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{ ...no silêncio de todas as razões que fizeram tombar o azul no ponto mais alto destas montanhas: abro a arca das cores. observadas. isoladamente uma a uma. abro todas as portas desta casa. sem medo. à procura de quem nos acolhe e assim concretizar a mensagem que nos fez chegar aqui. abrimos as cores plenas de luz. em azul, magenta, vermelho, ocre, verde, amarelo, branco, cinza... entre todos os tons e pigmentos: o interior da casa e de nós próprios. chegar às cores desta serra é sentir o mistério das noites sombrias. todas as grandes casas são sempre um universo desconhecido. abertas todas as suas portas a paleta das cores dá a mão ao sono profundo. assim foi a viagem entre as estrelas e a serra. passeios longínquos entre o ser e o pensamento. o azul que trouxemos na mala não chega para pintar ao que nos trouxe a esta aldeia tão tranquila. viagens. talvez. entre os céus e o sono eterno: o desconhecido. entre a paralesia do sono e a razão: todas as casas desabitadas são muito mais que memórias. o sono é a continuidade do ser... e a cor é a reza tranquila que leva e transporta todas as memórias genéticas em mil vibrações que se desbobram conscientemente na alma do que somos e nos leva a habitar o estonteante azul dos céus. somos sinais de vida sem fim! somos ainda só o que ainda não sabemos. somos o que nada vemos na estrada do nosso olhar. tudo no mundo é pintado em silêncio. corpo que se desbobra. regressa. acorda e disperta num outro ponto mais azul do céu. vibra, volta, regressa. somos cor silêncio. sabemos, sem saber ser que a alma traz e leva tudo o que se avista com fé. no mais alto dos céus desta montanha entre as duas serras, há cores que rezam memórias dum mar que pintou de azul primário: a cor de portugal!..}
[ ... o que abre uma porta não é um dedo só. são as mãos. e tão diferentes são as mãos que na vida indicam a escolha do saber. dizem... que duma só mão se fez a vida!... a terra. o mundo. o destino. as emoções. os sentidos e todos os caminhos que escolhemos percorrer. isoladamente. sempre isoladamente, cada cor tem uma missão. significados. tons próprios. únicos. tal como os riscos, as letras, os números e os traços. se pensarmos em todas as suas possíveis combinações: são verdadeiros mistérios. segredos bem guardados na palma de cada mão. só mesmo o destino sabe quais os caminhos que cada um de nós tem que percorrer até à desejada porta do sentir. diz que existes... e percorrerei terras sem fim até chegar a ti. se for esta a porta que abrirá as mil cores com que deus pintou o mundo, então ... só o coração... o poderá sentir. ]
[ ... "o sentido da vida", é o título que a pintora daniela nunes deu à sua recente exposição que está patente até dia 24 de março, na albergaria d. nuno álvares pereira em santiago do cacém, no alentejo. são personagens. rostos. figuras riscadas a preto e branco. olhares que indicam e fixam em cada um de nós: o sentido da vida. desejos e promessas registados por traços espontaneos que na tela e na pele captam as marcas do tempo. no alentejo e nas suas extensas planícies, há rostos e olhares naquele povo... que em paisagens pintadas quase sempre em tons ocres desiguais: nos marcam para sempre. ]
{ ... ser, é um caminho conjugado no tempo: "indo". não somos. vamos sendo. sempre indo. porque somos sempre "indo" até... sem nunca se saber... quando deixaremos de o ser. não somos. vamos sendo. ser, é um caminho conjugado no tempo "indo". entre serras, nestes recantos esquecidos desta montanha, há quem saiba a dança do toré!... saber dançar o toré, é saber realizar todos os sonhos. quem a sabe dançar são os índios!... usam-se diferentes cores nos enfeites do rosto e a vida é por breves momentos intemporal. evoca-se o passado. projecta-se o futuro. enfrenta-se o presente. entre o saber e o ser... ressalta a memória histórica dos grandes guerreiros que se fizeram santos. hoje, nos cafés dos montes hermínios da lusitânia trocam-se conversas sobre d. nuno álvares pereira. porque... há certamente em portugal, mais misteriosos caminhos que conjugam o tempo entre os dois mundos: do ser e do saber.}
{... ao longe, no distante horizonte que os nossos olhos não podem alcançar, entre o vazio e o nada - existe o céu. azul. espécie misteriosa. mapa sem fim. ninguém sabe donde veio nem para onde vai todo este azul. é sonho, feitiço, promessa, oração. entre o vazio e o nada - nada morre, tudo vive na mão do deus criador. desenho, criação, meditação. é sonho, promessa, esperança, oração. entre o sol e a lua, há sempre mais encanto quando à noite todo ele se veste de azul. o que faríamos das cores se não houvesse mais do que todo este azul, que nos aconchega e nos abraça neste misterioso mapa. não há vazio no nada! nem morte que não gere vida: na espécie misteriosa que dá alma ao céu. nesta montanha, entre serras, há mais mistérios e outras espécies de cores que nem a paleta dos pintores consegue desvendar. o céu. mapa azul... é tudo o que existe: entre o vazio e o nada.}
