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{... riscamos os céus de verde musgo... só para avistar a árvore mais alta de todos os sonhos. riscamos infinitos traços... para que nunca se escorregue na escadaria dos sonhos mais estranhos. se fosse fácil entrar de olhos abertos na janela do sono... debruçava nos desejados ramos do teu ser: mil cores ao adormecer. devagar. tudo muito devagar. suavemente. sem pressa de acordar do sonho que risca a vida. sem vento. sem som. sem lápis. sem memórias. sem tempo. sem mistério!... sem o tudo e o todo: apenas e só o céu!... percorridos desconhecidos lugares... entramos no sono que nos leva ao sonho e nos traz sempre de volta sem tempo para te pensar. novamente o sono. luz e sombra que o vento risca no pensamento: mil cores ao adormecer. o céu será sempre riscado a branco, cinza, azul, laranja, amarelo, magenta, negro, azul profundo... porque o céu nunca morre!... na escadaria do sono, riscamos vezes sem conta todos os sonhos... até que se esqueça também ele... e no seu todo... de tudo... de nós! degrau a degrau... no seu aparente vazio... há riscos desenhados que já nos sorriem de espanto: sonhamos?!... estranha escadaria é o sono... subida e descida constante... que alcançada vezes sem conta... nos liberta e completa o desejado retorno: à eterna viagem! o sono. o sonho. a vida. no seu todo... todas as noites voamos ausentes de nós. percorremos misteriosos universos. é nas suas margens que repousamos: lançados de desejo. adormecido o pensamento: semeamos ilusões. planeamos o futuro no presente e recordamos o passado num tempo que já não existe. degrau a degrau. sempre. subida e descida... com que todos os dias julgamos que sózinhos fazemos acontecer. suavemente. sem pressa. sem sorte ou morte... voamos mil vezes sem medo do fim. riscamos desejos no alto dos céus. desenhamos ramos no seu azul mais profundo... só para lá repousar e ficar. sentados no tempo... sem cair. o resto pouco importa! tudo o que é deixará por fim de ser. não há correria mais tranquila do que o sono. porque sempre que fechamos os olhos: acordamos no topo da sua árvore mais alta! riscada por nós e por ele. só para que o sono nos abraçe e adormeça. devagar. sem medo. suavemente... no verde musgo dos teus ramos... só para te pensar. sempre que paramos na escadaria dos sonhos ao anoitecer: inventamos mil cores sem saber. }
{... no telhado dos nossos sonhos... já cansados de tanto caminhar: paramos. sentados sobre o vazio que nos trouxe a este lugar... tudo é terra barro, canto chão. por vezes, no telhado dos nossos sonhos: trazemos cores pintadas de lugares desenhados em invisíveis papeís, esboçados na rota de cada voar. como é tão incerta esta viagem, que percorrida entre deus e o vento: nos faz sobrevoar tantos mares de desalento. saímos de nós. sentados no vazio, observamos tudo o que ficou para trás. surgem imagens conhecidas, reais, imaginárias, desconhecidas. afogadas as mágoas dos outros... pensamos em nós! é na algazárra desta vida que as cores nos falam. gritam imagens da vida no sono. diluidas todas ao mesmo tempo: sonhamos! recriamos da guerra dos homens... apenas e só: coloridos rostos em momentos de paz. saídos de nós: tudo é tão perfeito! entre deus, o vento e o céu... há para além do azul e das estrelas brancas da noite: secretos recantos que nos aguardam e amparam cada sonho até à próxima viagem!... todos os dias voamos sempre quando cansados ficamos de tanto caminhar! ainda tudo é da cor da terra barro... por enquanto! nesta incerta viagem... quis assim deus... que deste vôo viessem comigo... apenas pigmentos de azul e branco. só para que eu saiba que há mais terra barro e canto chão no céu do seu olhar. saídos de nós: somos apenas pó, pigmentos de várias cores, regresso e viagem constante. é por isso que deus fez do vento um sopro ausente de cor... da vida uma incógnita viagem... do sonho um lugar incerto. porque só ele sabe... que depois de adormecidos todos os sentidos... é deus que faz de nós: nascer sempre de novo!...}
{... em terras lusas há toiros bravos: pretos, castanhos, malhados de branco, ocre e pontualmente de dorso dourado. no caderno das memórias dos pintores... há tudo isso e muito mais... que só mesmo a paleta das cores pode modificar! em terras lusas há a tradição do toureio. no alentejo, entre as fronteiras do medo e a vizinha espanha... fizemos um safari para redesenhar: toiros bravos! no abrasador calor na ganadaria dos passanha... dentro de um carro campreste tipo jep, e a convite do empresário carlos pegado: percorremos medos escondidos de janelas abertas à aventura diária de diogo passanha. há vidas tão diferentes das nossas, que por vezes esquecemos nesta vida... a importância do "viver" que cada vida tem. por escolha, herança, tradição ou opcção, vivemos caminhos que por outros percorridos... são e desde logo: janela aberta ao nosso destino! em telas lusas há toiros bravos que se pintam de preto, castanho, azul, ocre, laranja, malhados de branco e pontualmente de dorso dourado. os toiros são por natureza tão bem desenhados, que nem o traço de picasso, ousou apagar nos seus quadros: a beleza de todas as suas linhas. há no fitar escondido de cada toiro: invisíveis mistérios que nenhum traço ou cor, conseguirá jamais captar o risco do seu olhar. desenhar toiros sem os ver de perto, é como pintar às cegas toda a sua grandiosidade. à medida que nos aproximamos e ficamos de frente aos majestosos toiros: o coração aperta e o jep torna-se pequeno para resguardar os nossos medos. afinal... só eu sentia medo! aberta a janela e vencido o medo: observamos as formas, o corpo, o olhar... só para sentir o movimento que há em cada um deles. no final de tudo isto... tudo é ou será: um grande mistério! assim fomos campo a dentro, entre as fronteiras do medo e a vizinha espanha... observar de perto os toiros dos passanha. há em terras lusas toiros bravos, que nas telas dos pintores já se pintam de todas as cores. há no alentejo... um portugal que por vezes é tão esquecido... deste nosso povo cheio de bravura e de orgulho: na sua/nossa secular tradição!... parabéns diogo passanha... obrigado: carlos pegado! }
{ ... goya, manet, van gog, romero, paula manzanares, morante, picasso e os touros. entre o eu e o mim: tudo é viagem! destino. cores. pensamento. perpétuo é o prazer de quem mergulha nos mares da criatividade. pintamos casas, barcos, toiros, arenas, personagens, vidas, sentimentos e todos os possiveis universos imaginários. todas as cores são musicadas entre a realidade e a fantasia... sempre que a vida nos transporta na sua imensa barca de tonalidades. olha-se o céu e as estrelas podem ser desenhadas a prata ou vermelho carmim. o que existirá em nós, que para além da razão... entre ver e olhar... sempre nos diferencia?!... somos entre os demais: navegados olhares! aqui, fazemos partir barcos rumo a paragens imaginárias que em recatados mares: ancoramos as nossas memórias. é bom saber que há quem rume sempre em direcção de novas ilhas. em cada porto seguro do nosso olhar... navegamos sempre sem destino. somos prazer perpétuo. azul profundo... sempre que mergulhamos nos mares da criatividade. olha-se o mar, o céu, a terra e partimos sempre da mesma forma: mergulhados de prazer! só mesmo o destino sabe desenhar o tempo que nos resta... para olhar tudo aquilo que ainda nos falta ver!... entre o céu e o mar, navegamos hoje: a bordo do santa maria manuela!}
{... quais as cores de fernado pessoa... não sei! haviam tantas pessoas em pessoa que apesar de eu saber, que na psicologia as cores, cada uma delas tem o seu significado... em todas elas e em nenhuma - eu não o encontro. não o vejo. sinto! porque todos os pigmentos têm as suas próprias transparências e opacidades. cambiantes. ausências. solidão. sentimentos que numa imensidão de palavras, contam estórias e imagens escritas em folhas de papel. sem tela e sem tintas... o escritor pintou estados de alma. retratou nas suas palavras: os outros. quis ser diferente dos demais: viveu só. foi livro. poesia. pensamento. tudo e nada. ser diferente, é viver em silêncio. é viver em lugar incerto... é habitar todos os lugares e em nenhum ao mesmo tempo. lugar sagrado onde tudo o que se sente e se pensa... é e será sempre: casa do senhor Deus. hoje, no seu 119º aniversário, há um poema que marca todas as cores na paleta deste atelier. penso nele!... penso em Deus, nas cores e, no génio de fernando pessoa.} "Pensar em Deus é desobedecer a Deus,/ Porque Deus quis que o não conhecêssemos,/ Por isso se nos não mostrou.../ Sejamos simples e calmos,/ Como os regatos e as árvores,/ E Deus amar-nos-á fazendo de nós/ Belos como as árvores e os regatos,/ E dar-nos-á verdor na sua primavera,/ E um rio aonde ir ter quando acabemos!... Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos" de Fernando Pessoa."
