skip to main |
skip to sidebar
{... o traço de uma carta. estética da ecceidade. luís lima. o traço de uma carta...}
{... do seu tempo em palavras: nasce mais um livro do autor- luís lima. a escrita e a estética sempre associada às letras. as palavras. a simbologia e os relógios que nos apontam faz tempo neste percurso. faz tempo... ou nem tanto assim. já não sei! mas, é sempre bom saber que existem e entre nós... os que do seu próprio tempo: dão voz à obra. parabéns luís! http://ecceidade.blogspot.com a estética da ecceidade - o traço de uma carta, é o recente livro publicado pelas edicções minerva coimbra e bulhosa books & living, que será apresentado por luís carmelo no dia 28 de novembro às 18:30, na livraria bulhosa de entrecampo em lisboa. }
{... coladas. prensadas. embaladas. cozidas ao calor: as cores do gift que este inverno se misturam aos aromáticos grãos do café. somos: gift & collors!...}
{... aqui e um pouco por toda a montanha, as casas erguem-se frente a frente. teimosamente e entre estreitos passeios desenham ruas escavadas na serra. tudo é pedra. tudo é desoladamente frio quando o sol teima desaparecer. nos próximos dias, o ar desta aldeia, ficará todo perfumado a lenha. aqui, todas as pedras ganham sempre novas formas. trazidas pela força do vento que corre veloz neste tempo - as suas sólidas texturas, são aparadas em gritos de dança. algumas, saltam pela encosta. livres. esbarrando em desconhecidas moradas. outras, as mais iluminadas, adivinham cidades imaginadas. enganem-se os que pensam que nas montanhas tudo é silêncio. frente a frente e por enquanto, é nas cores quentes que animam o calor do fogo, que escutamos e criamos imagináveis castelos de pedra. }
{... se pintarmos de negro todas as sombras que o medo contem: aniquilar-se-iam todas as emoções que nos conduzem às invisíveis portas da criatividade. o que seria do pensamento, sem contornar os misteriosos corredores do desconhecido? sem tudo isto, ausentes estaríamos da negra cor que dá corpo ao universo. quem nunca atravessou a varanda do pensamento, em enorme correria, na pressa de chegar ao reflexo dos pigmentos que por excesso ou ausência - dão forma à matéria? sem pausas. atropeladamente. deixando para trás o raciocínio puro na ânsia de mais ver. alcançada a luz: eis as formas. compreendidas numa malha geométrica. composta de infinitas linhas que na sua constante multiplicação: se criam e se adivinham em universos paralelos. mais do que isto não existe. luz e sombra. mesmo quando o pensamento se ausenta das cores: todos os receios conduzem-nos à eterna dúvida do que realmente somos. por enquanto, nas linhas que compõem o nosso vasto universo: o medo pinta-se de negro. }
{... depois do exílio que nos leva a mágicos lugares. sentam-se os lápis. a matéria adormece. a gritaria das cores finda. ficamos mudos. parados no tempo. nós e as cores. sempre à espera de novos calendários. cruzam-se luas, invernos, primaveras... por vezes, o sol é tórrido e as nuvens são serradas. tudo é branco, azul, ocre. tudo é... e voltará a ser: deserto. as tintas, as cores, o mundo. sem tudo isto - regradamente e igual - não existiríamos. completam-se os indetermináveis ciclos. até que a cor se acabe. tal como a vida: a matéria recata-se por fim no esquecimento dos dias. despedimo-nos e partimos novamente em retiro. sempre. nós e as cores. }
{... na estrada branca que nos transporta até à cabana dos segredos, ao longue e depois de tudo isto: a serra. pintada de branco. fria. gelada. silenciosamente ali. no depois, e depois de todas as curvas. recatando a fugosa escalada. rasgando ares em direcção ao céu. tocando o vazio. sempre. silenciosamente. apontando o lugar onde todas as serras terminam. ali, no depois de tudo isto: branca. fria. gelada. }
{... os sonhos são detalhadamente: instrumentos da recriação humana. talvez. provavelmente talvez sejam... todos eles, meros medidores da capacidade intelectual de cada um. há quem sonhe a cores. quem receba e entenda quais os caminhos que nos levam às grandes obras. quem atinga o aperfeiçoamento de tudo o que está errado, por defeito, em cada um de nós. há recados e mensagens em dialectos indecifráveis. há, tanto mistério oculto no adormecimento da consciência, que nesse universo (que não está ao alcançe de todos), cada um invariavelmente se espelha: no que realmente não se vê. desfragmentados todos os seus sinais, a tridimencionalidade do tempo, ganha sempre visíveis contornos. cores. odores. personagens. viagens. nos sonhos tudo é musicado, pintado, reescrito, vivido a desconhecidas mãos. no universo, somos à sombra de todos os seus infinitos sinais: imagens recriadas, inventadas, cópias reais dum complexo povoado. saber ler o que não está escrito, é saber interpretar o desconhecido. talvez, seja esse o novo livro. escrito noutro tempo. onde o futuro se adivinha e nos liga às páginas de um longo sono. na mesa ficam os lápis, o papel, o tempo. porque nós estamos sempre de partida. desfragmentadas todas as palavras do novo livro, os sonhos são detalhadamente: reflexo da incapacidade humana, em clarificar o grande mistério da vida. }
{... hoje, desertámos ao sul em abraços de saudade. percorridos todos os lugares que nos prende, pintámos ventos de esperança em reconhecidas areias. por vezes, sentados na saudade, percorremos lugares felizes. esboçamos futuros quadros. sonhamos. agitamos abraços sem endereço. somos sós... porque ninguém passa nestas terras. somos, sómente sopro de cores mutantes. somos pó, porque o tempo sempre nos alcança. somos sempre, noutros tempos, memórias do que fomos. somos, tão sómente: apenas deserto.}
{... na escalada da montanha que abrigará este inverno, instalam-se impacientes todas as cores. primeiro apagam-se os registos a todas as memórias. dispertam-se imagens adormecidas e por fim... abre-se a janela em tons de vermelho carmim. brindamos. incendiamos todos os sonhos e suavizamos o frio que já acontece. hoje... certamente que hoje, já escutaremos em silêncio: alaranjados vermelhos assim. }