{... nestas terras... há conversas perdidas na solidão dos dias. há guerreiros e fortalezas pintados a pedra e lápis, nos desenhos e nos sonhos das crianças que não querem deixar morrer, todas as cores que ainda podem aprender. nas conversas mudas dos pastores, há mais terra em cada estrela que à noite dá mais cor ao céu. há luas novas e outras tais, que já apaixonaram mil aventureiros a partirem para outros mares. uns ficam outros vão!... no mistério das cordilheiras entre estas duas serras - o mundo quando aqui chega... fica. repousa. e por instantes encosta-se aqui. mata a sede dos que ficam... e da pedra da montanha desenha... no sonho de cada criança: tempos de esperança. é o espírito da montanha, que à noite nos espreita e nos aconchega. entre estas duas serras - o mundo todas as noites aqui se refugia. aconchega-se. fica. repousa. e por instantes aninha-se... aqui, nesta aldeia de alma pedra: encostada ao céu.}
{... simples. tudo poderia ser muito mais simples se o universo não existisse. e, se o pensamento que nos anima fosse ainda mais simples... que o próprio universo... se todo ele: não é mais do que um simples borrão pintado a negro. como encontrar - nessa ausência de cores - o fim e o início da nossa existência?!... tudo poderia ser muito mais simples: se o universo não existisse. tudo poderia ser mais simples neste eterno mistério mais-que-perfeito.}
{... se deus não tivesse esculpido as cordilheiras da solidão... o que fariamos na escarpa da serra, na montanha, nos mares e nas areias do deserto que povoam o mundo? somos alma em todas as viagens que percorremos. nem todos os lugares são totalmente - cidades desertas de nós. se fosse possível descrever todos os sonhos percorridos em vida... entenderíamos que nunca deixamos de viver neste lugar. assim nos fez deus: num só traço. esboço triunfante que meticulosamente deu luz às formas invisíveis: a alma. somos estátua viva encostados ao céu, à procura do tempo certo para aceitar que em cada pedra desta montanha... não somos mais do que luz e cor de um esboço seu. somos, viagem indeterminável nas cordilheiras da solidão... sempre que o sonho se eleva e finjimos adormecer. é que no vazio do manto, que há entre o céu e a terra... também nós queremos ser pedra... porque depois do mundo e da serra: há muito mais universo que os nossos olhos podem ver. }
{... nos montes da lusitânia, há igrejas fechadas pelo frio que toma conta da nossa solidão. se o universo fosse posto em causa... jamais mudariamos os relógios que governam o mundo e que ditaram como destino: passar por aqui. encostados ao céu: somos janela aberta a desconhecidos voos. somos pastores, poetas, pintores, missionários e defensores de todas as cores que a montanha nos chama a si. na escarpa de todos os sonhos: pintamos de cores quentes as gentes que ainda habitam nos montes da lusitânia. a solidão, aponta-nos as cores serenas de Deus... em cada pedra desta serra que nos observa e nos diz: que nesta viagem não estamos sós.}
{... em montes hermínios da lusitânia, adocicadas cores trazidas pela nesga do vento: trazem-nos saudades do mar. encostados ao céu, voamos nestas paragens sem ninguém. e sempre que entre abertas nesgas de azul... as cores acontecem, rasgamos todas as raízes que cada cor nos faz sonhar. na solidão do branco prata, descemos a montanha em alegre correria antes que o azul se esfume para sempre. voamos. sem medo. encostados ao céu. em toda a sua extensão percorremos todos os seus segredos. voamos... sem medo. nos montes hermínios da lusitânia, a solidão faz sempre o mundo voltar ao mesmo lugar. o pastor vira caçador para vitoriosamente defender as cores da montanha. encostados ao céu, nestas terras sem ninguém, somos pintores do vento, em hermínios montes da lusitânia. }
{... directamente do corpo e às escuras, mas sempre presentes: o tacto, o olfacto, a audição. é a cinza prata-cinza mate que subimos e descemos, vezes sem conta, a janela que nos leva ao cimo desta serra. estimulados os sentidos... todas as memórias... se diluem neste eterno nevoeiro. às escuras, ficamos sós. sem cores, ficamos sós. mergulhados em blanc nacré, à escuta da inconstante e supersticiosa noite, para que o canto da coruja nos traga daquele sonho: a cores. e é assim que subimos e descemos o pensamento... até que... supreendidos pelos sentidos da natureza, acorde também ela e definitivamente deste sonolento inverno pintado: a blanc nacré.}
