27.10.08

[... Dançatriz ... ]

{... rodada a saia. soltámos sonhos. dançámos a vida em bordados desejos. somos todas as cores. vivemos assim na dança da vida. incansávelmente até que o pano ceda. se rompa no tempo. aqui. onde o vento traz memórias de todas as horas. dançadas. em solitárias águas agitadas de prazer. soltámos sonhos. atravessámos rios. abrimos novas fronteiras. dançámos de todas as maneiras. incansávelmente até que o pano ceda. se rompa no tempo. aqui. dançamos a vida. pintada de todas as cores. bordamos desejos. rodopiamos memórias. dançamos sonhos. sempre. enquanto é tempo: vivemos assim. }

[Jimpster Feat.Capitol A.Left and Right]

26.10.08

[ ...Fisiologia do Ser... ]

{... se pudessemos rebater o futuro, na sombra do que somos, a encruzilhada desta viagem deixaria de fazer sentido. tudo está teimosamente decidido assim. somos o que nunca se é realmente, porque no relógio do tempo, somos sempre sombra do já que fomos. essencialmente, somos desenhadores de outros mundos. ser mais do que isto... tudo deixaria de fazer sentido. todos os sonhos ficariam adormecidos. enterrados nas areias do desejo. guardados para uma próxima viagem. suspensos na superfície do tempo. tudo está decidido assim. somos desenhadores de outros mundos. projectamos o futuro na poeira do que somos. sempre entregues à aventura do presente. condenados a dobrar todos os medos. teimosamente à espera de novos mundos. sempre. teimosamente. porque somos muito mais... do que todos os medos sombreados à superfície do tempo. }

[ Yann Tiersen: Rue des Cascates ]

25.10.08

[ ...Laranja é o círculo... ]

[... dizem que laranja é cor quente. dizem... porque o sol assim se pintou. jogada a mão à caixa da vida: somos sempre a primeira cor. aquela. a do momento. seja cor pedra, gelo, planta, céu, morte, eforia, tristeza ou da cor do nada. a do momento. aquela que nos fecha num semi-círculo por breves segundos. que nos projecta e nos transforma em outras ambiências. diferentes, iguais, parecidas. dizem... dizem que já tudo está inventado. o círculo, o quadrado, as cores, os sons - a vida. o vazio. se não fosse a caixa da criação, nada era quente em vez de frio. tudo seria indiferentemente concentrado em apenas um único ponto. em coisa nenhuma. no tom do momento. na primeira cor do que somos!... }

[ Luis Represas - Sagres ]

23.10.08

[... Solids Sounds ...]

{... desafiadas as cores, surgem sempre inventadas escolhas. aberta a caixa da vida, a paleta das emoções ganha novas e multiplas sonoridades. é nela, que diáriamente escolhemos a cor do nosso próprio risco. teimosamente. sempre. em passagem entre o inacabado e o perfeito. mergulhados na paleta intimidatória da vida: à espera. olha-se e risca-se. ouve-se e traça-se. dedilhadas as emoções: observa-se. afiam-se os lápis e depois... que o amanhã abra novos dias. teimosamente. sempre. porque quase nunca se dá conta - de que cor se pinta a vida -, em cada dia que passa... }

[ Brian Eno & Nitin Sawhney ]

20.10.08

[ ... Sonata em 3/4 de Azul...]

{... desafiadas as cores, tudo é o que entendemos que seja. lançados rumo ao céu, num salto de costas livres, rasgam-se todas as leis do universo. é assim que a imaginada viagem sempre começa. misturam-se as cores. invertem-se os significados. o desejado vira deserto e o improvável acontece. nessa impartilhável fracção do tempo, o extinto azul do mundo abre um outro céu. em piroetas azuis rasgamos a densidade das ideias. tudo é o que entendemos que seja. todos os tons se diluem... e o tempo traz o laranja, o ocre e o cinza às zangarias do momento. não há horizontes fixos nem dimensões pré-estabelecidas. não há preguiça que vença a vibração das cores. assim se fica em voo aberto até que a imaginação cumpra novas promessas. o voo faz-se. assim se fica. atentos. sempre atentos ao esperguiçar das novas cores. até à próxima primavera o voo faz-se em piroetas azuis. à espera dum novo céu. misturam-se as cores. invertem-se os significados. o deserto vira desejado. até que tudo esteja pronto... tudo é o que entendemos que seja. tudo é allegro, vivace, appassionato... misterioso!}

[ 3 Pianos Sonho dos Outros:Sassetti]

17.10.08

[ ...Semitom das Cores...]

{... e todos os dias se pousam os pinceís. aguarda-se a secagem das telas e observa-se o universo criado. escuta-se a musicalidade da cor, ao ritmo de um outro universo que já acontece. nessa dança... que nos faz saltar para o telhado dos sonhos: o céu fica sempre mais perto. todos os dias. a todo o tempo. olham-se as cores. aos pares. isoladamente. frente a frente. lado a lado. animadas em ritmos abstractos. pousados. agitados. por vezes, adormecidos no outro lado do sono. isoladamente embalados. todos os dias. porque... na dança das cores a vida esplode: a magia acontece.}

[ Nouvelle Vague..."dance with me"]

16.10.08

[... Distâncias ...]

