11.9.09

[ ...Windows Sleep... ]

{... sempre que o céu abre janelas ao sono: somos voo livre. voamos em estrelas pintadas... à procura de novos significados. resgatamos nas palavras... cores. imagens. memórias. universos paralelos. sem escala. tempo. aparentemente... o sono é um passeio de coragem. desconhecido. breve. solitário. }

[ Pat Metheny ]

31.8.09

[ ...The colors of Eternity... ]

{... eterna é a mudança. alternadamente, é sempre entre o vazio e o cheio que tudo se transforma. a casa, o corpo, o pensamento, a terra. e quando surgem memórias dum tempo que já não nos pertence: nada é igual. nem as ruas, as cidades, as serras, as montanhas, os rios, as pessoas. alternadamente e em ritmos diferentes... tudo o que há no universo tem vida. movimento. cor. porque é na tonalidade dessa mudança que despercebidamente, rodopiamos vezes sem conta todas as suas cores. sempre. eternamente... até que a alma se liberte e se dílua noutro tempo. na realidade... só as cores são eternas.}

[ Memo Akten ]

"Body Paint" Installation at "Clicks or Mortar", March 2009 from Memo Akten on Vimeo.

14.8.09

[ ...Volume of the Color... ]

{...o que seria do ponto sem o traço... na extensa volumetria da cor... se num determinado espaço... não houvesse mais vida?!... é que não há espaço sem cor em toda a volumetria do tempo... sem que exactamente e num determinado ponto... cada um de nós não seja mais do que cor, risco, traço, espaço, volumetria. somos... o início e o fim com que o universo se veste e desce à terra. sempre. somos... chegada e partida. densidade e cor viva; que em livre pensamento; faz de todos nós: desenhadores dum novo tempo. }

[ A ESTRADA by Rodrigo Leao ]

6.8.09

[... The Gardens of Childhood...]

{... de regresso aos jardins da nossa infância, revisitamos todas as cores que nos fazem recordar: tempos felizes. sentados no tempo, observamos o antigo relógio de pedra que permanece igual e no mesmo lugar naquele que foi: o jardim da nossa infância. intocável. estático. inalterável. sempre à espreita do tempo; do sol; da lua; das estrelas... sem nunca se atrasar. parar. morrer. motivado pela luz que o tempo reflete vezes sem conta... só ele perdura no jardim que nos viu crescer. se fossemos um relógio de horas pensadas... teríamos plantado outros tempos na alvenaria do que somos. se fossemos sombra calculada no mapa da nossa existência... as memórias ganhariam desconhecidas tonalidades. se não houvessem relógios no tempo... o que seria de nós?!... transformar-nos-íamos em pedra intocável, estática, inalterável... sempre à espreita do sol, da lua, das estrelas. seríamos sómente: luz e sombra. contraste. olhar atento aos movimentos de tudo o que se avista do vasto manto e que cobrirá para sempre: o desconhecido universo. seríamos espeitadores deste tempo e de um outro que paralelamente a outros tempos... projectam-nos no infinito do que somos: num desconhecido relógio. se pudessemos desvendar o tempo... seríamos muito mais do que está para além da sombra, da luz... e de tudo o que aparentemente perdurará no tempo. teimosamente, somos ao mesmo tempo... o antes e o depois... de tudo o que existirá em nós. somos... todas as cores felizes... sempre que nos sentamos num outro tempo... só para pintar de novo: os jardins da nossa infância. }

[ Coldplay - Clocks ]

28.7.09

[...Sand Cold...]