{... quando os mares se pintarem de ombre brûlée... não há chão na terra que não fique: verde perla. todas as serras e as montanhas se cobrirão de blanc zinc. o que restará do céu um dia... se de cada porta nele bem escondida... não se desvende em nós e uma vez por todas: o grande mistério dos ventos que sopram do extenso noir d'ivore!... quando os mares se pintarem de ombre brûlée... certamente que só a paleta das cores permanecerá viva. afogadas as memórias e invertidos os pigmentos desta vida: começaremos sempre tudo de novo. inventaremos a roda, o papel, a luz, a escrita, a música, a paixão, a dor, o medo, o cinema: o sonho! somos esboço vivo no lápis do tempo!... recriação. imaginação. breve passagem que a vontade preenche - tudo o que destoa e que ainda não se vê- no estranho noir d'ivoir dos céus. tudo o que daqui se avista: mudará por fim. nunca ficaremos sós, entre a verdade e a mentira de todas as cores perdidas. é exactamente por isso, que já se avistam novas praias d'or foncé... só para que mergulhemos de novo em novos mares: pintados a ombre brûlée!... somos lápis. cores. esboço. imaginação. recriação. tempo. terra verde perla que te espera... no deserto areal do meu pensamento.}
{... nos arruamentos do ser... todas as estradas são sempre desiguais. há em todas as multidões: ocultos olhares que se cruzam em diferentes lugares. primeiro o traço. depois o risco. escolhido o sentido: a cor. novamente o traço. apagado o risco... as estradas de tons marcam o rosto de cada ser. formas despojadas de sentimentos cruzam-se no mesmo espaço. olhar, é um lugar inventado! arruada acima: o pensamento. olhar fixo. vago desejo pintado na desigualdade dos dias. escolhido o sentido... oculta-se-lhe sempre e, em cada risco: a multidão de arruamentos que tem cada ser. }
{... tudo é redondo! estamos como a lua, a terra, o mar, o sonho, a vida, a sorte, o pensamento: o mundo! por mais voltas e voltas que se possam dar... daqui ... só o desconhecido universo nada nos diz. nada faz. sentados no nada: pensamos no risco que completa cada círculo. fechamos o traço. objectivamente e só para que no tempo... mais nada se passe... fora desse mesmo espaço. paramos o tempo!... inscritos também nós no papel... ficamos como a terra, a lua, o mar, a vida. sentados no vazio: no círculo suspenso. sómente... como todos os outros círculos que se avistam no céu. pensamos. será penas o sonho: um traço que se risca noutro tempo?! estamos redondamente certos... que por mais voltas que se possam dar... só mesmo o desconhecido universo: vive fora e dentro de todos os círculos fechados. nada dizem. nada fazem. nada pensam. aparentemente, são apenas como a terra vista do céu. riscados no espaço e em círculos perfeitos: fecham-se. nada dizem. nada fazem. coexistem invisiveis em todas as linhas que ao mesmo tempo se completam num único e só traço concêntrico. o que haverá depois disto tudo?!... se fora de cada círculo: todos os sonhos são desconexos. redondos. vontade infinita que animada pelo risco da vida: pretendemos alcançar a eternidade. }
{... liberdade, é o único sonho que na realidade tanto nos faz correr nesta vida. é por ela que subimos as mais altas montanhas do nosso ser. sem ela não se vive. ficamos cegos. aprisionados a vontades alheias. até os reclusos de si próprios: correm!... sonham. saltam invisíveis sombras. rumam em sonhos, desejadas sortes que em direcção a novos horizontes: esperam voltar a descobrir o mistério da vida. todos nós abraçamos estradas solitárias. colinas sombrias. prados cheios de luz. somos, corrida desenfreada sempre à busca de novas cores. dos mágicos lugares que só o pensamento sabe avistar. ser livre... é sonhar que não se morre. nós nunca morremos porque vivemos sempre: entre o sonho e a realidade! nesse grande mistério, saímos do tempo e mergulhamos noutro universo: paralelo aquele que julgamos existir... dormimos! efectivamente nesta vida, temos sempre a esperança de suspender esta corrida para sempre. ser apenas como a liberdade: um sonho. ficar entre as montanhas e entre as serras que se aninham nos vales do sono. mergulhar nos mares. voltar às montanhas e no topo das serras, ficar para sempre como a liberdade: vivos!... somos tudo aquilo que anima o mundo à realidade. somos muito mais do que uma única e só corrida. somos pensamento vivo que perdura no tempo. semente e sentimentos. memórias. espera. esperança. fé! somos tudo aquilo do que depois de nós: dará lugar a novas corridas no tempo. }
{... nas mil pedras da estranha montanha que já só está desenhada nas memórias de outro lugar: pensamos nos amigos. guardamos imagens. palavras. o invisível. o sagrado. tudo isso... num lugar bem secreto no tempo. leio "areia fora" de luís lima. desejam-se as pedras que escondidas pelo mar recordam imaginários areais. vemos praias que nunca existiram. mas... é exactamente nesse lugar que se guardam as pessoas especiais. } ["Na praia sem água nem sol, sem noite, sem lua, areia fora. Olhos sem cor, intensamente molhados de tanto olhar. Presa nua desabrigada sem ervas altas, sem riscas na pelagem. Gamo. Vento sem som, volume sem superfície, a pele descarnada de sentimentos. Mãos brancas e abertas traçadas, na palma, riscadas a negro claro no pano dérmico moreno, panorama epidérmico, epirama panodérmico. Dar e dar e tornar a dar o que se não tem. Aumentar-se assim de desejo. No mar sem água, deserto imerso de ligeiros pelos aloirados nas dobras do corpo cheio na maré vaza. Memórias projectadas num futuro sem pretérito a pretexto da trama de duas sombras na terra clara. Jogo de perguntas sem respostas evenciais. Evento nos lábios traçado a lápis-lazuli. Evento boca na palavra em voz. Para nunca menos do que isto. Para nunca mais repetir sem lembrar o regresso de amar. Na serra larga sem fogo, sem rocha, sem pedra, sem chão. Elementos lacunares, hiatos narrativos em cachoeira. O fluxo nocturno dos sonhos que caem a pique e não sabem morrer, papagaios pintados à mão para espantar os espíritos trovosos das nuvens densas, húmidas, papagaios de canaviais que vivem e não sabem poisar, sem terra não podem correr, sem pernas não podem morrer. Água sem sal, doce como a nascente de uma vaga." ] in Luís Lima em:
http://ovirusdavida.blogspot.com
{... há em todas as estradas: cores sombrias. fortes. transparências sobrepostas. densas. nos caminhos que nos levam às cores felizes... alegram-se as raízes que plantámos em infindáveis jardins de pano. todos os quadros são inventados! pintados. sonhados. escritos. desejados. há em todos eles o feitiço da viagem. o regresso e a partida. só as cores que trazemos na bagagem, comungam entre o céu e a terra: secretos olhares! esgotadas as cores... trocamos dissabores. pintadas as mil estradas no pano da nossa viagem: os quadros partem para sempre sem nunca regressarem ao mesmo lugar. que se alegrem as raízes das árvores, das flores, dos jardins plantados à beira mar que deixámos para trás ficar. vão os quadros... e ficamos nós. mergulhamos novamente no silencioso branco que apontará novos caminhos. nos prazeres que desafiam o destino há em todos eles: mil estradas pintadas de saudades. mas, só no branco de cada tela há o apelo ao novo risco. à renovação das linhas e das formas. só as cores que trazemos na bagagem é que perduram para sempre... o resto é tudo sombrio. há em todas as estradas que percorrem o céu, a terra e a tela: extensos jardins de memórias. tudo é incerto... até ao preciso momento em que os quadros determinam o seu fim. nos secretos olhares que há entre o céu e a tela: tudo é aparentemente um simples tecido pintado. tecidas as cores... eterna é e será sempre: a nossa viagem!... }
