17.10.08

[ ...Semitom das Cores...]

{... e todos os dias se pousam os pinceís. aguarda-se a secagem das telas e observa-se o universo criado. escuta-se a musicalidade da cor, ao ritmo de um outro universo que já acontece. nessa dança... que nos faz saltar para o telhado dos sonhos: o céu fica sempre mais perto. todos os dias. a todo o tempo. olham-se as cores. aos pares. isoladamente. frente a frente. lado a lado. animadas em ritmos abstractos. pousados. agitados. por vezes, adormecidos no outro lado do sono. isoladamente embalados. todos os dias. porque... na dança das cores a vida esplode: a magia acontece.}

[ Nouvelle Vague..."dance with me"]

16.10.08

[... Distâncias ...]

{... tabuada a vida, todos os caminhos nos levam à incógnita do destino. é, nessa incógnita, que o tempo divide a raiz: do que somos. porque... se à soma da distância percorrida, multiplicarmos a viagem: só o desnecessário é subtraído. }

[... Matthaus Passion ...]

15.10.08

[ ... Adivinhação do Sono... ]

{... recaídos na horizontal, os corpos sonegam novas experiências. o que seria do pensamento sem a misteriosa extensão da vida: o sono. matizadas as cores, fecha-se os olhos e a viagem dá-se à adivinhação. desabrigados do que somos: viaja-se no futuro, passado, presente. movimentos estaticos traduzem invisíveis voos. recortam-se desejos. assaltam-se memórias esquecidas. trazem-se recados. avistam-se estranhos momentos que ganham reflexo no espelho do que somos. será que ficamos parados no tempo, sempre que entramos na misteriosa extensão da vida? sem resposta. apenas conhecemos o corpo e a alma. ambos, entregues à distorção do tempo e do pensamento. prefazendo todas as fases do sono. sem ideias. sempre estaticos. até que se queira acordar e o corpo responda. passagem que nos faz abandonar a longa divagação do eu. entre a alma e o corpo. deitado sobre si mesmo. sem pensamento, imagens, sons, sensações... divorciados da imaginação. que outra extenção da vida teríamos de inventar, para substituir o universo dos sonhos? nada. a realidade, tornar-se-ia um enorme vazio. acordar primeiro que o corpo, é desvultar a neblina do que somos. é acreditar na continuidade da única coisa que nos leva à imaginação: a alma. sem ela, jamais sentiríamos o desapego do corpo; a sensação de retorno; o regresso dos sonhos. dizimadas todas as saudades, talvez não quisessemos voltar. talvez... porque não podemos ficar recaídos: na horizontal para sempre. }

[...Yoshiki ...]

14.10.08

[... Loreta Lorenzon... ]

{... da argentina, loreta lorenzon enviou notícias da sua obra. as palavras remetem para um site. abertas as cores que traduzem a sua arte: sentei-me literalmente na obra. há, entre os seus quadros, cadeiras pintadas que se revestem de múltiplas cores. recorta-se a tela. isto porque, nem todos os quadros estão fixos à parede. é uma forma, que a própria forma encontrou, para intervir nos objectos do quotidiano. tingido o pano, agrafa-se à madeira e a própria tela expõe-se. o objecto abre outra dimensão. no mundo das volumetrias tudo é possível. tudo é imaginável na arte. tudo se pode repetir vezes sem conta. reproduzem-se réplicas da obra ou apenas e só: uma única vez. é o que acontece quando as cores se abrem às fusões artísticas. foi assim que li as cores de loreta lorenzo. nas cidades povoadas, os objectos do quotidiano cobrem-se de vivacidade. criam-se personalidades próprias nas arquitecturas de cada um. isoladamente. caso a caso. recorta-se o original e criam-se universos personalizados. peça a peça. objecto a objecto. porque... abertas as cores: a obra nasce. e vezes sem conta, sentados na ideia: o mundo revela-nos. aguarda-nos. observa-nos. reencosta-se em cadeiras pintadas, à espera que a obra aconteça. nós e ele. no único ponto, que em toda a sua imensidão: tudo é cor. }www.loretalorenzon.com.ar

[... Pablo Ziegler ... ]

13.10.08

[... Tempo a tempo... ]

