1.10.08

[ Lucid Dreams * Sonhos Lúcidos ]

{... quebrada toda a turbulência do Sentir: a alma abre um novo universo. sonha-se. é o estado da diluição do Eu, e tudo o que nos rodeia. as cores alteram os seus significados e adquire-se pontualmente o desconhecido. afinal, as sombras são medos que se escondem de nós e do ruído dos dias. esbatidos todos os medos: flutua-se. e sempre envoltos de originais pantones, a velocidade do Eu alcança rápidas tonalidades. tudo é novo. tudo é rápido. tudo é veloz. saídos de todos os contextos, esfolheam-se páginas novas do mistério da vida. o azul impera! os contrastes das formas e dos objectos, difundem-se numa espécie de ar líquido. apesar de nunca se saber qual a verdadeira missão desta viagem, agarra-se no novo livro... e lê-se. sofregamente antes que tudo acabe. tudo se evapore. e lê-se sem medo que o azul primário, esbata de repente noutro pigmento e se dilua noutra cor qualquer que não fazia parte da nossa paleta inicial. nos sonhos, nunca sabemos se fomos nós ou se a foi a cor que nos escolheu. alteram-se as imagens e desenham-se novos caminhos, riscados em requeridas emoções. nos sonhos lúcidos... nesse universo multidimencional, há quem consiga interagir e alterar a textura de cada enredo. estimulada a nova visão da consciência, surgem contornos únicos, que do aparente estado de adormecimento, ganham novos e vivos ritmos. novos diálogos. para alguns... o argumento original, regateia sempre o fim de cada estória, com quem sonha. é então que a arquitectura do cérebro é animada e a criatividade aumenta. tudo pode passar a amarelo e refazem-se as imagens antes que tudo desapareça. antes... que se suma e se evapore para sempre: toda a nossa capacidade de sonhar.}

[... Milosh... ]

29.9.08

[... A Dança das Marés... ]

{... adormecidas as imagens, a água inunda as memórias do que fomos. à noite, as praias despem-se dos ressequidos e extensos areais. é a dança das marés. animada a maestria das emoções, revoltas são as ondas, que vezes sem conta, chegam ao limite das nossas praias. avivam-se as memórias, largadas faz tempo, em bancos esquecidos, das nossas outras passagens. estranhos contrates acontecem e o pensamento fica volúvel à imaginação. sonha-se. fazemo-nos à nova terra descalços das mundanas arrelias. lançamo-nos ao mar. sem medo. porque nele, não há barcos que acabem: sempre a naufragar. afinal, também nós somos feitos de água. mergulhados no presente, o passado evapora-se nas mesmas ondas que nos levam até ao futuro. porque só o fim nos completa. estranha dança essa, que de tão incerta, ainda tanto tem... e dizem que tudo o que se vive durante o sono: é como se nada fosse!... mas é nesse nada, que se abrem desconhecidos mapas e a viagem começa. sonha-se com novas ilhas: riscadas a giz e baptizadas a sal. e ali ficamos. nós e elas, vindas do sonho e do fundo dos mares. porque só nos sonhos, as ilhas são para sempre dançadas e pintadas em águadas de mil miragens. por isso sonhamos. sonha-se... e a terra foi-se. }

[...Adriano Adewace...]

28.9.08

[... Viagem Astral: Overlap do Sono... ]

{... a vida é um fino e frágil feixe de luz. compartimentados todos os lumens, que dão forma à matéria no espaço: o reflexo expande-se. estende-se. dilata-se. rasgando o ar até ao seu inatingível infinito. objectivamente, a luz ganha cor. muda de forma. altera os tons. o contraste e o brilho. emite sons... dílui-se no opaco e misterioso céu. na base da nossa existência: sempre o céu. sábio povoado de ancestrais peregrinos. novamente o retorno à luz, que dá lugar à grande obra: o pluralismo das cores. a aprendizagem duma nova linguagem acontece. é o significado do fino e frágil feixe de luz. o tempo vivo no espaço. o constante retorno à forma, ao contraste e ao brilho. vindos desta dança incansável, somos diáriamente impulsionados para o vazio: o sono. a vida é um fino e frágil feixe de luz. não há viagem mais turbulenta do que esta. ao inerte estado dos corpos, o zumbido disperta-nos. a matéria é então sacudida aos repelões: sai-se do sonho e cai-se no sono. aos tropeços e na reorganização das memórias, escutam-se confusos sons. metálica é a passagem: do acordar. o reflexo espande-se. estende-se. dilata-se. rasgando o ar até ao seu inatingível infinito. sai-se do corpo e a mente divaga. flutua-se noutro tempo. objectivamente, o espaço ganha cor. muda a forma. altera os tons, o contrate e o brilho. a paralesia cessa e o corpo readquire novos movimentos. a transição da consciência traz novas memórias. novos registos. é o overlap do estado de sono e do estado de vigilia. assim se faz, todos os dias à vida novamente a grande obra: o corpo. é o nosso tempo vivo no espaço. a eterna procura do fino e frágil feixe de luz. sempre impulsionados para retornar do vazio. à forma anímica da matéria. ao pluralismo das cores: à vida. }