{... há em todas as palavras: força e opacidade. verdades e mentiras que nos unem à intemporal comunicação humana. resumidamente, tudo é composto por letras. falam as cores, a música, a vida, a terra e tudo mais o que existe no universo: durante o sono! se pudessemos escutar em todas as palavras que ainda não foram impressas em nenhum livro, talvez soubéssemos ler em todos os pensamentos abstractos - sinais que o tempo nos dá e que ainda não conseguimos alcançar na leitura dos dias. ler, é saber parar o tempo! meticulosamente escolhidas... todas as palavras passam para o grande ecran da vida. estórias, contos, poesia, prosa: cinema! há em todas as imagens: força e opacidade. o que seriam das palavras se não fossem todas elas: a grande alavanca das imagens?!... o que seria do nosso cérebro... sem o seu maravilhoso arquivo genético?!... mesmo quando o cérebro se desliga por sua vontade própria e temporáriamente: sonhamos. viajamos. falamos. pintamos. escrevemos. pecamos. rezamos. vivemos: alimentados pela sua força e opacidade. observamos estranhos lugares que entre o passado, o futuro e o presente: somos apenas o prolongamento dos genes que transportamos. não somos mais do que uma mágica malha. extensa. infinita. tecida pelo fio condutor das primeiras palavras escritas. força e opacidade. verdade e mentira. sonho e realidade. milagre ou alucinação. resumidamente, não estamos livres das palavras... nem das imagens... que fazem de todos nós... mais um livro na terra. o mundo é ainda para nós: a maior biblioteca que conhecemos. se soubessemos escutar todos os pensamentos, talvez entendessemos que o milagre que há entre o sono e a vida, é que sempre que acordamos... habitámos também nós: diferentes lugares no tempo. }
{... se o mar e o céu não não tivessem sido pintados pela mão do criador: como poderíamos mergulhar no azul "outremer"? criadas as cores... aninham-se nelas significados e sinais da nossa existêncialidade. são tantos os caminhos a percorrer que não há tempo para pensar em todos os seus significados. reais. imaginários. na tela. na vida. é na sua complexa diversidade que a humanidade atribuí a cada pigmento: estados de alma diferentes. isto, porque nunca consegui entender qual é a cor que o tempo tem. das cores que selecionamos na paleta do nosso sentir... vestimos sentimentos e estados de alma. há cores que nos marcam para sempre. exactamente porque há em todos os tons: significados diferentes. idênticos. opostos. lugares que apontam em cada imagem: semelhanças. o que seria dos céus de "turner" sem o azul mesclado nas suas múltiplas cambiantes de tons?!... o que seria de "turner" sem azul... quando a tristeza invadiu a sua vida? o que seriam os céus do seu sentir, que marcaram para sempre a sua "obra"? o que seria da humanidade se toda ela fosse desprovida da eterna procura da pureza dos sentimentos?!... tudo é vago. rápido. breve. como é fácil não sentir... fingir que tudo é apenas breve, rápido, vago. que só há um tempo para o significado de cada vida. que não há mais tempo... nem significados... nem céu... nem alma... nem sentimentos... nem lugares sagrados... nem mais nada... em todas as cores que existem para além de "outremer blue"!... }
{... no tecido que rege o destino procuramos os tons que nos levam: a zinc white. rigorosamente... todas as cores se avivam no pano dos dias. rigorosamente... vagueamos em toda a sua extensão sem dar importância aos metros que ela tem. se pudessemos saber a escala do nosso próprio tempo: adormecíamos envolto nele para sempre. só o tecido que rege o destino: sabe o tempo que cada vida tem. que importância terá tudo isto... no pano dos dias?!... a vida não é mais do que um pedaço de tecido tingido de várias cores. dilatadas as formas: esticamos o pano! esticado ele até ao ponto máximo: todas as cores se tornam invisiveis. esbatidas. diluidas numa só cor: zinc white! esfumadas todas as memórias... não há pano que aparentemente não se transforme numa nova vida. no tecido que rege o destino... as cores invariavelmente avivam a importância que cada vida tem. rigorosamente. sempre. musicando de novo todos os pigmentos até à sua exaustão. até ao momento em que percorrido todo o pano que vaguea a nossa extensão: ficamos invisíveis. sem escala. sem formas. sem tempo para que nesse preciso tempo... pensemos como será: o novo tempo. milagrosamente e sempre... é o tecido que segue rigorosamente em cada pano: o destino que cada vida tem. }
{... foi na busca da espiritualidade que nos conhecemos. fomos e somos também nós: cores à busca da fraternidade missionária. isto... porque quando fomos convidados para membros do júri na exposição do V centenário do nascimento de são francisco xavier-comissariada pela professora natália correia guedes-, eramos só nós os dois: os únicos pintores presentes nos membros do júri. foram as cores e a espiritualidade que cruzaram os nossos caminhos. “não toca apenas a Cristãos mas, também a Hindus, Budistas, e Muçulmanos”, disse a professora natália correia guedes, no mesmo dia em que juntou todos os membros do júri selecionados para essa missão. a exposição decorreu em simultâneo: espanha; xavier; pamplona e lisboa. depois... ficamos nós. as mensagens trocadas. os convites para os eventos pessoais. pintamos. filmamos. escrevemos. esculpimos novas missões. afinal, todos nós sonhamos poder mudar o mundo! sempre o mundo, os santos e os anjos: a perfeição! suspender o pensamento puro, que no mundo se perde e na "obra" vive para sempre! ficar invisível nas cores, nos riscos e nos traços. são mil gestos que contam as horas... as nossas e as dos outros. estamos sempre atentos: à vida e ao tempo. a todos os lugares onde os sentimentos são pintados e representados na tela. é assim que habitamos num mundo melhor. o que seria de nós sem a espiritualidade? que alma... que vida... seria a nossa... imersa neste imenso universo: aparentemente vazio. sem alma... todas as mãos são vazias e nunca se tocam: observam-se. morrem. desesperam de nunca avistarem as asas com que todos os dias: os anjos se pintam. se pudessemos ver quantos anjos habitam na terra... também nós... talvez, pudessemos ter asas para voar. ao pintor miguel fazenda desejo muitos exitos nas suas "novas figurações" e futuras missões!... }www.miguelfazenda.com.sapo.pt
