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{... percorremos aldeias feitas de pedra com sinuosas lareiras. trilhamos caminhos em contra mão com tantos outros viajantes. trilhamos a terra até ao fim da estrada. depois...tudo é areia. não há mais nada. tudo é... muito antes da pedra e do fogo: um mapa curioso. se pudessemos ser... casa de pedra, serra, mar ou planície para sempre, cruzariamos a vida sem medos ou sobressaltos. tranquilamente, até ao lugar onde e depois da última curva do mapa: tudo é areia. }
{... trazidas pelo vento, as cores dão forma às palavras musicadas na imensidão da serra. esbatem-se as cores nos sons e o vento na terra... na superfície branca da tela e do papel, para que a escalada dos pigmentos se transforme em vida. musicadas as palavras a terra acolhe o tempo. escuta. espreita. isola. sempre. repetitivamente, em todas as suas variantes: tons diferentes. }
{... laranja no epicentro: carregar no travao+start!... guardam-se as pedras da serra... nas algibeiras da memória e... partimos na rota das cores. }
{... agradeço comovida o prémio Blog de Ouro que tão generosamente a escritora ana vidal me atribuiu. "é uma coisa de mulheres, um reconhecimento de códigos, de ambientes e de sensibilidades", escreve ana vidal sobre este prémio. e eu agradecida, penso como retribuir no vazio deste lugar, onde a internet mal funciona e só ás vezes é que dá sinal de si... bem no meio desta serra, onde tudo ainda está branco e o tempo teima ser... sem outras variantes: nevoeiro. é que nesta nova cidade das tintas... além das cores e das palavras impressas em cadernos de papel: nada mais existe! por isso, mesmo aqui à mão... tenho um dos livros de ana vidal. "seda e aço". abro o seu livro. leio um dos seus poemas, também ele intitulado "seda e aço" e, revejo os últimos tempos de lapis exilis. por isso, faço questão de publicar aqui este poema de ana vidal: Seda e AçoSão poemas: desabafoscomo a própria vida, incertosVão deixando, passo a passomisturas de seda e açomágoas fundas, céus abertossem simetria ou compasso...in Ana Vidal, 2005, DG Edicções.
{... quiseste voar até ao branco mais alto desta montanha. quiseste. quiseste flutuar no gelo lago deste lugar. e vieste... e levaste-me contigo por tanto quereres voar. sobrevoamos praias de água geladas, pintadas pela manhã fria. quiseste de tanto querer acordar-me, do alto das tuas asas para que eu mergulhasse no teu olhar. quiseste voar ao branco mais alto da montanha. quiseste... planar no misterioso lago de gelo que se esconde no alto da serra. quiseste. apenas quiseste, acordar-me das ilhas desertas, para levares-me contigo, nas noites que não consigo sonhar. quiseste voar e sonhámos que das tuas asas de água, no ponto branco mais alto desta montanha: matámos saudades das cores do mar. }
{... escutar os sonhos que me conduzem a ti, é saber percorrer este caminho pintado de saudade. lá fora tudo é branco. a neve dilui-se no extenso nevoeiro e as cores sobresaem no interior de nós próprios. nada se vê para além do que existirá na tela. quem disse que o branco é nada?! quem o disse... nem sabe que o branco, é a saturação de todas as cores. é isso! lá fora há rodopios de cores agitadas em mil saudades de ti. para que servem os contornos, contrastes, brilhos e meios tons?... hoje, a serra adormeceu num outro sonho qualquer... de tão esquecida também ela de acordar. tudo é branco! penso em ti, e no rosto que te iluminará nos primeiros traços. escuto os sonhos. olho. não vejo nada. abro a luz e finjo que adormeço como a serra neste tempo perfeito. quem disse que o branco é nada?!... hoje, isolamos as cores e escondemos o medo do grande vazio que lá fora se avista. é isso!... }
{... como é teimoso o tempo que nos cruza, assim... e teimosamente nos volta a cruzar entre as mil viajens deste mundo. foi em 2005. decedidamente à busca de saber qual seria o trajecto de comboio até o tibete... que cruzei com o blog: alma de viajante. estava ele, no início da sua aventura. deixei-lhe palavras de coragem e agradeci todas as dicas que me enviou, de como se chegar ao tibete, sempre por terra. hoje, foi a sua alma de viajante que cruzou com o meu trilho dedicando também ele as seguintes palavras de animo: "Rede hoteleira ibérica promove arte: A Hoteles del Arte é a nova rede da Península Ibérica que visa promover artistas e os hotéis como locais de arte. Os fundadores são o Hotel Convento de S. Paulo, em Évora, Nautilus Lanzarote, em Lanzarote, e Hotel Palacio de la Serna, em Cuidad Real. A ideia nasceu pelo crítico Fernando Gallardo, do jornal El País. O projecto alia à estadia novas experiências culturais, promovendo os hotéis associados, o seu espólio artístico e eventos. A rede aceita quem “sinta o amor genuíno pela arte em geral, contemporânea em particular, em todas as suas formas”. Entre os artistas aderentes conta-se Alex e Teo Senra, Amaya Espinoza, José Seguiri, Juan Sukilbide, Maria Sobral Mendonça, Marijose Recalde, Nori Ushijima e Eugenio Bermejo". obrigado filipe gomes!... quanto ao tibete, está na calha. um dia, depois desta serra: instalo lá o meu atelier. } http://www.almadeviajante.com/travelnews/002607.php