{... desenrugado o grande pano das memórias, surgem imagens esfaceladas de um outro tempo qualquer. tudo é abstrato. as composições cromáticas degastam-se e as palavras esbatem-se. no vasto pano do tempo, tudo é supostamente riscado vagarosamente. tudo é... traço a traço. tempo a tempo. uma cor de cada vez. abstraídos dos gestos e da consonância das linhas: tudo é abstracto. molda-se a luz. aviva-se o contraste e retira-se o excesso. risca-se novamente. os traços sobrepõem-se e preenchem o vazio. tudo é supostamente riscado devagar. tempo a tempo. diluídas as antigas cores, os pigmentos apontam a memória de outros dias. traço a traço. tingem-se linhas e as formas ganham novas volumetrias. as tonalidades do tecido que nos compõe, nunca se desajustam. segregadas as cores, a conscistência dos sonhos amplia o espectro da vida. é nessa eterna descoberta que a imaginação é estimulada. tudo é abstrato. molda-se a luz e novos universos dão lugar a outros tempos. traço a traço. vagarosamente. preenchendo o vazio de vivacidade. porque... tudo é abstrato! o que seria do mundo, se todo ele fosse uniforme?... certamente que adormeceríamos para sempre. ausentes de cor. sem memórias. reencostados nas sombras da sonolência. }

[Joey Baron+John Zorn MASADA.Beeroth]

10.10.08

[ ...Aritmética dos Sonhos... ]

{... o céu, está sempre aberto aos nossos acrobáticos voos. à medida que nos aproximamos, tudo é (-) infinito. o pensamento deixa de ter importância. a realidade é outra. o desconhecido passa a encosta do horizonte, e desenrugam-se as incógnitas: do que somos. será mesmo que o universo tem fim? se pudessemos abrir-nos ao céu, sempre que assim quisessemos voar... há muito que estaríamos no limiar do (+) infinito. é nessa discordante aritmética que a vida encorpa alguma lógica. onde, se podem encastelar todos os sonhos. sem divisões, nem subtracções. apenas, na multiplicação das suas mais desejadas variantes. até lá, todas as horas ficam suspensas. como são sábias as poeiras que anuviam o futuro dos próximos dias... se o céu não estivesse aberto a novos voos, à medida que nos aproximamos, do que somos: o pensamento deixaria de ter importância. o implacável universo da criação nublar-se-ia. tudo deixaria de fazer sentido. sem imaginação, a vida era certamente muito mais entristecida. tudo seria infinitivamente sempre igual. tudo. sem (+) nem (-) de tudo: o que ainda não somos. }

[ Rocky Marsiano Live at Interparla.08 ]

9.10.08

[...Aneís de poeira azul: dão lugar ao 1º Sono ... ]

{... nos sonhos, tal como no universo, há inúmeros aneís da poeira, imagens e sons, que compõem o grande dicionário da linguagem das cores. lá... nesse arquipelágo do desconhecido, todas as visões são armazenadas, no hemisfério direito do nosso cérebro. e há ainda quem diga que a alma está no cérebro! que assim o afirma, é eduardo punset, no seu mais recente livro: "A Alma está no Cérebro". posto isto, o que será então dos cegos, cujo universo das percepções, são certamente bem diferentes às nossas?... francamente ainda não o li. mas, tenho-o já comigo, para quando ausente dos sonhos estiver, iniciar atentamente a sua leitura. isto porque, na recente entrega cromática, à pesquisa dos novos conteúdos que fazem nascer as novas obras: tudo se interliga. é como que... e quase por milagre, todos os assuntos fossem: o misterioso arquipelágo dos sonhos. da curiosidade ao conhecimento, e estafadas todas as realidades que os nossos olhos podem alcançar: viramo-nos para os infinitos aneís da mente. na procura das cores que subrepõem a lógica dos seus mútiplos significados, em todas as fases do sono. no 1º sono, há areias de poeira azul que gradualmente e em paralelo, nos levam a outras cambiantes, até que se termine o seu grande ciclo. sonhar a cores é desembarcar todas as noites, no grande mar azul estrelar!... ontem, aneís de poeira azul, deram lugar ao 1º sono. depois... os sonhos. no lugar, onde tudo acontece: no fascinante universo da nossa mente. }

[ ...No 2º Sono: De ocre se pinta o Vento... ]

7.10.08

[... Primeiro: Surgiram as Cores ...]