{... na vertigem de todas as linhas rectas, erguem-se casas na sobreposição das pedras que aconchegam esta pequena aldeia retirada dos tempos de viriato: numa só alma. exóticas esquadrias rasgam os céus e a serra a verde musgo. tudo nasce dum único traço que nos preenche neste imenso vazio. envoltas em rodopiantes nevoeiros, as pedras levam-nos a novos caminhos apontando quase sempre misteriosos mapas. e é através do sábio equilíbrio adquirido no passado que se sabe escalar o presente e o futuro neste tempo escorregadio. manifesto o verde, as redondas pedras da montanha mudam de formas. repetitivamente. na vertigem de todas as linhas rectas, o plano vira redondo e tudo o que é redondo: traz aguçadas partidas a quem passa. e se o povo acordar e descer a serra... cansado de tanto nevoeiro, que segundo dizem... assim lhes foi imposto... por alguém... que em rituais alianças os condenou a este mágico silêncio!... quebrado o cinza, o verde musgo pintará para todo o sempre: todas as pedras da serra da cor do céu.}
{... no povoado das casas de pedra, todas as vidas são solitárias. há lendas e mil estórias de encantar. encostados ao céu, entregam-se ao tempo e enterram os sonhos na terra que cultivam. afundam-se nas cores da montanha para envelhecerem na encosta da serra. trazem na alma o vento e conhecem todas as estrelas de cor. o povo das casas de pedra olha sempre com estranheza quem por esta serra passa. porque entre as pedras e os paus que se abeiram do céu, eles são guardiões de misteriosos segredos. há gerações que abraçam novas terras em longínquos voos. nas memórias, levam os cheiros estonteantes das fogueiras e os animais que os acompanharam a vida inteira. quisera este povo sonhar sempre de novo. quisera, este povo que a pedra fosse vida: semente de outro mágico lugar. }
{... no topo da montanha a pintura torna-se versátil. não há verde paolo veronés, nem azul prusia. o verde permanente virou terra. nesta aldeia, a terra é tostada, queimada, ocre, toda ela ainda coberta de branco titanio. na zangaria das cores, a serra cortou todos os caminhos e virou-se para o céu. fechou-se em si. escondendo todos os pigmentos no manto extenso deste inverno. não há opacidades nem transparências em tudo o que dela se vê. tudo é branco titanio. as aldeias são encerradas e as ruas fechadas. assim ficamos. sem verde paolo veronés, azul prusia, amarelo alaranjado ou carmim. tudo é branco titanio durante o dia e negro óxido à noite. assim ficamos, sentados nas memórias das cores. nós e a serra... à espera que a terra vire verde permanente... pintada de tierra sombra tostada. }
{... percorremos aldeias feitas de pedra com sinuosas lareiras. trilhamos caminhos em contra mão com tantos outros viajantes. trilhamos a terra até ao fim da estrada. depois...tudo é areia. não há mais nada. tudo é... muito antes da pedra e do fogo: um mapa curioso. se pudessemos ser... casa de pedra, serra, mar ou planície para sempre, cruzariamos a vida sem medos ou sobressaltos. tranquilamente, até ao lugar onde e depois da última curva do mapa: tudo é areia. }
{... trazidas pelo vento, as cores dão forma às palavras musicadas na imensidão da serra. esbatem-se as cores nos sons e o vento na terra... na superfície branca da tela e do papel, para que a escalada dos pigmentos se transforme em vida. musicadas as palavras a terra acolhe o tempo. escuta. espreita. isola. sempre. repetitivamente, em todas as suas variantes: tons diferentes. }
{... laranja no epicentro: carregar no travao+start!... guardam-se as pedras da serra... nas algibeiras da memória e... partimos na rota das cores. }
{... agradeço comovida o prémio Blog de Ouro que tão generosamente a escritora ana vidal me atribuiu. "é uma coisa de mulheres, um reconhecimento de códigos, de ambientes e de sensibilidades", escreve ana vidal sobre este prémio. e eu agradecida, penso como retribuir no vazio deste lugar, onde a internet mal funciona e só ás vezes é que dá sinal de si... bem no meio desta serra, onde tudo ainda está branco e o tempo teima ser... sem outras variantes: nevoeiro. é que nesta nova cidade das tintas... além das cores e das palavras impressas em cadernos de papel: nada mais existe! por isso, mesmo aqui à mão... tenho um dos livros de ana vidal. "seda e aço". abro o seu livro. leio um dos seus poemas, também ele intitulado "seda e aço" e, revejo os últimos tempos de lapis exilis. por isso, faço questão de publicar aqui este poema de ana vidal: Seda e AçoSão poemas: desabafoscomo a própria vida, incertosVão deixando, passo a passomisturas de seda e açomágoas fundas, céus abertossem simetria ou compasso...in Ana Vidal, 2005, DG Edicções.
