Nacional da Ajuda aconteceu. redesenhar o desejo de se chegar aos Paços do Concelho de Lisboa até à próxima exposição é acontecer. les Poèmes Chantès? sim! são poemas cantados em Cor e Verso. e tudo o resto? tudo o resto são meros acasos de gentes que nem Cor, nem Futuro, nem Poemas Cantados têm para Acontecer. talvez por isso mesmo não haja Cor sem Poema, nem musicalidade ou palavra escrita ou nem Tela do Pintor que desista cantar o Futuro. Vamos mais Acontecer!...}

10.1.08

[... O Mapa da Sorte...]




{... no laboratório da grande vida há mapas que certamente nos conduzem à sorte. e é em todo o seu mistério que percorremos o labirinto dos nossos dias sem que nunca saibamos ao certo onde a procurar. tudo acontece em breves segundos... tudo! a sorte faz parte do grande segredo da vida. e é exactamente por isso que as vidas divergem entre tão diversos labirintos a percorrer. se pudessemos aceder ao mapa que nos leva até esse lugar... como seria o grande laboratório da vida? hoje, aberto um novo mapa, descanso na dúvida presente... no laboratório da grande vida há mapas que certamente nos conduzem à sorte!...}

8.1.08

[... assim se rodopia...]

{... ficaria a rodopiar assim. assim se rodopia a ficar. se fica assim... assim! há quem não consiga rodopiar em si todas as voltas que o Mundo dá. não há Mundos sem voltas nem voltas que fiquem paradas em si. nunca ninguém é plenamente feliz. nunca, porque nunca se fica parado para sempre assim. tudo em nós rodopia. nem a vida se esvazia nem se apaga sempre que sentados em nós ficamos. rodopiar é pensar. é ficar em movimento sobre um eixo só. é desafiar a rotação do Mundo sem parar as voltas que ele dá. nunca tudo é realmente parado. sem caminhos não há voltas que aconteçam. podemos fazer parar o tempo sempre que assim... assim se o quer recordar. a ele, ao tempo, e ás voltas que o Mundo dá. apanhado o eixo à vida, tudo nela coloridamente rodopia. umas vezes de cores mais sombrias... outras vezes em tons de pleno fogo. não há Mundo sem voltas, nem voltas paradas em si. a vida é assim... assim!}

29.12.07

[...alentejo...]

[...Apetece partir...]

{... é tempo de partir para outro lugar. é isso. basta fazer a mala e recolher todos os sonhos que nos fizeram viver esta cidade. sabes, as cidades não são sempre iguais. aqui tudo é e não é. tudo cai por terra. tudo se odeia ou se ama da mesma maneira - apressadamente. tudo é sol e luz, oceano e mar. aqui... há desertos assim. pátria este lugar onde não se regressa após todas as viagens... pátria que manda partir e vencer noutra pátria para regressar. há mais Portugal que isto tudo! nunca se poderá a todos eles - aos artistas-, fazer apagar os registos duma cultura assim. é exactamente por isso que todas as diferenças nos juntam á mesa da maior descoberta de todos os tempos: "A Liberdade da Criação na Leitura das Coisas que Habitam o Mundo". passada a página do novo ano outro se avizinha. Bom Ano Lauro António e Eduarda Colares. Do Alentejo... Tiqqun aconteceu! mais e outras cores vão nascer nesta pátria onde há cor e esperança! enfrentar a solidão em terras do Alentejo é ouvir os ruídos do Mundo. é entender á nossa maneira que todos somos iguais. sem nosso Rei nesta Terra... apetece partir! iremos juntos em 2008 se Deus quiser!... até lá amigos! juntos iremos.}

17.12.07

[... no seu todo...]

