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{ .... ao fundo de todas as estradas, a eixo de toda a imaginação: o oculto ponto preto! inatingível. misterioso. onde o futuro e o presente se econtram apenas num só ponto. únicamente e só uma vez. no oculto pendular do tempo... tudo está eternamente suspenso. na realidade, do dorso da montanha avistamos-lhe o fim. se fosse possível lá chegar, sem a grande caminhada: o mundo seria todo ele oco e vazio. no fim de todas as caminhadas, a eixo de toda a imaginação, o oculto ponto preto ganhará certamente: uma outra nova dimensão....}
{... rochosamente: o castelo. rochosas e azuladas pedras sobrepõem o tempo à história. a eterna conquista. escalada a alvenaria dos desejos... aviva-se a memória e erguem-se estátuas em todas as praças dos povoados. somos castelo, vila, cidade: apontamento vivo de todos os sonhos. somos heróis. estátuas de pedra. pó que sempre esvoaça na hora da queda. é no tão desejado retorno vivo do ser... que adormecidos sonhamos. }
{... no depois do depois das nuvens: tudo é mais azul. e depois desse depois, o azul é mais... cobalto até ser negro. e é só no depois de tudo o que depois existe: que todas as cores desfalecem. é cedo. ainda é cedo para o amanhecer virar cobalto. porque não há depois sem tempo... e ser azul é voar mais alto. azul. azul cobalto quase negro: é cedo.}
{... o traço de uma carta. estética da ecceidade. luís lima. o traço de uma carta...}
{... do seu tempo em palavras: nasce mais um livro do autor- luís lima. a escrita e a estética sempre associada às letras. as palavras. a simbologia e os relógios que nos apontam faz tempo neste percurso. faz tempo... ou nem tanto assim. já não sei! mas, é sempre bom saber que existem e entre nós... os que do seu próprio tempo: dão voz à obra. parabéns luís! http://ecceidade.blogspot.com a estética da ecceidade - o traço de uma carta, é o recente livro publicado pelas edicções minerva coimbra e bulhosa books & living, que será apresentado por luís carmelo no dia 28 de novembro às 18:30, na livraria bulhosa de entrecampo em lisboa. }
{... coladas. prensadas. embaladas. cozidas ao calor: as cores do gift que este inverno se misturam aos aromáticos grãos do café. somos: gift & collors!...}
{... aqui e um pouco por toda a montanha, as casas erguem-se frente a frente. teimosamente e entre estreitos passeios desenham ruas escavadas na serra. tudo é pedra. tudo é desoladamente frio quando o sol teima desaparecer. nos próximos dias, o ar desta aldeia, ficará todo perfumado a lenha. aqui, todas as pedras ganham sempre novas formas. trazidas pela força do vento que corre veloz neste tempo - as suas sólidas texturas, são aparadas em gritos de dança. algumas, saltam pela encosta. livres. esbarrando em desconhecidas moradas. outras, as mais iluminadas, adivinham cidades imaginadas. enganem-se os que pensam que nas montanhas tudo é silêncio. frente a frente e por enquanto, é nas cores quentes que animam o calor do fogo, que escutamos e criamos imagináveis castelos de pedra. }
{... se pintarmos de negro todas as sombras que o medo contem: aniquilar-se-iam todas as emoções que nos conduzem às invisíveis portas da criatividade. o que seria do pensamento, sem contornar os misteriosos corredores do desconhecido? sem tudo isto, ausentes estaríamos da negra cor que dá corpo ao universo. quem nunca atravessou a varanda do pensamento, em enorme correria, na pressa de chegar ao reflexo dos pigmentos que por excesso ou ausência - dão forma à matéria? sem pausas. atropeladamente. deixando para trás o raciocínio puro na ânsia de mais ver. alcançada a luz: eis as formas. compreendidas numa malha geométrica. composta de infinitas linhas que na sua constante multiplicação: se criam e se adivinham em universos paralelos. mais do que isto não existe. luz e sombra. mesmo quando o pensamento se ausenta das cores: todos os receios conduzem-nos à eterna dúvida do que realmente somos. por enquanto, nas linhas que compõem o nosso vasto universo: o medo pinta-se de negro. }
{... depois do exílio que nos leva a mágicos lugares. sentam-se os lápis. a matéria adormece. a gritaria das cores finda. ficamos mudos. parados no tempo. nós e as cores. sempre à espera de novos calendários. cruzam-se luas, invernos, primaveras... por vezes, o sol é tórrido e as nuvens são serradas. tudo é branco, azul, ocre. tudo é... e voltará a ser: deserto. as tintas, as cores, o mundo. sem tudo isto - regradamente e igual - não existiríamos. completam-se os indetermináveis ciclos. até que a cor se acabe. tal como a vida: a matéria recata-se por fim no esquecimento dos dias. despedimo-nos e partimos novamente em retiro. sempre. nós e as cores. }
{... na estrada branca que nos transporta até à cabana dos segredos, ao longue e depois de tudo isto: a serra. pintada de branco. fria. gelada. silenciosamente ali. no depois, e depois de todas as curvas. recatando a fugosa escalada. rasgando ares em direcção ao céu. tocando o vazio. sempre. silenciosamente. apontando o lugar onde todas as serras terminam. ali, no depois de tudo isto: branca. fria. gelada. }
{... os sonhos são detalhadamente: instrumentos da recriação humana. talvez. provavelmente talvez sejam... todos eles, meros medidores da capacidade intelectual de cada um. há quem sonhe a cores. quem receba e entenda quais os caminhos que nos levam às grandes obras. quem atinga o aperfeiçoamento de tudo o que está errado, por defeito, em cada um de nós. há recados e mensagens em dialectos indecifráveis. há, tanto mistério oculto no adormecimento da consciência, que nesse universo (que não está ao alcançe de todos), cada um invariavelmente se espelha: no que realmente não se vê. desfragmentados todos os seus sinais, a tridimencionalidade do tempo, ganha sempre visíveis contornos. cores. odores. personagens. viagens. nos sonhos tudo é musicado, pintado, reescrito, vivido a desconhecidas mãos. no universo, somos à sombra de todos os seus infinitos sinais: imagens recriadas, inventadas, cópias reais dum complexo povoado. saber ler o que não está escrito, é saber interpretar o desconhecido. talvez, seja esse o novo livro. escrito noutro tempo. onde o futuro se adivinha e nos liga às páginas de um longo sono. na mesa ficam os lápis, o papel, o tempo. porque nós estamos sempre de partida. desfragmentadas todas as palavras do novo livro, os sonhos são detalhadamente: reflexo da incapacidade humana, em clarificar o grande mistério da vida. }