{... arribadas as lendas ao céu... esvoaçamos medos em praias desenhadas na calada da noite. sonhamos. subimos inseguros entre as nuvens que se juntam a este navegar. perto da rota estrelar tudo é pedra. não há versos nem poesia neste silêncio. tudo é Deus. cruzados à sorte, somos caminhantes das fantasias que nos trazem ao aconchego outros mundos... não há tempo que sirva a serra, sem que a serra não sonhe ser montanha, para que depois de tudo isso e do alto de toda ela: a neve não queira ser mar! o que seria do voo dos pássaros sem o medo de planar a vasta planície que nos trouxe a este lugar? arribados todos os medos, vencemos. vencemos as sombras que encorpam as caídas noites em amanheceres cobertos de densos nevoeiros. não há versos nem poesia neste silêncio: tudo é volumetria. somos, meramente um extenso deserto cruzado à sorte. somos pedra, areia, pó que volta sempre à montanha mal o vento sopre vida. somos cruzados à sorte: tendas erguidas ao céu!...}
{... embebidos na alma da serra, ateamos fogos cheios de cor a novos sonhos. há quem vá para a serra depois da planicie para alcançar a montanha da vida. há também quem fique sentado em sí para sempre. adormecido. ausente de sonhar. sem forças para trilhar todos os invisíveis caminhos que têm alma e cor. sómente porque todos os desertos são solitários. abrem-se as cores porque aqui tudo é mais distante do vazio. pensar o mundo sem o percorrer é morrer. é exactamente por isso que na alma da montanha, entre as pedras que se aproximam dos céus... há quem desenhe casas na escalada de todos os sonhos. }
{... na sapiência das cores, nunca te sentes para sempre na curva dos sentimentos. eles regressam sempre que o outono dobra a tristeza do pensamento. nunca faças das palavras o único canteiro da vida... porque todas as flores são pintadas pelas águas do tempo. na solitária montanha que cresce desta serra: refugiámo-nos do mundo. aqui, estamos sempre em viagem sem sair do mesmo lugar. é essa a filosofia de toda esta serra. pintados todos os versos, novos mundos acontecem. hoje... na escalada desta montanha até à pequena aldeia, soube que um pouco de mim... faz parte da tua viagem: obrigado portugal! obrigado por me levares contigo.}http://www.recife.pe.gov.br/2008/12/09/prefeito_recebe_comitiva_de_portugueses_165047.php
{... branco. tudo é branco. daqui, bem no alto desta serra, o mundo fica mais perto de todos os nossos desejos. que assim seja até ao próximo inverno: boas festas e feliz ano novo.]
{... no pé da serra tudo é já absolutamente branco. senta-se o tempo, nós e os longos dias que virão. projecta-se a escalada da montanha e preparam-se as cores... mas, o branco da serra convida-nos ao silêncio. é entre o pé da serra e o céu que as novas cores serão pensadas. primeiro tudo é branco - o pé da serra as telas, o pensamento. depois... depois, sentados no tempo e nos longos dias que virão... a escalada das cores acontece. }
{... recolhidas todas as emoções que os olhos não podem ver... por vezes, acordados somos nas atropelias do sono. sonhamos pintados porque a noite é ainda noite. densa, escura, silenciosa. ouvinte dos nossos medos. carente de cor, luz, contraste. é sempre entregues ao que somos, que voltamos novamente ao sono. repetitivamente... para que as cores não findem por completo. recolhemos emoções e apagamos-lhes todos os riscos. efectivamente, é no regresso ao sono que o entendemos. básicamente, tudo isto só faz sentido porque temos a capacidade de ver sem olhar. pensando bem, é através do sono que entregues ficamos ao que realmente somos. repetitivamente e até ao fim... somos: malabaristas das memórias.}
{... a arte é a incrível capacidade de ver o invisível!...}
{... no paralelismo da sobreposição de vários pontos num só traço: a forma. sombreada, diluída, ténua. o preenchimento do todo e do vazio. o invisível a forma e a matéria. novamente o ponto. a sobreposição dos traços até à saturação das cores. repetitivamente. sempre. sobrepondo a cor sobre outra cor... a cada um dos pontos que risca o traço. sempre, entre o todo e o vazio. repetitivamente... até ser tudo branco. a última cor. no paralelismo da saturação da forma sobre toda a matéria: a sobreposição de vários pontos num só traço. a luz e as sombras. o invisível. sombreado, ténuo, diluído... no ponto branco que preenche o vazio. }
