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{... descida a montanha que nos trouxe e levou das serras à planície: arte & toiros é mais uma página a cores que preenche a nossa viagem. animados à viva cor... apontamos novas paragens. partimos donde estamos... só para avistar de novo: o mar. orientadas todas as cores a norte, lançamos riscos à sorte e matamos saudades do atlântico. traçados novos ventos: percorremos a encosta dos nossos sonhos. afinal, sempre que sonhamos... todos os lugares se transformam num extenso mar de cores que nos conduzem até ao céu. perder-te... seria o mais cruel de todos os sonhos. perder-te... entre o cansaço das cores e a azáfama dos traços... seria parar de sonhar! fatigada em mil cores... partimos sempre em silêncio. e sempre que de um lado para o outro partimos... olhamos de perto cada quadro. olhamos de frente... o temor da perda. novamente. é nas cores e nos traços que te perdemos. é só e apenas neles que morre... tudo o que neles nunca fica! olhamos o vazio e o mágico lugar que perdura no tempo. olhamos... este quadro e lembramo-nos rápidamente de todos os outros... porque detalhadamente já não é nosso: o tempo! abandonada a alvenaria da perda: partimos! sempre... animados à viva cor de novos quadros. e sempre que partimos donde estamos... todos os lugares se transformam no extenso mar... que só existe entre o céu e a terra... num único e só ponto! secretas memórias incendeiam em nós... horizontes esquecidos. faz vento e o pensamento traz-nos de volta ao grande mar do desenho. ao risco das revoltas àguas onde se recatam suaves fadigas. onde podemos brincar esquecidos dos sonhos, das cores, dos riscos, dos traços... no fresco mergulho que só o mar nos sabe levar. descida a montanha que traçou o destino desde as serras até à planicie: sonhamos acordados. olhamos de longe o lugar... que ficando cada vez mais para trás do nosso horizonte... nos entristece. partimos... animados à viva cor do novo dia; fatigados e cegos de tudo o que sempre nos espera... aqui ou noutro lugar!}
{... na dança do sol, amanhecemos hoje em terras planas. porque... não há ruas escuras no alentejo! abertos ao céu, sentados na desigualdade dos dias: nascemos. nesta morada sem endereço... só as cores dançam livremente. aberta a luz que rasga os negros céus... damos início à festa que nos trouxe até aqui. é na dança do sol que amanhecemos hoje em terras planas... cheios de luz. nesta morada sem endereço, partem já as cores em festa para outro lugar. porque nunca é tarde nem é cedo na aldeia do nosso acordar... que o sol não se ponha sempre a jeito para nos abraçar. abertos ao céu... riscamos já nas telas do pensamento: as partidas e as chegadas das novas cores. lançado o esboço à estrada, percorremos novos caminhos com o destino de riscar sempre algo de novo. sempre... e logo que assim partimos à descoberta nas suas e mais abstractas: aldeias de portugal. sentados na desigualdade dos dias... nascemos sempre aqui ou noutro lugar... quando o sol nos pega pela mão e nos convida a dançar. }
{... em tudo isto, tem que haver mais do que isto tudo. porque no seu todo... somos ainda e só... conhecimento vivo do que aparentemente existirá... para além de tudo isto!... foi pensando nisto que leio em luís lima: [isto]... "para viver um ser vivo tem de estar vivo e querer estar vivo, além de querer estar vivo, um ser vivo tem, para ser vivo, de viver independentemente de querer ou não viver uma dada vida. só assim, querendo, mesmo sem querer e independentemente de querer ou não querer viver, dado ser vivo, para estar vivo, como qualquer ser vivo, tem de ser um ser que vive, vivo, os seus quereres e não quereres em termos de viver ou não viver uma vida que se vive independentemente do querer. um ser vivo para viver tem de ser isto, vivo, independentemente de ser isto a viver ou de ter sido mais ou menos isto vivo. se viver sem ser isto, um ser vivo não existe." by Luís Lima in:
{... passo as mãos pelas cores... e surgem as angústias do tempo. a ausência das cores e do movimento no tempo. é que pensar o risco que cada traço na sua cor tem... faz de cada quadro... tudo aquilo a que se chama: obra. entre serras cerradas caminhámos nas ruas escuras de outros passados... que de nosso nada tinha... mas... que a bom jeito: nos fez pintar um único quadro direito! abrimos janelas e hasteamos bandeiras em terras de pedra. teimosia. fantasia. destino. abrigo solitário que não nos quis nessa cruz. lançandos à sorte... mudamos de rota. fechamos a porta a todos os rostos desconhecidos e regressamos à procura do nascer do sol em terras mais planas. fantasia. destino. abrigo solitário onde hasteamos outrora seguras bandeiras. passo as mãos pelas cores... e surgem angústias de não ter tido tempo para pensar cada quadro que completa tudo aquilo a que chamam: obra. entre serras cerradas e na casa onde se rezaram mil rosários... quis Deus brincar comigo e por destino... fazer do meu caminho: um regresso tranquilo. já não sei se sei: brincar nos jardins da insónia... nem tão pouco se ainda sei pintar as sortes ou as mortes que só o céu... sabe desenhar nas nuvens e nas estrelas que brindam ao sol que anoitece em mim. passo as mãos pelas cores e sei que não tive tempo para te pensar. na alta serra... desenhámos tristezas e guerras antigas. conhecemos gentes amigas e almas estranhas ao nosso olhar. passo as mãos pelas cores... e o sonho chama de novo por mim. partimos sempre por fim... sem tempo para te pensar. sei que é tempo de regressar ao sol que nos acorda da serra mais alta do teu altar. passo as mãos pelas cores e o tempo vence a angústia de tudo o que nos faz pensar em ti: aqui ou noutro lugar. }
{... na casa dos sonhos, aberta a porta... divagamos. vimos rostos que não conhecemos e lugares desconhecidos. na casa dos sonhos... degrau a degrau, subimos a escadaria do sono. sentados já nos bancos dos jardins que só nas ruas dos sonhos existem: observamos como é maravilhoso o mundo! a vida. o universo. esquecidos de nós... sentamo-nos cansados no sono: à espera. sempre à espera que tombe em nós: o milagre de sonhar. sobrevoado o tecto do pensamento... despimos imagens e memórias!... nesse mágico instante, somos crepúsculo e cores musicadas na solidão da noite. na melodia do adormecer, surgem personagens que nos abraçam e nos levam de mãos dadas pela noite fora. é na escadaria do sono que divagamos. pintamos vidas e milagres que só lá acontecem. mágico lugar esse que nos leva até às estrelas mais longínquas. até onde só a alma consegue alcançar. ver. sentir. regressar... entrados no paraíso, sorrimos perdidos nas cores desconhecidas que até lá nos fizeram chegar. é no sonho que brincamos e rimos das leis que regem o jogo da vida. mergulhamos na fantasia e a imaginação leva-nos a tudo o que está escondido para além do nosso olhar. aberta a porta ao sono... há todo o tempo do mundo para sonhar! divagamos. vimos rostos que não esquecemos e lugares onde queremos regressar. há sonhos que se repetem e novos que acontecem... sempre que esquecidos de nós... abrimos a porta do sono. abandonado o corpo: ficamos à espera. à espera que a mágica hora aconteça e nos faça percorrer... todas as ruas da nossa imaginação. na casa dos sonhos, aberta a porta... vimos rostos, cores e lugares: divagamos livres de pensar!... }
{... riscamos os céus de verde musgo... só para avistar a árvore mais alta de todos os sonhos. riscamos infinitos traços... para que nunca se escorregue na escadaria dos sonhos mais estranhos. se fosse fácil entrar de olhos abertos na janela do sono... debruçava nos desejados ramos do teu ser: mil cores ao adormecer. devagar. tudo muito devagar. suavemente. sem pressa de acordar do sonho que risca a vida. sem vento. sem som. sem lápis. sem memórias. sem tempo. sem mistério!... sem o tudo e o todo: apenas e só o céu!... percorridos desconhecidos lugares... entramos no sono que nos leva ao sonho e nos traz sempre de volta sem tempo para te pensar. novamente o sono. luz e sombra que o vento risca no pensamento: mil cores ao