{... adragar é um verbo de perfeição! adragamos... sempre que por prazer mergulhamos em praias lusitanas. nas escarpas destas saudosas rochas que se erguem em terras de sintra... o atlântico traz mil odores e tantas outras cores do minho. é na praia da adraga que saboreamos os ventos do norte. é aqui que pisamos: areias frias! caminhamos. nesta praia, somos sombra e mil imagens de valentia. esperança. somos felizes assim.... sempre que adragamos por prazer em praias vazias das marés de outras gentes. revoltas as memórias, olhamos de longe: o mar. estandarte de desejo. frio. azul. branco. ondulado. calmo. sereno. solitário. sempre!... adragar, é um verbo de perfeição! é nas escarpas lusitanas que abrimos novas praias sempre que no mar português mergulhamos. revisitamos odores, cores, sabores. tempos que em contra tempo... nos pegam pela mão e nos trazem de novo... ao pensamento nosso ser... das revoltas areias que só o mar sabe levar consigo em sono tranquilo. só consigo!... sem revolta. sereno. solitário. adragar, é saber abrir todas as praias desertas. é mergulhar no mar português que se confunde com o céu de quando em vez... sempre que do infinito azul espreitamos: as ondas que ainda se pintam de branco. e sempre que se encendeiam todas as estrelas que há em nós: somos sonho, desejo. ser, é uma extensa praia de areias frias! azul. branca. ondulada. serena. revolta. solitária. memórias de um caminho que entre o mar e o céu... nos sentamos pelo amanhecer... nas escarpas do que fomos e somos para conjugar a sós: o verbo adragar!...}

[ Everything But The Girl ]

16.7.09

[... Black Beatch... ]

{... riscadas as paixões que nos fazem acertar ponteiros com as nossas origens, guardamos todas as memórias no grande ecran do pensamento. arrumadas as cores... tudo é negro. sabe bem esvaziar as tonalidades do saber numa única só cor. sabe bem ficar ausente de tudo... sem pensamento, cores, riscos, traços, imagens, memórias! como é bom parar o tempo em negras praias onde nossos sonhos desembarcam cansados de tanto navegar. saímos de nós... e entregues ao sono: pisamos areias imaginárias. seguimos o vento na bruma marítima que afaga as nossas ilusões... caminhamos descalços. sentados no tempo... descurtinamos o destino; desafiamos o futuro; escutamos as bravas ondas que apagam em negras praias: a nossa presença. somos passageiros em vagas ondas das praias vazias de nós... porque o mar nunca dorme! não há noite no oceano; nem há dia no universo... sempre que riscamos do pensamento; todas as cores que nos fazem acertar ponteiros com as nossas origens. guardamos as memórias por ora e mergulhamos ausentes de tudo. riscamos paixões em areias negras e nas ondas brancas deste mar... até ao despontar dum novo dia. }

[ Maria Callas: Vissi D' Arte ]

15.7.09

[... Art & Toiros... ]

{... descida a montanha que nos trouxe e levou das serras à planície: arte & toiros é mais uma página a cores que preenche a nossa viagem. animados à viva cor... apontamos novas paragens. partimos donde estamos... só para avistar de novo: o mar. orientadas todas as cores a norte, lançamos riscos à sorte e matamos saudades do atlântico. traçados novos ventos: percorremos a encosta dos nossos sonhos. afinal, sempre que sonhamos... todos os lugares se transformam num extenso mar de cores que nos conduzem até ao céu. perder-te... seria o mais cruel de todos os sonhos. perder-te... entre o cansaço das cores e a azáfama dos traços... seria parar de sonhar! fatigada em mil cores... partimos sempre em silêncio. e sempre que de um lado para o outro partimos... olhamos de perto cada quadro. olhamos de frente... o temor da perda. novamente. é nas cores e nos traços que te perdemos. é só e apenas neles que morre... tudo o que neles nunca fica! olhamos o vazio e o mágico lugar que perdura no tempo. olhamos... este quadro e lembramo-nos rápidamente de todos os outros... porque detalhadamente já não é nosso: o tempo! abandonada a alvenaria da perda: partimos! sempre... animados à viva cor de novos quadros. e sempre que partimos donde estamos... todos os lugares se transformam no extenso mar... que só existe entre o céu e a terra... num único e só ponto! secretas memórias incendeiam em nós... horizontes esquecidos. faz vento e o pensamento traz-nos de volta ao grande mar do desenho. ao risco das revoltas àguas onde se recatam suaves fadigas. onde podemos brincar esquecidos dos sonhos, das cores, dos riscos, dos traços... no fresco mergulho que só o mar nos sabe levar. descida a montanha que traçou o destino desde as serras até à planicie: sonhamos acordados. olhamos de longe o lugar... que ficando cada vez mais para trás do nosso horizonte... nos entristece. partimos... animados à viva cor do novo dia; fatigados e cegos de tudo o que sempre nos espera... aqui ou noutro lugar!}