http://www.juno.co.uk/miniflashplayer/SF294631-01-01-11.mp3/
{... tudo se aproximará um dia no seu todo do eterno vazio. nem sei se existe o vazio, nem o todo de tudo que nos aproxime definitivamente a ele mesmo. ninguém se aproxima do que não sabe ou desconhece... mas, tudo nos aproxima do eterno e desconhecido pano do fim. ainda bem que essa certeza existe. o que seria de nós sem um determinado fim?... seria talvez, aborrecidamente sempre aqui. é aqui que o todo se revela, em tudo o que tem forma e cor, no grande pano branco da vida. se a brancura nos cega, também ela nos anima para que todo e qualquer pano... se torne cheio de cor! não há formas que não contrastem todas elas, as emoções da alma. há almas descrentes e até mais ausentes que outras. assim se tece o pano branco de cada um. mas... tudo nos aproxima por fim - no seu todo -, de tudo o que esperamos alcançar ou ver. são tantas as emoções reveladas no correr deste pano que não sei quantos metros ele tem!... mas sei que todo ele é debruado de cores distintas e diversas. na grande brancura da vida, tudo pode ser pausadamente preenchido de cor. que tombe o silêncio e o pano desfaleça; mas vida... a vida é sempre - no seu todo - cumprida ao modo de cada um. no seu todo... tudo é necessáriamente desconhecido até ao fim!...}

4.12.07

[... onde vais sem pressa?...]


http://mp3.co.uk/MP3/SF293553-01-01-03.mp3
{... onde vais sem pressa? tu que vens e vais sem que nunca ninguém te veja? sei que existes e que tens sempre pressa de fazer chegar tantos outros a esse lugar. há quem te chame e quem nunca te reclame. há ainda quem nem nunca possa regatiar toda essa pressa tua!... e se não houver um novo lugar? quem sempre contigo parte vai já de saída sem pressa de lá chegar. há tanta gente que chega e outra tanta que se vai... por vezes, parece que sentados estamos numa grande sala de um aeroporto qualquer, como quem aguarda tranquilamente a sua vez . e se um dia a rotação da Terra parar? e se tudo parar por fim?!... que se dane a pressa que te anima e toda essa tua correria. onde vais sem pressa? quem és tu que vens e vais sem que nunca ninguém te veja?!... que a pressa te aclame e te canse. sabes... nem sempre tenho pressa de saber quem és tu realmente, nem como será teu rosto. hoje, apenas hoje te pergunto... porque sei que ainda não é hoje que sentes pressa... em chegar ao lugar onde me encontro.}

27.11.07

[...Não Há Sombras Sem Luz...]

{...nunca deixes de olhar o céu porque lá não há sombras... sem que a Luz ilumine o novo tempo. não há Céu sem tempo... há mais Céu que todo ele observado por cada um de nós. nem sei exactamente quantos anos tem o Céu. o que importa mesmo é mergulhar naquela vastidão. o que estará para lá de tudo isto? não sei. se eu pudesse viver no Céu jamais tombaria neste manto de guerra que é o Mundo. e se o Mundo é tudo isto, o que será em outros Mundos - o próprio Mundo-, para além de todo este Céu?!... hoje sonhei com um novo tempo num outro Mundo. tudo era escuro e povoado por outros seres. há tantos outros cantos no Universo como quantos devem ser os personagens nesta imensidão povoada. os sonhos também são assim. por vezes são ausentes, escuros, frios, coloridos, cheios de força ou tristeza, repletos de alegria ou de dor que a memória transpira sempre que assim acontece. tombar em nós próprios, é mais do que iluminar todas as sombras que embalam a noite. é pois, iniciar essa imensa viagem para o novo lugar. e porque não há Céu sem tempo... algures no Universo... há decerto muito mais Céu noutro tempo a ser observado. claro ou escuro, povoado ou desabitado... que seja todo ele... repleto de estrelas em todas as suas milhas e milhas de Céu.}
http://www.astronomy2009.org/