{ .... ao fundo de todas as estradas, a eixo de toda a imaginação: o oculto ponto preto! inatingível. misterioso. onde o futuro e o presente se econtram apenas num só ponto. únicamente e só uma vez. no oculto pendular do tempo... tudo está eternamente suspenso. na realidade, do dorso da montanha avistamos-lhe o fim. se fosse possível lá chegar, sem a grande caminhada: o mundo seria todo ele oco e vazio. no fim de todas as caminhadas, a eixo de toda a imaginação, o oculto ponto preto ganhará certamente: uma outra nova dimensão....}
{... rochosamente: o castelo. rochosas e azuladas pedras sobrepõem o tempo à história. a eterna conquista. escalada a alvenaria dos desejos... aviva-se a memória e erguem-se estátuas em todas as praças dos povoados. somos castelo, vila, cidade: apontamento vivo de todos os sonhos. somos heróis. estátuas de pedra. pó que sempre esvoaça na hora da queda. é no tão desejado retorno vivo do ser... que adormecidos sonhamos. }
{... no depois do depois das nuvens: tudo é mais azul. e depois desse depois, o azul é mais... cobalto até ser negro. e é só no depois de tudo o que depois existe: que todas as cores desfalecem. é cedo. ainda é cedo para o amanhecer virar cobalto. porque não há depois sem tempo... e ser azul é voar mais alto. azul. azul cobalto quase negro: é cedo.}
{... o traço de uma carta. estética da ecceidade. luís lima. o traço de uma carta...}
{... do seu tempo em palavras: nasce mais um livro do autor- luís lima. a escrita e a estética sempre associada às letras. as palavras. a simbologia e os relógios que nos apontam faz tempo neste percurso. faz tempo... ou nem tanto assim. já não sei! mas, é sempre bom saber que existem e entre nós... os que do seu próprio tempo: dão voz à obra. parabéns luís! http://ecceidade.blogspot.com a estética da ecceidade - o traço de uma carta, é o recente livro publicado pelas edicções minerva coimbra e bulhosa books & living, que será apresentado por luís carmelo no dia 28 de novembro às 18:30, na livraria bulhosa de entrecampo em lisboa. }
{... coladas. prensadas. embaladas. cozidas ao calor: as cores do gift que este inverno se misturam aos aromáticos grãos do café. somos: gift & collors!...}
{... aqui e um pouco por toda a montanha, as casas erguem-se frente a frente. teimosamente e entre estreitos passeios desenham ruas escavadas na serra. tudo é pedra. tudo é desoladamente frio quando o sol teima desaparecer. nos próximos dias, o ar desta aldeia, ficará todo perfumado a lenha. aqui, todas as pedras ganham sempre novas formas. trazidas pela força do vento que corre veloz neste tempo - as suas sólidas texturas, são aparadas em gritos de dança. algumas, saltam pela encosta. livres. esbarrando em desconhecidas moradas. outras, as mais iluminadas, adivinham cidades imaginadas. enganem-se os que pensam que nas montanhas tudo é silêncio. frente a frente e por enquanto, é nas cores quentes que animam o calor do fogo, que escutamos e criamos imagináveis castelos de pedra. }
{... se pintarmos de negro todas as sombras que o medo contem: aniquilar-se-iam todas as emoções que nos conduzem às invisíveis portas da criatividade. o que seria do pensamento, sem contornar os misteriosos corredores do desconhecido? sem tudo isto, ausentes estaríamos da negra cor que dá corpo ao universo. quem nunca atravessou a varanda do pensamento, em enorme correria, na pressa de chegar ao reflexo dos pigmentos que por excesso ou ausência - dão forma à matéria? sem pausas. atropeladamente. deixando para trás o raciocínio puro na ânsia de mais ver. alcançada a luz: eis as formas. compreendidas numa malha geométrica. composta de infinitas linhas que na sua constante multiplicação: se criam e se adivinham em universos paralelos. mais do que isto não existe. luz e sombra. mesmo quando o pensamento se ausenta das cores: todos os receios conduzem-nos à eterna dúvida do que realmente somos. por enquanto, nas linhas que compõem o nosso vasto universo: o medo pinta-se de negro. }
{... depois do exílio que nos leva a mágicos lugares. sentam-se os lápis. a matéria adormece. a gritaria das cores finda. ficamos mudos. parados no tempo. nós e as cores. sempre à espera de novos calendários. cruzam-se luas, invernos, primaveras... por vezes, o sol é tórrido e as nuvens são serradas. tudo é branco, azul, ocre. tudo é... e voltará a ser: deserto. as tintas, as cores, o mundo. sem tudo isto - regradamente e igual - não existiríamos. completam-se os indetermináveis ciclos. até que a cor se acabe. tal como a vida: a matéria recata-se por fim no esquecimento dos dias. despedimo-nos e partimos novamente em retiro. sempre. nós e as cores. }
{... na estrada branca que nos transporta até à cabana dos segredos, ao longue e depois de tudo isto: a serra. pintada de branco. fria. gelada. silenciosamente ali. no depois, e depois de todas as curvas. recatando a fugosa escalada. rasgando ares em direcção ao céu. tocando o vazio. sempre. silenciosamente. apontando o lugar onde todas as serras terminam. ali, no depois de tudo isto: branca. fria. gelada. }