{... tabuada a vida, todos os caminhos nos levam à incógnita do destino. é, nessa incógnita, que o tempo divide a raiz: do que somos. porque... se à soma da distância percorrida, multiplicarmos a viagem: só o desnecessário é subtraído. }

[... Matthaus Passion ...]

15.10.08

[ ... Adivinhação do Sono... ]

{... recaídos na horizontal, os corpos sonegam novas experiências. o que seria do pensamento sem a misteriosa extensão da vida: o sono. matizadas as cores, fecha-se os olhos e a viagem dá-se à adivinhação. desabrigados do que somos: viaja-se no futuro, passado, presente. movimentos estaticos traduzem invisíveis voos. recortam-se desejos. assaltam-se memórias esquecidas. trazem-se recados. avistam-se estranhos momentos que ganham reflexo no espelho do que somos. será que ficamos parados no tempo, sempre que entramos na misteriosa extensão da vida? sem resposta. apenas conhecemos o corpo e a alma. ambos, entregues à distorção do tempo e do pensamento. prefazendo todas as fases do sono. sem ideias. sempre estaticos. até que se queira acordar e o corpo responda. passagem que nos faz abandonar a longa divagação do eu. entre a alma e o corpo. deitado sobre si mesmo. sem pensamento, imagens, sons, sensações... divorciados da imaginação. que outra extenção da vida teríamos de inventar, para substituir o universo dos sonhos? nada. a realidade, tornar-se-ia um enorme vazio. acordar primeiro que o corpo, é desvultar a neblina do que somos. é acreditar na continuidade da única coisa que nos leva à imaginação: a alma. sem ela, jamais sentiríamos o desapego do corpo; a sensação de retorno; o regresso dos sonhos. dizimadas todas as saudades, talvez não quisessemos voltar. talvez... porque não podemos ficar recaídos: na horizontal para sempre. }

[...Yoshiki ...]

14.10.08

[... Loreta Lorenzon... ]

{... da argentina, loreta lorenzon enviou notícias da sua obra. as palavras remetem para um site. abertas as cores que traduzem a sua arte: sentei-me literalmente na obra. há, entre os seus quadros, cadeiras pintadas que se revestem de múltiplas cores. recorta-se a tela. isto porque, nem todos os quadros estão fixos à parede. é uma forma, que a própria forma encontrou, para intervir nos objectos do quotidiano. tingido o pano, agrafa-se à madeira e a própria tela expõe-se. o objecto abre outra dimensão. no mundo das volumetrias tudo é possível. tudo é imaginável na arte. tudo se pode repetir vezes sem conta. reproduzem-se réplicas da obra ou apenas e só: uma única vez. é o que acontece quando as cores se abrem às fusões artísticas. foi assim que li as cores de loreta lorenzo. nas cidades povoadas, os objectos do quotidiano cobrem-se de vivacidade. criam-se personalidades próprias nas arquitecturas de cada um. isoladamente. caso a caso. recorta-se o original e criam-se universos personalizados. peça a peça. objecto a objecto. porque... abertas as cores: a obra nasce. e vezes sem conta, sentados na ideia: o mundo revela-nos. aguarda-nos. observa-nos. reencosta-se em cadeiras pintadas, à espera que a obra aconteça. nós e ele. no único ponto, que em toda a sua imensidão: tudo é cor. }www.loretalorenzon.com.ar

[... Pablo Ziegler ... ]

13.10.08

[... Tempo a tempo... ]

{... desenrugado o grande pano das memórias, surgem imagens esfaceladas de um outro tempo qualquer. tudo é abstrato. as composições cromáticas degastam-se e as palavras esbatem-se. no vasto pano do tempo, tudo é supostamente riscado vagarosamente. tudo é... traço a traço. tempo a tempo. uma cor de cada vez. abstraídos dos gestos e da consonância das linhas: tudo é abstracto. molda-se a luz. aviva-se o contraste e retira-se o excesso. risca-se novamente. os traços sobrepõem-se e preenchem o vazio. tudo é supostamente riscado devagar. tempo a tempo. diluídas as antigas cores, os pigmentos apontam a memória de outros dias. traço a traço. tingem-se linhas e as formas ganham novas volumetrias. as tonalidades do tecido que nos compõe, nunca se desajustam. segregadas as cores, a conscistência dos sonhos amplia o espectro da vida. é nessa eterna descoberta que a imaginação é estimulada. tudo é abstrato. molda-se a luz e novos universos dão lugar a outros tempos. traço a traço. vagarosamente. preenchendo o vazio de vivacidade. porque... tudo é abstrato! o que seria do mundo, se todo ele fosse uniforme?... certamente que adormeceríamos para sempre. ausentes de cor. sem memórias. reencostados nas sombras da sonolência. }

[Joey Baron+John Zorn MASADA.Beeroth]