14.11.07

[... Povoado Universo...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF266200-01-03-02.mp3
{... há em todo o vazio que povoa o Universo, a constante procura, para se encontrar em vida - a explicação do fim. há em todo o Universo muito mais do que todo este vazio povoado. há até ainda, quem nem o possa povoar em todo o seu próprio tempo. na vasta escuridão do Universo, toda a matéria organica reflecte energia. dessa Luz, e das suas matérias mais diversas... há sobreposições de cores saturadas ou ausentes em todas as formas que completam o objecto reflectido no espaço. nem sei se há espaço neste tempo para povoar o actual Universo. neste espaço inteirado no tempo, tudo é há muito diferenciadamente povoado. já não há alçados no património em todo este vazio, onde se possa colocar a sinalectica da vida. será que já não há vida para acontecer nesta constante procura?!... se o fim devolve ao vazio um novo inicio... então, todo este Universo é diversamente povoado nos seus mais diferentes ciclos de Luz.}

8.11.07

[um dia o céu chorou!]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF266200-01-03-03.mp3
{...não há nada melhor do que estar agasalhado em telhados de água. rios de sorrisos caem do céu. são gargalhadas de poesia. não há céu sem versos, nem telhas vazias de gente. Um dia, vi nesta estrada um cigano. filho declamante dum povo errante. chorava. há tantas mais estradas a caminhar... do que lágrimas a chorar. há quem leia palavras sábias na mão dum cigano. sabes?... hoje, vi uma estrela a cair no céu! não vi cigano por perto, nem nenhum gato, em telhados neste vasto casario de lisboa. deste telhado, aqui donde estou, vejo o tejo e a basílica da estrela. estão tão perto deste terraço, como o céu quando se aninha na grande planicie do alentejo. hoje, vi uma estrela desaparecida no alto dos céus. hoje, não vi lágrimas no rosto desta gente que circula, em rua nenhuma da mesma cidade. hoje, apenas hoje, todos os telhados de água sorriem em gargalhadas de azul. é tempo de chuva ou tempo de coisa nenhuma. já não há lágrimas cantadas na voz daquele cigano. mas, há tantas cores agasalhadas no teu e meu sorriso que só nós os dois as sabemos cantar. hoje, no telhado azul do céu... contei quantas estradas o mundo tem. todas as estrelas?... sim! todas as lágrimas que um verso tem. sabes... só se pisa uma lágrima de cada vez!...}

4.11.07

Tiqqun in lisbon

{... na natureza da humanidade há cores cheias de emoção. sorrir perante as cores tranquilas que nos unem num determinado momento, é o que mais nos eleva e diferencia dos outros povos... saber descobrir essas diferenças é acertar ponteiros com o futuro. se ontem havia medo em partilhar paredes de emoção e cor... hoje, partilhamos paredes meias de cores cheias por revelar. o que há de mais fascinante, na grande sala do pensamento... é a forma como a elevação das diferenças se unem no grande espectro das cores que compõem a viva história dos povos. há ainda quem se esqueça que é também no presente, que se constroi o futuro... exactamente porque não há futuro sem passado. é com toda essa emoção de cor que nos orgulhamos de registar momentos assim. na grande sala do pensamento todas as cores se unem tranquilamente em torno de tudo aquilo que realmente nos diferencia. Tiqqun, conceito do que quer dizer, entre outras coisas, "Restauração" ou "Reparação" do Mundo - desenvolvido por o Rabi Issac Luria, no Sec.XVI -, é a exposição que está patente nos Paços do Concelho em Lisboa.}

3.11.07

[...há no tempo instantes assim...]

http://mp3.juno.co.uk/MP3/SF285583-01-01-05.mp3
{... há no tempo instantes assim. repousar no registo no tempo é desfragmentar todos os sentimentos que nos povoam. ficar sentado no vazio do tempo é ampliar o relógio da vida... não pensar é isso mesmo! é entregar o nosso tempo ao vazio dos dias. há quem o faça por teimosia ou por inércia. há mesmo quem pense que nunca teve momentos assim. deixar de pensar, e parar todos os instantes que completam o ciclo do nosso tempo, é habitar em outro lugar. o mundo está repleto de territórios ainda despovoados. sempre que alguém se entrega a instantes assim... uma nova aldeia nasce na grande terra do pensamento. é talvez por isso que em cada um de nós... muitos territórios estão ainda por conquistar. se assim não fosse... o mundo se esgotaria de imediato e tudo não passaria de uma ilusão. sentarmo-nos então em nós próprios... é ter tempo para conquistar novos territórios no grande e infindável Mundo que reside no pensamento de cada um.}

24.10.07

[...Janelas de Cor...]