{... os sonhos são detalhadamente: instrumentos da recriação humana. talvez. provavelmente talvez sejam... todos eles, meros medidores da capacidade intelectual de cada um. há quem sonhe a cores. quem receba e entenda quais os caminhos que nos levam às grandes obras. quem atinga o aperfeiçoamento de tudo o que está errado, por defeito, em cada um de nós. há recados e mensagens em dialectos indecifráveis. há, tanto mistério oculto no adormecimento da consciência, que nesse universo (que não está ao alcançe de todos), cada um invariavelmente se espelha: no que realmente não se vê. desfragmentados todos os seus sinais, a tridimencionalidade do tempo, ganha sempre visíveis contornos. cores. odores. personagens. viagens. nos sonhos tudo é musicado, pintado, reescrito, vivido a desconhecidas mãos. no universo, somos à sombra de todos os seus infinitos sinais: imagens recriadas, inventadas, cópias reais dum complexo povoado. saber ler o que não está escrito, é saber interpretar o desconhecido. talvez, seja esse o novo livro. escrito noutro tempo. onde o futuro se adivinha e nos liga às páginas de um longo sono. na mesa ficam os lápis, o papel, o tempo. porque nós estamos sempre de partida. desfragmentadas todas as palavras do novo livro, os sonhos são detalhadamente: reflexo da incapacidade humana, em clarificar o grande mistério da vida. }
{... hoje, desertámos ao sul em abraços de saudade. percorridos todos os lugares que nos prende, pintámos ventos de esperança em reconhecidas areias. por vezes, sentados na saudade, percorremos lugares felizes. esboçamos futuros quadros. sonhamos. agitamos abraços sem endereço. somos sós... porque ninguém passa nestas terras. somos, sómente sopro de cores mutantes. somos pó, porque o tempo sempre nos alcança. somos sempre, noutros tempos, memórias do que fomos. somos, tão sómente: apenas deserto.}
{... na escalada da montanha que abrigará este inverno, instalam-se impacientes todas as cores. primeiro apagam-se os registos a todas as memórias. dispertam-se imagens adormecidas e por fim... abre-se a janela em tons de vermelho carmim. brindamos. incendiamos todos os sonhos e suavizamos o frio que já acontece. hoje... certamente que hoje, já escutaremos em silêncio: alaranjados vermelhos assim. }
{... ladeados os caminhos, aclara-se o mangenta às nuvens e as cores levam-nos sempre a outros lugares. a terras desconhecidas. a recantos perdidos. a arruamentos sem fim. há instantes que se confudem com paisagens já vividas. estranhas vivências nunca presenciadas. tudo isso. há momentos, em que se vaguea o olhar no vazio do infinito. todas as viagens têm o seu mistério. neste mapa, a planície abre sedeosas ruas das chuvas que já se fazem sentir. o inverno é ainda cinza. aclara-se o mangenta às nuvens e as cores levam-nos até à aldeia do pensamento. porque, só quando virados os campos brancos é que avistaremos a curva do novo dia. no seguimento da estrada amarela, tudo vai sendo - nada é. o próximo torna-se distante e, o tempo passa devagarosamente. }
{... empacotadas todas as memórias, pintamos de vivas cores, o céu que nos leva à nova casa. na viagem, transportamos caixas preenchidas de alegrias, tristezas, tintas, pinceis, vida. pintamos o céu das cores da terra e rebatemos novas saudades. vagarosamente. sem pressas. só com um único compromisso: regressar. trazer cores que preencherão outros vazios. novas caixas, casas, memórias. sem pressas. rumo à nova aldeia do pensamento. vagarosamente, saboriando o cheiro a terra. avivando as cores. retocando o vasto céu numa nova paleta de emoções. entregues ao tempo. até que se abra a porta do universo onde iremos projectar o futuro. onde as imagináveis horas, iniciam já a contagem dum outro tempo. sem pressas. só com um único compromisso: regressar. sem nunca esquecer o caminho que nos traz ao lugar donde vimos. sempre. vagarosamente. partimos. }
{... somos essencialmente - imagens que nos transportam para outras memórias. inventadas. alteradas. imaginadas. somos, essencialmente compostos de imagens. escritas. pintadas. musicadas. somos, tudo o que o silêncio nos pode dar. por isso andamos de terra em terra. no interior de nós próprios. sempre à procura de novas paisagens. essencialmente, ao encontro de tudo aquilo que os olhos não desvendam num simples olhar. é exactamente isso que nós somos. condenados ao silêncio que nos leva às inúmeras páginas que completam a obra. somos paisagens interiores projectadas na tela, no papel, na pauta, no écran. somos, procura eterna do silêncio. no sono. na vida. essencialmente feitos de imagens escritas, pintadas, musicadas e animadas pelo misterioso universo do pensamento. somos tudo isso e muito mais... quando essencialmente ficamos em silêncio.}