{... quiseste voar até ao branco mais alto desta montanha. quiseste. quiseste flutuar no gelo lago deste lugar. e vieste... e levaste-me contigo por tanto quereres voar. sobrevoamos praias de água geladas, pintadas pela manhã fria. quiseste de tanto querer acordar-me, do alto das tuas asas para que eu mergulhasse no teu olhar. quiseste voar ao branco mais alto da montanha. quiseste... planar no misterioso lago de gelo que se esconde no alto da serra. quiseste. apenas quiseste, acordar-me das ilhas desertas, para levares-me contigo, nas noites que não consigo sonhar. quiseste voar e sonhámos que das tuas asas de água, no ponto branco mais alto desta montanha: matámos saudades das cores do mar. }
{... escutar os sonhos que me conduzem a ti, é saber percorrer este caminho pintado de saudade. lá fora tudo é branco. a neve dilui-se no extenso nevoeiro e as cores sobresaem no interior de nós próprios. nada se vê para além do que existirá na tela. quem disse que o branco é nada?! quem o disse... nem sabe que o branco, é a saturação de todas as cores. é isso! lá fora há rodopios de cores agitadas em mil saudades de ti. para que servem os contornos, contrastes, brilhos e meios tons?... hoje, a serra adormeceu num outro sonho qualquer... de tão esquecida também ela de acordar. tudo é branco! penso em ti, e no rosto que te iluminará nos primeiros traços. escuto os sonhos. olho. não vejo nada. abro a luz e finjo que adormeço como a serra neste tempo perfeito. quem disse que o branco é nada?!... hoje, isolamos as cores e escondemos o medo do grande vazio que lá fora se avista. é isso!... }
{... como é teimoso o tempo que nos cruza, assim... e teimosamente nos volta a cruzar entre as mil viajens deste mundo. foi em 2005. decedidamente à busca de saber qual seria o trajecto de comboio até o tibete... que cruzei com o blog: alma de viajante. estava ele, no início da sua aventura. deixei-lhe palavras de coragem e agradeci todas as dicas que me enviou, de como se chegar ao tibete, sempre por terra. hoje, foi a sua alma de viajante que cruzou com o meu trilho dedicando também ele as seguintes palavras de animo: "Rede hoteleira ibérica promove arte: A Hoteles del Arte é a nova rede da Península Ibérica que visa promover artistas e os hotéis como locais de arte. Os fundadores são o Hotel Convento de S. Paulo, em Évora, Nautilus Lanzarote, em Lanzarote, e Hotel Palacio de la Serna, em Cuidad Real. A ideia nasceu pelo crítico Fernando Gallardo, do jornal El País. O projecto alia à estadia novas experiências culturais, promovendo os hotéis associados, o seu espólio artístico e eventos. A rede aceita quem “sinta o amor genuíno pela arte em geral, contemporânea em particular, em todas as suas formas”. Entre os artistas aderentes conta-se Alex e Teo Senra, Amaya Espinoza, José Seguiri, Juan Sukilbide, Maria Sobral Mendonça, Marijose Recalde, Nori Ushijima e Eugenio Bermejo". obrigado filipe gomes!... quanto ao tibete, está na calha. um dia, depois desta serra: instalo lá o meu atelier. } http://www.almadeviajante.com/travelnews/002607.php
{... arribadas as lendas ao céu... esvoaçamos medos em praias desenhadas na calada da noite. sonhamos. subimos inseguros entre as nuvens que se juntam a este navegar. perto da rota estrelar tudo é pedra. não há versos nem poesia neste silêncio. tudo é Deus. cruzados à sorte, somos caminhantes das fantasias que nos trazem ao aconchego outros mundos... não há tempo que sirva a serra, sem que a serra não sonhe ser montanha, para que depois de tudo isso e do alto de toda ela: a neve não queira ser mar! o que seria do voo dos pássaros sem o medo de planar a vasta planície que nos trouxe a este lugar? arribados todos os medos, vencemos. vencemos as sombras que encorpam as caídas noites em amanheceres cobertos de densos nevoeiros. não há versos nem poesia neste silêncio: tudo é volumetria. somos, meramente um extenso deserto cruzado à sorte. somos pedra, areia, pó que volta sempre à montanha mal o vento sopre vida. somos cruzados à sorte: tendas erguidas ao céu!...}
