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{... desenrugado o grande pano das memórias, surgem imagens esfaceladas de um outro tempo qualquer. tudo é abstrato. as composições cromáticas degastam-se e as palavras esbatem-se. no vasto pano do tempo, tudo é supostamente riscado vagarosamente. tudo é... traço a traço. tempo a tempo. uma cor de cada vez. abstraídos dos gestos e da consonância das linhas: tudo é abstracto. molda-se a luz. aviva-se o contraste e retira-se o excesso. risca-se novamente. os traços sobrepõem-se e preenchem o vazio. tudo é supostamente riscado devagar. tempo a tempo. diluídas as antigas cores, os pigmentos apontam a memória de outros dias. traço a traço. tingem-se linhas e as formas ganham novas volumetrias. as tonalidades do tecido que nos compõe, nunca se desajustam. segregadas as cores, a conscistência dos sonhos amplia o espectro da vida. é nessa eterna descoberta que a imaginação é estimulada. tudo é abstrato. molda-se a luz e novos universos dão lugar a outros tempos. traço a traço. vagarosamente. preenchendo o vazio de vivacidade. porque... tudo é abstrato! o que seria do mundo, se todo ele fosse uniforme?... certamente que adormeceríamos para sempre. ausentes de cor. sem memórias. reencostados nas sombras da sonolência. }
{... o céu, está sempre aberto aos nossos acrobáticos voos. à medida que nos aproximamos, tudo é (-) infinito. o pensamento deixa de ter importância. a realidade é outra. o desconhecido passa a encosta do horizonte, e desenrugam-se as incógnitas: do que somos. será mesmo que o universo tem fim? se pudessemos abrir-nos ao céu, sempre que assim quisessemos voar... há muito que estaríamos no limiar do (+) infinito. é nessa discordante aritmética que a vida encorpa alguma lógica. onde, se podem encastelar todos os sonhos. sem divisões, nem subtracções. apenas, na multiplicação das suas mais desejadas variantes. até lá, todas as horas ficam suspensas. como são sábias as poeiras que anuviam o futuro dos próximos dias... se o céu não estivesse aberto a novos voos, à medida que nos aproximamos, do que somos: o pensamento deixaria de ter importância. o implacável universo da criação nublar-se-ia. tudo deixaria de fazer sentido. sem imaginação, a vida era certamente muito mais entristecida. tudo seria infinitivamente sempre igual. tudo. sem (+) nem (-) de tudo: o que ainda não somos. }
{... nos sonhos, tal como no universo, há inúmeros aneís da poeira, imagens e sons, que compõem o grande dicionário da linguagem das cores. lá... nesse arquipelágo do desconhecido, todas as visões são armazenadas, no hemisfério direito do nosso cérebro. e há ainda quem diga que a alma está no cérebro! que assim o afirma, é eduardo punset, no seu mais recente livro: "A Alma está no Cérebro". posto isto, o que será então dos cegos, cujo universo das percepções, são certamente bem diferentes às nossas?... francamente ainda não o li. mas, tenho-o já comigo, para quando ausente dos sonhos estiver, iniciar atentamente a sua leitura. isto porque, na recente entrega cromática, à pesquisa dos novos conteúdos que fazem nascer as novas obras: tudo se interliga. é como que... e quase por milagre, todos os assuntos fossem: o misterioso arquipelágo dos sonhos. da curiosidade ao conhecimento, e estafadas todas as realidades que os nossos olhos podem alcançar: viramo-nos para os infinitos aneís da mente. na procura das cores que subrepõem a lógica dos seus mútiplos significados, em todas as fases do sono. no 1º sono, há areias de poeira azul que gradualmente e em paralelo, nos levam a outras cambiantes, até que se termine o seu grande ciclo. sonhar a cores é desembarcar todas as noites, no grande mar azul estrelar!... ontem, aneís de poeira azul, deram lugar ao 1º sono. depois... os sonhos. no lugar, onde tudo acontece: no fascinante universo da nossa mente. }
{... e primeiro surgiram as cores!... no vasto manto negro do universo, no início de tudo, e na continuidade do visível, daquilo que vemos e que se atraí, à poeira que se agrupa na dança infinita da vida: as cores vingam primeiro no grande mapa do espaço. se as cores não existissem, o universo não tinha lugar na escala da nossa existência. o que seria do espaço sem matéria?... e se a matéria não tivesse cor? deixariamos de ver o que realmente existe... a vida, provém duma cadeia de coloridas cordas. aqui, em nós e no espaço. deus queira que as cores nunca se saturem. que as cambiantes do seu espectro continuem a gerar novos tons. novas formas de energia nas suas alternativas redes. que a cadeia não finda. nunca finda. nos seus mais excêntricos e existentes pantones! no vasto manto do universo, haverá ainda certamente, muito tecido livre à espera da dança das cores. que mais podem querer os pintores, se o próprio universo disperta a inspiração criativa, na selecção cromática em toda a sua matéria? que mais cores existirão para além do que os nossos olhos podem alcançar?... se pudessemos também nós, colorir a sua matéria longínqua, há muito que garridas cores estariam bordadas, no seu extenso véu. talvez seja por isso, que somos também nós, mera poeira sempre à espera - que no final de tudo -, sejamos então nós e no espaço: a continuidade do visível!...}