{... há muitos mistérios entre as serras desta montanha. nelas, percorrem pessoas felizes. sonhos. entre o povoado das suas aldeias históricas e as memórias das suas heranças heróicas: há aqui gente diferente. gente que diz que na vida se deve morrer de pé! entre as pedras e o céu... percorro a encosta. avisto a primeira descida desta serra e logo se avista a outra... e depois outra... até que chegamos ao lugar que aqui nos trouxe. chegamos! chegamos certamente mais tarde... porque a razão de tudo isto é saber chegar ao ponto da partida. sempre a chegada e a partida. só o tempo traz o regresso consigo. nós... só existimos para pensar quantas cores terá o tempo. quantas vidas poderão ser salvas neste preciso momento. quantas almas precisam da força das nossas palavras. dos gestos. de um sorriso. das nossas cores, riscos e traços... de tudo aquilo que é tão pouco comparado com os extensos mares que ainda nos faltam navegar. mas, tudo o que temos para dar... é voltar a percorrer o caminho que entre as serras desta montanha... nos irão fazer chegar a novos lugares. isolados todos os pensamentos... deixamos a guerra percorrer o misterioso milagre da paz. se eu pudesse. só se eu pudesse estar hoje no fundão: estaria certamente no fecho do grande evento cultural do meu amigo manuel saraiva! jovem. cheio de luz! força serrana de quem tem ainda tantas outras novas serras a percorrer. sonhos acatados na grande montanha que espreita "a moagem" lá do alto. é sempre possível sonhar! é sempre possível mudar o mundo! se eu pudesse... só se eu pudesse... mandaria parar o tempo. suavizava as altas linhas que há entre as serras, a montanha e o lugar onde estou... só para o felicitar. chegar a horas. só para estar presente no fecho do projecto "Os Mapas da Guerra - Os Mapas do Medo", do jovem promissor na política portuguesa: o manuel saraiva! parabéns ao espaço cultural "a moagem" e à câmara municipal do fundão pelo grande exemplo que deu a portugal. motivou os jovens para a política. apoio a iniciativa de debate cultural no interior do país e fez chegar até ela... ilustres portugueses de várias áreas para no vasto programa representarem: "a geopolítica da guerra". parabéns manuel saraiva... até muito breve! }
{... somos feitos do lugar em que nascemos. somos resumidamente: todos os lugares em que vivemos. entramos no atelier e fechamo-nos no preto do carvão. riscamos areias negras que se cruzam com o vermelho carmim da festa brava nas arenas. recordamos picasso... o risco, o traço, as suas paixões: os toiros. a arte, é inseparável das tradições culturais dum povo. é e não é. deixa de ser. acontece. somos tudo isso e nada mais do que pó! negro. branco. amarelo. vermelho. recordações. lugares. fragmentos isolados no tempo. somos invisiveis cores que dão vida ao pensamento. areais que semeados de ideais... se apagam com o tempo. tudo finda. tudo acaba. nós... o pensamento. o atelier. o risco e o traço do que somos... do que fomos. somos tudo isso e nada mais do que pó: negro, branco, amarelo, vermelho. somos sempre recordação do lugar em que nascemos quando morremos. somos resumidamente, breves lugares e todos eles ao mesmo tempo. tudo e nada. é o que somos no tempo. porque tudo se acaba e se apaga. vagarosamente. no atelier. na vida. no quadro eterno do pensamento. tudo isto e nada mais... é o que somos. sempre suspensos: no tempo. }
{... samuel rocher tem uma nova imagem. é exactamente para isso que servem os designers. recriar. voltar a dar forma a todas as linhas. retirar de todos os pigmentos - os tons que definem a acção. dar cor novamente aos conteúdos e redesenhar um novo projecto. da intenção à mudança é a diferença que marca um determinado nome e projecto que reflecte um personagem: o cliente. é a designer francisca mendonça que dá forma aos meus catálogos! dá-lhes o rosto e o corpo para partirem para as grandes casas onde habitam os livros. formada em bruxelas... onde viveu muitos anos da sua vida... o seu trabalho percorreu a bélgica, polónia, frança, sarajevo... e, eis que de regresso a lisboa, escolheu o "bairro alto" para habitar. porque... lhe faz lembrar o bairro "marais de paris" que ela tão bem conhece. no seu atelier instalado no jardim de santa catarina em lisboa: exerce a sua função de designer. é nele... que de janelas abertas para o rio tejo, recebe os seus clientes para conceber tudo o que respeita à imagem gráfica e webdesign. designer gráfica de profissão... veio do norte da europa até ao grande tejo que abraça lisboa... tendo sempre em mente e, também ela... partir um dia por outros mares para habitar novos lugares. samuel rocher; maria sobral mendonça; bart daems; cardoso e cunha; nadia ghemri... e tantos outros artistas que de diversas áreas artísticas: são já registo da sua vasta obra. parabéns francisca mendonça! }
{... abrimos o correio. selecionamos as palavras dos nossos amigos e fazemos o download do anexo: "paintings by bart daems in the city abu dhabi the capital of united arab emirates". são as imagens dos novos quadros de bart daems: o web designer do meu site. bart daems é pintor e designer belga. amigo próximo da nossa família... já viveu no bairro do príncipe real em lisboa. esteve em portugal nos anos de 2003 a 2005. captou as cores da nossa cidade e levou consigo memórias do nosso povo. registou tradições, canções, personagens, poesia e a vasta história dos nossos reis. descurtinado o portugal desconhecido... um dia, fez a mala e partiu na missiva de percorrer o mundo à procura de novas cores. sempre as cores!... porto de chegada e partida! para bart daems, todos os lugares do mundo estão sempre ao nosso alcançe. basta partir. riscar no mapa um lugar e determinar tudo o que seja necessário para nele habitar. tal como nos quadros... os pintores estão sempre de partida para lugares incertos. reais. imaginários... é nesse universo que percorremos: desertos, montanhas, serras, aldeias, cidades, planícies, mares, rios... ilhas de solidão. compreender tudo isto, é não deixar que a vida passe por nós. por isso, agarramo-nos à cor e ao traço. à poesia com que cada quadro se veste. riscamos silêncios. criamos novos mundos. musicamos o branco de cada tela e na ausência das palavras: surgem novas linguagens. somos tudo o que basta na vida: cor, densidade, contraste, luz. somos só e sómente: peregrinos das cores. parabéns bart daems!... }
{... guardamos para sempre todas as chaves das casas que já habitámos. guardamos para sempre todas as suas cores e as memórias nelas vividas. guardamos tudo isso em secretas ruas do pensamento. somos essencialmente uma imaginária caixa de recordações. lugar secreto. sagrado. retrato do nosso tempo. o que seriam de todas as casas... se não fossem habitadas? todas as casas são sempre desiguais... em cada espaço vivido... semeamos memórias. construímos novos mundos em pequenas dimensões que engradadas no algodão das telas: repousam as cores, os traços e os riscos dos nossos quadros. todo o quadro é uma casa habitada!... é exactamente por isso, que guardamos para sempre as memórias e todas as chaves das casas que já habitámos: no espaço sagrado da nossa imaginação. }
{... o sono é um estado alucinatório! liberta-se a mente e aparentemente todos os membros se paralisam. aparentemente ficamos imóveis no mesmo sítio. no mesmo lugar. vivos. entregues aos mistérios que o cérebro nos obriga a percorrer. durante o sono... abrimos portas. janelas. novos universos. curiosos labirintos. observamos imagens vindas do nada. adormecidos os sentidos, surgem cores e imagens desconexadas que invadem toda a lógica do nosso pensamento. não há princípio nem fim nesse grande universo: tecido de nós. nesse abandono temporário, contemplamos momentos felizes. estranhos. complexos. é nele que se apagam as tristezas. no extenso pano que se abre e nos envolve: somos o futuro. o passado. o presente. o sono é sempre intemporal. alucinação. viagem. momento único. lugar onde tudo o que é lógico... se separa logo desde o seu início da racionalidade. sempre. objectivamente a mente serve para difundir o corpo no tão desejado ciclo da imaginação. e tudo corre velozmente ao mesmo tempo: a mente, o cérebro, a alma, o corpo. repetitivamente. por vezes o corpo reage: vibra. arrepia. por vezes a mente: sente. acorda. por vezes a alma: move-se. entra em queda: flutua. rodopia. surgem as memórias, as estórias, os encantos, as aflições. aparentemente tudo se inicia aos solavancos. outras vezes... suavemente. há quem visione a tridimencionalidade das formas. é o início da viagem ao maravilhoso mundo dos sonhos. há personagens, conversas, imagens, lugares, sons, cores, texturas e novas densidades. nesse misterioso universo: somos apenas espectadores. somos sempre observados e observadores... até mesmo quando dormimos. }