{... sucumbidos na transparência de todo o raciocínio lógico: caímos em sono profundo. desse enigmático universo trouxemos flores. jarros vermelhos. pinceís. nuvens ogivais enroscadas em escamas amarelas. brilhantes novelos densos. fechados. coloridas areias do deserto. hoje, voámos deitados. nós: o pensamento. o mundo. sem raciocínio lógico. sucumbidos à pura imaginação do sábio vazio. todo ele tão misteriosamente preenchido. colorido. abrilhentado de novos sonhos. tudo sempre em movimento. inventamos imagens. fazemos descobertas. pintamos sonhos. saímos do sono profundo. trazemos flores. jarros vermelhos. pinceís. nuvens ogivais enroscadas em escamas amarelas. brilhantes novelos densos. fechados. coloridas areias do deserto. extensos corredores de luz e tantas outras coisas jamais pensadas. chegamos. da viagem, que nos traz sempre ao mesmo lugar- retomamos o raciocínio. surgem as primeiras memórias. desnovelamos imagens e significados aos sonhos. ficamos adormecidos. entregues ao raciocínio lógico. sem nunca sabermos - o que realmente anima - o enigmático caminho de retorno, quando deitados voamos. }
{... rodada a saia. soltámos sonhos. dançámos a vida em bordados desejos. somos todas as cores. vivemos assim na dança da vida. incansávelmente até que o pano ceda. se rompa no tempo. aqui. onde o vento traz memórias de todas as horas. dançadas. em solitárias águas agitadas de prazer. soltámos sonhos. atravessámos rios. abrimos novas fronteiras. dançámos de todas as maneiras. incansávelmente até que o pano ceda. se rompa no tempo. aqui. dançamos a vida. pintada de todas as cores. bordamos desejos. rodopiamos memórias. dançamos sonhos. sempre. enquanto é tempo: vivemos assim. }
{... se pudessemos rebater o futuro, na sombra do que somos, a encruzilhada desta viagem deixaria de fazer sentido. tudo está teimosamente decidido assim. somos o que nunca se é realmente, porque no relógio do tempo, somos sempre sombra do já que fomos. essencialmente, somos desenhadores de outros mundos. ser mais do que isto... tudo deixaria de fazer sentido. todos os sonhos ficariam adormecidos. enterrados nas areias do desejo. guardados para uma próxima viagem. suspensos na superfície do tempo. tudo está decidido assim. somos desenhadores de outros mundos. projectamos o futuro na poeira do que somos. sempre entregues à aventura do presente. condenados a dobrar todos os medos. teimosamente à espera de novos mundos. sempre. teimosamente. porque somos muito mais... do que todos os medos sombreados à superfície do tempo. }
[... dizem que laranja é cor quente. dizem... porque o sol assim se pintou. jogada a mão à caixa da vida: somos sempre a primeira cor. aquela. a do momento. seja cor pedra, gelo, planta, céu, morte, eforia, tristeza ou da cor do nada. a do momento. aquela que nos fecha num semi-círculo por breves segundos. que nos projecta e nos transforma em outras ambiências. diferentes, iguais, parecidas. dizem... dizem que já tudo está inventado. o círculo, o quadrado, as cores, os sons - a vida. o vazio. se não fosse a caixa da criação, nada era quente em vez de frio. tudo seria indiferentemente concentrado em apenas um único ponto. em coisa nenhuma. no tom do momento. na primeira cor do que somos!... }
{... desafiadas as cores, surgem sempre inventadas escolhas. aberta a caixa da vida, a paleta das emoções ganha novas e multiplas sonoridades. é nela, que diáriamente escolhemos a cor do nosso próprio risco. teimosamente. sempre. em passagem entre o inacabado e o perfeito. mergulhados na paleta intimidatória da vida: à espera. olha-se e risca-se. ouve-se e traça-se. dedilhadas as emoções: observa-se. afiam-se os lápis e depois... que o amanhã abra novos dias. teimosamente. sempre. porque quase nunca se dá conta - de que cor se pinta a vida -, em cada dia que passa... }
{... desafiadas as cores, tudo é o que entendemos que seja. lançados rumo ao céu, num salto de costas livres, rasgam-se todas as leis do universo. é assim que a imaginada viagem sempre começa. misturam-se as cores. invertem-se os significados. o desejado vira deserto e o improvável acontece. nessa impartilhável fracção do tempo, o extinto azul do mundo abre um outro céu. em piroetas azuis rasgamos a densidade das ideias. tudo é o que entendemos que seja. todos os tons se diluem... e o tempo traz o laranja, o ocre e o cinza às zangarias do momento. não há horizontes fixos nem dimensões pré-estabelecidas. não há preguiça que vença a vibração das cores. assim se fica em voo aberto até que a imaginação cumpra novas promessas. o voo faz-se. assim se fica. atentos. sempre atentos ao esperguiçar das novas cores. até à próxima primavera o voo faz-se em piroetas azuis. à espera dum novo céu. misturam-se as cores. invertem-se os significados. o deserto vira desejado. até que tudo esteja pronto... tudo é o que entendemos que seja. tudo é allegro, vivace, appassionato... misterioso!}