{... concretizado o sonho, portugal tornou-se real há 865 anos!... há também sonhos assim. há sonhos que se concretizam para além de todas as regras que condicionam a impossibilidade dos nossos desejos. refeitas as memórias que nos levam a concretizar o desejo à ideia, o passado projecta-nos no futuro. só assim o presente ganha sentido. sem as memórias do que somos, como poderiamos continuar a sonhar? tudo seria absurdamente virtual e deixaria de haver mais mundo neste mesmo mar que nos concretizou. e vamos sonhando sem a noção da idade dos dias, porque novos mundos dão à sede da descoberta: novas conquistas do saber. por isso, navegamos faz anos! cantamos em vida a portugalidade e com ela sonhamos juras de liberdade. foi assim que há 865 anos alguém sonhou. secretos castelos de desejos foram erguidos e novos mapas vencidos. portugal assim se fez! deixada a saudade à proa, partimos de lisboa... rumo a novas terras, por tanto e com elas se sonhar. benditos navegados sonhos nossos, que de tantos feitos gloriosos, deram nobre alma ao povo português. o que seria de nós se assim alguém nunca tivesse sonhado? sem eles, a missão de todos nós, desapareceria neste original universo, aparentemente construído nas misteriosas ilhas da nossa fantasia. tornar real o sonho desejado, foi sempre a nossa maior aventura!... é exactamente por isso que hoje se cumprem: 865 anos do sonho real de um grande português!... }
{... a capacidade mnemônica tem misteriosas variantes. tudo o que se sente, vê e ouve... é também reproduzido ( tal como os filmes), no grande universo dos sonhos. deles, só recordamos fragmentos da sua complexa construção. todos os movimentos são sugeridos, por desconhecidos mentores que nos ligam, ao diálogo das diferentes e opostas emoções. desfagmentadas as imagens, tudo se liga e acontece. arrastam-se os movimentos sem imposições ou regras. os frames, sobrepõem-se à leitura lógica dos objectos no espaço e eis-nos perante um promissor registo criativo: a informação pessoal, chega à fronteira selectiva das nossas memórias. capta-se isoladamente cada detalhe e amplia-se até a imagem esbater em nós a sua própria resolução. criam-se novas linguagens e correntes artísticas. rasgam-se todas as colagens contemporâneas e volta-se ao início. ao estado primário da cor, da luz e da sombra. todos os dias se parte para outro lado qualquer à procura de um novo ponto de fuga. um dia, certamente que existirão outros meios, para reproduzir todo este universo em suportes informáticos: o leitor de sonhos. posto no mercado, o mundo jamais será o mesmo. se tudo fosse assim, quem não gostaria de ter o seu próprio leitor? até lá... faz-se a manutenção mnemônica, enquanto houver tempo para pensar... no que se sente, vê e ouve... durante a projecção de cada sonho, no grande ecran da vida.}
{... quebrada toda a turbulência do Sentir: a alma abre um novo universo. sonha-se. é o estado da diluição do Eu, e tudo o que nos rodeia. as cores alteram os seus significados e adquire-se pontualmente o desconhecido. afinal, as sombras são medos que se escondem de nós e do ruído dos dias. esbatidos todos os medos: flutua-se. e sempre envoltos de originais pantones, a velocidade do Eu alcança rápidas tonalidades. tudo é novo. tudo é rápido. tudo é veloz. saídos de todos os contextos, esfolheam-se páginas novas do mistério da vida. o azul impera! os contrastes das formas e dos objectos, difundem-se numa espécie de ar líquido. apesar de nunca se saber qual a verdadeira missão desta viagem, agarra-se no novo livro... e lê-se. sofregamente antes que tudo acabe. tudo se evapore. e lê-se sem medo que o azul primário, esbata de repente noutro pigmento e se dilua noutra cor qualquer que não fazia parte da nossa paleta inicial. nos sonhos, nunca sabemos se fomos nós ou se a foi a cor que nos escolheu. alteram-se as imagens e desenham-se novos caminhos, riscados em requeridas emoções. nos sonhos lúcidos... nesse universo multidimencional, há quem consiga interagir e alterar a textura de cada enredo. estimulada a nova visão da consciência, surgem contornos únicos, que do aparente estado de adormecimento, ganham novos e vivos ritmos. novos diálogos. para alguns... o argumento original, regateia sempre o fim de cada estória, com quem sonha. é então que a arquitectura do cérebro é animada e a criatividade aumenta. tudo pode passar a amarelo e refazem-se as imagens antes que tudo desapareça. antes... que se suma e se evapore para sempre: toda a nossa capacidade de sonhar.}