{ ... penduramos todas as cores tingidas ao vento. tudo, alinhado numa só linha. paralela ao horizonte. esticados os panos de cada cor nas alvenarias das nossas memórias... ficamos sentados à espreita. imóveis. em silêncio. fechamos os olhos e conseguimos observar o movimento... das cores. decifrar os sons. descurtinar o vento. tudo serve de alavanca para gerar o único pensamento que nos anima: sentir o movimento das cores. tudo é composto por linhas. sombras. cores. sons. esticada a corda... voam as imagens e só o vento ficará para sempre... aqui e agora... dependurado na encosta da nossa imaginação. tudo o resto... não é mais do que um risco, que seguido de outros riscos pintados sempre de tons desiguais e incertos... projectam no fim de cada vida: todas as cores tingidas pelo tempo. }
{... há anjos que trespassam o nosso olhar. na subida à montanha, pintamos linhas invisíveis. damos cor a toda a matéria inerte de vida. inerte. quem disse... que o invisível é inerte e não tem vida?!... há tantos anjos na terra como estrelas no céu. prefiro descortinar o vazio.... que das leis da física seguir todas as regras lógicas que tanto impedem a humanidade de sonhar. há tantos anjos que nos espreitam... há tantos anjos que vivem ao nosso lado. há na subida à montanha, anjos que dão sinais de si... em todas as linhas abstractas do nosso olhar. quem disse que o invisível é inerte e não tem vida... matou em sí: a habilidade de sonhar. em um futuro próximo... talvez, todos os anjos sejam descobertos num simples olhar. talvez... quando ocuparmos também nós: o lugar do eterno vazio que existe entre as pedras e a terra estrelar. }
{...nascemos. construímos sonhos. riscamos novos mundos. traçamos arquitecturas em todas as superfícies brancas do nosso pensamento. pensamos nos novos quadros! somos nada e tudo no tempo. somos o que sonhámos ser... porque teimamos ser o que sonhamos. hoje, nas gavetas das memórias procuramos o dia em que nascemos. das imagens a preto e branco, saem recortes da festa brava e memórias de meu pai: fundador do programa "sol & toiros". nesta viagem ao passado... surgem as cores do presente.a vida é um estranho recato de memórias. observadas isoladamente... selecionamos as cores e os dias que na sombra do que fomos: realçam marcantes momentos. viajamos no tempo. no silêncio de tudo o que povoa o universo... observamos. observamos que nem sempre fomos o que somos. mudamos rotas e desenhamos destinos. guardamos sorrisos e pintamos abraços. apagamos a dor e meditamos por instantes no complexo vazio dos que já partiram. rezamos. há tanta gente e gente nenhuma a habitar em nós. ao nosso lado. em cada retrato... voltamos aos retratos e damos conta que os mesmos servem de partida para projectar o que fazemos no presente. nas fechadas gavetas das memórias, guarda-se tudo religiosamente e o que há de mais sagrado: a família e os amigos. paramos o tempo novamente e observamos agora os novos quadros... veloz é o pensamento que traz e leva tudo o que observamos. sentimentos. cores. riscos. traços. palavras. imagens e momentos que nos levam até aos registos da infância. somos sempre tudo e nada no tempo. por isso, nascemos todos os dias para sonhar!...}
{... virados os rumos que nos levam de lugar em lugar - o céu. sempre o céu. quadro inacabado. sem princípio nem fim. suspenso. convite aberto a voos desiguais. pintura musicada pelos tons que animam esse misterioso vazio. aparentemente... o destino esboça o que somos. o que fomos. só aparentemente é que tudo é riscado no tempo que já se esfumou. não existe passado, nem presente, nem futuro... porque estamos sempre à espera da partida. no tempo. na vida. na terra. no céu. se pudessemos parar o tempo... não estaríamos destinados a virar o rumo que nos trouxe a este lugar. partimos nós é certo. aparentemente rumo ao céu... mas, ficam os riscos e as cores. a terra. o tempo. as palavras. os outros. os lugares. fica tudo o que não te disse antes de partires. inesperadamente. sem que eu soubesse. procuro dizer-te, que é de azul prussia... com que todas as cores hoje se abrem e preenchem o lugar que sou: em memória de ti...}
{... faz tempo que através das cores musicamos o vazio. não o que existe na terra, nem no universo. tudo é abstrato. as cores, a vida, o mundo, o espaço, a mente. por isso musicamos o invisível... e tudo o que haverá para além da nossa existencialidade. somos surpresa constante. somos olhar atento a todos os sinais que o universo nos coloca à frente. somos tanto mais que isto tudo que nem sempre sabemos ver. por vezes... dispersos de tudo, estamos condenados ao adormecimento das coisas simples que existem para além do nosso sentir. olhar. ver. escutar. ser. saber parar o tempo e voltar a olhar tudo o que é visível. contemplar o vazio. sempre. novamente parar o tempo e ficar à espera que o milagre aconteça. dispertos. atentos. decifrando as coisas simples que habitam o universo, o espaço... a mente. há tanta existencialidade para além do nosso olhar, que muito antes que o quadro aconteça... somos corpo, luz e cor. silêncio povoado de infindáveis misterios. entre todas as coisas lógicas com que o universo se fez: somos ainda invisíveis na sua complexa composição. faz tempo que aguardamos ver o que existirá para além do que observamos. faz tempo que musicamos o vazio através das cores. hoje, um pavão branco vindo do nada pousou na cidade das tintas. cantou e chamou por mim. ficou por instantes parado à frente das portas do atelier até que eu o visse. abri as portas. aproximei-me dele. olhei-o de perto. o telefone tocou e... desapareceu. se eu pudesse voar com ele... só se eu pudesse voar com ele... teria muito antes de tudo isto: pintado asas no seu olhar. }
{... poderíamos chamar ao alentejo: lugar eleito para os pintores. poderíamos fazer do alentejo a maior residência de artistas da europa... tudo isto porque fazemos das cores e da história de portugal: lugar perfeito para a pintura habitar. talvez por isso, recebi o trabalho e umas palavras escritas de pedro charneca saudando o misterioso universo da cidade das tintas! avivam-se os tons no amanhecer das planicies alentejanas e a luz aninha-se na tela. vagarosamente. sempre. riscamos memórias e traçamos novas rotas nos mares da nossa imaginação. há nesta terra a paz e todo o silêncio desejado do mundo. é onde habita o pintor pedro charneca. "aguarelista fascinado pela luz e sombra do Alentejo - Portugal, os seus temas integram paisagens rurais e urbanas e cenas do quotidiano. Nas cenas do quotidiano, Pedro Charneca revela uma atitude intimista das figuras que representa, configurando-lhes mais do que a forma e a cor - dando-lhes também alma e sentimentos. Num precurso de linguagem moderna Pedro Charneca vem buscando novas abordagens plásticas e novos materiais que nos transportam para uma atmosfera de nostalgia de um tempo que em breve não mais poderemos contemplar. No romantismo do seu olhar recriador, Pedro Charneca nos chama a sentir um tempo que foi nosso ou dos que nos precederam, na suavidade poética da aguarela, dando a sensação de que na transparência das suas pinceladas se guarda a história na visão de uma criança que teima em não querer ver o lado feio da vida. Como artista contemporâneo Pedro Charneca revela-se um valor seguro, de criativiade intimista arreigada aos valores da família tradições e dos laços afectivos. Escrupuloso em tudo o que faz, investe qualitativamente na profunda reflexão de cada obra, conferindo-lhes uma profunda maturação." parabéns pedro charneca!...}