{... embebidos na alma da serra, ateamos fogos cheios de cor a novos sonhos. há quem vá para a serra depois da planicie para alcançar a montanha da vida. há também quem fique sentado em sí para sempre. adormecido. ausente de sonhar. sem forças para trilhar todos os invisíveis caminhos que têm alma e cor. sómente porque todos os desertos são solitários. abrem-se as cores porque aqui tudo é mais distante do vazio. pensar o mundo sem o percorrer é morrer. é exactamente por isso que na alma da montanha, entre as pedras que se aproximam dos céus... há quem desenhe casas na escalada de todos os sonhos. }
{... na sapiência das cores, nunca te sentes para sempre na curva dos sentimentos. eles regressam sempre que o outono dobra a tristeza do pensamento. nunca faças das palavras o único canteiro da vida... porque todas as flores são pintadas pelas águas do tempo. na solitária montanha que cresce desta serra: refugiámo-nos do mundo. aqui, estamos sempre em viagem sem sair do mesmo lugar. é essa a filosofia de toda esta serra. pintados todos os versos, novos mundos acontecem. hoje... na escalada desta montanha até à pequena aldeia, soube que um pouco de mim... faz parte da tua viagem: obrigado portugal! obrigado por me levares contigo.}http://www.recife.pe.gov.br/2008/12/09/prefeito_recebe_comitiva_de_portugueses_165047.php
{... branco. tudo é branco. daqui, bem no alto desta serra, o mundo fica mais perto de todos os nossos desejos. que assim seja até ao próximo inverno: boas festas e feliz ano novo.]
{... no pé da serra tudo é já absolutamente branco. senta-se o tempo, nós e os longos dias que virão. projecta-se a escalada da montanha e preparam-se as cores... mas, o branco da serra convida-nos ao silêncio. é entre o pé da serra e o céu que as novas cores serão pensadas. primeiro tudo é branco - o pé da serra as telas, o pensamento. depois... depois, sentados no tempo e nos longos dias que virão... a escalada das cores acontece. }
{... recolhidas todas as emoções que os olhos não podem ver... por vezes, acordados somos nas atropelias do sono. sonhamos pintados porque a noite é ainda noite. densa, escura, silenciosa. ouvinte dos nossos medos. carente de cor, luz, contraste. é sempre entregues ao que somos, que voltamos novamente ao sono. repetitivamente... para que as cores não findem por completo. recolhemos emoções e apagamos-lhes todos os riscos. efectivamente, é no regresso ao sono que o entendemos. básicamente, tudo isto só faz sentido porque temos a capacidade de ver sem olhar. pensando bem, é através do sono que entregues ficamos ao que realmente somos. repetitivamente e até ao fim... somos: malabaristas das memórias.}
{... a arte é a incrível capacidade de ver o invisível!...}
{... no paralelismo da sobreposição de vários pontos num só traço: a forma. sombreada, diluída, ténua. o preenchimento do todo e do vazio. o invisível a forma e a matéria. novamente o ponto. a sobreposição dos traços até à saturação das cores. repetitivamente. sempre. sobrepondo a cor sobre outra cor... a cada um dos pontos que risca o traço. sempre, entre o todo e o vazio. repetitivamente... até ser tudo branco. a última cor. no paralelismo da saturação da forma sobre toda a matéria: a sobreposição de vários pontos num só traço. a luz e as sombras. o invisível. sombreado, ténuo, diluído... no ponto branco que preenche o vazio. }
{ .... ao fundo de todas as estradas, a eixo de toda a imaginação: o oculto ponto preto! inatingível. misterioso. onde o futuro e o presente se econtram apenas num só ponto. únicamente e só uma vez. no oculto pendular do tempo... tudo está eternamente suspenso. na realidade, do dorso da montanha avistamos-lhe o fim. se fosse possível lá chegar, sem a grande caminhada: o mundo seria todo ele oco e vazio. no fim de todas as caminhadas, a eixo de toda a imaginação, o oculto ponto preto ganhará certamente: uma outra nova dimensão....}
{... rochosamente: o castelo. rochosas e azuladas pedras sobrepõem o tempo à história. a eterna conquista. escalada a alvenaria dos desejos... aviva-se a memória e erguem-se estátuas em todas as praças dos povoados. somos castelo, vila, cidade: apontamento vivo de todos os sonhos. somos heróis. estátuas de pedra. pó que sempre esvoaça na hora da queda. é no tão desejado retorno vivo do ser... que adormecidos sonhamos. }