{... há nesta cidade capital janelas de cor em sonhos por habitar... todas as aldeias ou povoados são habitadas por residentes sonhadores. só não sonha quem há muito deixou de acordar. adormecer o desejo de criar é morrer lentamente no mesmo lugar. há quem já não sonha... por tanto se queixar não sair do mesmo lugar. há lugares também assim... sem cores para habitar. há na cidade dos sonhos todas as cores possiveis de pintar. colorir um sonho de cada vez... é acordar todos os dias noutro lugar. talvez por isso todas as casas têm mais que uma janela aberta para o Mundo. afinal de que serve sonhar? se nunca sonhares habitar numa cidade repleta de janelas de cor... todas as aldeias ou povoados serão iguais. adormecer o desejo de criar é morrer lentamente no mesmo lugar. jamais será possivel retirar toda a cor que habita no Mundo... porque antes dele e depois dele... há muitas mais cores escondidas em todos aqueles que nunca deixam de sonhar...}

27.9.07

[...Os caminhos de Tikkun...]

{... o pecado também se cola e se descola de qualquer superficie seja ela de pele ou cartão. se apaga ou se guarda na memória... de quem o quer esquecer. com todo ele, inteiro ou desfeito, se podem colorir outros objectos de vida. restaurar o mundo... é repensar na sua libertação. restaurar a paz no mundo é uma tarefa árdua mas não impossível. há pessoas que levam assim suas vidas... a reconcertar o Mundo. e é exactamente por isso que há também objectos de vida assim. deve ser por isso que todo o pensamento é livre. livre de errar, perdoar, e de se libertar através dos caminhos da espiritualidade.}

24.9.07

[...e agora?...]

{... e agora? nada mais. brumas ocres. o Tejo. se há mais Tejo além do que Portugal quer ver... não sei. também alguém o quer adormecer. ou não?!... há coisas que lembro de Pessoa. triste senhor (diziam uns com inveja de outros porque assim se fez Portugal). sim!... Pessoa o contabilista e poeta da torre inantigível de Ofélia. Talvez por isso a Pintura se fez aqui esconder em terras Lusas.Oh... Maria Vieira da Silva. Os pigmentos das cores talvez sejam ridiculos para outros senhores... Ainda não entendi porque partem as pessoas mais especiais que Portugal tem. também nem devemos perceber... deve ser essa a equação lógica para isto tudo - adormecer quem quer partir e dificultar a sua realização. há na realidade uma razão para tudo isto. nas brumas de toda a ilusão de quem já parte fica a esperança do seu regresso. hoje sorri quando vi Paula Rego em Espanha. afinal todos lhe fecharam portas. é assim a partida sem bilhete de chegada. dizia-me à pouco um outro artista desertor em terras Lusas: California sempre! E voltei a sorrir. Cinema... outra arte. a pintura é mais silênciosa não tem ruído! então faz mais barulho - disse-me ele -, a pintura é senhora no mais horizonte ao Sul onde todos os mortos teimam adormecer Portugal. porque são tão invejosos? estes trapézios de circos em sorrisos de politicos senhores. olha... também não sei! são senhores inscritos em listas... sem Céu, nem cores de poesia ou sonhos. e agora?... agora, vamos descrever outro querer: Tiqqun vai acontecer!.. os outros não são mais que postais ilustrados, vão e vêm. e...agora?... e agora vamos acontecer - disse - além do Tejo... há mais Portugal! }