{... desconstruir os rostos. apagar traços. voltar a riscar sobre as formas iniciais novos registos, novos olhares. sombras, volumetrias, linhas, traços. novamente os traços. luz e sombras a preto e branco. é assim o olhar de loreta lorenzon. quem olha e não vê... os infinitos traços que compõem um rosto... não dá conta, que a cada minuto das nossas vidas o nosso rosto se transforma, muda e ilumina novos olhares. nem sempre vimos tudo o que vemos quando olhamos para um rosto... porque tudo é sempre desigual. perceber o tempo, é saber observar a transfiguração de todas as linhas que animam o rosto de cada um de nós. a vida muda constantemente e com ela: o rosto transfigura-se. os traços, as expressões. o ser e o sentir... porque somos sempre memória do que fomos. somos retrato do passado, presente, futuro. somos riscos, traços, sombra e luz em constante transfiguração perante o olhar de loreta lourenzon. hoje, recebi as novas imagens dos quadros pessoais da pintora argentina loreta lorenzon com o titulo: "Ser tu propia obra de Arte! Be Art. Animate!" parabéns loreta... ficarei à espera que do teu atelier da argentina... quem sabe... talvez um dia... me envies imagens do meu próprio retrato. }
{... de olhos postos no céu: a montanha. cravada de rostos esculpidos pelo vento. matérias vivas que incendeiam memórias. são pedras sobre pedras rasgadas pelo tempo. delas... avistam-se guerreiros esquecidos entre as ervas que o tempo teima vingar. sólidas figuras que de olhos postos no céu contemplam as estrelas. manto azul ponteado a branco. tudo estático. aparentemente... tudo é estático. tudo é um só lugar. tudo é acertadamente visível. os corpos, as pedras, as estrelas, o céu, a montanha: os mares. objectivamente é sempre na incerteza de tudo que o vento sopra. veloz. sem sombra. vindo do nada. musicando o vazio. sem destino. percorrendo o manto azul, as pedras, os guerreiros esquecidos, as estrelas, as memórias enterradas pelo tempo... num único só ponto. firme. estático. pintado a vivas cores. no aparente equilíbrio de tudo o que ainda existe: debaixo do céu.}
{ ... Desde o início dos tempos que a grande ambição da Humanidade é descobrir o Mundo e nele, demarcar como sua pertença: territórios conquistados. Desde que o tempo é tempo, os homens sempre utilizaram as cores como simbologia de comunicação e linguagem entre os povos. Cada pigmento tinha o seu próprio significado. Tinha e tem. As cores sempre representaram estados de Alma e tensões sociais. As tribos identificavam-se pelas cores com que pintavam as máscaras e o corpo que ora em estado de euforia, alegria ou tensão, serviram sempre na história das Nações o grande veículo de expressão. Criadas as máscaras que colocavam no rosto as comunidades serviam-se delas, para se reconhecerem num campo de batalha. As máscaras, os fatos e as bandeiras que em rituais próprios fazem sublimar o medo dos homens para avançarem em campos de batalha, são ainda hoje, só que duma forma mais sofisticada: motivadores da violência. Os fatos camuflados ou outras vestes que a humanidade exibe em tempo de guerra, são estratégia ancestral de defesa corporal para ataque e defesa dos territórios, que não representam mais do que verdadeiros estados psicológicos inerentes ao universo da discórdia. Atrás de cada rosto, existem muitas outras máscaras que pintadas em “tons de medo” destroem na terra jardins, pessoas inocentes e lugares que antes deveriam ser guardados e preservados como terreno sagrado do grande universo que a todos ainda nos alberga no seu mais extenso manto azul dos Céus. A Guerra é um lugar vazio! Lugar onde as mãos da Humanidade são pintadas apressadamente de várias cores para esconder todos os medos que vencidos ou perdidos, são ausentes de cores sem esperança nem futuro. Perguntar a uma pintora quais são as cores do Medo… é de imediato pensar que as cores não se guerreiam: comungam entre elas. Porque a guerra cobre-se de todas as cores que fazem perder a esperança de pudermos mudar o Mundo. A Guerra é o maior abismo da Humanidade. Reflexo de nós próprios. Pintura e ritual que ainda hoje a humanidade teima em vestir esse ingrato gesto irracional: A Guerra! Guerra…Pintada a “vermelho carmim” que conduzirá sempre a “preto e branco”: A Humanidade à Morte. Às cores do nosso indesejável fim. O aluno Manuel Saraiva e a Vereação da Cultura do Fundão sob a direcção do espaço “A Moagem,” irão realizar o projecto a “Geopolítica da Guerra” sob o título “Os Mapas de Guerra: As Máscaras do Medo”, trazendo ao público uma exposição multidisciplinar em que as tensões sociais do próprio tema, são representados através do cinema, pintura, artesanato histórico, música, teatro, fotografia, uma palestra com a participação de um Jornalista repórter de guerra e um Fórum de debate e reflexão, culminando no final com um espectáculo de dança onde os corpos tombam no lugar mais vazio do Mundo: A Guerra!... (in Projecto Manuel Saraiva - "Geopolítica da Guerra") ...}
{... entre serras... nos montes hermínios da lusitânia conhecemos novas gentes. abraçamos silêncios, ausências, lendas e mitos que albergam ancestrais mistérios. neste lugar... desistimos de tanto resistir. traçámos planos. realizámos projectos. pintámos as "máscaras do medo". criámos a imagem para o projecto de manuel saraiva: "geopolítica da guerra - mapas de guerra, as máscaras do medo". no isolamento das aldeias perdidas entre serras... pensamos na guerra. a vida é tão incerta... que baixamos os pinceís, as tintas. objectivamos a montanha entre serras. desenhamos soldados, rostos, personagens... visões surgidas das pedras que a compõem. porque na montanha... todas as casas fechadas guardam segredos que se vão abrindo lua após lua. abrindo... novas portas que elevam o pensamento até ao nosso próprio limite. até onde as memórias ganham cor. surgem rostos pintados fitando além céus. descobrimos novos caminhos... e chegamos em paz a outros lugares... chegamos onde por vezes tudo se altera. toda esta serra é povoada de recantos, mistérios, espanto. aqui, tudo o que não é visível: existe! mudamos de rumo. mas, antes de tudo isso... pintamos as "cores do medo". damos rosto ao projecto "geopolítica da guerra" de manuel saraiva que começa já no dia 2 de maio. cinema, fotografia, artesanato histórico, pintura, música, dança, forum de debate e uma conferência, entre outras actividades fazem parte do programa que decorre até o dia 22 de maio. o manuel saraiva e o fundão estão de parabéns! o projecto tem um blog onde todo o programa pode ser consultado.