[ Steve & Marc Anderson: Choying Drolma ]

27.9.08

[... O ofacto dos traços... ]

{ ... composto o cenário que nos leva ao novo mundo riscado pelos traços. as cores dão lugar a novas amizades. esboçados os primeiros personagens, nascem ilhas de novos sorrisos. no grande mar do pano cru da tela branca, o novo mundo começa então a ser pensado. pausadamente sem pressas. sem tempo. sem rotas ou mapas. há nesta grande travessia, conhecidos odores em todos traços. porque... todas as cores têm cheiro próprio. se as nossas memórias não tivessem odores, todas as cores seriam escolhidas aliatóriamente. só que nada disso acontece! primeiro o branco dá lugar ao negro. tudo é contraste de si mesmo. só as linhas pretas riscam novos rumos. recolhem caminhos. são os dias solitários na arte de bem navegar. depois, embarca-se num mar que revoltuosamente riscado: nos leva sempre a um mágico lugar. só a sorte é composta de riscos que subrepõem tudo o que é lógico. abrem-se novas fronteiras, entre os odores e o espaço. surgem novas linhas que nos fazem voar. e vamos assim... de tão mergulhados na pressa, ao novo mundo chegar. se o mundo não fosse riscado por nós, todas as cores deixariam de existir, no vasto mar da tela branca. toda a travessia é imaginada, pensada, riscada, vivida: de isoladas memórias. entre os odores e o espaço do novo mundo, nascem novas ilhas de sorrisos... porque hoje, todas as cores têm cheiro próprio. }

[ Frederico Corado: Apresenta!...]

26.9.08

[ A viagem editada. ]

{... maria quintães e joao concha, convidam-nos a ler e a ver, a escrita e a ilustração publicada em forma de livro. é a "apoplexia da ideia" editada pela papiro editora, que lauro antónio hoje apresenta na fnac. é por vezes o que acontece quando uma "bandida" (nome do blog de maria quintães), se cruza com um "intruso" ( nome do Blog de joão concha), através das novas formas de comunicação. trocadas as palavras escritas em desenhadas horas de plena criação: da ideia se faz o livro. um desenho. uma história repleta de complexos personagens. por vezes... apenas figuram as palavras. recortes passageiros de emoção. sentimentos. fragmentos do Sentir. outras vezes são apenas cores. verdadeiros estados de alma. na realidade a grande mala desta viagem tem um único destino: o da criação. o resto... o resto são ciclos descritos em desiguais mil e tantas folhas. sem o tempero que nos leva a tais condimentos: das letras e dos pigmentos, ficamos nós, cansados de viver. cansados?... nunca! só quem pensa que não há lugar para novos desafios, é que já morreu faz tempo. como é bom saber que estamos vivos... sempre!..}

[... Apoplexia da Ideia ...]

25.9.08

[ FICAP: Dirigido por Frederico Corado! ]

{... Dirigido por Frederico Corado, o FICAP - Festival Internacional de Cinema de Artes Performativas apresenta a sua “edição zero”, que desde o passado dia 20 de Setembro decorrerá até dia 28 de Setembro (Domingo), no Museu Nacional do Teatro, em Lisboa. Tendo como foco principal as artes performativas, como o teatro, a música, o circo e a dança, o festival não deixa de ser uma janela para as outras artes como o próprio cinema, mostrando o que de melhor se faz na 7.ª Arte em todo o mundo. O festival pretende realizar as secções oficiais de competição, que se dividem em várias partes: documentários (biografias, making of, etc), espectáculos gravados, ficção e as artes performativas enquanto ferramenta usada pelo cinema e o audiovisual. Haverá ainda secções informativas com homenagens e retrospectivas, sendo escolhidos todos os anos autores, actores, músicos, coreógrafos ou bailarinos, companhias de circo ou teatro, estilos ou géneros diferentes. Para além de toda esta programação haverá ainda extras com concertos ou espectáculos, exposições, colóquios, debates ou conversas. Frederico Corado fez a sua aposta! Um investimento pessoal que pretende divulgar as diversas áreas artísticas, que se inserem na moldura das artes performativas.
Em http://lauroantonioapresenta.blogspot.com,Lauro António,descreve o retrato do que tem sido (para alguns), a cultura Portuguêsa: (...) "Depois há ainda a alegria de ver o filho a singrar caminho solitário. Feliz. Sem um euro no bolso. Mais um a funcionar como mecenas da cultura em Portugal." Ao Frederico Corado, as melhores felicidades pela iniciativa apresentada e que promove em território nacional. E porque ainda vamos a tempo de participar no Festival, é através do Site: www.ficap.pt, que ficamos a saber toda a Programação do FICAP, que acontece na Estrada do Lumiar Nº 10, no Museu Nacional do Teatro, e ainda peloTel: (+351) 217 567 410/9 }

[... A caminho de Santiago...]