{... e todos os dias se pousam os pinceís. aguarda-se a secagem das telas e observa-se o universo criado. escuta-se a musicalidade da cor, ao ritmo de um outro universo que já acontece. nessa dança... que nos faz saltar para o telhado dos sonhos: o céu fica sempre mais perto. todos os dias. a todo o tempo. olham-se as cores. aos pares. isoladamente. frente a frente. lado a lado. animadas em ritmos abstractos. pousados. agitados. por vezes, adormecidos no outro lado do sono. isoladamente embalados. todos os dias. porque... na dança das cores a vida esplode: a magia acontece.}
{... tabuada a vida, todos os caminhos nos levam à incógnita do destino. é, nessa incógnita, que o tempo divide a raiz: do que somos. porque... se à soma da distância percorrida, multiplicarmos a viagem: só o desnecessário é subtraído. }
{... recaídos na horizontal, os corpos sonegam novas experiências. o que seria do pensamento sem a misteriosa extensão da vida: o sono. matizadas as cores, fecha-se os olhos e a viagem dá-se à adivinhação. desabrigados do que somos: viaja-se no futuro, passado, presente. movimentos estaticos traduzem invisíveis voos. recortam-se desejos. assaltam-se memórias esquecidas. trazem-se recados. avistam-se estranhos momentos que ganham reflexo no espelho do que somos. será que ficamos parados no tempo, sempre que entramos na misteriosa extensão da vida? sem resposta. apenas conhecemos o corpo e a alma. ambos, entregues à distorção do tempo e do pensamento. prefazendo todas as fases do sono. sem ideias. sempre estaticos. até que se queira acordar e o corpo responda. passagem que nos faz abandonar a longa divagação do eu. entre a alma e o corpo. deitado sobre si mesmo. sem pensamento, imagens, sons, sensações... divorciados da imaginação. que outra extenção da vida teríamos de inventar, para substituir o universo dos sonhos? nada. a realidade, tornar-se-ia um enorme vazio. acordar primeiro que o corpo, é desvultar a neblina do que somos. é acreditar na continuidade da única coisa que nos leva à imaginação: a alma. sem ela, jamais sentiríamos o desapego do corpo; a sensação de retorno; o regresso dos sonhos. dizimadas todas as saudades, talvez não quisessemos voltar. talvez... porque não podemos ficar recaídos: na horizontal para sempre. }
{... da argentina, loreta lorenzon enviou notícias da sua obra. as palavras remetem para um site. abertas as cores que traduzem a sua arte: sentei-me literalmente na obra. há, entre os seus quadros, cadeiras pintadas que se revestem de múltiplas cores. recorta-se a tela. isto porque, nem todos os quadros estão fixos à parede. é uma forma, que a própria forma encontrou, para intervir nos objectos do quotidiano. tingido o pano, agrafa-se à madeira e a própria tela expõe-se. o objecto abre outra dimensão. no mundo das volumetrias tudo é possível. tudo é imaginável na arte. tudo se pode repetir vezes sem conta. reproduzem-se réplicas da obra ou apenas e só: uma única vez. é o que acontece quando as cores se abrem às fusões artísticas. foi assim que li as cores de loreta lorenzo. nas cidades povoadas, os objectos do quotidiano cobrem-se de vivacidade. criam-se personalidades próprias nas arquitecturas de cada um. isoladamente. caso a caso. recorta-se o original e criam-se universos personalizados. peça a peça. objecto a objecto. porque... abertas as cores: a obra nasce. e vezes sem conta, sentados na ideia: o mundo revela-nos. aguarda-nos. observa-nos. reencosta-se em cadeiras pintadas, à espera que a obra aconteça. nós e ele. no único ponto, que em toda a sua imensidão: tudo é cor. }www.loretalorenzon.com.ar
{... desenrugado o grande pano das memórias, surgem imagens esfaceladas de um outro tempo qualquer. tudo é abstrato. as composições cromáticas degastam-se e as palavras esbatem-se. no vasto pano do tempo, tudo é supostamente riscado vagarosamente. tudo é... traço a traço. tempo a tempo. uma cor de cada vez. abstraídos dos gestos e da consonância das linhas: tudo é abstracto. molda-se a luz. aviva-se o contraste e retira-se o excesso. risca-se novamente. os traços sobrepõem-se e preenchem o vazio. tudo é supostamente riscado devagar. tempo a tempo. diluídas as antigas cores, os pigmentos apontam a memória de outros dias. traço a traço. tingem-se linhas e as formas ganham novas volumetrias. as tonalidades do tecido que nos compõe, nunca se desajustam. segregadas as cores, a conscistência dos sonhos amplia o espectro da vida. é nessa eterna descoberta que a imaginação é estimulada. tudo é abstrato. molda-se a luz e novos universos dão lugar a outros tempos. traço a traço. vagarosamente. preenchendo o vazio de vivacidade. porque... tudo é abstrato! o que seria do mundo, se todo ele fosse uniforme?... certamente que adormeceríamos para sempre. ausentes de cor. sem memórias. reencostados nas sombras da sonolência. }