{... na paleta de cores fechada à porta deste voar... abraçamos chuvas, trovoadas, pragas, vindas do deserto que há entre serras. hoje, tudo está coberto de nevoeiro. não há serra nem montanha. tudo é pintado a cinza. tudo é frio. vazio de cores. nem se avista a serra, as árvores, o solo, o céu. os simples muros da casa. tudo é um lugar vazio. somos um quadro branco sombreado pela luz das memórias futuras. sons fortes caem dos céus. pintamos talvez... vindos do nada e do vazio. na paleta de cores que hoje se apagaram na tempestade deste voar. tudo é cinza. pintamos os tons do medo: troveja. }
{... há em ti casas desiguais. viagens de vida e cor. em ti... cruza-se o divino com a terra. mapa e abismo que dá cor às coisas simples. se houvesse tudo isto na terra sem ti... que faria eu na serra do meu pensamento? pensar é fácil. viver... é chegar a mil caminhos pintados a tons frios. a vida é uma viagem sem destino. emoção. paixão. ilusão. é uma casa desigual. sem ti... o simples, seria monotonamente sempre igual. vazio. pintado a uma só cor. por isso... somente por isso.... antes que a esperança morra e eu fique entre a terra coberta de pedra e o azul vivo do céu: cruza universos sem fim. vem. vem até à casa dos meus sonhos. lugar pintado de todas as cores para que entendas por fim: a viagem que fiz por ti...}
{... percorrer a emoção da vida, é saber que sem ver, nem sabemos o que vemos... na estrada do nosso olhar. quis o destino deste lugar fazer a desigualdade dos dias... ser pintada devagar. percorremos cidades, aldeias, serras. subimos até à montanha que em tonalidades de guerra e de vitória nos recebe a sós neste azul sem fim. procurei-te na súbida e a meio da estrada parei. fiquei. só para observar as mil portas desenhadas pelas nuvens que ausentes de tudo se esfumam nos céus. tantas estrelas. tantas pedras. sombra. luz. há isso tudo e tanto mais na estrada do nosso olhar. é tanta a vida que se esconde na escarpa desta montanha que eu fico parada... longe de tudo... só para a observar. e as telas... pintadas de cores adormecidas, aguardam em casa que eu traga no regresso... todos os tons do universo. percorremos cidades, aldeias, serras, oceanos... abrindo portas misteriosas desenhadas pelas nuvens que nos convidam a entrar. a ficar. entregues ao silêncio. parados. sós. descobrindo ver para além do nosso olhar. hoje, escutamos o lápis vento que não se cansa só de branco todo o azul do céu riscar. hoje, desenhei-te asas de prata nas nuvens deste lugar... porque todas as outras cores... já tu levas contigo... sempre que me fazes voar... }
{... há casas fechadas de portas abertas ao céu. nelas, se espreitam vidas, memórias, estórias. somos cidades perdidas na aldeia que habita em cada um de nós. somos, casas desabitadas da paixão que nos fez nascer. o amor tem muitos rostos pintados na ilusão de cada traço. dor. solidão. esperança. alegria. medo. tímido apelo ao abraço descuidado. arrebatadora espera que percorre desiguais caminhos só para que tu chegues um dia despedido de memórias. o amor é um desenho riscado... entre o sonho e o pânico de te perder. de nunca te encontrar. debaixo do céu, nas desabitadas casas desta serra, desenhamos abraços na montanha dos desejos, que só na tela deixamos acontecer. riscamos o vazio. entristecidos. porque todas as casas fechadas guardam estórias, memórias, palavras. quando olhares para uma casa fechada: não fales. observa. porque todas as pedras se erguem para o céu. eternamente. sempre em silêncio. pintado de negro azulado. pleno de mistérios, estrelas, cometas, planetas. traços e pontos coloridos a uma só mão. somos, frágil poeira que sem todo este céu, nunca poderíamos ser nem ter... asas para voar. somos espera contínua. até que o vento sopre e nos leve à casa onde a paixão e o amor num só traço possam um dia: florescer em toda a terra!... }
{... cheguei ao alto da montanha entre as serras que guardam segredos suspensos no tempo. desenhei riscos a lápis em pequenos pedaços de papel. entre telas adormecidas: voei. em todo este céu que se ergue das pedras entre serras, há uma porta aberta para o universo. é o que dizem nesta aldeia de casas feitas de pedra. de tanto me questionar, evaporam-se as tintas na oração dos dias e as telas de branco se pintam. conhecer o vazio é sonhar entre as mil pedras desta montanha. todos os quadros são inúteis perante a estátua e silêncio deste povoado invisível. a biblioteca desta casa cativa o regresso às palavras, às cores, às mensagens e aos sentimentos que cada livro contém. conjugar letras. ler livros. marcados. sublinhados. datados entre os anos de 1900,1920, 1935... parece que estiveram todos eles e este tempo todo, há nossa espera. talvez. talvez, porque nesta casa esquecida no tempo também a eles os quiseram a sós fazer ficar. dormimos. entregues ao sono, projectamos memórias lidas em cada livro. procuramos a pedra da arca. verdades. pensamento. fé. viagem. regresso. passado, futuro e presente num único ponto só: a existência. o começo. o fim. o culto. a espiritualidade. a obra! tudo isto ou nada. a partida. o sono. sempre antes que a noite tombe para que o sol aponte rápidamente um novo dia. nos montes hermínios da lusitânia procuramos a pedra da arca que nos fez voar. aqui. sombreando todos os medos que nos levam até à porta que se abre aos céus: há aqui voos desiguais. sonos esquecidos. agitados. imagens que vão e voltam... questionando símbolos. dúvidas. silêncios. leituras. vida! devoção ao grande mistério que nos fez certamente aqui chegar e reler a vida de "Berlioux". meditar. repensar. refazer o nosso objecto de vida: viver ou pintar!... }
{... trago imagens da montanha entre serras no coração. inverno branco. pintado de luz que cega e nos leva a caminhos de aflição. todas as cores se escondem no branco da neve. inventam-se arquitecturas no vazio e das memórias saem formas conhecidas. criam-se cidades. moldadas no gelo para não se andar de mãos dadas com a solidão. nas cores desta montanha há casas de pedra abandonadas que ressaltam do branco frio que já se esfumou. é a primavera que desce à aldeia deste povoado. sombrio. envelhecido. adormecido. para além dos pássaros que rasgam os céus quebrando a monotonia dos dias - tudo é pedra! ocre e mais ocre em ponto de fuga até ao horizonte. por vezes, fica mais escurecido aqui ou acolá. alternadamente. sem regras. sombreado pelas nuvens que percorrem e desenham em todo o seu dorso: figuras dançantes. sobreposições de imagens. são as pinceladas da vida que em gestos teimosos trazidos pelo vento... geram cor, flor e fruto nos acentuados declives das pedras da montanha. agora, só agora: tudo é quase vermelho cereja. }
{... invertem-se os livros. pintam-se as palavras. marcam-se as páginas para que o tempo não se esqueça das imagens que a vida contém. somos, como palavras esquecidas na biblioteca do tempo. já as imagens e as cores nunca adormecem. não se esquecem. surgem nos sonhos vezes sem conta. sempre... mudas de palavras. exibem cores e mais cores na memória do que somos. é a lógica do tempo que povoa a montanha entre serras. sem palavras. observando as cores. só na companhia de alguns livros, que sempre que os vamos abrindo... pintamos nas suas palavras: imagens. tudo isto, para que o sonho não se invirta em sono para sempre... e se esqueçam todas as palavras pintadas que cada quadro tem.}