adormecer. o céu será sempre riscado a branco, cinza, azul, laranja, amarelo, magenta, negro, azul profundo... porque o céu nunca morre!... na escadaria do sono, riscamos vezes sem conta todos os sonhos... até que se esqueça também ele... e no seu todo... de tudo... de nós! degrau a degrau... no seu aparente vazio... há riscos desenhados que já nos sorriem de espanto: sonhamos?!... estranha escadaria é o sono... subida e descida constante... que alcançada vezes sem conta... nos liberta e completa o desejado retorno: à eterna viagem! o sono. o sonho. a vida. no seu todo... todas as noites voamos ausentes de nós. percorremos misteriosos universos. é nas suas margens que repousamos: lançados de desejo. adormecido o pensamento: semeamos ilusões. planeamos o futuro no presente e recordamos o passado num tempo que já não existe. degrau a degrau. sempre. subida e descida... com que todos os dias julgamos que sózinhos fazemos acontecer. suavemente. sem pressa. sem sorte ou morte... voamos mil vezes sem medo do fim. riscamos desejos no alto dos céus. desenhamos ramos no seu azul mais profundo... só para lá repousar e ficar. sentados no tempo... sem cair. o resto pouco importa! tudo o que é deixará por fim de ser. não há correria mais tranquila do que o sono. porque sempre que fechamos os olhos: acordamos no topo da sua árvore mais alta! riscada por nós e por ele. só para que o sono nos abraçe e adormeça. devagar. sem medo. suavemente... no verde musgo dos teus ramos... só para te pensar. sempre que paramos na escadaria dos sonhos ao anoitecer: inventamos mil cores sem saber. }
{... no telhado dos nossos sonhos... já cansados de tanto caminhar: paramos. sentados sobre o vazio que nos trouxe a este lugar... tudo é terra barro, canto chão. por vezes, no telhado dos nossos sonhos: trazemos cores pintadas de lugares desenhados em invisíveis papeís, esboçados na rota de cada voar. como é tão incerta esta viagem, que percorrida entre deus e o vento: nos faz sobrevoar tantos mares de desalento. saímos de nós. sentados no vazio, observamos tudo o que ficou para trás. surgem imagens conhecidas, reais, imaginárias, desconhecidas. afogadas as mágoas dos outros... pensamos em nós! é na algazárra desta vida que as cores nos falam. gritam imagens da vida no sono. diluidas todas ao mesmo tempo: sonhamos! recriamos da guerra dos homens... apenas e só: coloridos rostos em momentos de paz. saídos de nós: tudo é tão perfeito! entre deus, o vento e o céu... há para além do azul e das estrelas brancas da noite: secretos recantos que nos aguardam e amparam cada sonho até à próxima viagem!... todos os dias voamos sempre quando cansados ficamos de tanto caminhar! ainda tudo é da cor da terra barro... por enquanto! nesta incerta viagem... quis assim deus... que deste vôo viessem comigo... apenas pigmentos de azul e branco. só para que eu saiba que há mais terra barro e canto chão no céu do seu olhar. saídos de nós: somos apenas pó, pigmentos de várias cores, regresso e viagem constante. é por isso que deus fez do vento um sopro ausente de cor... da vida uma incógnita viagem... do sonho um lugar incerto. porque só ele sabe... que depois de adormecidos todos os sentidos... é deus que faz de nós: nascer sempre de novo!...}
{... em terras lusas há toiros bravos: pretos, castanhos, malhados de branco, ocre e pontualmente de dorso dourado. no caderno das memórias dos pintores... há tudo isso e muito mais... que só mesmo a paleta das cores pode modificar! em terras lusas há a tradição do toureio. no alentejo, entre as fronteiras do medo e a vizinha espanha... fizemos um safari para redesenhar: toiros bravos! no abrasador calor na ganadaria dos passanha... dentro de um carro campreste tipo jep, e a convite do empresário carlos pegado: percorremos medos escondidos de janelas abertas à aventura diária de diogo passanha. há vidas tão diferentes das nossas, que por vezes esquecemos nesta vida... a importância do "viver" que cada vida tem. por escolha, herança, tradição ou opcção, vivemos caminhos que