{... no depois do depois das nuvens: tudo é mais azul. e depois desse depois, o azul é mais... cobalto até ser negro. e é só no depois de tudo o que depois existe: que todas as cores desfalecem. é cedo. ainda é cedo para o amanhecer virar cobalto. porque não há depois sem tempo... e ser azul é voar mais alto. azul. azul cobalto quase negro: é cedo.}
{... o traço de uma carta. estética da ecceidade. luís lima. o traço de uma carta...}
{... do seu tempo em palavras: nasce mais um livro do autor- luís lima. a escrita e a estética sempre associada às letras. as palavras. a simbologia e os relógios que nos apontam faz tempo neste percurso. faz tempo... ou nem tanto assim. já não sei! mas, é sempre bom saber que existem e entre nós... os que do seu próprio tempo: dão voz à obra. parabéns luís! http://ecceidade.blogspot.com a estética da ecceidade - o traço de uma carta, é o recente livro publicado pelas edicções minerva coimbra e bulhosa books & living, que será apresentado por luís carmelo no dia 28 de novembro às 18:30, na livraria bulhosa de entrecampo em lisboa. }
{... coladas. prensadas. embaladas. cozidas ao calor: as cores do gift que este inverno se misturam aos aromáticos grãos do café. somos: gift & collors!...}
{... aqui e um pouco por toda a montanha, as casas erguem-se frente a frente. teimosamente e entre estreitos passeios desenham ruas escavadas na serra. tudo é pedra. tudo é desoladamente frio quando o sol teima desaparecer. nos próximos dias, o ar desta aldeia, ficará todo perfumado a lenha. aqui, todas as pedras ganham sempre novas formas. trazidas pela força do vento que corre veloz neste tempo - as suas sólidas texturas, são aparadas em gritos de dança. algumas, saltam pela encosta. livres. esbarrando em desconhecidas moradas. outras, as mais iluminadas, adivinham cidades imaginadas. enganem-se os que pensam que nas montanhas tudo é silêncio. frente a frente e por enquanto, é nas cores quentes que animam o calor do fogo, que escutamos e criamos imagináveis castelos de pedra. }
{... se pintarmos de negro todas as sombras que o medo contem: aniquilar-se-iam todas as emoções que nos conduzem às invisíveis portas da criatividade. o que seria do pensamento, sem contornar os misteriosos corredores do desconhecido? sem tudo isto, ausentes estaríamos da negra cor que dá corpo ao universo. quem nunca atravessou a varanda do pensamento, em enorme correria, na pressa de chegar ao reflexo dos pigmentos que por excesso ou ausência - dão forma à matéria? sem pausas. atropeladamente. deixando para trás o raciocínio puro na ânsia de mais ver. alcançada a luz: eis as formas. compreendidas numa malha geométrica. composta de infinitas linhas que na sua constante multiplicação: se criam e se adivinham em universos paralelos. mais do que isto não existe. luz e sombra. mesmo quando o pensamento se ausenta das cores: todos os receios conduzem-nos à eterna dúvida do que realmente somos. por enquanto, nas linhas que compõem o nosso vasto universo: o medo pinta-se de negro. }
{... depois do exílio que nos leva a mágicos lugares. sentam-se os lápis. a matéria adormece. a gritaria das cores finda. ficamos mudos. parados no tempo. nós e as cores. sempre à espera de novos calendários. cruzam-se luas, invernos, primaveras... por vezes, o sol é tórrido e as nuvens são serradas. tudo é branco, azul, ocre. tudo é... e voltará a ser: deserto. as tintas, as cores, o mundo. sem tudo isto - regradamente e igual - não existiríamos. completam-se os indetermináveis ciclos. até que a cor se acabe. tal como a vida: a matéria recata-se por fim no esquecimento dos dias. despedimo-nos e partimos novamente em retiro. sempre. nós e as cores. }
{... na estrada branca que nos transporta até à cabana dos segredos, ao longue e depois de tudo isto: a serra. pintada de branco. fria. gelada. silenciosamente ali. no depois, e depois de todas as curvas. recatando a fugosa escalada. rasgando ares em direcção ao céu. tocando o vazio. sempre. silenciosamente. apontando o lugar onde todas as serras terminam. ali, no depois de tudo isto: branca. fria. gelada. }