[ Ryuichi Sakamoto ]

6.7.09

[... Dance In The Sun... ]

{... na dança do sol, amanhecemos hoje em terras planas. porque... não há ruas escuras no alentejo! abertos ao céu, sentados na desigualdade dos dias: nascemos. nesta morada sem endereço... só as cores dançam livremente. aberta a luz que rasga os negros céus... damos início à festa que nos trouxe até aqui. é na dança do sol que amanhecemos hoje em terras planas... cheios de luz. nesta morada sem endereço, partem já as cores em festa para outro lugar. porque nunca é tarde nem é cedo na aldeia do nosso acordar... que o sol não se ponha sempre a jeito para nos abraçar. abertos ao céu... riscamos já nas telas do pensamento: as partidas e as chegadas das novas cores. lançado o esboço à estrada, percorremos novos caminhos com o destino de riscar sempre algo de novo. sempre... e logo que assim partimos à descoberta nas suas e mais abstractas: aldeias de portugal. sentados na desigualdade dos dias... nascemos sempre aqui ou noutro lugar... quando o sol nos pega pela mão e nos convida a dançar. }

[ 7 SÓIS ORKESTRA ]

5.7.09

[...La Philosophie Touche la Littérature...]

{... em tudo isto, tem que haver mais do que isto tudo. porque no seu todo... somos ainda e só... conhecimento vivo do que aparentemente existirá... para além de tudo isto!... foi pensando nisto que leio em luís lima: [isto]... "para viver um ser vivo tem de estar vivo e querer estar vivo, além de querer estar vivo, um ser vivo tem, para ser vivo, de viver independentemente de querer ou não viver uma dada vida. só assim, querendo, mesmo sem querer e independentemente de querer ou não querer viver, dado ser vivo, para estar vivo, como qualquer ser vivo, tem de ser um ser que vive, vivo, os seus quereres e não quereres em termos de viver ou não viver uma vida que se vive independentemente do querer. um ser vivo para viver tem de ser isto, vivo, independentemente de ser isto a viver ou de ter sido mais ou menos isto vivo. se viver sem ser isto, um ser vivo não existe."
by Luís Lima in:

[ Eleni Karaindrou - Adagio ]

4.7.09

[...Hands Step by Paint:Morning Glory...]

{... passo as mãos pelas cores... e surgem as angústias do tempo. a ausência das cores e do movimento no tempo. é que pensar o risco que cada traço na sua cor tem... faz de cada quadro... tudo aquilo a que se chama: obra. entre serras cerradas caminhámos nas ruas escuras de outros passados... que de nosso nada tinha... mas... que a bom jeito: nos fez pintar um único quadro direito! abrimos janelas e hasteamos bandeiras em terras de pedra. teimosia. fantasia. destino. abrigo solitário que não nos quis nessa cruz. lançandos à sorte... mudamos de rota. fechamos a porta a todos os rostos desconhecidos e regressamos à procura do nascer do sol em terras mais planas. fantasia. destino. abrigo solitário onde hasteamos outrora seguras bandeiras. passo as mãos pelas cores... e surgem angústias de não ter tido tempo para pensar cada quadro que completa tudo aquilo a que chamam: obra. entre serras cerradas e na casa onde se rezaram mil rosários... quis Deus brincar comigo e por destino... fazer do meu caminho: um regresso tranquilo. já não sei se sei: brincar nos jardins da insónia... nem tão pouco se ainda sei pintar as sortes ou as mortes que só o céu... sabe desenhar nas nuvens e nas estrelas que brindam ao sol que anoitece em mim. passo as mãos pelas cores e sei que não tive tempo para te pensar. na alta serra... desenhámos tristezas e guerras antigas. conhecemos gentes amigas e almas estranhas ao nosso olhar. passo as mãos pelas cores... e o sonho chama de novo por mim. partimos sempre por fim... sem tempo para te pensar. sei que é tempo de regressar ao sol que nos acorda da serra mais alta do teu altar. passo as mãos pelas cores e o tempo vence a angústia de tudo o que nos faz pensar em ti: aqui ou noutro lugar. }