{... o céu, está sempre aberto aos nossos acrobáticos voos. à medida que nos aproximamos, tudo é (-) infinito. o pensamento deixa de ter importância. a realidade é outra. o desconhecido passa a encosta do horizonte, e desenrugam-se as incógnitas: do que somos. será mesmo que o universo tem fim? se pudessemos abrir-nos ao céu, sempre que assim quisessemos voar... há muito que estaríamos no limiar do (+) infinito. é nessa discordante aritmética que a vida encorpa alguma lógica. onde, se podem encastelar todos os sonhos. sem divisões, nem subtracções. apenas, na multiplicação das suas mais desejadas variantes. até lá, todas as horas ficam suspensas. como são sábias as poeiras que anuviam o futuro dos próximos dias... se o céu não estivesse aberto a novos voos, à medida que nos aproximamos, do que somos: o pensamento deixaria de ter importância. o implacável universo da criação nublar-se-ia. tudo deixaria de fazer sentido. sem imaginação, a vida era certamente muito mais entristecida. tudo seria infinitivamente sempre igual. tudo. sem (+) nem (-) de tudo: o que ainda não somos. }
{... nos sonhos, tal como no universo, há inúmeros aneís da poeira, imagens e sons, que compõem o grande dicionário da linguagem das cores. lá... nesse arquipelágo do desconhecido, todas as visões são armazenadas, no hemisfério direito do nosso cérebro. e há ainda quem diga que a alma está no cérebro! que assim o afirma, é eduardo punset, no seu mais recente livro: "A Alma está no Cérebro". posto isto, o que será então dos cegos, cujo universo das percepções, são certamente bem diferentes às nossas?... francamente ainda não o li. mas, tenho-o já comigo, para quando ausente dos sonhos estiver, iniciar atentamente a sua leitura. isto porque, na recente entrega cromática, à pesquisa dos novos conteúdos que fazem nascer as novas obras: tudo se interliga. é como que... e quase por milagre, todos os assuntos fossem: o misterioso arquipelágo dos sonhos. da curiosidade ao conhecimento, e estafadas todas as realidades que os nossos olhos podem alcançar: viramo-nos para os infinitos aneís da mente. na procura das cores que subrepõem a lógica dos seus mútiplos significados, em todas as fases do sono. no 1º sono, há areias de poeira azul que gradualmente e em paralelo, nos levam a outras cambiantes, até que se termine o seu grande ciclo. sonhar a cores é desembarcar todas as noites, no grande mar azul estrelar!... ontem, aneís de poeira azul, deram lugar ao 1º sono. depois... os sonhos. no lugar, onde tudo acontece: no fascinante universo da nossa mente. }
{... e primeiro surgiram as cores!... no vasto manto negro do universo, no início de tudo, e na continuidade do visível, daquilo que vemos e que se atraí, à poeira que se agrupa na dança infinita da vida: as cores vingam primeiro no grande mapa do espaço. se as cores não existissem, o universo não tinha lugar na escala da nossa existência. o que seria do espaço sem matéria?... e se a matéria não tivesse cor? deixariamos de ver o que realmente existe... a vida, provém duma cadeia de coloridas cordas. aqui, em nós e no espaço. deus queira que as cores nunca se saturem. que as cambiantes do seu espectro continuem a gerar novos tons. novas formas de energia nas suas alternativas redes. que a cadeia não finda. nunca finda. nos seus mais excêntricos e existentes pantones! no vasto manto do universo, haverá ainda certamente, muito tecido livre à espera da dança das cores. que mais podem querer os pintores, se o próprio universo disperta a inspiração criativa, na selecção cromática em toda a sua matéria? que mais cores existirão para além do que os nossos olhos podem alcançar?... se pudessemos também nós, colorir a sua matéria longínqua, há muito que garridas cores estariam bordadas, no seu extenso véu. talvez seja por isso, que somos também nós, mera poeira sempre à espera - que no final de tudo -, sejamos então nós e no espaço: a continuidade do visível!...}
{... concretizado o sonho, portugal tornou-se real há 865 anos!... há também sonhos assim. há sonhos que se concretizam para além de todas as regras que condicionam a impossibilidade dos nossos desejos. refeitas as memórias que nos levam a concretizar o desejo à ideia, o passado projecta-nos no futuro. só assim o presente ganha sentido. sem as memórias do que somos, como poderiamos continuar a sonhar? tudo seria absurdamente virtual e deixaria de haver mais mundo neste mesmo mar que nos concretizou. e vamos sonhando sem a noção da idade dos dias, porque novos mundos dão à sede da descoberta: novas conquistas do saber. por isso, navegamos faz anos! cantamos em vida a portugalidade e com ela sonhamos juras de liberdade. foi assim que há 865 anos alguém sonhou. secretos castelos de desejos foram erguidos e novos mapas vencidos. portugal assim se fez! deixada a saudade à proa, partimos de lisboa... rumo a novas terras, por tanto e com elas se sonhar. benditos navegados sonhos nossos, que de tantos feitos gloriosos, deram nobre alma ao povo português. o que seria de nós se assim alguém nunca tivesse sonhado? sem eles, a missão de todos nós, desapareceria neste original universo, aparentemente construído nas misteriosas ilhas da nossa fantasia. tornar real o sonho desejado, foi sempre a nossa maior aventura!... é exactamente por isso que hoje se cumprem: 865 anos do sonho real de um grande português!... }