{... os sonhos são detalhadamente: instrumentos da recriação humana. talvez. provavelmente talvez sejam... todos eles, meros medidores da capacidade intelectual de cada um. há quem sonhe a cores. quem receba e entenda quais os caminhos que nos levam às grandes obras. quem atinga o aperfeiçoamento de tudo o que está errado, por defeito, em cada um de nós. há recados e mensagens em dialectos indecifráveis. há, tanto mistério oculto no adormecimento da consciência, que nesse universo (que não está ao alcançe de todos), cada um invariavelmente se espelha: no que realmente não se vê. desfragmentados todos os seus sinais, a tridimencionalidade do tempo, ganha sempre visíveis contornos. cores. odores. personagens. viagens. nos sonhos tudo é musicado, pintado, reescrito, vivido a desconhecidas mãos. no universo, somos à sombra de todos os seus infinitos sinais: imagens recriadas, inventadas, cópias reais dum complexo povoado. saber ler o que não está escrito, é saber interpretar o desconhecido. talvez, seja esse o novo livro. escrito noutro tempo. onde o futuro se adivinha e nos liga às páginas de um longo sono. na mesa ficam os lápis, o papel, o tempo. porque nós estamos sempre de partida. desfragmentadas todas as palavras do novo livro, os sonhos são detalhadamente: reflexo da incapacidade humana, em clarificar o grande mistério da vida. }
{... hoje, desertámos ao sul em abraços de saudade. percorridos todos os lugares que nos prende, pintámos ventos de esperança em reconhecidas areias. por vezes, sentados na saudade, percorremos lugares felizes. esboçamos futuros quadros. sonhamos. agitamos abraços sem endereço. somos sós... porque ninguém passa nestas terras. somos, sómente sopro de cores mutantes. somos pó, porque o tempo sempre nos alcança. somos sempre, noutros tempos, memórias do que fomos. somos, tão sómente: apenas deserto.}
{... na escalada da montanha que abrigará este inverno, instalam-se impacientes todas as cores. primeiro apagam-se os registos a todas as memórias. dispertam-se imagens adormecidas e por fim... abre-se a janela em tons de vermelho carmim. brindamos. incendiamos todos os sonhos e suavizamos o frio que já acontece. hoje... certamente que hoje, já escutaremos em silêncio: alaranjados vermelhos assim. }
{... ladeados os caminhos, aclara-se o mangenta às nuvens e as cores levam-nos sempre a outros lugares. a terras desconhecidas. a recantos perdidos. a arruamentos sem fim. há instantes que se confudem com paisagens já vividas. estranhas vivências nunca presenciadas. tudo isso. há momentos, em que se vaguea o olhar no vazio do infinito. todas as viagens têm o seu mistério. neste mapa, a planície abre sedeosas ruas das chuvas que já se fazem sentir. o inverno é ainda cinza. aclara-se o mangenta às nuvens e as cores levam-nos até à aldeia do pensamento. porque, só quando virados os campos brancos é que avistaremos a curva do novo dia. no seguimento da estrada amarela, tudo vai sendo - nada é. o próximo torna-se distante e, o tempo passa devagarosamente. }
{... empacotadas todas as memórias, pintamos de vivas cores, o céu que nos leva à nova casa. na viagem, transportamos caixas preenchidas de alegrias, tristezas, tintas, pinceis, vida. pintamos o céu das cores da terra e rebatemos novas saudades. vagarosamente. sem pressas. só com um único compromisso: regressar. trazer cores que preencherão outros vazios. novas caixas, casas, memórias. sem pressas. rumo à nova aldeia do pensamento. vagarosamente, saboriando o cheiro a terra. avivando as cores. retocando o vasto céu numa nova paleta de emoções. entregues ao tempo. até que se abra a porta do universo onde iremos projectar o futuro. onde as imagináveis horas, iniciam já a contagem dum outro tempo. sem pressas. só com um único compromisso: regressar. sem nunca esquecer o caminho que nos traz ao lugar donde vimos. sempre. vagarosamente. partimos. }