{... adormecidas as imagens, a água inunda as memórias do que fomos. à noite, as praias despem-se dos ressequidos e extensos areais. é a dança das marés. animada a maestria das emoções, revoltas são as ondas, que vezes sem conta, chegam ao limite das nossas praias. avivam-se as memórias, largadas faz tempo, em bancos esquecidos, das nossas outras passagens. estranhos contrates acontecem e o pensamento fica volúvel à imaginação. sonha-se. fazemo-nos à nova terra descalços das mundanas arrelias. lançamo-nos ao mar. sem medo. porque nele, não há barcos que acabem: sempre a naufragar. afinal, também nós somos feitos de água. mergulhados no presente, o passado evapora-se nas mesmas ondas que nos levam até ao futuro. porque só o fim nos completa. estranha dança essa, que de tão incerta, ainda tanto tem... e dizem que tudo o que se vive durante o sono: é como se nada fosse!... mas é nesse nada, que se abrem desconhecidos mapas e a viagem começa. sonha-se com novas ilhas: riscadas a giz e baptizadas a sal. e ali ficamos. nós e elas, vindas do sonho e do fundo dos mares. porque só nos sonhos, as ilhas são para sempre dançadas e pintadas em águadas de mil miragens. por isso sonhamos. sonha-se... e a terra foi-se. }
{... a vida é um fino e frágil feixe de luz. compartimentados todos os lumens, que dão forma à matéria no espaço: o reflexo expande-se. estende-se. dilata-se. rasgando o ar até ao seu inatingível infinito. objectivamente, a luz ganha cor. muda de forma. altera os tons. o contraste e o brilho. emite sons... dílui-se no opaco e misterioso céu. na base da nossa existência: sempre o céu. sábio povoado de ancestrais peregrinos. novamente o retorno à luz, que dá lugar à grande obra: o pluralismo das cores. a aprendizagem duma nova linguagem acontece. é o significado do fino e frágil feixe de luz. o tempo vivo no espaço. o constante retorno à forma, ao contraste e ao brilho. vindos desta dança incansável, somos diáriamente impulsionados para o vazio: o sono. a vida é um fino e frágil feixe de luz. não há viagem mais turbulenta do que esta. ao inerte estado dos corpos, o zumbido disperta-nos. a matéria é então sacudida aos repelões: sai-se do sonho e cai-se no sono. aos tropeços e na reorganização das memórias, escutam-se confusos sons. metálica é a passagem: do acordar. o reflexo espande-se. estende-se. dilata-se. rasgando o ar até ao seu inatingível infinito. sai-se do corpo e a mente divaga. flutua-se noutro tempo. objectivamente, o espaço ganha cor. muda a forma. altera os tons, o contrate e o brilho. a paralesia cessa e o corpo readquire novos movimentos. a transição da consciência traz novas memórias. novos registos. é o overlap do estado de sono e do estado de vigilia. assim se faz, todos os dias à vida novamente a grande obra: o corpo. é o nosso tempo vivo no espaço. a eterna procura do fino e frágil feixe de luz. sempre impulsionados para retornar do vazio. à forma anímica da matéria. ao pluralismo das cores: à vida. }
{ ... composto o cenário que nos leva ao novo mundo riscado pelos traços. as cores dão lugar a novas amizades. esboçados os primeiros personagens, nascem ilhas de novos sorrisos. no grande mar do pano cru da tela branca, o novo mundo começa então a ser pensado. pausadamente sem pressas. sem tempo. sem rotas ou mapas. há nesta grande travessia, conhecidos odores em todos traços. porque... todas as cores têm cheiro próprio. se as nossas memórias não tivessem odores, todas as cores seriam escolhidas aliatóriamente. só que nada disso acontece! primeiro o branco dá lugar ao negro. tudo é contraste de si mesmo. só as linhas pretas riscam novos rumos. recolhem caminhos. são os dias solitários na arte de bem navegar. depois, embarca-se num mar que revoltuosamente riscado: nos leva sempre a um mágico lugar. só a sorte é composta de riscos que subrepõem tudo o que é lógico. abrem-se novas fronteiras, entre os odores e o espaço. surgem novas linhas que nos fazem voar. e vamos assim... de tão mergulhados na pressa, ao novo mundo chegar. se o mundo não fosse riscado por nós, todas as cores deixariam de existir, no vasto mar da tela branca. toda a travessia é imaginada, pensada, riscada, vivida: de isoladas memórias. entre os odores e o espaço do novo mundo, nascem novas ilhas de sorrisos... porque hoje, todas as cores têm cheiro próprio. }