{"... e espera que passem peregrinos que vêm de Roma para Compostela, aqueles vis danados que nunca quiseram vender a alma em troca do meu condão." - antigo Livro de S. Cipriano, de N. A. Molina. http://acompostela.blogspot.com/... é um dos blog's do fotografo lourenço de almada, onde entre tantos outros detalhes, testemunha o seguinte: (...) No meu ponto de vista, então para ser considerado um verdadeiro Caminho de Santiago, além ter de ser coerente com os registos documentais e monumentais que permitam fundamentar o trajecto, que é o garante da sua autenticidade histórica, deve acima de tudo, tal como antigamente, proporcionar a quem o percorre o contraste com a vida citadina. Para ser um sucesso exemplar no convite ao retiro e ao recolhimento interior, tal como sempre foi, tem de oferecer a serenidade e o ambiente que se vivia no passado e que se quer continuar a reviver. Para isso, sempre que possível, devem-se tentar evitar todos os factores que não se adeqúem nada com ele e que sejam motivo de stress, de pressa e de competição, visíveis na tensão dos rostos e agressividade das pessoas. Todos eles são consequência dos malefícios e exageros da vida moderna, visíveis no trânsito motorizado, nas zonas urbanas mais poluídas ou industrializadas e nos excessos de um conforto ilusório de uma hotelaria descaracterizada e desprovida de humanismo, para com o seu semelhante.” escreve lourenço de almada na busca do contraste que povoa a alma do peregrino na eterna busca do seu "eu".]

[... Let the sun guide you...]

24.9.08

[...Sabores Nacionais Ilustrados...]

{..."À porta do lagar, num gesto todos os anos repetido, o homem mergulha o naco do pão caseiro na malga e quando o retira, dele se escapa um fio dourado de onde se desprende o odor inigualável da azeitona, prensada segundo os métodos mais tradicionais. É um momento solene, este da prova, que descobre novos mundos dentro do mundo do azeite. Cru, em saladas, nos gaspachos e nas tibornas, ou então nos assados, nas migas e açordas, nas bolas e folares, nas sopas, nas caldeiradas, nos escabeches, na doçaria, ou na conservação de alimentos. Um tempero caractrístico da nossa vida. Foi há pouco tempo que deixou de iluminar as casas e ainda hoje a sabedoria popular o prescreve como cicratizante. Após décadas de adormecimento, assiste-se hoje a um regresso às origens, com lagares artesanais a serem recuperados e as pedras que voltam a espremer a azeitona e a transformá-la num verdadeiro ouro líquido. Longe de nós querer pô-lo com os azeites, só gostaríamos que provasse os nossos. in " O Ribatejo na sua riqueza interior"/ Almotolia de Mestre Serrasceno de Abrantes...}

[... Mil tons de sabores!...]

[...Dourados são os Rios de Portugal...]

[...Na rota dos temperos...]

[...O Senhor dos Azeites...]

23.9.08

[...As Cores Açucaradas do Outono...]

[...as cores podem ser açucaradas, salgadas, azedas, ácidas, quentes, frias, mornas... e ausentes no quotidiano dos nossos dias. as cores também se ingerem; cheiram-se; saboreiam-se; mastigam-se... em mil arrepios de tons! o que seria dos sabores, se todos eles fossem ausentes de cor. há na memória do açucar... sempre a presença do pigmento amarelo. mas, à mesa apresenta-se todos os dias sempre de branco. o que seria da compota de alperce, se fosse rouxa? provávelmente deixaria ter o mesmo sabor. seria geleia... ou outra coisa qualquer. teria outras memórias. outros sabores. entre a relação cor/apetite, há sempre uma selecção prévia e inconsciente dos alimentos que nos rodeiam. é curioso observar como - um determinado grupo de convidados numa festa servida em buffet-, compõem os seus pratos. eis a vertente da psicologia direcionada na selecção pessoal de cada refeição. é também o que se faz à mesa: cada prato tem um rosto. bem observados, chegamos deste modo à conclusão da personalidade de cada um. e se a vida se resumisse assim? por isso há quem afirme: que somos o que comemos. por isso, hoje vou fazer uma sopa rouxa e alimentar-me apenas de vegetais. isto porque o verde e o rouxo, traz-me à memória várias cambiantes de castanho: reais sabores do outono que se aproxima!...]