{... somos essencialmente - imagens que nos transportam para outras memórias. inventadas. alteradas. imaginadas. somos, essencialmente compostos de imagens. escritas. pintadas. musicadas. somos, tudo o que o silêncio nos pode dar. por isso andamos de terra em terra. no interior de nós próprios. sempre à procura de novas paisagens. essencialmente, ao encontro de tudo aquilo que os olhos não desvendam num simples olhar. é exactamente isso que nós somos. condenados ao silêncio que nos leva às inúmeras páginas que completam a obra. somos paisagens interiores projectadas na tela, no papel, na pauta, no écran. somos, procura eterna do silêncio. no sono. na vida. essencialmente feitos de imagens escritas, pintadas, musicadas e animadas pelo misterioso universo do pensamento. somos tudo isso e muito mais... quando essencialmente ficamos em silêncio.}
{... sucumbidos na transparência de todo o raciocínio lógico: caímos em sono profundo. desse enigmático universo trouxemos flores. jarros vermelhos. pinceís. nuvens ogivais enroscadas em escamas amarelas. brilhantes novelos densos. fechados. coloridas areias do deserto. hoje, voámos deitados. nós: o pensamento. o mundo. sem raciocínio lógico. sucumbidos à pura imaginação do sábio vazio. todo ele tão misteriosamente preenchido. colorido. abrilhentado de novos sonhos. tudo sempre em movimento. inventamos imagens. fazemos descobertas. pintamos sonhos. saímos do sono profundo. trazemos flores. jarros vermelhos. pinceís. nuvens ogivais enroscadas em escamas amarelas. brilhantes novelos densos. fechados. coloridas areias do deserto. extensos corredores de luz e tantas outras coisas jamais pensadas. chegamos. da viagem, que nos traz sempre ao mesmo lugar- retomamos o raciocínio. surgem as primeiras memórias. desnovelamos imagens e significados aos sonhos. ficamos adormecidos. entregues ao raciocínio lógico. sem nunca sabermos - o que realmente anima - o enigmático caminho de retorno, quando deitados voamos. }
{... rodada a saia. soltámos sonhos. dançámos a vida em bordados desejos. somos todas as cores. vivemos assim na dança da vida. incansávelmente até que o pano ceda. se rompa no tempo. aqui. onde o vento traz memórias de todas as horas. dançadas. em solitárias águas agitadas de prazer. soltámos sonhos. atravessámos rios. abrimos novas fronteiras. dançámos de todas as maneiras. incansávelmente até que o pano ceda. se rompa no tempo. aqui. dançamos a vida. pintada de todas as cores. bordamos desejos. rodopiamos memórias. dançamos sonhos. sempre. enquanto é tempo: vivemos assim. }
{... se pudessemos rebater o futuro, na sombra do que somos, a encruzilhada desta viagem deixaria de fazer sentido. tudo está teimosamente decidido assim. somos o que nunca se é realmente, porque no relógio do tempo, somos sempre sombra do já que fomos. essencialmente, somos desenhadores de outros mundos. ser mais do que isto... tudo deixaria de fazer sentido. todos os sonhos ficariam adormecidos. enterrados nas areias do desejo. guardados para uma próxima viagem. suspensos na superfície do tempo. tudo está decidido assim. somos desenhadores de outros mundos. projectamos o futuro na poeira do que somos. sempre entregues à aventura do presente. condenados a dobrar todos os medos. teimosamente à espera de novos mundos. sempre. teimosamente. porque somos muito mais... do que todos os medos sombreados à superfície do tempo. }
[... dizem que laranja é cor quente. dizem... porque o sol assim se pintou. jogada a mão à caixa da vida: somos sempre a primeira cor. aquela. a do momento. seja cor pedra, gelo, planta, céu, morte, eforia, tristeza ou da cor do nada. a do momento. aquela que nos fecha num semi-círculo por breves segundos. que nos projecta e nos transforma em outras ambiências. diferentes, iguais, parecidas. dizem... dizem que já tudo está inventado. o círculo, o quadrado, as cores, os sons - a vida. o vazio. se não fosse a caixa da criação, nada era quente em vez de frio. tudo seria indiferentemente concentrado em apenas um único ponto. em coisa nenhuma. no tom do momento. na primeira cor do que somos!... }