{... e primeiro surgiram as cores!... no vasto manto negro do universo, no início de tudo, e na continuidade do visível, daquilo que vemos e que se atraí, à poeira que se agrupa na dança infinita da vida: as cores vingam primeiro no grande mapa do espaço. se as cores não existissem, o universo não tinha lugar na escala da nossa existência. o que seria do espaço sem matéria?... e se a matéria não tivesse cor? deixariamos de ver o que realmente existe... a vida, provém duma cadeia de coloridas cordas. aqui, em nós e no espaço. deus queira que as cores nunca se saturem. que as cambiantes do seu espectro continuem a gerar novos tons. novas formas de energia nas suas alternativas redes. que a cadeia não finda. nunca finda. nos seus mais excêntricos e existentes pantones! no vasto manto do universo, haverá ainda certamente, muito tecido livre à espera da dança das cores. que mais podem querer os pintores, se o próprio universo disperta a inspiração criativa, na selecção cromática em toda a sua matéria? que mais cores existirão para além do que os nossos olhos podem alcançar?... se pudessemos também nós, colorir a sua matéria longínqua, há muito que garridas cores estariam bordadas, no seu extenso véu. talvez seja por isso, que somos também nós, mera poeira sempre à espera - que no final de tudo -, sejamos então nós e no espaço: a continuidade do visível!...}

[... as cordas do universo... ]

5.10.08

[ ... A Idade do Sonho Português... ]

{... concretizado o sonho, portugal tornou-se real há 865 anos!... há também sonhos assim. há sonhos que se concretizam para além de todas as regras que condicionam a impossibilidade dos nossos desejos. refeitas as memórias que nos levam a concretizar o desejo à ideia, o passado projecta-nos no futuro. só assim o presente ganha sentido. sem as memórias do que somos, como poderiamos continuar a sonhar? tudo seria absurdamente virtual e deixaria de haver mais mundo neste mesmo mar que nos concretizou. e vamos sonhando sem a noção da idade dos dias, porque novos mundos dão à sede da descoberta: novas conquistas do saber. por isso, navegamos faz anos! cantamos em vida a portugalidade e com ela sonhamos juras de liberdade. foi assim que há 865 anos alguém sonhou. secretos castelos de desejos foram erguidos e novos mapas vencidos. portugal assim se fez! deixada a saudade à proa, partimos de lisboa... rumo a novas terras, por tanto e com elas se sonhar. benditos navegados sonhos nossos, que de tantos feitos gloriosos, deram nobre alma ao povo português. o que seria de nós se assim alguém nunca tivesse sonhado? sem eles, a missão de todos nós, desapareceria neste original universo, aparentemente construído nas misteriosas ilhas da nossa fantasia. tornar real o sonho desejado, foi sempre a nossa maior aventura!... é exactamente por isso que hoje se cumprem: 865 anos do sonho real de um grande português!... }

[...O Infante... ]

4.10.08

[ ...O Leitor dos Sonhos... ]

{... a capacidade mnemônica tem misteriosas variantes. tudo o que se sente, vê e ouve... é também reproduzido ( tal como os filmes), no grande universo dos sonhos. deles, só recordamos fragmentos da sua complexa construção. todos os movimentos são sugeridos, por desconhecidos mentores que nos ligam, ao diálogo das diferentes e opostas emoções. desfagmentadas as imagens, tudo se liga e acontece. arrastam-se os movimentos sem imposições ou regras. os frames, sobrepõem-se à leitura lógica dos objectos no espaço e eis-nos perante um promissor registo criativo: a informação pessoal, chega à fronteira selectiva das nossas memórias. capta-se isoladamente cada detalhe e amplia-se até a imagem esbater em nós a sua própria resolução. criam-se novas linguagens e correntes artísticas. rasgam-se todas as colagens contemporâneas e volta-se ao início. ao estado primário da cor, da luz e da sombra. todos os dias se parte para outro lado qualquer à procura de um novo ponto de fuga. um dia, certamente que existirão outros meios, para reproduzir todo este universo em suportes informáticos: o leitor de sonhos. posto no mercado, o mundo jamais será o mesmo. se tudo fosse assim, quem não gostaria de ter o seu próprio leitor? até lá... faz-se a manutenção mnemônica, enquanto houver tempo para pensar... no que se sente, vê e ouve... durante a projecção de cada sonho, no grande ecran da vida.}