{ ...no silêncio de todas as razões que fizeram tombar o azul no ponto mais alto destas montanhas: abro a arca das cores. observadas. isoladamente uma a uma. abro todas as portas desta casa. sem medo. à procura de quem nos acolhe e assim concretizar a mensagem que nos fez chegar aqui. abrimos as cores plenas de luz. em azul, magenta, vermelho, ocre, verde, amarelo, branco, cinza... entre todos os tons e pigmentos: o interior da casa e de nós próprios. chegar às cores desta serra é sentir o mistério das noites sombrias. todas as grandes casas são sempre um universo desconhecido. abertas todas as suas portas a paleta das cores dá a mão ao sono profundo. assim foi a viagem entre as estrelas e a serra. passeios longínquos entre o ser e o pensamento. o azul que trouxemos na mala não chega para pintar ao que nos trouxe a esta aldeia tão tranquila. viagens. talvez. entre os céus e o sono eterno: o desconhecido. entre a paralesia do sono e a razão: todas as casas desabitadas são muito mais que memórias. o sono é a continuidade do ser... e a cor é a reza tranquila que leva e transporta todas as memórias genéticas em mil vibrações que se desbobram conscientemente na alma do que somos e nos leva a habitar o estonteante azul dos céus. somos sinais de vida sem fim! somos ainda só o que ainda não sabemos. somos o que nada vemos na estrada do nosso olhar. tudo no mundo é pintado em silêncio. corpo que se desbobra. regressa. acorda e disperta num outro ponto mais azul do céu. vibra, volta, regressa. somos cor silêncio. sabemos, sem saber ser que a alma traz e leva tudo o que se avista com fé. no mais alto dos céus desta montanha entre as duas serras, há cores que rezam memórias dum mar que pintou de azul primário: a cor de portugal!..}
[ ... o que abre uma porta não é um dedo só. são as mãos. e tão diferentes são as mãos que na vida indicam a escolha do saber. dizem... que duma só mão se fez a vida!... a terra. o mundo. o destino. as emoções. os sentidos e todos os caminhos que escolhemos percorrer. isoladamente. sempre isoladamente, cada cor tem uma missão. significados. tons próprios. únicos. tal como os riscos, as letras, os números e os traços. se pensarmos em todas as suas possíveis combinações: são verdadeiros mistérios. segredos bem guardados na palma de cada mão. só mesmo o destino sabe quais os caminhos que cada um de nós tem que percorrer até à desejada porta do sentir. diz que existes... e percorrerei terras sem fim até chegar a ti. se for esta a porta que abrirá as mil cores com que deus pintou o mundo, então ... só o coração... o poderá sentir. ]
[ ... "o sentido da vida", é o título que a pintora daniela nunes deu à sua recente exposição que está patente até dia 24 de março, na albergaria d. nuno álvares pereira em santiago do cacém, no alentejo. são personagens. rostos. figuras riscadas a preto e branco. olhares que indicam e fixam em cada um de nós: o sentido da vida. desejos e promessas registados por traços espontaneos que na tela e na pele captam as marcas do tempo. no alentejo e nas suas extensas planícies, há rostos e olhares naquele povo... que em paisagens pintadas quase sempre em tons ocres desiguais: nos marcam para sempre. ]
{ ... ser, é um caminho conjugado no tempo: "indo". não somos. vamos sendo. sempre indo. porque somos sempre "indo" até... sem nunca se saber... quando deixaremos de o ser. não somos. vamos sendo. ser, é um caminho conjugado no tempo "indo". entre serras, nestes recantos esquecidos desta montanha, há quem saiba a dança do toré!... saber dançar o toré, é saber realizar todos os sonhos. quem a sabe dançar são os índios!... usam-se diferentes cores nos enfeites do rosto e a vida é por breves momentos intemporal. evoca-se o passado. projecta-se o futuro. enfrenta-se o presente. entre o saber e o ser... ressalta a memória histórica dos grandes guerreiros que se fizeram santos. hoje, nos cafés dos montes hermínios da lusitânia trocam-se conversas sobre d. nuno álvares pereira. porque... há certamente em portugal, mais misteriosos caminhos que conjugam o tempo entre os dois mundos: do ser e do saber.}
{... ao longe, no distante horizonte que os nossos olhos não podem alcançar, entre o vazio e o nada - existe o céu. azul. espécie misteriosa. mapa sem fim. ninguém sabe donde veio nem para onde vai todo este azul. é sonho, feitiço, promessa, oração. entre o vazio e o nada - nada morre, tudo vive na mão do deus criador. desenho, criação, meditação. é sonho, promessa, esperança, oração. entre o sol e a lua, há sempre mais encanto quando à noite todo ele se veste de azul. o que faríamos das cores se não houvesse mais do que todo este azul, que nos aconchega e nos abraça neste misterioso mapa. não há vazio no nada! nem morte que não gere vida: na espécie misteriosa que dá alma ao céu. nesta montanha, entre serras, há mais mistérios e outras espécies de cores que nem a paleta dos pintores consegue desvendar. o céu. mapa azul... é tudo o que existe: entre o vazio e o nada.}
{... nestas terras... há conversas perdidas na solidão dos dias. há guerreiros e fortalezas pintados a pedra e lápis, nos desenhos e nos sonhos das crianças que não querem deixar morrer, todas as cores que ainda podem aprender. nas conversas mudas dos pastores, há mais terra em cada estrela que à noite dá mais cor ao céu. há luas novas e outras tais, que já apaixonaram mil aventureiros a partirem para outros mares. uns ficam outros vão!... no mistério das cordilheiras entre estas duas serras - o mundo quando aqui chega... fica. repousa. e por instantes encosta-se aqui. mata a sede dos que ficam... e da pedra da montanha desenha... no sonho de cada criança: tempos de esperança. é o espírito da montanha, que à noite nos espreita e nos aconchega. entre estas duas serras - o mundo todas as noites aqui se refugia. aconchega-se. fica. repousa. e por instantes aninha-se... aqui, nesta aldeia de alma pedra: encostada ao céu.}
{... simples. tudo poderia ser muito mais simples se o universo não existisse. e, se o pensamento que nos anima fosse ainda mais simples... que o próprio universo... se todo ele: não é mais do que um simples borrão pintado a negro. como encontrar - nessa ausência de cores - o fim e o início da nossa existência?!... tudo poderia ser muito mais simples: se o universo não existisse. tudo poderia ser mais simples neste eterno mistério mais-que-perfeito.}
{... se deus não tivesse esculpido as cordilheiras da solidão... o que fariamos na escarpa da serra, na montanha, nos mares e nas areias do deserto que povoam o mundo? somos alma em todas as viagens que percorremos. nem todos os lugares são totalmente - cidades desertas de nós. se fosse possível descrever todos os sonhos percorridos em vida... entenderíamos que nunca deixamos de viver neste lugar. assim nos fez deus: num só traço. esboço triunfante que meticulosamente deu luz às formas invisíveis: a alma. somos estátua viva encostados ao céu, à procura do tempo certo para aceitar que em cada pedra desta montanha... não somos mais do que luz e cor de um esboço seu. somos, viagem indeterminável nas cordilheiras da solidão... sempre que o sonho se eleva e finjimos adormecer. é que no vazio do manto, que há entre o céu e a terra... também nós queremos ser pedra... porque depois do mundo e da serra: há muito mais universo que os nossos olhos podem ver. }