{... a capacidade mnemônica tem misteriosas variantes. tudo o que se sente, vê e ouve... é também reproduzido ( tal como os filmes), no grande universo dos sonhos. deles, só recordamos fragmentos da sua complexa construção. todos os movimentos são sugeridos, por desconhecidos mentores que nos ligam, ao diálogo das diferentes e opostas emoções. desfagmentadas as imagens, tudo se liga e acontece. arrastam-se os movimentos sem imposições ou regras. os frames, sobrepõem-se à leitura lógica dos objectos no espaço e eis-nos perante um promissor registo criativo: a informação pessoal, chega à fronteira selectiva das nossas memórias. capta-se isoladamente cada detalhe e amplia-se até a imagem esbater em nós a sua própria resolução. criam-se novas linguagens e correntes artísticas. rasgam-se todas as colagens contemporâneas e volta-se ao início. ao estado primário da cor, da luz e da sombra. todos os dias se parte para outro lado qualquer à procura de um novo ponto de fuga. um dia, certamente que existirão outros meios, para reproduzir todo este universo em suportes informáticos: o leitor de sonhos. posto no mercado, o mundo jamais será o mesmo. se tudo fosse assim, quem não gostaria de ter o seu próprio leitor? até lá... faz-se a manutenção mnemônica, enquanto houver tempo para pensar... no que se sente, vê e ouve... durante a projecção de cada sonho, no grande ecran da vida.}
{... quebrada toda a turbulência do Sentir: a alma abre um novo universo. sonha-se. é o estado da diluição do Eu, e tudo o que nos rodeia. as cores alteram os seus significados e adquire-se pontualmente o desconhecido. afinal, as sombras são medos que se escondem de nós e do ruído dos dias. esbatidos todos os medos: flutua-se. e sempre envoltos de originais pantones, a velocidade do Eu alcança rápidas tonalidades. tudo é novo. tudo é rápido. tudo é veloz. saídos de todos os contextos, esfolheam-se páginas novas do mistério da vida. o azul impera! os contrastes das formas e dos objectos, difundem-se numa espécie de ar líquido. apesar de nunca se saber qual a verdadeira missão desta viagem, agarra-se no novo livro... e lê-se. sofregamente antes que tudo acabe. tudo se evapore. e lê-se sem medo que o azul primário, esbata de repente noutro pigmento e se dilua noutra cor qualquer que não fazia parte da nossa paleta inicial. nos sonhos, nunca sabemos se fomos nós ou se a foi a cor que nos escolheu. alteram-se as imagens e desenham-se novos caminhos, riscados em requeridas emoções. nos sonhos lúcidos... nesse universo multidimencional, há quem consiga interagir e alterar a textura de cada enredo. estimulada a nova visão da consciência, surgem contornos únicos, que do aparente estado de adormecimento, ganham novos e vivos ritmos. novos diálogos. para alguns... o argumento original, regateia sempre o fim de cada estória, com quem sonha. é então que a arquitectura do cérebro é animada e a criatividade aumenta. tudo pode passar a amarelo e refazem-se as imagens antes que tudo desapareça. antes... que se suma e se evapore para sempre: toda a nossa capacidade de sonhar.}
{... adormecidas as imagens, a água inunda as memórias do que fomos. à noite, as praias despem-se dos ressequidos e extensos areais. é a dança das marés. animada a maestria das emoções, revoltas são as ondas, que vezes sem conta, chegam ao limite das nossas praias. avivam-se as memórias, largadas faz tempo, em bancos esquecidos, das nossas outras passagens. estranhos contrates acontecem e o pensamento fica volúvel à imaginação. sonha-se. fazemo-nos à nova terra descalços das mundanas arrelias. lançamo-nos ao mar. sem medo. porque nele, não há barcos que acabem: sempre a naufragar. afinal, também nós somos feitos de água. mergulhados no presente, o passado evapora-se nas mesmas ondas que nos levam até ao futuro. porque só o fim nos completa. estranha dança essa, que de tão incerta, ainda tanto tem... e dizem que tudo o que se vive durante o sono: é como se nada fosse!... mas é nesse nada, que se abrem desconhecidos mapas e a viagem começa. sonha-se com novas ilhas: riscadas a giz e baptizadas a sal. e ali ficamos. nós e elas, vindas do sonho e do fundo dos mares. porque só nos sonhos, as ilhas são para sempre dançadas e pintadas em águadas de mil miragens. por isso sonhamos. sonha-se... e a terra foi-se. }