por outros percorridos... são e desde logo: janela aberta ao nosso destino! em telas lusas há toiros bravos que se pintam de preto, castanho, azul, ocre, laranja, malhados de branco e pontualmente de dorso dourado. os toiros são por natureza tão bem desenhados, que nem o traço de picasso, ousou apagar nos seus quadros: a beleza de todas as suas linhas. há no fitar escondido de cada toiro: invisíveis mistérios que nenhum traço ou cor, conseguirá jamais captar o risco do seu olhar. desenhar toiros sem os ver de perto, é como pintar às cegas toda a sua grandiosidade. à medida que nos aproximamos e ficamos de frente aos majestosos toiros: o coração aperta e o jep torna-se pequeno para resguardar os nossos medos. afinal... só eu sentia medo! aberta a janela e vencido o medo: observamos as formas, o corpo, o olhar... só para sentir o movimento que há em cada um deles. no final de tudo isto... tudo é ou será: um grande mistério! assim fomos campo a dentro, entre as fronteiras do medo e a vizinha espanha... observar de perto os toiros dos passanha. há em terras lusas toiros bravos, que nas telas dos pintores já se pintam de todas as cores. há no alentejo... um portugal que por vezes é tão esquecido... deste nosso povo cheio de bravura e de orgulho: na sua/nossa secular tradição!... parabéns diogo passanha... obrigado: carlos pegado! }
{ ... goya, manet, van gog, romero, paula manzanares, morante, picasso e os touros. entre o eu e o mim: tudo é viagem! destino. cores. pensamento. perpétuo é o prazer de quem mergulha nos mares da criatividade. pintamos casas, barcos, toiros, arenas, personagens, vidas, sentimentos e todos os possiveis universos imaginários. todas as cores são musicadas entre a realidade e a fantasia... sempre que a vida nos transporta na sua imensa barca de tonalidades. olha-se o céu e as estrelas podem ser desenhadas a prata ou vermelho carmim. o que existirá em nós, que para além da razão... entre ver e olhar... sempre nos diferencia?!... somos entre os demais: navegados olhares! aqui, fazemos partir barcos rumo a paragens imaginárias que em recatados mares: ancoramos as nossas memórias. é bom saber que há quem rume sempre em direcção de novas ilhas. em cada porto seguro do nosso olhar... navegamos sempre sem destino. somos prazer perpétuo. azul profundo... sempre que mergulhamos nos mares da criatividade. olha-se o mar, o céu, a terra e partimos sempre da mesma forma: mergulhados de prazer! só mesmo o destino sabe desenhar o tempo que nos resta... para olhar tudo aquilo que ainda nos falta ver!... entre o céu e o mar, navegamos hoje: a bordo do santa maria manuela!}
{... quais as cores de fernado pessoa... não sei! haviam tantas pessoas em pessoa que apesar de eu saber, que na psicologia as cores, cada uma delas tem o seu significado... em todas elas e em nenhuma - eu não o encontro. não o vejo. sinto! porque todos os pigmentos têm as suas próprias transparências e opacidades. cambiantes. ausências. solidão. sentimentos que numa imensidão de palavras, contam estórias e imagens escritas em folhas de papel. sem tela e sem tintas... o escritor pintou estados de alma. retratou nas suas palavras: os outros. quis ser diferente dos demais: viveu só. foi livro. poesia. pensamento. tudo e nada. ser diferente, é viver em silêncio. é viver em lugar incerto... é habitar todos os lugares e em nenhum ao mesmo tempo. lugar sagrado onde tudo o que se sente e se pensa... é e será sempre: casa do senhor Deus. hoje, no seu 119º aniversário, há um poema que marca todas as cores na paleta deste atelier. penso nele!... penso em Deus, nas cores e, no génio de fernando pessoa.} "Pensar em Deus é desobedecer a Deus,/ Porque Deus quis que o não conhecêssemos,/ Por isso se nos não mostrou.../ Sejamos simples e calmos,/ Como os regatos e as árvores,/ E Deus amar-nos-á fazendo de nós/ Belos como as árvores e os regatos,/ E dar-nos-á verdor na sua primavera,/ E um rio aonde ir ter quando acabemos!... Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos" de Fernando Pessoa."